Os malequitas, maliquitas ou Banu Maleque () eram uma das duas principais divisões dos taquifitas de Taife, contrapondo-se aos alafitas. Descendiam de Maleque ibne Hutaite ibne Juxame ibne Caci e compreendiam ramos como os alharititas, içaritas e salimitas. Na Jailia, estiveram envolvidos em conflitos contra os alafitas, nos quais se aliaram aos iarbuítas, ramo dos naceritas. Após o surgimento do Islã, participaram da Batalha de Hunaine e estiveram representados na delegação taquifita enviada a Maomé em 9 A.H.; entre seus membros de maior destaque esteve , posteriormente colocado à frente dos taquifitas em Taife.

História

Os malequitas constituíam uma das duas principais divisões dos taquifitas, contrapondo-se aos alafitas (, ). Descendiam de Maleque ibne Hutaite ibne Juxame ibne Caci, sendo Caci o ancestral epônimo dos taquifitas, conhecido pelo epíteto Taquife. Entre os principais ramos descendentes de Maleque estavam os alharititas, os içaritas e os salimitas. Os içaritas descendiam de Içar ibne Maleque e incluíam uma linhagem particularmente proeminente, a de Abane ibne Içar, à qual pertenciam e seus irmãos. Na Jailia, os malequitas constituíam uma das duas grandes facções políticas dos taquifitas. A rivalidade com os alafitas manifestou-se particularmente durante uma guerra envolvendo os naceritas, ramo dos hauazinitas. O conflito teve início depois que os alafitas, cuja riqueza e cavalaria haviam aumentado, reservaram para seus cavalos uma área de pastagem em , pertencente aos naceritas. Estes reagiram sob a chefia de , dos , enquanto os alafitas eram comandados por . Os malequitas aproveitaram o conflito para se aliar aos iarbuítas contra seus rivais, sob a chefia de .

O primeiro grande confronto dessa aliança ficou conhecido como . Depois de intenso combate, os alafitas prevaleceram e expulsaram os malequitas e iarbuítas para um vale situado além de Taife, enquanto numerosos membros dos dois grupos foram mortos num desfiladeiro das montanhas da região. A guerra prosseguiu em outros confrontos, entre eles o , nas proximidades de Nacla, e o , nas proximidades de . Com o prolongamento das hostilidades, os malequitas procuraram o auxílio dos daucitas, catamitas e outros grupos, enquanto os alafitas buscaram sem sucesso uma aliança com os ançares de Medina. Segundo Ibne Alatir, depois desses acontecimentos não ocorreu outra guerra de importância entre as duas facções taquifitas. Os malequitas continuaram a constituir uma divisão reconhecível dos taquifitas durante o surgimento do Islã. Na Batalha de Hunaine, em 8 A.H. (630), , dos alharititas, portou o estandarte dos malequitas e morreu durante o combate. De sua linhagem procederam posteriormente , conhecido por sua mãe Ume Aláqueme, que exerceu o governo de Cufa, e Alhor ibne Abederramão Atacafi, que governou o Alandalus durante o Período Omíada. Também pertencia aos alharititas , cuja genealogia remontava a Alharite ibne Maleque ibne Hutaite. Segundo a tradição preservada por Ibne Hajar Alascalani, converteu-se juntamente com a delegação taquifita e posteriormente foi encarregado por Omar da administração da zacate de Taife.

Depois da submissão de Taife, uma delegação taquifita dirigiu-se a Medina em 9 A.H. para negociar com Maomé. Sua composição refletia a divisão interna da tribo: dois dos representantes pertenciam aos alafitas e três aos malequitas. Estes últimos eram Otomão ibne Abi Alaci, dos içaritas, , dos salimitas, e , dos alharititas. Durante a permanência da delegação em Medina, Otomão destacou-se por seu interesse no aprendizado do Alcorão e dos preceitos islâmicos e foi posteriormente colocado à frente dos taquifitas em Taife. Sua família adquiriu particular proeminência em Baçorá, e entre seus irmãos são mencionados , , , e . Da mesma linhagem procedeu posteriormente o tradicionalista , evidenciando a continuidade dos içaritas como uma linhagem identificável nos primeiros séculos islâmicos. Os salimitas também permaneceram identificáveis entre os malequitas após a conversão da tribo. A eles pertencia , cuja genealogia remontava a Salime ibne Maleque ibne Hutaite. Ainda jovem, foi levado por sua mãe à presença de Maomé, que lhe acariciou a cabeça e orou por ele. Posteriormente participou da Batalha de Niavende ao lado de Anumane ibne Mucarrine e foi enviado por Omar para levar-lhe uma mensagem; o califa nomeou-o depois governador de Almadaim. Segundo outra tradição, exerceu também o governo de Ispaã, onde morreu e deixou descendentes.

Bibliografia

Categoria:Malequitas (taquifitas)