thumb|right|Um painel de museu exibindo manchetes internacionais de 12 de setembro. A maioria das imagens nas manchetes mostra o voo 175 da United Airlines atingindo a Torre Sul. Durante os ataques de 11 de setembro de 2001, uma série de quatro ataques terroristas coordenados pelo grupo terrorista islâmico al-Qaeda, matou 2.977 pessoas, feriu mais de 6.000 e causou pelo menos US$ 10 bilhões em danos à infraestrutura e a propriedades. Muitas outras pessoas morreram em decorrência de câncer e doenças respiratórias relacionados ao 11 de setembro nos meses e anos seguintes aos ataques, fazendo com que os números de pessoas afetadas variem continuamente para refletir esses novos dados.
Algumas das vítimas conseguiram registrar suas experiências — ou as de outras pessoas — e produziram imagens e vídeos notórios dos ataques e de seus traumas. Os registros feitos durante e após os ataques foram utilizados para ajudar a identificar vítimas, auxiliar nas investigações e documentar os eventos para a posteridade, entre outros motivos. Foram empregados diversos tipos de mídia, incluindo, especificamente, fotografias e vídeos captados por transeuntes nas ruas ou nas imediações, por fotógrafos independentes e por equipes de reportagem presentes na cidade.
Acredita-se que o 11 de setembro tenha sido o dia mais fotografado da história, e a cobertura jornalística contínua de 93 horas, que quebrou recordes, marcou o evento noticioso ininterrupto mais longo da história da televisão americana.
A ampla disseminação de imagens e vídeos, somada ao impacto duradouro na população, fez com que muitos desses registros figurassem entre os trabalhos mais reconhecidos em meados de 2002. No âmbito do jornalismo de radiodifusão, os prêmios Peabody foram concedidos à ABC e à NPR pela cobertura dos ataques realizada por suas emissoras, enquanto os prêmios Pulitzer contemplaram seis trabalhos relacionados aos ataques, incluindo dois na categoria de fotografia.
Fotografia Devido à natureza pública do ataque, ocorrido em um local movimentado e em plena luz do dia, o atentado ao World Trade Center em 11 de setembro é considerado o desastre mais fotografado da história. Possivelmente em razão da natureza repentina e catastrófica dos ataques, não houve qualquer esforço por parte dos governos municipal, estadual ou federal para documentar o desastre. O então prefeito de Nova Iorque, Rudy Giuliani, emitiu uma ordem executiva logo após o fim do ataque, proibindo fotografias amadoras das ruínas, uma vez que o local era considerado uma "cena de crime" e não uma atração turística.
Muitos fotojornalistas, como Kelly Guenther e Suzanne Plunkett, perceberam a dimensão do ataque após a primeira torre ser atingida. Guenther relatou que correu para o calçadão de Brooklyn Heights logo após o impacto na primeira torre; foi nesse momento que ela viu o segundo avião se aproximando, passando pela Estátua da Liberdade. Sua foto do avião chegando ao horizonte de Nova Iorque foi publicada na capa de diversos jornais. Plunkett havia acabado de sair do metrô e tentava passar pelas barreiras policiais quando as torres desabaram; ela começou a correr, mas depois se virou e fotografou as pessoas que evacuavam a área.
Outros profissionais foram orientados por editores e chefias de outros veículos a se dirigirem às torres para cobrir os ataques. O fotógrafo Richard Drew, da Associated Press, relatou ter chegado a um desfile de moda no Bryant Park por volta das 7h30 daquela manhã, posicionando-se perto de uma câmera da CNN instalada por volta das 8h30. Ele ouviu o cinegrafista da CNN, que mantinha contato direto com o estúdio, dizer: "Houve uma explosão no World Trade Center!", momento em que seu telefone tocou e seu editor lhe disse: "Esqueça o desfile de moda! Um avião acabou de atingir o World Trade Center e você precisa ir até lá!" Um repórter e um fotógrafo do Milwaukee Journal Sentinel estavam na cidade para cobrir a New York Fashion Week e ligaram para o editor após verem o ataque pela televisão, recebendo então a instrução de cobrir o ocorrido. Ruth Fremson, fotógrafa do New York Times, estava próxima às torres quando elas desabaram e dirigiu-se a uma delicatessen, onde continuou fotografando equipes de socorro, civis e sobreviventes à medida que entravam no estabelecimento. thumb|A fotógrafa da FEMA Andrea Booher no Marco Zero, outuno de 2001 Câmeras e rolos de filme foram recuperados nos escombros; alguns haviam sido perdidos por fotógrafos sobreviventes, enquanto outros estavam próximos àqueles que perderam a vida. Sempre que possível, esses rolos de filme e equipamentos foram limpos e revelados; muitas das fotos resultantes mostram os últimos trabalhos dos fotógrafos, destacando-se as imagens obtidas com as câmeras recuperadas de Bill Biggart. Dentre as fotos recuperadas ou inicialmente enviadas aos servidores das empresas, os editores precisaram decidir quais incluir e quais seriam consideradas perturbadoras demais para publicação. Entre os editores de fotografia consultados que optaram por publicar imagens classificadas como perturbadoras, como aquelas que mostravam vítimas presas nos andares superiores ou caindo dos edifícios, nenhum escolheu estampá-las na primeira página; no entanto, consideraram que deixar de publicá-las seria um desserviço às vítimas e à dimensão da tragédia. Um desses editores declarou:
Outras formas de documentação fotográfica do desastre só foram descobertas muito mais tarde, como a imagem capturada pela webcam de um homem, que havia sido configurada para tirar várias fotos e acabou registrando o desastre.
Algumas dessas imagens foram incorporadas a uma exposição intitulada After September 11: Images from Ground Zero, que apresentou vinte e sete imagens ao redor do mundo. Outras exposições dessas imagens foram organizadas na forma de acervos, como um liderado pelo fotógrafo Joel Meyerowitz sob a direção do Museu da Cidade de Nova Iorque, com o objetivo de destacar os trabalhos de resgate e recuperação no Marco Zero.
Imagens do interior dos edifícios do World Trade Center Alguns sobreviventes tiraram fotos logo após os ataques ou durante a evacuação. Uma foto mostrava o bombeiro Mike Kehoe, da unidade Engine 28, subindo as escadas da Torre Norte enquanto funcionários evacuavam o prédio pelo outro lado da escada. Kehoe foi dado como morto por dois dias após os ataques antes de se confirmar que estava vivo, e a imagem tem sido usada para ilustrar a bravura demonstrada pelas equipes de resposta a emergências. Outras fotos foram posteriormente entregues a familiares das vítimas; um exemplo é uma foto da Torre Norte que mostra o segurança Alexander Ortiz Caro ajudando a orientar as pessoas na saída do prédio — Ortiz Caro havia retornado ao edifício após conduzir funcionários até o nível da rua e acabou morrendo nos ataques.
Outras imagens mostravam mais destroços e danos causados pelos ataques, como aquelas feitas pelo bombeiro Bertram Springstead ao sair da Torre Norte logo após o colapso da Torre Sul. Muitas das imagens de Springstead, capturadas com uma câmera descartável, mostram destroços e fumaça no ar e nas ruas, bem como equipes de emergência e seus veículos. Ed Kotski, engenheiro eletricista e sobrevivente do atentado a bomba de 1993, trabalhava no 74º andar da Torre Norte; ele tirou fotos do interior do prédio, da vista através das janelas e do nível da rua, registrando a fumaça e os destroços caindo da torre e espalhados pela via pública.
Imagens conhecidas Nome da fotografiaFotógrafoDescriçãoNotasImpending DeathThomas DallalRepresentação da Torre Norte do World Trade Center após ter sido atingida pelo voo 11 da American Airlines, com várias pessoas visíveis presas nos andares superiores e debruçadas nas janelas.Conquistou o segundo lugar no concurso Pictures of the Year International; utilizada na tentativa de identificar as vítimas retratadas.The Falling ManRichard DrewRepresentação de uma pessoa não identificada que caiu ou saltou dos andares superiores da Torre Norte, enquanto despencava da torre para a morte.A publicação da imagem gerou indignação e críticas.Raising the Flag at Ground ZeroThomas E. FranklinRepresentação de três bombeiros da cidade de Nova Iorque hasteando a bandeira americana no Marco Zero do World Trade Center, logo após os ataques.A imagem foi reproduzida em um selo postal com sobretaxa, e um monumento de bronze com cerca de 12 metros de altura foi criado com base nela.Victim 0001Shannon StapletonRepresentação do corpo do padre Mychal Judge sendo retirado da Torre Norte após ele ter sido morto por destroços da Torre Sul e ter se tornado a primeira vítima fatal resgatada do local.Foi descrito como uma "Pietà americana".Dust LadyStan HondaImagem da sobrevivente Marcy Borders coberta de escombros e poeira após o colapso do World Trade Center; a imagem tornou-se amplamente reconhecida.A imagem tem sido utilizada em muitos artigos retrospectivos sobre os ataques.
Videografia e cobertura jornalística thumb|A filmadora Sony DSR-PD150 usada por Jules Naudet, que registrou o choque do Voo 11 contra a Torre Norte. Houve apenas três cinegrafistas conhecidos que registraram o impacto do primeiro avião ao atingir a Torre Norte, em Nova Iorque: o cineasta francês Jules Naudet, que estava gravando para um documentário sobre o Corpo de Bombeiros de Nova Iorque;Fontes: o artista alemão Wolfgang Staehle, que transmitia ao vivo imagens do horizonte de Manhattan naquele momento; e o turista tcheco Pavel Hlava, que registrou o impacto acidentalmente enquanto gravava um cartão-postal em vídeo para enviar à sua família. O impacto do Voo 175 contra a Torre Sul foi registrado por diversos cinegrafistas amadores e por várias emissoras de notícias que cobriam a situação no World Trade Center após o impacto do Voo 11. Duas câmeras de segurança registraram o impacto no Pentágono, enquanto o impacto do Voo 93 na Pensilvânia foi registrado apenas como uma nuvem em forma de cogumelo em um único vídeo. Os ataques também foram registrados por agentes das forças de segurança locais, como o policial Glen Pettit, que atuava como cinegrafista do Departamento de Polícia de Nova Iorque.
Jules e Thomas Naudet são os cineastas franceses que estavam no local do ataque enquanto gravavam um documentário sobre os integrantes do quartel Engine 7, Ladder 1, em Lower Manhattan; eles haviam acompanhado os bombeiros em uma chamada de rotina devido a um suposto vazamento de gás no centro de Nova Iorque. Ao ouvir um avião passar sobre suas cabeças, Jules Naudet direcionou a câmera para acompanhá-lo e acabou filmando a colisão por acaso. Ele continuou filmando durante o ataque e a evacuação, reunindo cerca de 180 horas de imagens. Os irmãos, segundo eles próprios, esforçaram-se para não filmar nenhuma das pessoas que morreram no local, seja por incêndio, por terem saltado ou devido a outros ferimentos traumáticos.
Alguns profissionais ligados a emissoras de notícias, como o fotojornalista Mark LaGanga, que trabalhava para a CBS News, foram acionados por editores e executivos e instruídos a documentar o evento. No caso de LaGanga, acreditava-se tratar apenas da queda de um avião de pequeno porte; ele não compreendeu plenamente a verdadeira natureza do ataque enquanto documentava a situação e entrevistava equipes de emergência que passavam pelo local, até registrar o desabamento da Torre Norte.