Rogério dos Santos Carapuça (Lisboa, 3 de Maio de 1958) é um engenheiro electrotécnico, gestor e antigo professor universitário português. Foi presidente executivo da Novabase entre 1999 e 2009 e presidente do conselho de administração da empresa até 2015. Desde Janeiro de 2013 preside à Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), tendo sido reconduzido para o mandato de 2025–2027.

Carapuça desenvolveu também actividade na definição e acompanhamento de políticas de transformação digital, presidindo ao Fórum Permanente para as Competências Digitais do INCoDe.2030 e integrando a Comissão Nacional de Acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência, onde coordena a comissão especializada dedicada à Transição Digital.

Em 2006, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito Agrícola, Comercial e Industrial, na Classe do Mérito Industrial.

Formação e carreira académica

Carapuça licenciou-se em Engenharia Electrotécnica no Instituto Superior Técnico (IST), no ramo de Telecomunicações e Electrónica, em 1981, concluindo o mestrado na mesma instituição em Engenharia Electrotécnica e Computadores em 1984, e o doutoramento na mesma área em 1988.

Iniciou a carreira docente no IST em 1981, primeiro como assistente estagiário e posteriormente como assistente. Depois do doutoramento, foi professor auxiliar da Secção de Sistemas Digitais e Computadores entre 1988 e 1994.

Paralelamente, foi investigador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC) entre 1984 e 1994, sendo responsável pelo Grupo de Sistemas de Informação e pelo Centro de Sistemas Computacionais da instituição.

Carreira empresarial

Novabase

Em 1994, Carapuça deixou a carreira académica regular e passou a integrar a administração da Novabase, empresa portuguesa de tecnologias da informação criada em 1989. Exerceu funções de administrador até 1999, quando passou a presidir ao conselho de administração e à gestão executiva da empresa.

Durante o período em que acumulou a presidência do conselho de administração e a presidência executiva, a Novabase passou por uma fase de crescimento e diversificação, incluindo a admissão das suas acções à Bolsa de Lisboa em Julho de 2000 e a expansão das actividades de consultoria, integração de sistemas e televisão digital. Carapuça permaneceu à frente da gestão executiva durante a maior parte dessa fase de expansão.

A 30 de Abril de 2009, o conselho de administração da Novabase aprovou um novo modelo de governação, criando uma comissão executiva presidida por Luís Paulo Salvado. Carapuça deixou então a presidência executiva, mantendo-se como presidente do conselho de administração, permanecendo no cargo até 2015.

Em Março de 2015 foi anunciada a sua saída do conselho de administração e a sua substituição por Luís Paulo Salvado na presidência do órgão. O novo modelo de governo societário aprovado nesse período eliminou temporariamente a distinção formal entre os cargos de chairman e presidente executivo.

Depois de abandonar o conselho da sociedade gestora, Carapuça continuou, até 2018, a integrar os órgãos de administração de algumas empresas participadas do grupo Novabase.

Outras actividades empresariais

Posteriormente, fundou a sociedade RSCINVEST, S.A., da qual passou a exercer as funções de administrador único.

No início da década de 2010 esteve também ligado à TICE.PT — Associação para o Pólo de Tecnologias de Informação, Comunicação e Electrónica. Em 2012, documentação oficial relativa aos pólos de competitividade identificava-o como presidente da associação.

Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações

Em Janeiro de 2013, Carapuça foi eleito presidente da direcção da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, sucedendo a Pedro Norton.

Foi sucessivamente reconduzido no cargo, iniciando o terceiro mandato em Abril de 2019. Em Abril de 2025 iniciou um novo mandato para o período de 2025–2027.

Durante a presidência da associação, Carapuça tornou-se uma presença regular no debate público português sobre telecomunicações e transformação digital. Em 2024, numa entrevista à Rádio Renascença, defendeu que as empresas teriam de aumentar progressivamente os investimentos em cibersegurança, abordando os efeitos da inteligência artificial no trabalho, a digitalização do ensino e a estrutura do mercado português de telecomunicações.

Na mesma ocasião, sustentou que o mercado português não tinha dimensão para um novo grande operador de telecomunicações, embora considerasse que a entrada de novos concorrentes poderia afectar os preços, defendendo que a regulação sectorial não deveria confundir-se com a defesa directa do consumidor.

Em Julho de 2025, numa entrevista ao Jornal de Negócios, afirmou que o sector das telecomunicações em Portugal, que no início do século identificava com uma cultura de inovação, passara a concentrar-se excessivamente na concorrência pelo preço.

No mesmo período, Carapuça passou a defender com frequência a necessidade de aumentar a dimensão e capacidade de investimento das empresas portuguesas e de recuperar uma cultura empresarial mais orientada para a inovação.

Transformação e política digital

Competências digitais

Carapuça passou a presidir ao Fórum Permanente para as Competências Digitais, estrutura associada à iniciativa nacional INCoDe.2030. O fórum foi criado para reunir e articular entidades públicas, empresas, instituições de ensino e investigação e outras organizações na promoção das competências digitais em Portugal.

Nessa qualidade, presidiu às conferências do fórum dedicadas à avaliação das políticas de inclusão, educação, qualificação, especialização e investigação no domínio digital.

Plano de Recuperação e Resiliência

Em Maio de 2021, Carapuça foi designado pelo Governo português como uma das personalidades de reconhecido mérito integrantes da Comissão Nacional de Acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência (CNA-PRR), encarregada de acompanhar e avaliar a execução das reformas e investimentos financiados pelo PRR.

No âmbito da comissão, Carapuça passou a coordenar a comissão especializada para a Transição Digital, estrutura inicialmente coordenada conjuntamente por Carapuça e pela investigadora Manuela Veloso, ficando responsável pelo acompanhamento das componentes do PRR ligadas à transição digital.

Em documentação posterior, Carapuça surge como coordenador da comissão especializada de Transição Digital, participando nessa função, entre outras actividades, no acompanhamento de projectos de digitalização da gestão financeira pública e de modernização dos sistemas de informação da Administração Pública.

Programa Carnegie Mellon Portugal

Carapuça integra ainda a estrutura de governação do Programa Carnegie Mellon Portugal, parceria entre instituições portuguesas e a Universidade Carnegie Mellon, como representante da indústria no seu órgão de gestão, participando nesse órgão desde pelo menos 2018.

Outras funções institucionais

Entre 2013 e 2017, Carapuça integrou, como membro externo, o Conselho de Faculdade da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Foi ainda membro do conselho científico para as Ciências Exactas e da Engenharia da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, participando em diversas estruturas ligadas ao desenvolvimento da economia e das tecnologias digitais.

Obra

Em 2018 publicou o livro Revolução Digital: Quando Quase Tudo É Possível, pela editora Glaciar. A obra, dedicada à transformação tecnológica e aos seus efeitos na economia e sociedade, integra a colecção Ciência Disruptiva.

Distinções

Em 2006, Carapuça foi agraciado pelo Presidente da República Jorge Sampaio com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito Agrícola, Comercial e Industrial, na Classe do Mérito Industrial.

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