Caso Ana Clara Machado trata-se da morte da menina Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, por um tiro de fuzil que teria partido da arma do policial militar Bruno Dias Delaroli, segundo a acusação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Ana Clara estava brincando na porta de casa, em Cantagalo, região de Pendotiba, Niterói, quando foi atingida em 02 de fevereiro de 2021 por dois disparos partidos de uma unidade policial realizando patrulhamento de rotina, e morreu na hora. Seu irmão de dois anos viu tudo. miniaturadaimagem|Petição ao STJ de Flávio Bolsonaro, atuando na defesa do PM acusado de assassinar Ana Clara A menina foi enterrada no cemitério São Francisco Xavier, em São Francisco. Familiares realizaram uma passeata com cartazes com pedidos de paz e exigindo o fim da violência policial contra crianças. Dois dias após o crime, o policial teve a prisão preventiva declarada e foi preso. Na ocasião, ele já respondia por outro homicídio, já tendo sido condenado em primeira instância pela morte de um motociclista com três tiros nas costas em 2014, crime considerado pela justiça em 2018 como "por motivo fútil", pelo qual respondia em liberdade.
De acordo com o laudo da Delegacia de Homicídios de Niterói, foram recolhidas cápsulas de fuzil 7,62mm iguais as utilizadas pela PM, não tendo sido localizados "quaisquer estojos de munição de pistola, tipo de arma que supostamente teria sido utilizada pelos criminosos do local", além do depoimento dos policiais ser incondizente com os relatos das testemunhas. A decisão da juíza Monique Brandão dos Santos Moreira enfatizou ainda o relato de uma testemunha que acusou os policiais de voltarem ao local do crime para recolher as cápsulas de fuzil.
Segundo relato da mãe da menina ao UOL, Cristiane Gomes disse que precisou implorar aos policiais para que socorressem a menina.
Ana Clara chegou a ser levada para o Hospital Estadual Azevedo Lima, recebeu atendimento, mas não resistiu.
O policial seria solto ainda no final de 2021, respondendo em liberdade desde então.
O caso, mais uma entre diversas mortes em operações policiais, ganhou mais destaque no noticiário em 2024. Após determinação judicial de que o cabo da PM Bruno Delaroli fosse julgado em júri popular, o senador da república e advogado Flávio Bolsonaro integrou sua equipe de defesa, assinando uma petição ao Superior Tribunal de Justiça a fim de atrasar o seu julgamento. O recurso foi negado pelo tribunal. O caso gerou questionamentos por partes de políticos da oposição, como Marcelo Freixo, que questiona os motivos de um senador da República utilizar seu peso político para defender um policial acusado de assassinar uma menina de cinco anos.
Em 30 de setembro de 2026, o caso foi abordado no terceiro episódio da série Revelando, com o título "O Julgamento que Nunca Aconteceu", apresentada pela atriz Camila Pitanga, abordando as notícias do caso e com depoimento da mãe da menina, fazendo a ligação do caso com outros assassinatos de policiais homenageados por Flávio Bolsonaro, como Adriano da Nóbrega.
Ver também Caso Ágatha Vitória Caso João Pedro Caso Marcus Vinícius
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