Persicaria tinctoria é uma espécie de planta herbácea anual da família Polygonaceae. É nativa do sul da China e do Vietnã e foi introduzida em diversas outras regiões da Ásia e da Europa, entre elas Japão, Coreia, Mianmar, partes da Rússia e do Cáucaso, Alemanha e Ucrânia.

As folhas são utilizadas como fonte de índigo, razão pela qual a planta é cultivada tradicionalmente como espécie tintureira no Leste Asiático. Em japonês, é conhecida como ai (藍), tade-ai (蓼藍) e ai-tade (藍蓼).

Taxonomia e distribuição

A espécie foi descrita por William Aiton em 1789 sob o nome Polygonum tinctorium. Em 1841, Édouard Spach publicou a combinação atualmente aceita, Persicaria tinctoria. O Plants of the World Online, do Jardim Botânico Real de Kew, reconhece P. tinctoria como espécie aceita e registra como sinônimos homotípicos Polygonum tinctorium, Ampelygonum tinctorium e Pogalis tinctoria.

Sua área nativa compreende o centro-sul e o sudeste da China e o Vietnã. A espécie encontra-se introduzida no centro-norte da China, em Hainan, no Japão, na Coreia, em Mianmar, nas ilhas Curilas, na Manchúria, em Primorie, Sacalina, Tibete, Cáucaso, Alemanha e Ucrânia.

Descrição

Persicaria tinctoria é uma erva anual de caule ereto, geralmente ramificado, que alcança cerca de 50 a 80 centímetros de altura. As folhas são alternas, de formato oval a largamente elíptico, com cerca de 3 a 8 centímetros de comprimento por 2 a 4 centímetros de largura. Quando secas, podem adquirir tonalidade verde-azulada escura.

As inflorescências são terminais ou axilares, densas e em forma de espiga, medindo aproximadamente 2 a 5 centímetros. As flores apresentam perianto rosado com cinco tépalas e seis a oito estames. O fruto é um aquênio castanho e brilhante, envolvido pelo perianto persistente. Na China, a floração ocorre principalmente de junho a setembro e a frutificação de agosto a outubro.

Uso como corante

As folhas contêm indicano, um precursor do índigo. Durante o processamento, esse composto pode ser hidrolisado e posteriormente oxidado, dando origem ao pigmento azul. A espécie foi particularmente importante para o tingimento de tecidos de algodão no Leste e no Sudeste Asiático.

Entre os métodos tradicionais de tingimento encontram-se o uso direto das folhas frescas e os processos de tingimento em cuba. No primeiro, as folhas são trabalhadas juntamente com o tecido ou o fio; o processo aproveita os compostos solúveis presentes no material vegetal fresco e deve ser realizado rapidamente após a colheita.

No Japão, desenvolveu-se também o uso das folhas secas e fermentadas para produzir uma massa semelhante a composto vegetal denominada sukumo (蒅). Esse material é utilizado na preparação das cubas de fermentação empregadas no tingimento tradicional com índigo.

História

O emprego de plantas produtoras de índigo na China é antigo. Fontes históricas indicam que Polygonum tinctorium, nome pelo qual P. tinctoria foi originalmente descrita, já era utilizado como fonte de corante durante o período Zhou Ocidental, entre aproximadamente 1046 e 771 a.C. Evidências analíticas de índigo em tecidos chineses são conhecidas pelo menos desde a Dinastia Han.

No Japão, considera-se que a planta tenha sido introduzida antes do Período Nara. Há menções ao ai em obras antigas como o Man'yōshū e o Wamyō Ruijushō, enquanto o Engishiki, compilado no início do período Heian, registra quantidades de folhas frescas e secas destinadas ao tingimento.

Posteriormente, a planta passou a ser cultivada em grande parte de Honshu, Shikoku e Kyushu. Durante o Período Edo, a província de Awa, correspondente em grande parte à atual Prefeitura de Tokushima, tornou-se um dos principais centros de produção de índigo no Japão. Esse desenvolvimento esteve associado às obras de irrigação do rio Yoshino e ao controle da produção e da comercialização exercido pelo domínio de Awa.

A disseminação do índigo sintético produzido industrialmente reduziu posteriormente a importância econômica da planta como fonte de corante, embora seu cultivo e as técnicas tradicionais de tingimento tenham continuado no Japão.

Galeria

Ver também Anil (corante) Corante natural Indigofera tinctoria

Categoria:Persicaria Categoria:Flora da Ásia Categoria:Flora da Europa Categoria:Plantas descritas em 1789