A Novabase — Sociedade Gestora de Participações Sociais, S.A., geralmente designada Novabase, é um grupo empresarial português do sector das tecnologias da informação, com sede em Lisboa. Constituída em 1989 como uma empresa de desenvolvimento de sistemas informáticos, transformou-se em sociedade gestora de participações sociais em 1999 e está cotada na Euronext Lisboa desde Julho de 2000.

A empresa desenvolveu-se inicialmente a partir do fornecimento de software à medida, evoluindo durante a década de 1990 para a integração de sistemas e, após a entrada em bolsa, para um grupo diversificado nas áreas de consultoria, infra-estruturas, televisão digital e investimento tecnológico. A partir de 2019, iniciou uma nova reorientação estratégica, com a alienação de várias actividades tradicionais e a concentração progressiva dos recursos no segmento denominado Next-Gen, desenvolvido sobretudo através da Celfocus.

História

Fundação e formação do grupo

A Novabase foi constituída em 11 de Maio de 1989, sob a denominação Novabase — Sistemas de Informação e Base de Dados, Lda.. Os fundadores foram os engenheiros José Afonso Oom Ferreira de Sousa e Pedro Miguel Quinteiro Marques de Carvalho, que haviam trabalhado no Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC). O estudo de Ricardo Paes Mamede sobre a evolução da empresa caracteriza-a como uma spin-off de membros daquela instituição de transferência tecnológica.

Nos primeiros anos, a actividade incidiu principalmente no desenvolvimento de sistemas de informação à medida, tendo entre os primeiros clientes várias instituições da Administração Pública. À medida que crescia a utilização de sistemas de informação nas empresas portuguesas, a Novabase passou a posicionar-se também como integradora de sistemas, alargando a actividade aos sectores financeiro, das telecomunicações e dos serviços de utilidade pública.

Em 1994, a empresa certificou o seu processo produtivo segundo a norma NP EN ISO 9001. Fontes institucionais posteriores identificam-na como a primeira empresa do mercado português de desenvolvimento de software a obter aquela certificação do Instituto Português da Qualidade.

Durante a segunda metade da década, a organização passou de uma estrutura essencialmente hierárquica para uma rede de unidades e empresas especializadas. Entre 1997 e 1999 foram criadas ou integradas sociedades orientadas para diferentes segmentos tecnológicos, mantendo a Novabase a participação maioritária e envolvendo gestores dessas unidades no respectivo capital.

A 23 de Dezembro de 1999, a sociedade alterou a sua denominação para Novabase — Sociedade Gestora de Participações Sociais, S.A. e o seu objecto social, tornando-se a holding do grupo. A reorganização antecedeu a dispersão de capital em bolsa no ano seguinte.

Rogério Carapuça, que viria a marcar a direcção do grupo durante mais de uma década, entrou para a administração da Novabase em 1994, tornando-se presidente do conselho de administração e presidente executivo em 1999.

Entrada em bolsa e diversificação

A Novabase realizou a sua oferta pública inicial e começou a negociar na Bolsa de Lisboa a 4 de Julho de 2000, com as acções colocadas a 8,50 euros. A entrada em bolsa permitiu financiar uma fase de rápida expansão por crescimento orgânico, criação de novas sociedades e aquisições.

Em 2000, o volume de negócios mais do que duplicou, para 52,85 milhões de euros, enquanto o resultado líquido atingiu 6,4 milhões. Nesse ano, a Novabase adquiriu participações ou a totalidade do capital de doze empresas e constituiu outras onze. Entre as aquisições encontrava-se a Octal, produtora de descodificadores para televisão digital, que passou a ser detida integralmente pela Novabase.

No mesmo período foi constituída a Celfocus, numa parceria entre a CFocus, pertencente ao grupo Novabase, e a então Telecel. A primeira detinha aproximadamente 55% do capital e a operadora de telecomunicações 45%. A nova sociedade destinava-se inicialmente ao desenvolvimento de soluções de gestão de relações com clientes para empresas de telecomunicações.

A expansão incluiu também uma tentativa de internacionalização para o Brasil e a preparação da entrada em Espanha.

Em Dezembro de 2002, a Novabase acordou com a General Electric a aquisição de 83% da GE Capital IT Solutions Portugal por 2,5 milhões de euros. O negócio viria a contribuir para a formação da unidade de infra-estruturas e serviços geridos do grupo.

A fase de expansão não foi linear. Em 2003, o resultado líquido caiu 93,9%, de 9,5 milhões para cerca de 580 mil euros, devido a custos extraordinários e à redução da actividade de consultoria. Em 2004, a empresa decidiu igualmente abandonar a operação no Brasil, tendo constituído uma provisão de 1,9 milhões de euros associada ao encerramento desse negócio.

Também em 2004, a Novabase entrou numa parceria com a alemã TechnoTrend, que serviu de plataforma à expansão europeia da área de televisão digital. A unidade fornecia set-top boxes e outras soluções a operadores em mercados como Alemanha, Reino Unido e França.

A internacionalização voltou a acelerar nos anos seguintes. Em 2007, o grupo atingiu um volume de negócios de 313,2 milhões de euros, dos quais 38,9% eram gerados fora de Portugal, sobretudo através da área de televisão digital, contando nesse ano com uma média de cerca de 1 650 trabalhadores.

A deterioração dos mercados financeiros e os problemas em algumas participadas conduziram a uma reorganização em 2008. A Novabase encerrou a área de Mobility Solutions, concentrou a propriedade de empresas portuguesas ligadas à televisão digital e deixou de consolidar a TechnoTrend, reconhecendo a imparidade do investimento na empresa alemã.

Reestruturação e internacionalização

Em 2009, Luís Paulo Salvado sucedeu a Rogério Carapuça na presidência executiva. Carapuça permaneceu como presidente do conselho de administração, enquanto Salvado, até então director financeiro, assumiu a gestão corrente do grupo.

Nos anos seguintes, a Novabase voltou a apostar no crescimento internacional, procurando reduzir a dependência do mercado português durante a crise económica. Em Abril de 2011, adquiriu a totalidade da Evolvespace Solutions, especializada em soluções para o sector aeroespacial, por um valor máximo de 251 mil euros. A participada trabalhava maioritariamente em projectos internacionais para entidades como a Agência Espacial Europeia.

Paralelamente, a antiga área de televisão digital foi perdendo centralidade no grupo e passou a ser tratada como um investimento a desenvolver e posteriormente alienar. Em Fevereiro de 2014, a Novabase Capital vendeu ao grupo General Satellite a totalidade da Novabase Digital TV EURL e da DTV Research e 49% da Novabase Digital TV GmbH. A operação avaliou os activos alienados em cerca de cinco milhões de euros.

A actividade internacional tornou-se progressivamente mais relevante. Em 2015, o negócio realizado fora de Portugal ultrapassou pela primeira vez 100 milhões de euros; nesse exercício, a Novabase facturou 231,6 milhões e apresentou um resultado líquido de 7,4 milhões de euros, contra 3,1 milhões no ano anterior.

A partir de 2015, o grupo passou também a reduzir a exposição a mercados emergentes considerados mais voláteis, dando maior prioridade à Europa.

Redefinição do grupo

Em Outubro de 2016, a Novabase acordou vender à Vinci Energies a actividade de Infrastructures & Managed Services (IMS), que no ano anterior representara cerca de 45% do volume de negócios do grupo. O preço inicialmente acordado foi de 38,365 milhões de euros. Após o apuramento final do fundo de maneio e da dívida líquida, a contrapartida foi fixada em 41,061 milhões de euros.

A antiga Novabase IMS passou a integrar a marca Axians Portugal, da Vinci Energies. A transacção envolveu aproximadamente 400 trabalhadores e representou a saída de uma área que durante vários anos fora um dos principais pilares do grupo.

A governação da empresa também sofreu alterações. Rogério Carapuça saiu do conselho de administração em 2015, sendo sucedido na presidência por Luís Paulo Salvado. Nesse mandato foi temporariamente eliminado o cargo autónomo de presidente executivo. Em 2018, a separação entre supervisão e gestão executiva foi restabelecida: João Nuno Bento assumiu a presidência da comissão executiva e Salvado permaneceu presidente não executivo do conselho de administração.

No final de 2018, a empresa registava um volume de negócios de 148,7 milhões de euros, 54% dos quais provenientes do exterior. A administração anunciou então estar a realizar uma «reflexão estratégica profunda» sobre a configuração futura do grupo.

Estratégia Next-Gen

Em Julho de 2019, a Novabase apresentou o plano estratégico Strategy Update 2019+, baseado na concentração em tecnologias que agrupava sob a designação Next-Gen, entre as quais inteligência artificial, cloud computing e outras tecnologias digitais. O grupo estabeleceu como objectivo ultrapassar 150 milhões de euros de receitas neste segmento em 2023, aproximadamente o dobro do valor então registado, dando prioridade à Europa e ao Médio Oriente.

No primeiro semestre de 2019, o Next-Gen já correspondia a cerca de 55% da facturação da Novabase, sendo quase dois terços das respectivas receitas obtidos em mercados internacionais. A estratégia previa simultaneamente crescimento orgânico, aquisições selectivas e a alienação de actividades que não se enquadrassem no novo posicionamento.

Em Novembro de 2019, a Novabase acordou a venda à Vinci Energies do negócio de aplicações e análise de dados para os sectores de Governo, Transportes e Energia (GTE). A operação, concluída em Janeiro de 2020 por 33 milhões de euros, transferiu cerca de 400 trabalhadores e uma actividade que facturara aproximadamente 35 milhões de euros em 2018.

Em Março de 2020 foi vendida a Collab — Soluções Informáticas de Comunicação e Colaboração à sueca Netadmin System por um preço base de seis milhões de euros, sujeito a ajustamentos e a uma componente variável. A empresa empregava então cerca de 60 trabalhadores.

No mês seguinte, a Novabase chegou a acordo com a Vodafone Portugal para adquirir os restantes 45,001% da Celfocus por 20 milhões de euros, passando a controlar integralmente a empresa. O contrato previa ajustamentos que podiam elevar o valor total da operação até 27,75 milhões. A Celfocus tinha então cerca de 650 trabalhadores e registara 65 milhões de euros de volume de negócios em 2019.

Em 2021, João Nuno Bento deixou a liderança executiva. Luís Paulo Salvado voltou a concentrar a presidência do conselho de administração e a liderança executiva, sendo nomeado administrador-delegado juntamente com Álvaro Ferreira.

Nesse ano, o volume de negócios atingiu 138,8 milhões de euros, dos quais 75% eram já atribuídos ao segmento Next-Gen; 57,4% das receitas eram geradas fora de Portugal.

Em Outubro de 2023, a Novabase anunciou a venda do negócio de recrutamento e disponibilização de profissionais de tecnologias de informação, desenvolvido através da Neotalent, ao Conclusion Group. A alienação de mais de 95% da empresa foi concluída em Dezembro por 51,1 milhões de euros. A Neotalent empregava cerca de 800 pessoas e facturara 47 milhões de euros em 2022.

A operação gerou posteriormente uma mais-valia contabilística de cerca de 39,8 milhões de euros, contribuindo para que o lucro consolidado da Novabase atingisse 47,1 milhões em 2023.

No relatório desse exercício, a própria Novabase reconheceu que a ambição operacional estabelecida no plano 2019–2023 não fora integralmente alcançada, apesar de ter sido cumprido o objectivo de remuneração dos accionistas. A empresa atribuiu o desvio sobretudo ao atraso do crescimento por aquisições, aos efeitos da pandemia de COVID-19 e à instabilidade geopolítica.