Alcantarea turgida é uma espécie de planta pertencente à família Bromeliaceae, subfamília Tillandsioideae, pertencente ao género Alcantarea. É uma bromélia rupícola e saxícola endémica do Brasil, ocorrendo especificamente no estado de Minas Gerais, na Região Sudeste do país.
Descrição Morfologicamente, apresenta-se como uma planta de grande a gigante porte, acaule (ou com caule curto), capaz de florescer atingindo até 2,5 metros de altura. Suas folhas são numerosas, espalhadas e arqueadas, dispostas de forma a constituir uma ampla roseta crateriforme e infundibuliforme (em forma de funil) com diâmetro que varia de 0,7 a 1,7 metros. As bainhas foliares são amplamente ovadas (19–27 × 8–19 cm), apresentando coloração marrom-claro na face adaxial e marrom-escuro com linhas inclinadas de cor vermelho-vinho escuro no ápice da face abaxial, sendo densamente recobertas por escamas lepidotas marrons em ambas as superfícies. As lâminas são lineares e longo-atenuadas (61–75 × 7,5–11 cm), de consistência coriácea, proeminentemente nervadas, exibindo coloração verde-lustrosa com discretas manchas de cor vinho ao longo das margens e superfícies, as quais se tornam intensamente avermelhadas quando expostas a pleno sol.
O escapo floral é ereto, robusto, medindo de 0,8 a 1,2 metros de comprimento e de 2 a 4 cm de diâmetro, exibindo manchas cor de vinho nas porções expostas à radiação solar direta. As brácteas do escapo são purpúreas ou totalmente vermelhas na base, tornando-se verdes com manchas vermelho-vinho em direção ao ápice. A inflorescência possui estrutura paniculada, uma vez ramificada, com formato piramidal a elíptico (0,6–1,3 × 0,7–1 m), sustentando de 14 a 32 ramos floríferos dispostos subdensamente, contendo de 10 a 18 flores cada. As brácteas florais são convexas, suborbiculares, verdes na porção central e cor de vinho nas margens, apresentando-se infladas e densamente imbricadas nas porções apicais dos ramos. Suas flores são inodoras e não secundas, com sépalas obovadas de cor verde com margens hialinas (3,6–4,4 × 1,4–1,8 cm). As pétalas são longo-lineares com ápice agudo (9,3–11 × 1–1,2 cm), exibindo coloração amarela nos botões florais e imediatamente após a antese, desbotando rapidamente para um tom branco-cremoso. O fruto estrutura-se como uma cápsula elipsoide, rugosa, castanho-escura (5,3 a 6,2 cm de comprimento), contendo sementes estreitamente elípticas dotadas de apêndices fimbriados (papus) adaptados para a dispersão por via anemocórica.
Taxonomia A espécie foi descrita formalmente pelos botânicos Leonardo Versieux e Maria das Graças Lapa Wanderley, sendo publicada originalmente no periódico científico Brittonia em 2007. O epíteto específico turgida deriva do latim e significa "intumescido" ou "túrgido", constituindo uma alusão direta às suas brácteas florais densamente imbricadas e infladas, as quais se apresentam completamente preenchidas com abundante néctar viscoso e transparente que goteja do ápice dos eixos floridos.
Afinidades morfológicas A Alcantarea turgida possui estreita afinidade morfológica com as espécies A. extensa e A. vinicolor, das quais se diferencia principalmente pela configuração estrutural da inflorescência, caracterizada por um escapo ereto com ramos curtos e marcadamente floríferos, além de possuir sépalas, pétalas e apêndices petalinos mais longos. Assemelha-se também à A. imperialis, distinguindo-se desta pelo comprimento reduzido das brácteas primárias (que são mais curtas que os pedúnculos), pela folhagem lustrosa (em vez de glauca), pelas flores não secundas e pelos ramos floríferos patentes-ascendentes (em vez de pendentes com formato sigmoide). Adicionalmente, diferencia-se de A. geniculata (espécie endémica do Rio de Janeiro) por apresentar sépalas, pedúnculos e apêndices das pétalas de maiores dimensões, inflorescência arranjada de forma menos densa e folhagem com máculas de cor vinho na face abaxial.
Distribuição geográfica e habitat A Alcantarea turgida é uma espécie endémica do estado de Minas Gerais, desenvolvendo-se em encostas rochosas íngremes e sobre afloramentos graníticos expostos (inselbergs) ao longo de uma faixa geográfica compreendida entre os municípios de Ouro Preto e Serro, inserida nos domínios ecológicos da Mata Atlântica e dos campos rupestres.
Ecologia Indivíduos floridos da espécie foram formalmente documentados em ambiente natural durante o mês de junho e no período correspondente de dezembro a fevereiro. Suas flores, ricas em recursos energéticos, são frequentemente visitadas por vetores de polinização especializados, destacando-se os beija-flores (com ênfase para a espécie Phaethornis pretrei). Insetos como abelhas também atuam como visitantes comuns, perfurando ocasionalmente o tecido das pétalas para a coleta de grãos de pólen. A dispersão das sementes ocorre de forma estritamente anemocórica.
Estado de conservação A espécie é preliminarmente classificada como Quase Ameaçada (NT) de extinção. Embora possua populações conhecidas e documentadas dentro dos limites geográficos de três Unidades de Conservação distintas, a integridade de seus habitats naturais sofre ameaças severas e contínuas em decorrência da incidência de incêndios frequentes originados em áreas de pastagem adjacentes, somada à intensa pressão de coleta ilegal de espécimes na natureza voltada ao comércio ornamental de plantas.
Referências
Ligações externas
Alcantarea turgida no Plants of the World Online (Kew) Alcantarea turgida na Flora e Funga do Brasil (JBRJ) Alcantarea turgida no GBIF Alcantarea turgida no CNCFlora
Categoria:Alcantarea Categoria:Flora do Brasil Categoria:Flora de Minas Gerais Categoria:Plantas descritas em 2007