José Chasin (São Paulo, 6 de janeiro de 1937 – Belo Horizonte, 31 de dezembro de 1998) foi um filósofo, ensaísta e professor universitário brasileiro de origem judaica. Foi responsável por pesquisas ontológicas no pensamento de Karl Marx; por reflexões sobre a realidade histórica, econômica e social brasileira; e por formular a teoria da via colonial de objetivação do capital no Brasil.

Integrou o grupo de intelectuais liderado por Caio Prado Júnior, que se articulou a partir da Revista Brasiliense. Foi vice-presidente da Campanha pela Defesa da Escola Pública, (ao lado de Florestan Fernandes enquanto presidente), fundou a Editora Senzala e a Revista Temas de Ciências Humanas (sendo a segunda em conjunto com Nelson Werneck Sodré). Ao longo de sua trajetória acadêmica, lecionou na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na Universidade Eduardo Mondlane em Moçambique, na Universidade Federal da Paraíba (UFPb) e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Biografia

Chasin nasceu em uma família judaica pobre no bairro da Mooca, filho de pais que imigraram para o Brasil nas primeiras décadas do século XX. Seu pai, Nochun (Nelson) Chasin, era oriundo da Polônia, e sua mãe, Pepi Chasin, era originária da Romênia. Sua primeira língua foi o iídiche, idioma falado no ambiente familiar, tendo aprendido o português posteriormente. Durante a infância, foi acometido por um reumatismo infantil que o obrigou a permanecer acamado por cerca de um ano. Esse período de repouso foi determinante para sua formação intelectual, pois dedicou-se intensamente à leitura de clássicos da literatura universal como Tolstoi, Dostoievski e Balzac.

Fez CPOR (tornando-se tenente da reserva) enquanto estudou ciências sociais e filosofia na Universidade de São Paulo (USP), na qual ingressou em 1959. Teve amizade, nos anos de faculdade, com Vladimir Herzog, Maurício Tragtenberg, Bento Prado Jr., Flávio Rangel, Leôncio Martins Rodrigues e Antunes Filho, com os quais se reunia frequentemente na Biblioteca Mário de Andrade. Graduou-se em 1962, escrevendo sua monografia de final de curso sobre o sociólogo Karl Mannheim.

Sua carreira acadêmica foi interrompida pelo Golpe de 1964, que o impediu de assumir cargos docentes imediatos. Chasin defendeu sua tese de doutorado, intitulada "O Integralismo de Plínio Salgado: forma de regressividade do capitalismo híper-tardio", apenas em 1977, na Escola de Sociologia e Política de São Paulo (ESP), sob orientação de Maurício Tragtenberg. O trabalho foi considerado uma revolução teórica nos estudos sobre ideologia no Brasil por demonstrar, via análise imanente, que o integralismo não era uma mera cópia do fascismo europeu, mas um fenômeno com lógica própria e regressiva. Chasin manifestava, desde cedo, o desejo de atuar como professor de filosofia no ensino médio e como escritor, projeto que foi dificultado pela reforma de ensino de 1968, que retirou a disciplina do currículo secundário.

Chasin teve uma trajetória marcada pelo combate ao stalinismo e pela busca de uma "lucidez revolucionária". Ingressou no PCB por ser o único espaço de atuação disponível na época, mas rompeu com o partido em 1963 devido a divergências teóricas e táticas, especialmente sobre o diagnóstico da realidade agrária brasileira.

Afastado da academia pela ditadura, trabalhou por 15 anos na indústria farmacêutica Ciba-Geigy como publicitário, onde criou inovações como a cartela de comprimidos para o remédio Cibalena. Durante esse período, financiou seus próprios estudos e fundou importantes projetos editoriais: a Editora Senzala (1966–1968), que publicou obras fundamentais, incluindo o primeiro livro de Lukács traduzido no Brasil, Existencialismo ou Marxismo; a Revista Temas de Ciências Humanas (1977–1981), veículo que reuniu marxistas no exílio e introduziu debates sobre o eurocomunismo e a crise do socialismo real e o Movimento Ensaio, projeto iniciado nos anos 1980 que visava a formação de quadros e a disseminação da ontologia marxiana.

Entre o final da década de 1970 e o início de 1980, Chasin viveu um exílio de 22 meses em Moçambique. Lá, lecionou na Universidade Eduardo Mondlane e colaborou com o governo pós-independência da Frelimo, mas retornou ao Brasil após constatar a inviabilidade de uma transição ao socialismo baseada no modelo soviético em uma sociedade de base tribal, o que ele denominou como "transição que se autoperpetua".

Lecionou na Universidade Federal da Paraíba (UFPb) entre o início da década de 1980 e 1986, onde criou o curso de pós-graduação em filosofia.

A obra de Chasin é centrada na recuperação do estatuto ontológico do pensamento de Marx, diferenciando-o das interpretações puramente epistemológicas ou politicistas. Algumas de suas principais pesquisas foram reunidas na obra A determinação ontonegativa da politicidade, publicada pela editora Ad Hominem. Seus principais conceitos incluem: "Via Colonial" (teoria que explica o desenvolvimento do capitalismo no Brasil como uma modernização que preserva traços autocráticos e excludentes), "politicismo" (crítica à tendência da esquerda de priorizar a esfera política em detrimento da análise da base econômica e do mundo do trabalho) e "analítica paulista" (crítica à produção sociológica da USP por sua natureza tipologizante e pelo abandono das categorias de classe em favor de conceitos como "elite" e "massa").

Em seus últimos anos de vida, em 1996, transferiu-se para a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde lecionou no departamento de filosofia e fundou o Grupo de Pesquisa em Marxologia. José Chasin faleceu em 1998, deixando um projeto inacabado de reconstrução da ontologia ao longo da história da filosofia.

Obras

Referências

Ligações externas Edição Especial da Revista Verinotio sobre J. Chasin Categoria:Filósofos do estado de São Paulo Categoria:Judeus asquenazes Categoria:Judeus do estado de São Paulo