Os almotalibitas ou Banu Almotalibe () eram um clã dos coraixitas de Meca, descendente de Almotalibe ibne Abede Manafe, filho de Abede Manafe ibne Cuçai. Aparentados aos haxemitas, abedexemecitas e naufalitas, estiveram particularmente associados aos primeiros e integraram com eles o campo dos mutaiabitas na organização das alianças da Meca pré-islâmica. Participaram também do Hilfe Alfudul, pacto formado por diversos clãs coraixitas para agir contra injustiças cometidas na cidade e defender suas vítimas.

Durante a pregação de Maomé, os almotalibitas mantiveram sua associação com os haxemitas. Mobilizados por Abu Talibe ibne Abede Almotalibe, participaram da proteção de Maomé por solidariedade familiar, independentemente da adesão de seus membros à nova religião, e sofreram juntamente com os haxemitas o boicote imposto pelos demais coraixitas, permanecendo com eles no Xibe Abi Talibe. O clã continuava a aparecer como um grupo reconhecível por ocasião da Conquista de Meca, quando Aluaquidi menciona mulheres almotalibitas entre as que visitaram Maomé após a tomada da cidade.

História

Os almotalibitas constituíam um dos clãs dos coraixitas de Meca, descendente de Almotalibe ibne Abede Manafe, filho de Abede Manafe ibne Cuçai. Eram, portanto, aparentados aos haxemitas, abedexemecitas e naufalitas, os demais clãs coraixitas descendentes de Abede Manafe. Na organização das alianças da Meca pré-islâmica, os almotalibitas estiveram associados aos haxemitas e integraram o campo dos mutaiabitas. Algumas décadas antes da Hégira, quando os omíadas e os naufalitas se afastaram dessa facção e se aproximaram dos alafitas, os haxemitas e almotalibitas permaneceram entre os grupos que compunham o campo mutaiabita. Essa associação aparece também nas disputas entre os clãs de Meca. Segundo uma tradição relativa à rivalidade entre Harbe ibne Omaia e Abede Almotalibe, Harbe, depois de uma arbitragem que lhe fora desfavorável, teria pretendido expulsar de Meca os aditas, clã do árbitro . Os abedexemecitas e naufalitas teriam apoiado a iniciativa, enquanto os haxemitas, almotalibitas, samitas e zuraítas se opuseram a ela, levando ao abandono do projeto.

Os almotalibitas participaram posteriormente do Hilfe Alfudul, pacto formado em Meca algumas décadas antes da Hégira em resposta às injustiças sofridas por pessoas desprovidas de proteção tribal. Segundo a tradição, sua formação foi precipitada pelo caso de um mercador zubaidita do Iêmem que, após vender suas mercadorias em Meca, não recebeu o pagamento acordado e não conseguiu obter auxílio dos integrantes dos alafitas. Sua denúncia pública no monte Abu Cubais provocou a reação dos clãs associados aos mutaiabitas. A iniciativa de organizar uma resposta é atribuída a Azobair ibne Abede Almotalibe, dos haxemitas, que procurou , dos taimitas, em cuja residência representantes dos clãs interessados se reuniram. As fontes geralmente enumeram como integrantes do pacto os haxemitas, almotalibitas, zuraítas, taimitas e açaditas, embora Almaçudi mencione os alharititas no lugar dos açaditas. Os participantes comprometeram-se a agir conjuntamente contra as injustiças cometidas em Meca e em defesa das vítimas até que seus direitos fossem restituídos.

Com o início da pregação de Maomé, a associação dos almotalibitas com os haxemitas adquiriu particular importância. Diante das ameaças contra o sobrinho, Abu Talibe ibne Abede Almotalibe, então chefe dos haxemitas, procurou mobilizar ambos os clãs em sua defesa. Segundo as tradições, seus membros concordaram em proteger Maomé por solidariedade familiar, independentemente de terem aderido à religião que pregava; entre os haxemitas, Abu Laabe constituiu a principal exceção e se alinhou aos adversários de Maomé. A solidariedade entre os dois clãs persistiu durante o boicote imposto pelos demais coraixitas aos haxemitas e almotalibitas. Durante esse período, tradicionalmente situado em cerca de três anos, membros de ambos permaneceram concentrados no Xibe Abi Talibe e sofreram restrições econômicas e dificuldades de abastecimento; William Montgomery Watt considera provável que o boicote também tivesse motivações econômicas.

Segundo uma tradição, o encerramento das restrições foi promovido por um grupo de coraixitas liderado por Hixame ibne Anre ibne Rebia, que obteve sucessivamente o apoio de Zuair ibne Abi Omaia, Mutime ibne Adi, Abu Albaquetari e Zama ibne Alaçuade para contestar publicamente a continuação do pacto de boicote. Os almotalibitas continuavam a aparecer como um grupo reconhecível por ocasião da Conquista de Meca. Num dos relatos preservados por Aluaquidi, Jumana binte Abi Talibe, dos haxemitas, visitou Maomé após a conquista acompanhada de mulheres dos almotalibitas e intercedeu em favor de seu marido, Abu Sufiane ibne Alharite, que até pouco antes estivera entre os adversários de Maomé. Segundo o relato, após a intervenção das mulheres, Maomé passou a demonstrar maior benevolência para com Abu Sufiane.

Bibliografia

Categoria:Almotalibitas