Coronel Aristides Ferreira de Menezes (Crato, 2 de setembro de 1852 — Crato, 19 de outubro de 1911), também referenciado como Aristides Ferreira Bezerra de Menezes, foi um Deputado provincial, Procurador, Político, Advogado provisionado, e Latifundiário de Engenho de açúcar brasileiro. Coronel da Guarda Nacional, teve destacada atuação política e jurídica na região do Cariri, no Ceará, durante o final do Segundo reinado e os primeiros anos da República velha, no contexto do coronelismo local. Ali, atuou como agropecuarista com engenho de ferro no ocaso do ciclo do açúcar, e destacou-se pelo brilhantismo de suas produções textuais, tanto jurídicas (destinadas ao cotidiano advocatício) quanto jornalísticas (publicadas no periódico "O Rebate").

Origens e Genealogia

thumb|220px|Armas da Casa de Meneses, do Senhorio de Meneses de Campos, herdadas em estandarte pelos pais de Aristides.

Aristides nasceu no Moquém, sítio adjacente à Vila do Crato, propriedade já tradicionalmente habitada e cultivada pelos Meseses desde o começo do Século XVIII. Era o caçula dos cinco filhos do Delegado José Ferreira de Menezes (1815-1865) e de Anna Francisca Bezerra de Menezes (1819-1882), conhecida como "Yayá Donana", sendo seus irmãos: Manoel Leandro Ferreira de Menezes, Vicente Ferreira de Menezes, Antônio Roque de Menezes, e José Ferreira de Menezes Júnior.

Por linha materna, era bisneto do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, importante tronco familiar dos Bezerra de Menezes e figura central na fundação de Juazeiro do Norte. Por meio de diferentes ramificações consanguíneas, possuía parentesco próximo com tradicionais clãs do Vale do Cariri, como as famílias Lobo, Pinheiro, Monteiro e Mendonça, além de descender por inúmeras vias da Casa de Teles de Meneses, e de grupos de judeus refugiados no Nordeste à época do Brasil Colônia, através de seu ancestral sefardita Belchior da Rosa. É, também, descendente direto do casal Caramuru e Paraguaçu, o que, entre outros vínculos, confere uma vasta origem Tupinambá à sua genealogia, a qual abrange também entre seus antepassados o célebre navegador João Vaz Corte Real, precursor de Colombo nas empreitadas atlânticas.

Vida Familiar Em 1856, seu pai, no exercício das funções de delegado, envolveu-se em um grave conflito armado no interior da então Matriz de Nossa Senhora da Penha da França de Crato que resultou na morte do Coronel José Landim. O episódio gerou forte rejeição política a José Ferreira de Menezes por parte do clero e da elite local, levando a família a um isolamento social em suas propriedades rurais. Com o falecimento precoce do pai poucos anos depois, Aristides ficou sob a tutela jurídica de sua mãe durante a menoridade.

Em 1870, ainda menor de 21 anos e representado legalmente por sua mãe, casou-se com Anna Leopoldina Pereira Maia (1847-1931), "Naninha", filha do também Deputado José Francisco Pereira Maia (o "Coronel Mainha"), influente político, poeta satírico, senhor de terras no Monte Alegre, condecorado pela coroa com a Imperial Ordem da Rosa, além de profícuo povoador da Vila Real do Crato, onde dizia-se haver produzido setenta e quatro filhos com diferentes esposas e concubinas. Por via conjugal, conectou-se às famílias Milfont, Norões e Gonçalves, tornando-se também parente próximo do Padre Cícero Romão Baptista, que era primo legítimo de sua esposa.

O casal dividia a vida entre as duas propriedades principais de Aristides, o sítio Moquém (Baixio), onde nasceu, e as Porteiras (em extrema com a Vila do Joseiro), onde plantava e moía extensas tarefas de cana. Anna e o coronel tiveram, ao menos, doze filhos, que passaram aos seus descendentes o hipocorístico "Ayres" como sobrenome oficial em homenagem ao patriarca. Foram eles:

José Ferreira de Menezes, "Zé Ayres" (1872), professor, casado com Maria da Glória Lôbo de Macêdo; Fausta Amélia de Menezes Capibaribe, "Fausta Ayres" (1874), casada com José Urbano Capibaribe; Rubem Ferreira de Menezes, "Rubém Ayres" (1876), casado em 1as. núpcias com Vicência Sátyro da Silva, e em 2as. com Maria Siébra de Almeida; Raymundo Ferreira de Menezes, "Raimundo Ayres" (1877), casado em 1as. núpcias com Raimunda de Paula Vieira, e em 2as. com Firmina Costa Ribeiro; Paulo Maia Ferreira de Menezes, "Paulo Maia" (1879-1914), casado com Aurora Adélia de Figueiredo, expoente do movimento que separou o Juazeiro do Norte e a cidade do Crato, em cujas circunstâncias foi assassinado; João Ferreira de Menezes, "João Ayres" (1881?), casado com Maria Fernandes da Silva; Pedro Ferreira de Menezes, "Pedro Ayres" (1883?-1930), comerciante, casado com Luíza (Bibia) de Paula Vieira; Júlio Ferreira de Menezes, "Júlio Ayres" (1884-1978), fazendeiro, casado com sua prima legítima Maria Maia Celestino; Maria Amélia Sátyro de Menezes, "Maria Ayres" (1885-1970), casada com José Sátyro da Silva; Anna Amélia Moreira de Menezes, "Donana Ayres" (1886-1976), atriz e cantora do teatro de revista, casada com Alfredo Moreira Maia; Alfredo Ferreira de Menezes, "Alfredo Ayres" (1888-1963), alfaiate, solteiro; Fantina Amélia de Menezes, "Fantina Aires" (1891-1981), estrela da companhia Romeiros do Porvir, dama pioneira do teatro cearense com encenação de musicais no começo do século XX, solteira.

Além dos doze filhos, Aristides criou também o sobrinho Paulo Elpídio de Menezes, órfão de seu irmão Vicente, que viria a se tornar um célebre intelectual e escritor memorialista. Através dele, o coronel foi tio-avô do jurista, filósofo e acadêmico cearense Djacir Menezes.

Era, também, bisavô do jornalista Durval Aires de Menezes, e trisavô do escritor e desembargador cearense Durval Aires Filho.

Carreira Política e Atuação Jurídica Blog História de Juazeiro - Seção Vultos Históricos Por sua atividade como advogado provisionado "de relativa projeção no foro sul do estado", a reputação profissional de Aristides foi contemplada pelo Barão de Studart em seu Dicionário Bio-Bibliográfico; além de consolidar sua influência jurídica atuando como Promotor de Justiça junto à Comarca do Crato.

Ingressou na política partidária ainda durante o período imperial, elegendo-se deputado provincial à Assembleia Legislativa do Ceará por duas legislaturas consecutivas, exercendo o mandato parlamentar entre os anos de 1884 e 1888Deputados na História - Assembleia Legislativa do Ceará.

Com a Proclamação da República em 1889, e a reorganização das forças oligárquicas no estado, manteve papel ativo nas disputas locais. Nas eleições de 1892, apresentou formalmente sua candidatura ao cargo de Senador da República, e, em que pese não haver sido eleito, a mera indicação ao pleito do cargo já simboliza o destaque de sua figura no meio social.

No cenário político interiorano, o coronel Aires serviu de secretário municipal do Crato, e foi adepto ao grupo político Malabar, liderado pelo Coronel José Belém de Figueirêdo, até sua deposição a Manu militari pelos "Maxixes", grupo opositor chefiado pelo coronel Antônio Luiz Alves Pequeno, de Icó. Com a troca de poderes, foi substituído em suas funções e teve qualquer influência sua, ou de sua família, liquidada no âmbito administrativo, levando alguns de seus filhos a deixarem o Crato e omitirem, por conselho seu, o sobrenome "Meneses", em favor da alcunha "Aires", que lhes disfarçaria a origem.

Antes disso, porém, gozou da confiança e dos privilégios da elite dirigente, razão pela qual o Coronel Belém confiou aos seus cuidados a administração da então pequena "Vila do Joaseiro", naquele tempo já fortemente associada à aura profética do seu líder religioso, Padre Cícero, com quem o coronel tinha íntima relação familiar.

Durante a gestão de Aristides, o vilarejo experimentou expressivo desenvolvimento social com o aprimoramento da educação, estímulo ao comércio, ampliação do acesso a água, e acolhimento aos vulneráveis, o que acabaria fortalecendo o ímpeto emancipador do povoado a culminar-se poucos anos depois, na Sedição de Juazeiro.

Ironicamente, o conflito de independência da vila em relação à cidade foi um dos fatores mais prejudiciais à vida particular de Aristides, que teve suas posses esbulhadas no contexto dos combates, e seu engenho incendiado pelos Jagunços da guerrilha, já que as terras de sua fazenda delimitavam a nova divisa entre as duas cidades.

Últimos Anos e Morte Após décadas de intensa atividade pública e partidária, o Coronel Aristides Ferreira de Menezes enfrentou o enfraquecimento de seu grupo político após a queda de seu principal aliado na região, o Coronel Belém de Figueiredo. O isolamento de sua ala política impôs severas dificuldades financeiras e políticas à família perante o novo regime, que não estendeu a sua família o prestígio de que outrora dispunha.

Retirou-se da vida pública nos seus últimos anos, após sofrer ferrenha perseguição pelos membros da gestão "Maxixe", consolidada em um grave ataque físico que recebeu em público, a golpes de cabo de espingarda. O episódio, que por pouco não encerrou sua vida ali mesmo, foi o estímulo final para recolher-se em sua Fazenda das Porteiras permanentemente. Em 1911, aos 59 anos (mas já visto como um frágil ancião) faleceu no Crato, recluso nas mesmas terras onde nascera, vitimado por um ataque cardíaco.

Referências https://historiadejuazeiro.blogspot.com/p/vultos-historicos.html

https://www.al.ce.gov.br/userfiles/files/deputadosnahistoria.pdf

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