miniaturadaimagem|Brasão da Ordem de Malta. A Ordem de Malta tem uma longa presença em Portugal, que remonta ao séc. XII. Conhecida originalmente como a Ordem do Hospital, os hospitalários estabeleceram-se em Leça do Balio e tomaram parte activa na vida do país, tendo inclusive comparticipado na sua defesa com a fundação dos castelos de Belver e de Ameira do Tejo. Entre os seus mais conhecidos membros conta-se D. António Prior do Crato.

História Não se sabe hoje ao certo quando é que os hospitalários se estabeleceram em Portugal mas em 1112 já se encontravam instalados no Mosteiro de Leça do Balio, assegurando assim o domínio e desenvolvimento de uma região situada perto de Guimarães, berço da nacionalidade.Paula Maria de Carvalho Pinto Costa: "A Ordem do Hospital em Portugal no Primeiro Século da Nacionalidade" in 2º Congresso Histórico de Guimarães, Sociedade, Administração, Cultura, e Igreja em Portugal no Séc. XII, actas do congresso, volume 5, pp. 99-106. Em 1130, o responsável pelo Mosteiro de Leça, Martinho, doou à igreja do Porto, na pessoa do seu bispo, D. Hugo, uma propriedade no Regado, situada na freguesia de Paranhos, para compensar a contribuição que o mosteiro devia à igreja há dezoito anos.Dirceu Marchini Neto: "O Priorado do Crato da Ordem do Hospital" in Revista Brasileira de História das Religiões. ANPUH, Ano X, n. 30, Janeiro/Abril de 2018 - ISSN 1983-2850, pp. 55-87.

A prioridade da Ordem em Portugal era a assistência em primeiro lugar e os actos bélicos em segundo. No entanto, os hospitalários contaram com o apoio de Afonso Henriques quando este assumiu o governo do condado portucalense após a Batalha de São Mamede, em 1128 e a identificação dos freires com o ideal de cruzada levou-os a participar na Reconquista por Portugal. A 30 de Março de 1130, o primeiro rei português garantiu aos hospitalários em carta de privilégios a defesa da sua integridade física e moral, assim como dos  seus dependentes, a protecção dos seus bens e isenção do pagamento de taxas como a coima, tributo, portagem e penhora. O Prior do Hospital em Portugal e na Galiza era por então D. Aires. No reinado de D. Afonso Henriques, os hospitalários procuraram uma implantação territorial que. não obstante ter dado azo a litígios, foi célere e contou com o apoio do rei. Um dos seus filhos bastardos, Fernando Afonso, chegou inclusive a ser o 12º grão-mestre da Ordem. miniaturadaimagem|O castelo de Belver. Os hospitalários participaram na conquista de Lisboa em 1147 e na primeira conquista de Silves, em 1189. No contexto da sua política de consolidação territorial e de fortificação das fronteiras contra a ameaça que partia do Andaluz, em 1194 o rei D. Sancho doou a terra fronteiriça de Guidintesta, região ameaçada pelas invasões muçulmanas, aos hospitalários, que em troca construíram ali o castelo de Belver. A experiência da Ordem em arquitectura militar permitiram a construção de uma fortaleza bem planeada. Esta doação permitiu que os hospitalários se implantassem e consolidassem na Beira interior e seria a partir de Belver que a Ordem se organizou na região.

A confiança inspirada pelos hospitalários levou a que o castelo de Belver viesse a servir de cofre ou tesouraria do reino. Em 1224, D. Sancho II doou aos hospitalários o Castelo de Algoso e, oito anos mais tarde, o Crato, em troca de construírem um castelo na região. miniaturadaimagem|O Mosteiro de Flor da Rosa, antiga sede do Prior do Crato e da Ordem dos hospitalários em Portugal. A Ordem viu os seus domínios a serem ampliados no Alto Alentejo mediante doação do rei D. Sancho II e no Crato os hospitalários fundaram, em 1356, o mosteiro fortificado de Santa Maria de Flor da Rosa, que doravante serviu de sede da Ordem. Entre o vasto território doado por D. Sancho contavam-se as aldeias de Oleiros e Álvaro, porém esta última ficou omitida na carta de doação, o que provocou um litígio entre a Ordem e a Coroa no séc. XIV. O rei D. Fernando sancionou a posse de Álvaro pela Ordem em 1381 mas o rei D. Afonso V subtraiu a aldeia à Ordem para doá-la a Gomes Martins de Lemos, Senhor de Trofa.

No séc. XIV a Coroa Portuguesa procurou controlar a Ordem em Portugal, situação que se agudizou durante a regência do Infante D. Pedro. O irmão de D. João III, o infante D. Luís, ocupou o priorado do Crato e em 1551 o rei D. João III obteve do Papa uma bula autorizando o filho bastardo do infante, D. António, a herdar o cargo de Prior do Crato.

D. António Prior do Crato é talvez o membro mais conhecido da história da Ordem em Portugal. Aclamado rei de Portugal em Santarém A 24 de Julho de 1580, após a morte do rei D. Henrique, disputou o trono ao rei Filipe II de Espanha, porém foi derrotado na Batalha de Alcântara e partiu para o exílio.

Luís Mendes de Vasconcelos foi eleito grão-mestre da Ordem a 17 de Setembro de 1622 e o primeiro a residir em Malta. Foi também grão-mestre da Ordem o português António Manoel de Vilhena, cujo mandato se caracterizou por um impressionante programa de construção de infra-estruturas, entre fortificações, edifícios privados, públicos e eclesiásticos por todo o arquipélago maltês, a fundação da cidade de Floriana e também pela única tentativa de selar a paz com o Império Otomano. Manuel Pinto de Fonseca foi o sexagésimo grão-mestre da Ordem, enriqueceu a arquitectura de Malta com edifícios barrocos, criou a primeira tipografia no Palácio Magistral, fundou a Universidade de Malta e suprimiu uma revolta muçulmana em 1749, tendo-se mantido no cargo durante 32 anos.

A rainha D. Maria I conseguiu em 1789 a integração do grão-priorado do Crato na Casa do Infantado e a partir de 1793 o grão-priorado tornou-se independente de Malta. Em 1834 a Ordem foi extinta em Portugal, juntamente com as demais ordens religiosas.

miniaturadaimagem|Igreja de Santa Luzia em Lisboa, actual sede da associação de cavaleiros portugueses da Ordem de Malta.

miniaturadaimagem|Embaixada da Ordem de Malta em Portugal.

A Ordem de Malta mantém actualmente relações diplomáticas oficiais com o governo português, tendo inclusive uma embaixada em Lisboa na Rua da Junqueira. Funciona ainda em Portugal desde 1899 associação nacional Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem que possui o estatuto de Instituição Particular de Segurança Social.

Ver também

Templários em Portugal

Ligações externas Sítio online da Ordem de Malta em Portugal em ordemdemaltaportugal.org. Sítio online da embaixada da Ordem de Malta em Portugal em portugalembassy.orderofmalta.int.

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