O conflito diplomático entre os Estados Unidos e a Santa Sé, autoridade que governa a Cidade do Vaticano e a igreja católica, começou em janeiro de 2026, de forma indireta, devido a oposição do Papa Leão XIV às políticas internas e políticas externas dos Estados Unidos como ações militares na Venezuela e no Irã e ameaças de anexação da Groenlândia ocorridas durante o segundo governo do presidente Donald Trump.

Trump e seu vice exigiram que o papa se abstenha de política. Observadores se referem a natureza do conflito, entre um chefe de estado e um papa, como sem precedentes na história contemporânea.

Antecedentes O Papa Leão XIV é o primeiro papa nascido nos Estados Unidos, eleito no conclave de maio de 2025 após a morte do seu antecessor, o Papa Francisco, um papa argentino também crítico das políticas de Donald Trump. Na eleição presidencial nos Estados Unidos em 2024, os católicos americanos apoiaram majoritariamente a Donald Trump. Inicialmente, Trump teve uma reação positiva quanto a escolha do papa ser natural dos Estados Unidos e declarou ser uma grande honra para o país.

Expansionismo americano sobre Donald Trump Desde janeiro de 2025, Trump expressou interesses de expandir a influência dos Estados Unidos e o controle territorial sobre outras áreas administrativas estrangeiras, sugerindo uso da força militar ou instrumentos coercitivos econômicos para tomar a Groenlândia, o Panamá, e tornar o Canadá o 51° estado americano. Tais interesses de Trump persistiram durante o ano de 2026 e se estenderam para territórios da Venezuela, Groenlândia, Irã e Cuba. Vários autores argumentam que os interesses de Trump nesses territórios seguem tendências de expansionismo.

Eventos O Papa e autoridades do Vaticano expressaram preocupação com as ações do governo de Donald Trump tanto no campo doméstico quanto internacional; em 9 de janeiro o papa declarou que a diplomacia do diálogo estava gradualmente sendo substituída pela "diplomacia da força", em resposta às ameaças dos Estados Unidos a México e Panamá e a anexação da Groenlândia.

Intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela

Anterior ao conflito diplomático, o papa se manifestou sobre a intervenção militar na Venezuela no dia 4 de janeiro e disse acompanhar com grande preocupação os desdobramentos dos eventos, com preces pela superação da violência e pelo bem do povo venezuelano e sua soberania com respeito aos direitos humanos.

Encontro oficial em janeiro de 2026 Em 22 de janeiro, funcionários do Departamento de Defesa dos EUA receberam o cardeal francês Christophe Pierre, então embaixador da Santa Sé nos EUA; o The Washington Post descreveu o encontro como "atípico", observando que autoridades da Igreja raramente se reúnem com o Departamento de Defesa. Uma reportagem do jornal The Free Press em abril revelou que o subsecretário de Defesa dos EUA para Políticas, Elbridge Colby, convocou Pierre para uma "palestra" a portas fechadas. De acordo com a reportagem, Colby e outros criticaram a uma declaração de Leão feita em 9 de janeiro e disseram a Pierre que os Estados Unidos da América "tem o poder militar de fazer o que quiser" e que a igreja deveria "ficar ao seu lado".

Em abril, ambos Departamento de Defesa e o Vaticano emitiram comunicados oficiais de que as informações da reportagem sobre um encontro adversário eram inverídicas. O vice-presidente J.D. Vance, que é católico, disse não ter certeza ou confirmação do que de fato ocorreu no encontro e expressou querer conversar com Pierre sobre isso.

Guerra do Irã

Origem Em março de 2026, Leão XIV condenou a guerra do Irã iniciada em 28 de fevereiro, dando início a um conflito diplomático entre os Estados Unidos e a Santa Sé. Leão condenou ameaças de Donald Trump de aniquilar toda civilização iraniana em 7 de abril para forçar a reabertura do estreito de Ormuz como 'verdadeiramente inaceitável'.

Em 8 de março, um arcebispo próximo do papa descreveu um vídeo montagem da Casa Branca intitulado "Justiça do jeito americano" que mistura filmagens de bombardeamentos reais no Irã com imagens de filmes de Hollywood como "estarrecedor" e que "uma guerra real com vítimas reais e sofrimento reais ser tratada como um jogo de vídeo game - é de adoecer".

Escalada

No dia 12 de abril, Trump acusou o papa de ser "fraco no combate ao crime" e "péssimo em política externa" e que "Leão deveria se comportar como papa".

Em sua rede social Truth Social, Donald Trump publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que retrata a si mesmo como Jesus. A repercussão do post foi negativa internacionalmente e nos Estados Unidos, com acusação de blasfemar a imagem de Cristo pelas comunidades católica e evangélica. O post foi posteriormente excluído.

Mais tarde, no dia 14, Trump voltou-se a sua conta do Truth Social para criticar o papa: "Alguém, por favor, diga ao papa Leão que o Irã matou pelo menos 42 mil manifestantes inocentes e completamente desarmados nos últimos dois meses, e que o Irã possuir armas nucleares é absolutamente inaceitável. Obrigado pela sua atenção. AMÉRICA ESTÁ DE VOLTA!!!!".

Incidentes relacionados A casa de um dos irmãos do Papa Leão XIV, John Prevost, e residências da região de New Lenox foram evacuadas pela polícia para realizar buscas depois de uma falsa ameaça de bomba. O caso está sendo investigado.

Encontro oficial em maio de 2026 Em 7 de maio, o Papa Leão teve uma reunião privada de 45 minutos com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em meio a tensões com Trump, ao que foi referido como "amigável". Os oficiais trocaram pontos de vista sobre guerras, tensões políticas e crises humanitárias e a necessidade de trabalhar incansavelmente em prol da paz. O encontro ocorreu no Vaticano, e Rubio também se encontrou com Pietro Parolin. O jornal Associated Press classificou o encontro como "reconciliação".

Reações

Estados Unidos

No X, o partido Democrata emitiu um comunicado em que afirma que Trump "arruma brigas com a Igreja Católica e o papa ao invés de fazer qualquer coisa para melhorar suas vidas, reduzir o custo de vida ou trazer tropas [militares] para casa. Os Estados Unidos merecem mais". Do partido Republicano, Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, declarou que ficou "um pouco surpreso" pelos comentários do Papa Leão e defendeu Trump, argumentando que o papa é bem vindo para se posicionar politicamente mas que ele também deveria esperar alguma resposta política. Representante do 22° distrito congressional do Texas, Troy Nehls disse que Leão "deveria ficar fora de política".

Internacionais : Sem citar Trump, o presidente Luís Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento em vídeo para a 62ª Assembleia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e prestou solidariedade ao papa. : O presidente do governo, Pedro Sánchez, declarou que "Enquanto alguns semeiam o mundo com guerras, Leão XIV semeia a paz, com bravura e coragem." : O presidente Emannuel Macron se reuniu com o papa e afirmou que "compartilham a mesma convicção diante da divisão do mundo" e "trabalhar pela paz é tanto um dever quanto uma necessidade". : A primeira ministra Giorgia Meloni tratou os ataques verbais de Trump no dia 13 de abril ao papa como "inaceitáveis" e disse que "é correto e normal que ele peça a paz e condene todas as formas de guerra". : A presidente Cláudia Sheinbaum pediu por paz no mundo, solidarizou-se com o Papa Leão e ressaltou que "[o Papa] não só representa uma religião, como um estado". : O presidente do Irã Masoud Pezeshkian condenou ataques de Trump ao papa. A embaixada do Irã no Tadjiquistão publicou um vídeo gerado por inteligência artificial em que Jesus ataca Trump, baseado na imagem deletada de Trump que retrata a si mesmo como cristo.

Referências

Categoria:2026 nos Estados Unidos Categoria:Donald Trump Categoria:Crises diplomáticas durante a segunda presidência de Donald Trump Categoria:Papa Leão XIV Categoria:Relações entre Estados Unidos e Santa Sé Categoria:2026 no Vaticano