Maria da Conceição de Lemos Magalhães (1863–1949) foi uma fotógrafa amadora portuguesa. É considerada uma das vozes pioneiras da fotografia do início do século XX em Portugal. Explorou temas relacionados com a terra e o mar, o trabalho rural e as mulheres em ambientes naturais, tendo também estudado a química da fotografia.
Vida Pessoal Maria da Conceição de Lemos Pereira de Lacerda Sant'Iago nasceu a 11 de fevereiro de 1863 em Condeixa-a-Nova, no distrito de Coimbra, no centro de Portugal. Era filha de Francisco de Lemos Ramalho Pereira de Azeredo Coutinho (1812–1895), 1º Conde de Condeixa, e de Amélia da Madre de Deus Sant'Iago (1841–1897).
Em 1884 casou-se, no Porto, com o político, escritor e jornalista, Luiz Cipriano Coelho de Magalhães (1859–1935), passando a residir em Moreira da Maia, na região do Grande Porto, onde tiveram quatro filhos. Anos mais tarde, quando a Família Real Portuguesa foi exilada para Londres após a revolução de 5 de outubro de 1910, a sua família acompanhou o rei deposto D. Manuel II, regressando apenas ao Porto em 1914, depois de o seu marido ter recebido uma amnistia política.
Fotografia Não se sabe ao certo como ou porquê Maria Lemos de Magalhães se dedicou à fotografia, mas no início do século XX já era bastante conhecida tanto em Portugal como no estrangeiro, sendo que terá sido exposta desde muito cedo a influências artísticas na sua casa, conhecida como a Quinta do Mosteiro, que acolheu escritores e pintores influentes.
Dedicou-se durante anos ao processamento laboratorial e estudou a química aplicada à fotografia. Utilizando técnicas fotográficas modernas, como o bromoil, um processo fotográfico que combinava fotografia, pintura e gravura, obteve reconhecimento através de exposições e da publicação de suas fotografias em periódicos nacionais e estrangeiros. Em 1906, expôs no Salon du Photo-Club de Paris e, um ano depois, em Turim, na Exposição Internacional de Fotografia Artística e Científica. Entre as suas contribuições para revistas, destaca-se a publicação na revista britânica The Studio, publicada em 1908, Cloud Effect. No ano seguinte, Passing Boat foi publicado no Boletim Fotográfico português, que também publicou outras fotografias de sua autoria. No mesmo ano, participou da Exposição Internacional de Fotografia em Dresden e da Exposição Portuguesa de Fotografia Amadora Moderna. Em maio de 1910, participou da Exposição de Fotografia Artística, organizada pela Sociedade Portuguesa de Fotografia, da qual foi membro convidada do grupo fundador de fotógrafos.
Associativismo e Beneficência Foi presidente da filial do Porto da Assistência das Mulheres Portuguesas às Vítimas da Guerra, uma associação promovida por mulheres da aristocracia portuguesa para auxiliar as famílias, combatentes e vítimas da Primeira Guerra Mundial, tal como a Comissão Feminina "Pela Pátria" e posteriormente a Cruzada das Mulheres Portuguesas. Acredita-se que o seu filho, José, tenha lutado na guerra e morrido em 1922 devido aos seus ferimentos. Uma imagem captada antes da sua partida para a guerra é a última fotografia que se sabe ter tirado.
Em 1945, doou ao Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, em Lisboa, um retrato do escritor açoriano Antero de Quental, da autoria de Columbano Bordalo Pinheiro.
Morte e legado Maria Lemos de Magalhães faleceu a 15 de novembro de 1949. Deixou um vasto conjunto de obras que nunca foram publicadas em vida, sendo o seu acervo fotográfico dividido entre as coleções da Família Mascarenhas Gaivão, Fundação Casa de Mateus e de Rita van Zeller, sua bisneta.
Em 2025, uma exposição do seu trabalho foi realizada no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, em Lisboa. A exposição incluiu também fotografias de outras duas fotógrafas portuguesas pioneiras, Margarida Relvas e Mariana Relvas, respetivamente filha e segunda esposa do notável fotógrafo Carlos Relvas. Um ano depois, algumas das suas obras foram expostas no Museu Municipal Carlos Reis, em Torres Novas, onde foi realizada uma conferência em parceria com o MNAC sobre o papel das mulheres na história da fotografia em Portugal, que integrou o programa da exposição “O que elas viram, o que nós vemos”.
Referências
Categoria:Monárquicos de Portugal Categoria:Fotógrafos de Portugal Categoria:Portuguesas do século XX Categoria:Fotógrafos de Portugal do século XX Categoria:Mortos em 1949 Categoria:Nascidos em 1863 Categoria:Naturais de Condeixa-a-Nova