Anre ibne Camia () foi um poeta árabe da Jailia, pertencente aos dubaiaítas, um clã entre os caicitas, que por sua vez pertenciam aos becritas. Viveu provavelmente na primeira metade do . Pouco se conhece sobre sua vida, preservada sobretudo por tradições que o associam à corte do Reino de Quinda. Segundo esses relatos, teria pertencido à comitiva do rei e, já em idade avançada, acompanhado o filho deste, Inru Alcaice ibne Hujer, em sua viagem ao Império Bizantino. Anre teria morrido durante a expedição, circunstância à qual a tradição atribui seu epíteto Adai (). A historicidade de seu encontro e viagem com Inru Alcaice, contudo, é considerada duvidosa pela historiografia moderna. A poesia atribuída a Anre foi reunida e transmitida pelos filólogos árabes dos séculos VIII e IX e tornou-se conhecida entre os críticos literários por sua delicadeza e simplicidade. Sua obra continuou a circular entre estudiosos posteriores, entre eles Ibne Aciquite, que reuniu, transmitiu ou comentou seus poemas. Seu divã chegou à época moderna e foi editado e traduzido para o inglês por Charles James Lyall em 1919.

Vida

Anre ibne Camia foi um poeta árabe da Jailia, pertencente aos dubaiaítas, um dos clãs dos caicitas, e portanto um dos ramos dos becritas. Pouco se conhece sobre sua vida. Os principais relatos biográficos preservados dizem respeito a uma disputa com seu tio , cuja esposa teria tentado seduzi-lo, e à tradição que o associa a Inru Alcaice ibne Hujer e à viagem deste em direção ao Império Bizantino. Segundo Ibne Cutaiba, Anre viveu na comitiva de , rei do Reino de Quinda e pai de Inru Alcaice. A tradição afirma que, muitos anos depois, Anre e Inru Alcaice se encontraram quando o primeiro já havia atingido idade avançada e que ambos partiram em direção ao território bizantino, numa viagem situada por Pellat entre cerca de 530 e 540. Anre teria morrido durante a expedição, circunstância à qual a tradição atribui seu epíteto Adai ().

Makki igualmente registra a tradição segundo a qual Anre pertencera à comitiva de Hujer e posteriormente acompanhara Inru Alcaice até sua morte, embora ressalte que a própria historicidade do encontro entre os dois poetas seja considerada duvidosa. Boustany, de modo mais amplo, considera imprecisas e suspeitas as tradições segundo as quais Inru Alcaice teria mantido contato direto com Anre, Abide ibne Alabras e Alcama ibne Abada, por considerar que pouco esclarecem sobre sua vida. A tradição sobre a viagem de Anre está, portanto, estreitamente associada ao ciclo biográfico de Inru Alcaice, cuja morte é situada por Savran por volta de 540 e por Boustany por volta de 550. Os relatos sobre o destino de Inru Alcaice durante essa viagem apresentam numerosas variantes, entre elas a narrativa segundo a qual teria recebido do imperador bizantino Justiniano uma túnica envenenada que provocou sua morte nas proximidades de Elmada, perto de Ancara.

Poesia

Os poemas atribuídos a Anre ibne Camia foram reunidos e transmitidos pelos filólogos árabes dos séculos VIII e IX e são frequentemente citados pelos críticos literários árabes, que apreciavam particularmente sua delicadeza e simplicidade. Sua obra continuou a circular entre os filólogos posteriores: Ibne Aciquite é mencionado entre os estudiosos que reuniram, transmitiram ou comentaram sua poesia. O divã de Anre foi editado e traduzido para o inglês por Charles James Lyall sob o título The Poems of ʿAmr son of Qamīʾah, publicado em Cambridge em 1919. Embora seja comumente conhecido como Ibne Camia, Anre não deve ser confundido com outros indivíduos que possuíam a mesma náçabe. Pellat distingue-o particularmente de Abede Alá — ou Mamar — ibne Camia, pai de , e do poeta .

Bibliografia

Categoria:Poetas árabes do século VI Categoria:Dubaiaítas