Marta Noemí Alanis (Cañada de Gómez, Argentina, 1949) é uma activista feminista e fundadora do capítulo argentino da organização Católicas pelo Direito de Decidir, e uma das principais figuras na Campanha Nacional para o Aborto Seguro, Legal e Gratuito na Argentina.
Biografia Marta Alanís nasceu em Cañada de Gómez, província de Santa Fé, em 1949, filha de um trabalhador ferroviário e de uma dona de casa, ambos católicos. Viveu em Córdova de 1968 até 1976, quando começou a ser perseguida em virtude do seu trabalho ligado à comunidade eclesiástica, ligada aos sectores populares. Mudou-se então com a família, primeiro para Buenos Aires e em seguida para Avellaneda. Partiu depois para a Bolívia e para França onde viveu dois anos, continuando para a Nicarágua, onde ficarou até à Revolução Sandinista. Com o fim da ditadura militar argentina, regressou a Córdova em 1984 com o seu marido e quatro filhos, e aqui retomou a sua actividade social e comunitária.
Em 1991, enquanto coordenava oito cozinhas comunitárias nos arredores da cidade, conheceu a teóloga feminista Ivone Gebara. Entrou então em contacto com a organização Católicas pelo Direito de Decidir (CDD) uruguaia, cuja sede era em Montevideu, e começou a tecer redes de contactos que levaram a que em 1993 fundasse a organização homónima argentina, que promove a igualdade de género e a autonomia de pessoas gestantes. Esta fundação seria instrumental à legalização do aborto na Argentina em 2020. alt=Um punho ergue-se segurando um lenço verde.|miniaturadaimagem|O uso do lenço verde generalizou-se como símbolo na luta pelo direito ao aborto, inicialmente na América Latina e mais tarde na América do Norte e na Europa. Em 2003, no XVIII Encontro Nacional de Mulheres, que teve lugar em Rosário, Marta Alanís promoveu a criação de um Fundo de Mulheres do Sul, que apoia financeiramente projectos de mulheres cis e trans, heterossexuais e lésbicas na região, por forma a expandir os seus direitos legais. Foi pouco antes deste mesmo encontro que Marta Alanís e Susana Chiarotti decidiam adoptar a côr verde como símbolo da luta pelo aborto legal na Argentina, e o lenço, inspirado pelas Mães da Praça de Maio. Depois de uma oficina intitulada "Estratégias para o acesso ao aborto legal e seguro", no fim do primeiro dia do encontro, as integrantes do CDD distribuíram os lenços verdes que iriam tornar-se emblemáticos do movimento. As duas mulheres produziram ainda numerosos artigos de investigação sobre violência reprodutiva, onde mostravam possíveis rotas para a despenalização ou legalização do aborto.
Fez parte da Campanha Nacional para o Direito ao Aborto desde o seu conceito em 2003, incluindo o nascimento da campanha em 2004 e a sua publicação em 28 de maio de 2005. Esta campanha conta com a colaboração de mais de quinhentas organizações, incluindo movimentos sindicais, organizações de luta pelos direitos humanos, jornalistas e profissionais de saúde, que promovem o direito ao aborto.
Homenagens e distinções
Em 2019 recebeu o prémio Joan B. Dunlop, atribuído pela Coligação Internacional de Saúde da Mulher (IWHC) "pelo seu trabalho incansável pelos direitos sexuais e reprodutivos, e a luta por justiça social". Em 2024 recebeu o Prémio Frances Kissling; no mesmo ano recebeu o Doutoramento Honoris Causa da Universidade das Artes em Buenos Aires em nome da Campanha Nacional para o Direito ao Aborto, juntamente com Nelly Minyersky, Martha Rosenberg, Nina Brugo, e Julia Martino.
Ligações externas
Entrevista com Infobae: "Se puede ser católica y apoyar el aborto" (em espanhol) Entrevista com El Destape: Marta Alanis de Católicas por el Derecho a Decidir: "Las mujeres católicas también abortamos"
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