O xecado de Quitangonha foi um antigo estado independente suaíli e o seu território faz hoje parte de Moçambique.

História Juntamente com os xecados de Sangage e Sancul, o xecado de Quitangonha viveu um período de expansão económica tendo por base a exportação de escravos para Madagáscar, Zanzibar, Comoros, Arábia e Reunião. Os xeques foram sempre aliados fiéis de Portugal até 1775.A. Rita-Ferreira: "FIXAÇÃO PORTUGUESA E HISTÓRIA PRÉ-COLONIAL DE MOÇAMBIQUE", in Estudos, Ensaios e Documentos, N.º 142, Instituto de Investigação Científica Tropical/Junta de Investigações Científicas do Ultramar, Lisboa, 1982, p. 157 O xeque Tuacali Hija atacou as Terras Firmes, territórios portugueses no continente africano, em 1775, 1776, 1786, 1795 e 1796, e em 1799 foi combatido por tropas portuguesas aliadas a um régulo macua, conhecido como o maurusa de Itoculo, um importante reino macua a 40 quilómetros para noroeste.René Pélissier: História de Moçambique: Formação e Oposição, 1854-1918, I, Editorial Estampa, 1994, pp. 59-63.

O sucessor de Tuacali Hija foi Janfar Salim, que reinou de 1804 a 1817. Este ajudou os portugueses contra o régulo Morimuno, de Erati. Novos combates deram-se em 1800 e 1801. Em 1809, porém, aliou-se ao maurusa e atacou território português, restabelecendo depois a sua aliança a Portugal e virando-se contra o maurusa e os macuas, chegando a defender Mossuril de um ataque macua em 1811. Foi preso em 1817 e deportado para Inhambane.

A Janfar Salim sucedeu-lhe Solimane Bona Aji, que participava activamente no comércio de escravos exportados para Madagáscar e as Comores mas mantinha uma boa relação com as autoridades portuguesas. Este estado de coisas rompeu-se com a chegada em 1829 do governador-geral Paulo José Miguel de Brito, que deu caça ao tráfico de escravos em 1830 ocupou a baía de Fernão Veloso, fronteira norte do xecado de Quitangonha, fundando ali uma povoação. Solimane atacou naquele ano a vila mas os portugueses repeliram-no e aliaram-se aos macuas de Erati e de Itoculo. Solimane, por sua vez, aliou-se a Zanzibar, Quíloa e à poderosa negociante D. Rosaura Maria Monteiro de Sousa Guedes, portanto conseguiu um acordo de paz com as autoridades, mantendo-se oficialmente como vassalo da Coroa Portuguesa e obrigado a arvorar a bandeira portuguesa nos seus navios e fornecer madeira à fortaleza portuguesa, embora de resto actuasse de forma practicamente independente. Solimane foi sucedido por Ali Amissi Heri em 1850.

Os homens de Ali Amissi Heri espoliaram em Julho de 1857 os moradores de Mossuril e o governador-geral declarou a guerra a Quintangonha mas após algumas escaramuças foi restabelecida a paz a 12 ou 13 de Setembro de 1857. Ali Amissi Heri foi por sua vez derrubado em 1873 por uma coligação entre o seu primeiro-ministro Abder Rahman, dois régulos macuas e as autoridades portuguesas.

Estima-se que em 1900 a Quitangonha tivesse uma população de 6000 almas, que incluíam 600 guerreiros.

A Quitangonha manteve-se independente até à guerra de 1904-1911. Mamude Buana Amadi entrou novamente em guerra contra as autoridades portuguesas a 20 de Janeiro de 1904 e o governador Serpa Pimentel enviou contra Quitangonha o capitão António Camisão, que com uma força de 13 oficiais, 11 sargentos e 266 soldados africanos expulsou o xeque Mamude Buana Amadi e no seu lugar colocou Saíde ibne Amissi, antigo capitão-mor do xeque.Pélissier, 1994, I, pp. 285-187. Mahmud tinha, porém, aliados entre os régulos macuas e refugiou-se nas suas terras para continuar a guerrilha até à morte em 1908. Todo o território de Quitangonha foi definitivamente pacificado e integrado em Moçambique em 1911, passando a pagar impostos a Portugal.

Xeques de Quintangonha

Twakaly Hija ? - 1804 Janfar Salim 1804 - 1817 Solimane Bona Aji 1817 - 1850 Aly Amissi Hery 1850 - 1873 Mahmoud Bwana Amadi 1884-1904/8 Said Bin Amissi 1904 - ?

Ver também

Campanhas de Pacificação e Ocupação África Oriental Portuguesa Sultanato de Angoche

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