A intervenção militar dos Estados Unidos na Somália ocorre desde 2007, contexto do contraterrorismo como parte da Guerra ao Terror, com as forças armadas dos Estados Unidos tendo como alvo grupos militantes jihadistas, principalmente a al-Shabaab, na Somália. A intervenção militar estadunidense na Somália utiliza bombardeamentos, incluindo ataques com drones e mísseis lançados de navios de guerra, juntamente com raides e aconselhamento pelas forças especiais estadunidenses. A partir de março de 2017, os ataques aéreos aumentariam drasticamente sob o primeiro governo Trump e passariam a atingir também o Estado Islâmico na Somália.

Até 2020, existiam cerca de 700 soldados estadunidenses presentes na Somália. No entanto, no final daquele ano, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, anuncia que retiraria todas as tropas da Somália até 15 de janeiro de 2021. Em 17 de janeiro de 2021, o Exército dos Estados Unidos anunciou que a redução de tropas havia sido concluída. O treinamento de forças aliadas, os ataques aéreos limitados e as atividades de operações especiais continuaram, no entanto. Em maio de 2022, segundo um porta-voz do governo, o presidente Joe Biden aceitou um pedido do Pentágono para realocar soldados na Somália a fim de combater o grupo terrorista al-Shabaab.

Contexto

Os Estados Unidos tem um longo histórico de intervenções diretas e indiretas na Somália.

Em 2004, com a ajuda das Nações Unidas, a Somália formou o Governo Federal de Transição. Porém esse governo não conseguiria ganhar força e com o tempo seria sobrepujado pela União dos Tribunais Islâmicos, uma coalizão de forças islamistas.Timeline: Violence Ties U.S. and Somalia Together - NPR (9 de janeiro de 2007)

No início de 2006 os senhores da guerra somalis formam a Aliança para a Restauração da Paz e Contra o Terrorismo em Mogadíscio, cujo objetivo seria combater as milícias islamistas, o que segundo fontes foi financiado pela CIA. Entretanto, em junho de 2006, os militantes islamistas tomam Mogadíscio e outras partes do centro-sul da Somália, derrotando os senhores da guerra.CHRONOLOGY: U.S. involvement in Somalia - Reuters (21 de janeiro de 2007)

Diante de tal situação, em 24 de dezembro de 2006, a Etiópia, avaliando uma ameaça à segurança, decide intervir na Somália em apoio ao governo de transição. A intervenção etíope contou com o apoio tácito - além de ajuda em vigilância e inteligência - dos Estados Unidos. Assim, o governo de transição somali consegue recapturar Mogadíscio em 28 de dezembro e dispersar as forças islamistas por todo o país. Por vários meses após o ataque etíope inicial, um intenso combate entre as forças etíopes, do governo de transição e as várias facções da União dos Tribunais Islâmicos prosseguem. Seria durante essa intensa resistência à intervenção etíope que Al-Shabaab surgiria.THE HIDDEN US WAR IN SOMALIA: CIVILIAN CASUALTIES FROM AIR STRIKES IN LOWER SHABELLE - Amnesty International

Aparentemente aproveitando-se da confusão entre as forças islamistas somalis, os Estados Unidos iniciam diversos bombardeios contra líderes suspeitos da Al-Qaeda.

Cronologia 2007 Em 7 de janeiro uma aeronave AC-130 da Força Aérea dos Estados Unidos operando sob o comando do JSOC alvejou um suposto comboio da al-Qaeda. O ataque matou vários combatentes em potencial, incluindo Fazul Abdullah Mohammed e o especialista em explosivos sudanês Abu Talha al Sudani, conhecido como Tariq Abdullah. O comboio foi rastreado à noite por um drone MQ-1 Predator. Estima-se que cinco a dez militantes foram mortos e quatro a cinco feridos. Uma equipe conjunta dos Estados Unidos e da Etiópia pousou no local do ataque logo depois e confirmou pelo menos oito mortos. De acordo com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, os militantes mortos neste ataque estavam ligados aos atentados às embaixadas estadunidenses no Quênia e na Tanzânia de 1998.

No dia 9 de janeiro, quatro cidades próximas à Ras Kamboni, no sul do país, foram alvos de um caça AC-130. O ataque, que visava um campo de treinamento e associados da al-Qaeda, deixou de 4 a 31 pessoas mortas. O objetivo pretendido seria Fazul Abdullah Mohammed, alvo de um ataque aéreo anterior. Outro ataque foi relatado perto de Afmadow, no qual 22-31 pessoas foram mortas.

Em 23 de janeiro, às 4:00 da manhã, um caça AC-130 operando de uma base aérea no leste da Etiópia, alvejou a cidade de Waldena na tentativa de matar Ahmed Madobe, comandante da União dos Tribunais Islâmicos e representante de Hassan Turki. Madobe sobreviveu ao ataque aéreo, porém mais tarde seria capturado pelas forças estadunidenses e etíopes que pousaram de helicóptero às 10h00.

Em 1 de junho o USS Chafee disparou uma dezenas de vezes e possivelmente um míssil de cruzeiro no litoral de Bargal, no norte da Somália. Os ataques tinham como alvo militantes jihadistas que aterraram na costa e começaram a atirar contra as forças locais. De 8 a 12 militantes, incluindo alguns combatentes estrangeiros, foram mortos.

2008 No dia 3 de março mísseis de cruzeiro foram lançados pelos Estados Unidos na cidade de Dhobley, no sul da Somália, a 6.5 km da fronteira com o Quênia. O ataque tinha como alvo Hassan Turki e Saleh Ali Saleh Nabhan. Na época, Saleh Alii foi objeto de uma recompensa de US $ 25 milhões colocada sobre ele pelo governo dos Estados Unidos.

Em 1 de maio quatro mísseis de cruzeiro lançados por um navio de guerra da Marinha dos Estados Unidos atingiram um complexo em Dhusamareb, no centro da Somália. O ataque matou o líder da al-Shabaab, Aden Hashi Ayro, e vários outros combatentes. Os relatórios sugerem que um AC-130 também estava envolvido na operação. O ataque supostamente fez com que o al-Shabaab proibisse o uso de telefones celulares por seus combatentes.

2009 thumb|direita|Situação na Somália em 1 de janeiro de 2009. Em verde oliva está o território controlado pelos islamistas Em 14 de setembro na Operação Celestial Balance, depois de vários ataques de aviões de guerra, comandos estadunidenses lançam um ataque de helicóptero perto da cidade costeira de Barawa, matando Saleh Ali Saleh Nabhan depois que seu comboio foi rastreado enquanto deixava Mogadíscio para participar de um encontro entre militantes islâmicos.

2011 thumb|direita|Situação na Somália em 1 de janeiro de 2011. Em verde oliva está o território controlado pelos islamistas De 3 a 6 de abril, durante os combates em Dhobley entre as forças somalis e militantes da Al-Shabaab, ocorreu um ataque aéreo que matou o comandante da al-Qaeda Jabreel Malik Muhammed. Isso se seguiu a um intervalo de dezoito meses de ataques estadunidenses na área.

No dia 23 de junho, as forças estadunidenses atacaram um campo de treinamento ao sul de Kismayo, o que supostamente resultou na morte do líder sênior da al-Shabaab, Ibrahim al-Afghani. No entanto, Stratfor relatou em agosto que Afghani ainda estava vivo e havia substituído Ahmed Abdi Godane como emir de al-Shabaab. Afghani não apareceu em público desde então. Dias depois, em 6 de julho, no início da manhã, drones estadunidenses atingiram três campos de treinamento da Al Shabaab em Afmadow.

Em 15 de setembro, três explosões ocorrem depois que os residentes de Kismayo relataram aeronaves voando sobre a cidade. Uma aeronave alvejou uma área florestal onde militantes teriam estabelecido um campo de treinamento. Em 25 de setembro, uma série de ataques de drones têm como alvo um militante do al-Shabaab em Kismayo.

No dia 6 de outubro um ataque com drones tem como alvo os militantes da al-habaab que estavam se retirando para Dolbiyow. Esse ataque matou quatro agricultores somalis. Dias depois, em 13 de outubro, ocorre outro ataque de drones contra uma base da al-Shabaab perto do vilarejo de Taabta.

Entre os dias 22 e 23 de outubro ocorrem ataques aéreos dos Estados Unidos e da França em Afmadow e em Kismayo.

2012 thumb|direita|Situação na Somália em fevereiro de 2012. Em verde oliva está o território controlado pelos islamistas Em 21 de janeiro três mísseis disparados por um drone matam o militante britânico-libanês Bilal al-Berjawi conhecido como Abu Hafsa enquanto ele dirige um carro fora de Mogadíscio.

Em 24 de fevereiro, um ataque de drones estadunidenses visando um veículo que transportava um alto comandante mata sete jihadistas em Shabeellaha Hoose, incluindo um proeminente marroquino e um representante de Bilah al-Berjawi.

No dia 23 de agosto, ataques aéreos estadunidenses são conduzidos na cidade de Qandala.

2014 Em 1 de setembro drones e aeronaves convencionais estadunidenses têm como alvo os acampamentos e veículos da al-Shabaab. O líder Ahmed Abdi Godane foi morto no ataque.

No dia 29 de dezembro, um ataque de drones estadunidenses mata o líder sênior da Al-Shabaab conhecido como Abdishakur, o chefe de inteligência do grupo.

2015 Em 31 de janeiro entre 45-60 membros da al-Shabaab morreram em um ataque de drones em Lower Shabelle, depois que explosões atingiram um campo de treinamento, uma casa e vários veículos blindados. Foi o ataque estadunidense mais letal na Somália contra islamistas radicais até então. Em um segundo ataque, o líder sênior da al-Shabaab Yusef Dheeq e um associado são mortos enquanto viajavam em um veículo.

Em 10 de março drones estadunidenses têm como alvo dois campos de treinamento da Al Shabaab. Dois dias depois, um importante membro da al-Shabaab e suspeito no ataque ao shopping no Quênia, Adan Garaar é morto em ataque de drones que destruiu dois veículos.

Entre 15 a 18 de julho drones atacam em Baardheere.

No dia 22 de novembro um ataque dos Estados Unidos tem como alvo uma base da Al-Shabaab no sul da Somália.

Em 2 de dezembro um importante combatente da Al Shabaab, Abdirahman Sandhere, é morto em um ataque aéreo.

Em 22 de dezembro o líder da Al Shabaab, Abu Ubaidah, é morto em ataque de drones.

2016 Em 5 de março, um ataque aéreo maciço dos Estados Unidos envolvendo várias aeronaves, tripuladas e não tripuladas, teve como alvo um campo de treinamento perto da cidade de Raso (distrito de Buloburde), matando cerca de 150 militantes do al-Shabaab. De acordo com oficiais militares estadunidenses, os aviões de guerra atingiram um grande grupo de combatentes enquanto eles se reuniam em preparação para um ataque. Três dias depois, em 8 de março, um helicóptero estadunidense auxilia as Forças Especiais da Somália que atacaram um alvo do al-Shabaab no sul do país. No dia 31 do mesmo mês, um ataque de drone atingiu três veículos do al-Shabaab no sul da Somália.

No mês de abril ocorrem vários ataques aéreos dos Estados Unidos contra militantes do al-Shabaab. No principal, em 11 de abril, contra um acampamento do al-Shabaab no sul da Somália, matando 12 militantes.

No dia 27 de maio, o alto dirigente do al-Shabaab, Abdullahi Haji Daud, é morto em ataque de drone.

Em 26 de setembro, as autoridades estadunidenses afirmam que quatro combatentes do al-Shabaab foram mortos por ataques aéreos depois de atacarem uma força conjunta dos Estados Unidos e da Somália perto de Kismayo. Dois dias depois, em 28 de setembro, aeronaves estadunidenses alvejaram por engano membros da milícia local na região de Puntland, matando pelo menos 22 soldados de Galmudug, bem como alguns combatentes islâmicos. O ataque levou a manifestações em Galkayo, onde os manifestantes queimarem a bandeira dos Estados Unidos.

2017 thumb|direita|Situação na Somália em abril de 2017. Em verde oliva está o território controlado pelos islamistas Em 5 de maio, um SEAL da Marinha dos Estados Unidos foi morto e três outros ficaram feridos, incluindo um intérprete somali-americano, durante um raide em Barii. Quatro a oito militantes do al-Shabaab foram mortos durante a operação. Seria a primeira vez que um militar estadunidense morreria em combate na Somália desde 1993.

Em 5 de julho, um ataque de autodefesa a 300 milhas a sudoeste de Mogadíscio matou treze militantes do al-Shabaab e feriu outros dez. O ataque ocorreu depois que uma base militar somali foi atacada.