thumb|400px|Mapa de 20 campos de filtragem russos na Oblast de Donetsk, Ucrânia, segundo o Conflict Observatory e investigadores da Universidade Yale. Codificação por cores dos tipos de campos:
Campos de filtragem (em russo: фильтрацио́нные лагеря), são instalações utilizadas pelas forças russas durante a Invasão russa da Ucrânia para registar, interrogar e deter cidadãos ucranianos em regiões sob ocupação russa antes de os transferir para a Rússia, por vezes no âmbito de transferência forçada de população.
Os detidos nos campos de filtragem são submetidos a um sistema de controlos de segurança e recolha de dados pessoais. Os detidos são alvo de tortura generalizada, execuções, violações, fome e outras graves violações dos direitos humanos.
O número de cidadãos ucranianos deslocados para a Rússia não pode ser verificado de forma independente. Segundo o governo ucraniano, cerca de 1,6 milhões de ucranianos foram deslocados à força para a Rússia, dos quais cerca de 250 000 eram crianças. O governo russo nega a deportação forçada e designa o processo por «evacuação».
De acordo com um plano de ocupação russo que veio a público, a «filtragem» seria a base da estratégia de contra-insurgência e pacificação, prevendo-se que grandes parcelas da população ucraniana passassem pelo processo após a ocupação total do país.
Descrição geral As potências ocupantes têm, em conflitos internacionais, o direito de registar pessoas na área sob o seu controlo ou mesmo de deter civis em certas circunstâncias; no entanto, o sistema russo de filtragem viola vários elementos do direito humanitário internacional e pode envolver graves violações dos direitos humanos.
Os ucranianos em zonas ocupadas pelos russos muitas vezes não conseguem fugir para território controlado pela Ucrânia, ficando sem alternativa senão permanecer em áreas com condições de vida insustentáveis ou deslocar-se para outras zonas sob controlo russo ou diretamente para a Rússia. Para entrar na Rússia, muitos são obrigados a passar pela «filtragem» — interrogatórios, recolha de dados biométricos e inspeção de telemóveis. Enquanto aguardam, são alojados em «campos de filtragem» improvisados em escolas, ginásios, centros culturais, esquadras de polícia ou tendas.
Após passarem a filtragem, muitos são transferidos à força para o Extremo Oriente russo.
Localização dos campos A maioria dos campos está localizada na autoproclamada República Popular de Donetsk (RPD). Foram instalados em edifícios públicos (escolas, ginásios, centros culturais) ou em tendas.
Em julho de 2022, os EUA identificaram pelo menos 18 locais de campos de filtragem, alguns preparados antes da invasão. Em novembro de 2024 foi revelada a existência de um campo de filtragem em Narovlya, na Bielorrússia.
Processo Muitos ucranianos são levados para os campos sem saberem, sendo-lhes dito que iam para território ucraniano. A detenção pode durar horas ou semanas. As condições são frequentemente precárias: dormem no chão, falta de comida, água e saneamento.
Durante a filtragem são tiradas fotografias, impressões digitais, interrogados sobre ligações familiares, políticas e militares, examinados telemóveis e, frequentemente, realizados despimentos completos à procura de tatuagens nacionalistas ou marcas de uso de armas.
Quem é considerado suspeito (membros das forças armadas, jornalistas, ativistas) é separado e enviado para centros de detenção onde são torturados ou desaparecem.
Crianças são por vezes separadas dos pais e enviadas separadamente para a Rússia.