O letramento racial é um processo pedagógico criado para desconstruir práticas e pensamentos racistas da sociedade. Visa ensinar a reconhecer, criticar e combater ações racistas praticadas no cotidiano.(2023). Cartilha Antirracista. Projeto letramento racial: como forma de combate ao racismo. Universidade Federal do Pará. Instituto de Ciências Jurídicas.Cartilha educando para as relações étnico raciais. Ministério da Igualdade Racial. Governo do Brasil.

O letramento racial constitui uma abordagem educativa voltada à compreensão das relações étnico-raciais, das formas de racismo e de seus impactos sociais, históricos e culturais. No contexto da Educação Escolar Quilombola, essa perspectiva contribui para a valorização dos saberes, das memórias, das ancestralidades e das identidades das comunidades quilombolas, articulando os conhecimentos escolares aos saberes comunitários e territoriais.

História O termo "racial literacy" (em português: alfabetização racial) foi formulado pela primeira vez pela socióloga afro-americana France Windance Twine, em um artigo sobre sua pesquisa de campo realizada com famílias inter-raciais branca e negra. A pesquisa consistia em analisar as estratégias e ações adotadas pelos pais brancos em ensinar aos seus filhos negros sobre o racismo.Vieira, Bárbara (2022). Letramento racial: da emergência de uma formulação. Revista Espaço Acadêmico, 21, 53-64. Recuperado de https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/60366

No Brasil A expressão "letramento racial" chegou ao país em 2012, com a tradução feita pela psicóloga Lia Vainer Schucman em seu trabalho de doutorado, onde entrevistou pessoas brancas sobre sua branquitude. A expressão raramente surgia em debates sobre racismo e branquitude no Brasil. Recentemente, o termo tomou lugar nos debates em questão.

Após casos de racismo ocorridos em empresas e instituições de ensino, em alguns casos ocorrendo ações fatais, organizações brasileiras estão reestruturando os quadros de seus colaboradores com equidade racial; e estão implementando a didática do letramento racial em seus currículos e formando seus gestores na prática do letramento racial.

Letramento Racial e Educação Escolar No ambiente escolar, o letramento racial pode ser desenvolvido por meio de práticas pedagógicas que promovam a consciência histórica e cultural, o reconhecimento da diversidade étnico-racial e a reflexão crítica sobre preconceito, discriminação e racismo. Essas práticas também favorecem a construção da autoestima, do sentimento de pertencimento e do reconhecimento da contribuição das populações negras e quilombolas para a formação da sociedade brasileira.

Na Educação Escolar Quilombola, o letramento racial relaciona-se às diretrizes estabelecidas pela Lei nº 10.639/2003 e pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola, instituídas pela Resolução nº 8, de 20 de novembro de 2012. Sua aplicação busca fortalecer uma educação antirracista e contextualizada, na qual o território, a ancestralidade, a memória coletiva e os etnossaberes constituem elementos relevantes do processo educativo.

Fundamentos O processo de letramento racial possui cinco fundamentos:

Reconhecimento do privilégio branco. Reconhecimento que o racismo é um problema atual. Aprendizado das identidades raciais. Aprendizado de vocabulário racial. Interpretação de comportamentos e estruturas sociais baseadas na raça.

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