Cemitério de Albaqui (), também conhecido como Campo de Algarcade () e Jardim de Albaqui (), é um cemitério de Medina, na Arábia Saudita, considerado o primeiro cemitério estabelecido pelos muçulmanos na cidade. Situa-se a sudeste de Medina, nas proximidades da Mesquita do Profeta, e sua designação Baqīʿ al-Gharqad deriva do gharqad, espécie de arbusto espinhoso que cobria originalmente o terreno. Segundo a tradição islâmica, Maomé escolheu Albaqui como local de sepultamento dos membros de sua comunidade, sendo Otomão ibne Mazune, morto em 3 A.H. (624–625), o primeiro dos emigrantes ali sepultado, e Açade ibne Zurara, o primeiro dos ançares.

Albaqui tornou-se o local de sepultamento de numerosos membros da família e companheiros de Maomé, bem como de integrantes das gerações islâmicas subsequentes. Entre os sepultados ou tradicionalmente associados ao cemitério encontram-se suas filhas Rocaia e Zainabe, seu filho Ibraim, várias de suas esposas, seu tio Alabás, sua tia Safia, o califa Otomão, Haçane ibne Ali e numerosos outros membros dos Ahl al-Bayt, companheiros e tabis. A tradição também situa ali o túmulo de Fátima, embora o lugar de seu sepultamento seja controverso. Ao longo dos séculos, Albaqui tornou-se um dos principais lugares de visita religiosa de Medina, e vários dos túmulos de seus mortos mais célebres foram cobertos por cúpulas e mausoléus.

Os monumentos funerários de Albaqui foram destruídos pela primeira vez em 1806, após a tomada de Medina por , e posteriormente reconstruídos durante o domínio otomano. Em 1926, pouco depois da conquista da cidade por Abdalazize ibne Saúde, os mausoléus e demais monumentos funerários foram novamente destruídos, decisão que provocou protestos em outras partes do mundo islâmico. O cemitério permanece em uso e continua a ocupar lugar de destaque entre os sítios religiosos de Medina, embora não conserve os antigos mausoléus e lápides monumentais.

História

Antes de ser destinado a cemitério, Albaqui era um terreno coberto por uma espécie de arbusto espinhoso denominada gharqad, da qual deriva a designação Baqīʿ al-Gharqad. Havia vários terrenos desse tipo em Medina. Segundo a tradição islâmica, Maomé procurou um local para sepultar os membros de sua comunidade que morressem e escolheu Albaqui para essa finalidade. A EI2 situa o terreno a sudeste da cidade, a pequena distância do túmulo de Maomé, e observa que a área externa às muralhas da cidade, atualmente demolidas, por onde se entrava no cemitério era chamada Porta de Albaqui. O primeiro dos emigrantes sepultado em Albaqui foi Otomão ibne Mazune, que morreu em 3 A.H. (624–625). Segundo a tradição preservada pela TDV, Maomé colocou pessoalmente duas pedras, uma junto à cabeça e outra junto aos pés de seu túmulo, e, afirmando que ele era o primeiro dentre eles a partir para a vida futura, denominou o lugar de Rauá. Posteriormente, quando lhe perguntavam onde deveria ser sepultado algum falecido, indicava o lugar junto a Otomão ibne Mazum. O primeiro dos ançares sepultado no cemitério foi Açade ibne Zurara.

Quando Ibraim, filho de Maomé, morreu, seu pai ordenou que fosse sepultado no mesmo lugar, derramou água sobre seu túmulo e deu ao local o nome de Zaurá. Depois disso, as diferentes tribos de Medina passaram a reservar para seus membros áreas próprias dentro de Albaqui. Entre os membros da família de Maomé ali sepultados encontravam-se suas filhas Rocaia e Zainabe, seu tio Alabás, sua tia Safia e alguns de seus netos. Também se encontra tradicionalmente ali o túmulo de Fátima binte Açade, mãe de Ali, a quem Maomé teria chamado de sua "segunda mãe", bem como o de Halima Açadia, sua ama de leite. Entre as esposas de Maomé sepultadas no cemitério, a TDV enumera Aixa, Háfeça binte Omar, Ume Salama, Zainabe binte Cuzaima, Zainabe binte Jaxe, Safia binte Huiai, Raiana binte Zaíde e Maria, a Copta.

A tradição também situa em Albaqui o túmulo de Fátima, filha de Maomé, embora a localização de seu sepultamento seja objeto de controvérsia. Seu filho Haçane ibne Ali foi igualmente sepultado no cemitério. A TDV registra ainda uma tradição segundo a qual a cabeça de Huceine ibne Ali, morto na Batalha de Carbala e cuja cabeça teria sido levada a Damasco, foi posteriormente enviada por a Medina e sepultada junto de sua mãe. A EI2, por outro lado, exclui Huceine ao afirmar que os filhos e descendentes de Fátima foram sepultados em Albaqui. Albaqui recebeu ainda numerosos companheiros de Maomé, membros proeminentes dos Ahl al-Bayt e integrantes da geração dos tabis. Entre os companheiros sepultados no local, a TDV menciona o califa Otomão, Abederramão ibne Aufe, Sade ibne Abi Uacas, Abedalá ibne Maçude, e Abu Huraira. Entre outros sepultamentos notáveis, a EI2 menciona Maleque ibne Anas, seu mestre Nafi ibne Hurmuz e, entre os últimos membros dos Ahl al-Bayt ali enterrados, Ali Arrida, o oitavo imame dos xiitas. Segundo uma tradição transmitida por Aixa, Maomé visitava ocasionalmente Albaqui e rezava pelos mortos ali sepultados. Também conduziu no local algumas orações fúnebres, entre elas a oração in absentia pelo rei da Abissínia Axame, e em algumas ocasiões despachou dali tropas que partiam em expedições.

Mausoléus e visitas

Com o passar dos séculos, diversos túmulos de Albaqui foram cobertos por cúpulas e mausoléus. Em 529 A.H. (1135), por ordem do califa abássida Almostarxide , foi erguida sobre os túmulos de Haçane e Alabás uma estrutura elevada, dotada de cúpula e duas portas, uma das quais era aberta diariamente para os visitantes. Segundo , o mausoléu era conhecido como Kubbe-i Ehl-i beyt, e as funções de guardião e porteiro haviam sido confiadas, mediante diploma do sultão, aos descendentes do mufti xafeíta . Sobre o túmulo do califa Otomão foi construído em 601 A.H. (1205), por ordem de Saladino , outro mausoléu encimado por uma cúpula. A EI2 observa que os túmulos dos mortos mais célebres acabaram cobertos por grandes cúpulas e estruturas funerárias, mencionando especificamente as cúpulas sobre os túmulos de Haçane ibne Ali e Alabás. Segundo Ibne Jubair, no esses monumentos alcançavam altura considerável. Séculos depois, Johann Ludwig Burckhardt descreveu o local de maneira muito menos favorável, considerando os edifícios então existentes entre os mais degradados que encontrara no Oriente.

Evliya Çelebi, depois de enumerar os indivíduos que possuíam mausoléus em Albaqui, registrou que seus cenotáfios eram cobertos por cetim verde bordado a ouro e que os guardiões queimavam substâncias aromáticas para perfumar o ambiente destinado aos visitantes. Segundo ele, o mausoléu de Aixa foi reconstruído por Solimão, o Magnífico , em 1543. Evliya Çelebi também transmite uma tradição segundo a qual Maomé teria, no sexto ano da Hégira, transferido de Alabuá para Albaqui os restos mortais de sua mãe, Amina binte Uabe, sepultando-os junto de Halima Açadia. Albaqui tornou-se um dos lugares de visita religiosa de Medina. A EI2 registra que, assim como o túmulo de Hâmeza no monte Uude e a primeira mesquita islâmica em Cuba, o cemitério era contado entre os lugares sagrados visitados pelos peregrinos em Medina, que consideravam piedoso visitá-lo.

Destruições e configuração atual

Durante a existência de Maomé, Albaqui era um terreno relativamente pequeno. Os túmulos de Otomão ibne Mazum e Halima Açadia ainda não se encontravam dentro de seus limites originais, e o túmulo de Otomão localizava-se numa propriedade denominada Hashsh Kawkab, que somente mais tarde foi incorporada ao cemitério. Mesmo a área cercada onde foram sepultadas algumas das pessoas mortas durante a ocupação omíada de Medina situava-se fora dos limites então existentes de Albaqui. Em 1806, quando tomou Medina, os túmulos monumentais, lápides e mausoléus de Albaqui foram destruídos. Segundo a EI2, a destruição dos monumentos funerários provocou forte agitação na Índia, de onde foi enviada uma delegação a Meca para apresentar um protesto. O rei, entretanto, não cedeu às reivindicações. As sepulturas permaneceram sem monumentos e conservavam apenas lápides pouco significativas, sem inscrições ou epitáfios.

Os monumentos foram posteriormente reconstruídos durante o reinado do sultão otomano . Em 1926, pouco depois de Abdalazize ibne Saúde conquistar Medina, os mausoléus e monumentos funerários foram novamente destruídos. A EI2 registra que a nova destruição, realizada por ordem de Abdalazize, provocou outra agitação grave na Índia e levou ao envio de uma delegação a Meca para apresentar protesto. Apesar disso, o rei não permitiu que os túmulos voltassem a receber monumentos. A EI2 acrescenta que, em 1926, pouco depois da segunda destruição, o escritor e viajante Eldon Rutter visitou o cemitério e comparou seu estado ao das ruínas de uma cidade atingida por um terremoto. Em 1954, caminhos cimentados foram construídos por ordem do rei em toda a área do cemitério, para uso e conveniência dos visitantes. Albaqui continua sendo utilizado como cemitério, mas não conserva os antigos mausoléus e lápides monumentais.

Bibliografia

Categoria:Cemitério de Albaqui