Dubaiaítas ou Banu Dubaia () foram um clã árabe dos caicitas, um dos principais ramos dos becritas, pertencentes aos rebiaítas. A genealogia tradicional fazia-os descendentes de Dubaia ibne Caice ibne Talaba ibne Uqueba ibne Sabe ibne Ali ibne Becre ibne Uail. Entre as subdivisões conhecidas dos caicitas, os dubaiaítas aparecem como seu ramo mais importante e produziram diversos chefes, cavaleiros e poetas associados às tradições da Jailia.

A história dos dubaiaítas é conhecida sobretudo por meio das tradições relativas aos conflitos entre os diferentes ramos dos becritas e às guerras entre becritas e taglibitas. Durante o , estiveram envolvidos numa guerra contra os saducitas, na qual seu chefe Aquil ibne Maruane foi capturado e Alharite ibne Ubade foi posteriormente escolhido para comandar o grupo. Alharite tornou-se uma das figuras mais proeminentes atribuídas ao clã e teve papel destacado tanto nos conflitos internos entre os becritas quanto na Guerra de Albaçus.

Os dubaiaítas tiveram participação particularmente expressiva nas tradições sobre a Guerra de Albaçus, nas quais aparecem, além de Alharite, cavaleiros e poetas como Jadar ibne Dubaia, Sade ibne Maleque ibne Dubaia e Aufe ibne Maleque. No início do período islâmico, membros cristãos do clã são ainda mencionados entre os contingentes caicitas que combateram ao lado de outros grupos becritas contra as forças muçulmanas durante a expansão para o Iraque.

Origem e genealogia

Os dubaiaítas eram uma subdivisão dos caicitas, também chamados Banu Caice ibne Talaba. Estes pertenciam aos becritas, um dos principais agrupamentos dos rebiaítas, e, pela genealogia árabe tradicional, integravam o ramo nizarita dos adenanitas. A linhagem dos caicitas era apresentada como Caice ibne Talaba ibne Uqueba ibne Sabe ibne Ali ibne Becre ibne Uail. Por meio de , sua ascendência prosseguia por Cácite ibne Himbe ibne Afexa ibne Dumi ibne Jadila ibne Açade ibne Rebia ibne Nizar ibne Maade ibne Adenane. No esquema genealógico apresentado por Fred Donner, os caicitas constituíam um dos cinco principais ramos dos becritas, juntamente com os xaibanitas, dulitas, ijelitas e hanifaítas. Dentro dos caicitas, os dubaiaítas aparecem como sua principal subdivisão. Seu epônimo, Dubaia, era apresentado como filho de Caice ibne Talaba. Outras linhagens caicitas incluíam os taimalatitas, descendentes de Taime Alate ibne Caice ibne Talaba, que não devem ser confundidos com os homônimos descendentes diretamente de Talaba ibne Uqueba.

A importância política dos dubaiaítas dentro dos caicitas é sugerida por tradições que lhes atribuem chefes próprios e capacidade autônoma de mobilização. Donner menciona uma tradição na qual um chefe dubaiaíta é apresentado como "chefe" dos becritas e integrante de sua nobreza. Em outro contexto, Aquil ibne Maruane aparece expressamente como chefe dos dubaiaítas durante sua guerra contra os saducitas e, depois de sua captura, o grupo teria escolhido Alharite ibne Ubade para comandá-lo. Entre as linhagens dubaiaítas conhecidas encontra-se a de Maleque ibne Dubaia, pai de Sade ibne Maleque ibne Dubaia, Aufe ibne Maleque e Anre ibne Maleque. Sade e Aufe aparecem nas fontes como cavaleiros e poetas ligados à Guerra de Albaçus, enquanto Anre também era contado entre os cavaleiros becritas. Outra linhagem importante descendia diretamente de Dubaia por Ubade ibne Dubaia, pai de Alharite ibne Ubade. Jadar ibne Dubaia, cujo nome pessoal era Rebia, é igualmente apresentado como descendente direto de Dubaia e ancestral dos Maçamia, cuja descendência se tornou numerosa e rica em Baçorá.

História

Conflito com os saducitas

Uma das tradições mais antigas associadas aos dubaiaítas situa-se no , durante um conflito contra os saducitas, outro grupo becrita. Segundo a narrativa reunida por Louis Cheikho, a hostilidade teve origem numa disputa pelo acesso à água na fonte de Aine Cuaira (ʿAyn Quwayra). Muamar ibne Suar, servo do chefe saducita Inrane ibne Nabi, conduziu os camelos de seu senhor até a fonte, onde se encontraram com os camelos de Ubade ibne Dubaia, então sob os cuidados de seu filho Alharite ibne Ubade. Durante a disputa, Alharite matou Muamar e, quando Fudail, filho de Inrane, interveio, matou-o também. Ao saber do ocorrido, Ubade teria censurado severamente o filho e declarado que pretendia entregá-lo a Inrane para evitar que o incidente desencadeasse uma guerra. Alharite respondeu que sua entrega já não seria suficiente para impedir as hostilidades. Os dubaiaítas tentaram então obter uma composição, desculpando-se pela morte de Fudail e oferecendo a Inrane a possibilidade de determinar a compensação de sangue. Inrane recusou a proposta e exigiu uma compensação que os dubaiaítas consideraram excessiva, de modo que as negociações fracassaram.

Num dos primeiros grandes confrontos, travado junto ao monte Munauar (Jabal Munawwar), os dubaiaítas foram derrotados. Irmãos de Alharite foram mortos e Aquil ibne Maruane, identificado como chefe dos dubaiaítas, foi capturado pelos adversários. Depois da derrota e da captura de Aquil, o grupo escolheu Alharite, então ainda jovem, para comandá-lo. Num combate posterior, Ubade foi morto, enquanto Alharite matou Nácer ibne Maçude, um dos destacados guerreiros saducitas. Os dois lados se separaram sem vitória decisiva e as hostilidades prosseguiram, posteriormente atraindo outros grupos tribais para a disputa. A guerra contra os saducitas ocupa lugar importante nas tradições sobre a ascensão de Alharite. Inicialmente ainda jovem, ele aparece depois desses acontecimentos como chefe dos dubaiaítas e, posteriormente, como uma das figuras mais importantes entre os becritas.

Guerra de Albaçus

Os dubaiaítas aparecem com destaque nas tradições sobre a Guerra de Albaçus, travada entre becritas e taglibitas. Embora Alharite ibne Ubade inicialmente se mantivesse afastado do conflito, diferentes membros de seu clã participaram das hostilidades. Segundo o Kitab al-Aghani, no Dia de Quida os becritas apresentavam Alfinde Azimani como seu chefe, Jadar ibne Dubaia como seu cavaleiro, Sade ibne Maleque ibne Dubaia como seu poeta, Alharite como seu árbitro e Aufe ibne Maleque como o homem encarregado de bloquear a passagem pela qual os becritas enfrentaram seus perseguidores. Jadar ganhou especial destaque no confronto. Antes da batalha, os becritas teriam raspado os cabelos para se reconhecerem durante o combate, mas Jadar recusou-se a fazê-lo por causa de sua baixa estatura e pediu que lhe permitissem conservar a cabeleira em troca de enfrentar o primeiro cavaleiro inimigo que surgisse. Quando apareceu um taglibita conhecido como Ibne Anaque, Jadar investiu contra ele e o matou. Outra tradição atribui-lhe no mesmo confronto a morte dos taglibitas Anre e Amir.

Aufe Alburaque, irmão de Sade, aparece no mesmo episódio como responsável por impedir a fuga dos becritas. Depois de alcançar uma passagem estreita, fez sua filha subir em um camelo e conduziu o animal até o meio do caminho, onde lhe cortou os jarretes, bloqueando a passagem. Sem possibilidade de continuar a retirada, os becritas desmontaram e se prepararam para enfrentar os taglibitas. A tradição associa a esse episódio a origem de sua alcunha Alburaque. Sade ibne Maleque, por sua vez, aparece como poeta dos becritas no Dia de Quida e como participante da mobilização contra os taglibitas. Quando Alharite ainda se mantinha afastado da guerra, Sade pronunciou versos destinados a incitá-lo a participar dos combates. Outra composição atribuída a Sade censurava grupos becritas, entre eles os lujaítas, iascuritas e dulitas, por não contribuírem inicialmente com homens para o conflito. No próprio Dia de Quida, é-lhe atribuída ainda a morte de um guerreiro taglibita conhecido como Ibne Alcabia.

A entrada de Alharite na Guerra de Albaçus teria ocorrido depois da morte de Bujair, variadamente apresentado como seu filho ou sobrinho. Segundo diferentes tradições, Bujair foi morto por Almualhil, que teria declarado que sua vida equivalia apenas à correia da sandália de Culaibe ibne Rebia. Ao ser informado dessas palavras, Alharite abandonou sua neutralidade e entrou na guerra. Ibne Alatir afirma que depois disso assumiu papel de liderança entre os becritas e combateu pessoalmente no Dia de Quida.

Período islâmico

Os caicitas, dos quais os dubaiaítas constituíam a principal subdivisão, são relativamente pouco documentados nas décadas imediatamente anteriores ao surgimento do Islã. Segundo Fred Donner, apareciam com pouca frequência nos relatos dos Dias Árabes e aparentemente ocupavam posição secundária entre os becritas às vésperas do , embora algumas tradições indiquem que certos chefes dubaiaítas podiam alcançar posição de destaque entre os becritas. O território ocupado pelos caicitas não pode ser delimitado com precisão, mas os indícios reunidos por Donner apontam para uma presença importante no Barém e, provavelmente, também em partes da Iamama. As fontes genealógicas descrevem-nos como parcialmente nômades e parcialmente sedentários na Iamama, enquanto sua participação na confederação dos alaazimitas (Alaazim), ativa nas regiões de e , e a posterior atuação de membros da tribo nas áreas de Catife, Hajer e apontam para sua inserção política no Barém.

Os caicitas participaram da Batalha de Di Car, por volta de 611, ao lado dos xaibanitas, ijelitas, dulitas, taimalatitas e iascuritas, contribuindo para a derrota de um exército sassânida enviado de Hira. Essa participação, contudo, não representou uma orientação permanentemente antissassânida. Durante as Guerras da Apostasia, segmentos caicitas participaram da rebelião de no Barém, concentrada nas regiões de Catife, Hajer e Alcate. Pouco depois, durante a expansão muçulmana no Iraque, contingentes caicitas aparecem combatendo ao lado dos persas. Na , cristãos dos dubaiaítas lutaram junto de cristãos ijelitas e taimalatitas contra as forças de Calide ibne Alualide. Para Donner, esse comportamento demonstra que a participação de grupos becritas em Di Car não deve ser interpretada como expressão de uma oposição duradoura aos sassânidas, pois algumas décadas depois vários desses mesmos grupos se encontravam entre os adversários da expansão muçulmana e, em certos casos, entre os aliados das forças persas.

Bibliografia

Categoria:Dubaiaítas