Vilma Melo é uma atriz, diretora e professora brasileira. Formada em Artes Cênicas pela UNIRIO, Melo ganhou reconhecimento principalmente no teatro e, posteriormente, na televisão e no cinema. Ela é ganhadora de vários prêmios, incluindo um Prêmio Shell, sendo a primeira atriz negra a vencer, e um Prêmio Cenym, além de ter recebido uma indicação ao Prêmio APTR de Teatro.

Melo iniciou sua carreira no final da década de 1980. Sua estreia profissional foi no espetáculo Metrópole, em 1987. Desde então, passou a participar de inúmeros espetáculos, atuando não só como atriz, mas também como diretora e idealizadora de vários projetos. Entre os seus destaques, incluem-se A Farsa do Fanático Torcedor (1995), O Fantasma de Canterville (1998), Grande Othelo – Êta Moleque Bamba! (2004), O Romance do Pavão Misterioso (2006), A Farsa da Boa Preguiça (2009), Amargo Fruto - A Vida de Billie Holliday (2016) e Mãe de Santo (2022).

Tornou-se a primeira atriz negra a receber o Prêmio Shell de Melhor Atriz por sua performance no musical Chica da Silva, onde ela interpreta a protagonista-título. No cinema, sua estreia foi na comédia Coisa de Mulher, em 2005. Nos anos recentes, destacou-se nos filmes Três Verões (2019), Selvagem (2021), Reação em Cadeia (2021), União Instável (2023) e Ritmo de Natal (2023). Recebeu uma indicação ao Prêmio Shell de Melhor Atriz em 2023 por sua performance no monólogo Mãe de Santo (2022).

Na televisão, sua estreia foi em uma pequena participação especial na série Cidade dos Homens (2002), da TV Globo. Ela acumulou pequenos trabalhos nos anos seguintes, como em Avenida Brasil (2012), Joia Rara (2013), Segunda Chamada (2019) e Um Lugar ao Sol (2022). No entanto, foi protagonizando a série Encantado's (2022) que ela ganhou maior reconhecimento no papel da proprietária de um supermercado, "Olímpia", onde a trama se ambienta. Por essa trabalho, Melo tornou-se mais popular na teledramaturgia brasileira. Recebeu, em 2025, a Ordem do Mérito Cultural.

Biografia Nascida no Rio de Janeiro, mais precisamente no bairro do Realengo, Vilma Melo é oriunda de uma família simples, sem ligação com o mundo artístico. Aos 17 anos de idade, decidiu ingressar no curso de Artes Cênicas, prestando vestibular para a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, onde graduou-se nos graus de bacharel e licenciada.

A atriz deu nome para o recém reaberto Diretório Acadêmico do CLA da UNIRIO passando a se chamar " Diretório Acadêmico Vilma Melo", além de participar de Rodas de Conversas em eventos e palestra para alunos, tanto na UNIRIO como na PUC- RIO.

Carreira

1987—09: Formação e primeiros trabalhos Os primeiros contatos de Vilma Melo com as artes cênicas ocorreram ao ingressar no curso da UNIRIO, em 1987. Seu primeiro espetáculo foi uma montagem da peça Metrópole, organizado pela turma de sua Universidade. Desde então, Melo passou a integrar montagens de diversos espetáculos teatrais, consolidando-se nos palcos cariocas durante as décadas seguintes. Em 1995, atua no espetáculo A Farsa do Fanático Torcedor, sob direção de Mônica Alvarenga. A peça foi premiada no 5° Festival Carioca de Novos Talentos, em 1995, e foi montada nos palcos do teatro também em 1996 e em junho de 1998. A trama gira em torno de dois amigos fanáticos por futebol que assistem a final da Copa do Mundo de 1994 juntos. Ela intepreta "Armínia", cunhada de um dos protagonistas que entra em cena interrompendo a exibição do jogo entre Brasil e Itália.

Desde 1995, a atriz é professora do município do Rio de Janeiro e, desde 2004, dedica-se às aulas, projetos e montagens teatrais no Centro de Artes Calouste Gulbenkian, onde implementou um curso de excelência, livre, amplo e gratuito. Em 1998, participou de uma montagem do texto russo A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói, sob direção de Gillray Coutinho. No mesmo ano, está no elenco do espetáculo O Jogo do Amor, dirigida por Antonio Guedes. Na peça, interpreta "Arlequim", um criado escrachado que troca de lugar com seu patrão que se vê obrigado a casar por conveniência de sua família. Ainda em 1998, novamente sob direção de Guedes, protagoniza com Oscar Saraiva o espetáculo O Fantasma de Canterville, baseado na obra de Oscar Wilde. Em 1999, aparece também no videoclipe de música "O Que Sobrou do Céu "O Rappa, com direção de Kátia Lund.

Em 2002, realizou sua primeira aparição na televisão durante uma pequena participação em um episódio da série Cidade dos Homens, da TV Globo. Em 2004, volta aos palcos no espetáculo musical Grande Othelo – Êta Moleque Bamba!, onde interpreta o ator Grande Otelo em sua infância. A peça remonta a história de vida e carreira do ator e a atriz divide o protagonismo com Flávio Bauraqui e Maurício Tizumba, todos vivendo Otelo em diferentes fases da vida. Em 2005, Melo estreou nos cinemas atuando na comédia Coisa de Mulher, de Eliana Fonseca. No filme, que é estrelado por Evandro Mesquita e conta a história de um escritor em crise que adota um pseudônimo de uma mulher para escrever numa coluna de revista feminina, ela interpreta "Lia".

Em 2006, recebeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante pelo 1° Festival de Teatro de Campos dos Goytacazes por sua performance no espetáculo infantil O Romance do Pavão Misterioso, de Theotonio de Paiva. A peça conta a história de um jovem turco que se apaixona por uma condessa grega e contrata um cientista para criar um avião para buscá-la. Entre 2009 e 2011, integra o elenco de uma montagem da comédia musical A Farsa da Boa Preguiça, texto de Ariano Suassuna dirigido por João das Neves. Dividindo palco com Guilherme Piva, Bianca Byington, Jackson Costa e Daniela Fontan, ela interpreta "Andreza", a Cancachorra. Em 2009, volta à televisão atuando em um episódio do seriado policial A Lei e o Crime, da RecordTV, como "Arminda".

2010—19: Consagração no teatro e mais espaço na televisão Em 2011, volta à TV Globo participando de um episódio da terceira temporada da série Força-Tarefa, onde faz uma pequena aparição como a recepcionista de um hospital. Em 2012, fez sua primeira participação em novelas atuando no sucesso Avenida Brasil, de João Emanuel Carneiro, na TV Globo. Na trama, sua personagem é "Conceição", empregada doméstica do apartamento de Verônica (interpretada por Débora Bloch). Em 2013, é escalada para o elenco da novela Joia Rara, que ganhou o Emmy Internacional de melhor telenovela. Sua personagem é "Fátima", uma mulher que morre atropelada no decorrer da trama e deixa seu filho órfão. No mesmo ano, retorna aos palcos com o musical Quando A Gente Ama, de João Batista. Além de Melo, a peça traz os atores Cris Vianna, Patrícia Costa, Édio Nunes, Milton Filho, Wladimir Pinheiro, David Junior e Jéssica Moraes vivendo vários casais em cena, cantando os altos e baixos do amor.

Em 2014, assume a direção do espetáculo Lapinha, estrelado por Isabel Fillardis e Zezeh Barbosa, ao lado de Edio Nunes. A peça retrata a vida da artista Joaquina Maria Conceição da Lapa, a "Lapinha" (interpretada por Fillardis), uma cantora que tem seu talento pouco registrado na história da cultura brasileira. No mesmo ano, dirige a peça Acabou o Pó, com texto de Daniel Porto. A comédia reúne episódios do cotidiano de duas mulheres descontraídas e engraçadas, interpretadas por dois homens: Leo Campos como Nena e Alexandre Lino como Kelly.

Em 2016, realiza sua segunda participação nos cinemas interpretando uma garçonete no filme de drama Campo Grande, de Sandra Kogut. Ainda em 2016, além de idealizar junto com Piéterson Duderstadt o espetáculo infantil Marrom, Nem Preto Nem Branco?, escrito por Renata Mizhari e dirigido por Marcelo Alonso Neves, esteve na elaboração, na produção e no elenco do espetáculo. Também foi agraciada com Prêmio Cenym de Teatro como Melhor Atriz Coadjuvante por sua performance no espetáculo Amargo Fruto - A Vida de Billie Holliday. Protagonizado por Lílian Valeska no papel-título, Vilma completa o elenco com Milton Filho, cantando e dando vida a diversos personagens que foram influência na vida da cantora Billie Holliday.

Em 2017, interpreta Chica da Silva no espetáculo Chica da Silva - O Musical, que viria a se tornar um dos maiores sucessos de sua carreira. A peça, escrita por Renata Mizrahi, não se limita a uma biografia da escrava alforriada do século XVIII que causou controvérsias ao se casar com um fazendeiro e ter filhos. Mizrahi vai além de resgatar momentos biográficos, buscando atualizar a personagem para o século XXI e destacar que, mesmo após mais de 200 anos, o preconceito racial ainda afeta a comunidade negra. A performance de Melo como protagonista foi amplamente elogiada pela crítica e ela tornou-se a primeira atriz negra a vencer o Prêmio Shell de Teatro de Melhor Atriz, uma das mais tradicionais premiações do teatro nacional.

Ainda em 2017, esteve em Fulaninha e Dona Coisa, espetáculo encenado originalmente em 1990, agora com a idealização de Eduardo Barata, texto por Noemi Marinho e direção de Daniel Herz. Ela protagoniza a peça com Nathalia Dill, onde interpretam "Fulaninha" e "Dona Coisa", respectivamente. Nos anos seguintes, ainda esteve em Isso Vai Funcionar de Alguma Forma (2018), espetáculo composto apenas por mulheres, com 5 atrizes, 4 dramaturgas e 4 diretoras, além de atuar em Favela 2 – A Gente Não Desiste (2018), Primeira Morte (2018), Vale Night (2019), Saia (2019) e Noite do Sorriso Negro (2019). No cinema, atua em curtas-metragens, como "Rose" em Castigo (2017), como "Mãe" em Prefiro não ser Identificada (2018) e numa participação em A Incrível História do Homem Desalmado (2019). Trabalhou também na websérie Onde Está Mariana?, produzida e exibida no Instagram da atriz Cleo em 2019. A série integra o projeto "Cleo on Demand" e aborda a violência contra a mulher.

Em 2019, trabalhou novamente com Sandra Kogut na comédia dramática Três Verões. No filme, estrelado por Regina Casé, sua personagem é "Cida", uma das funcionárias da residência do casal que tem seus bens congelados após uma operação da justiça contra a corrupção. Ao lado de "Madá" (Casé), "Vanessa" (Jéssica Ellen), "Elísio" (Edmilson Barros) e "Emerson" (Paulo Verlings), "Cida" fica sem explicações e pagamentos na casa dos patrões ao longo de três anos, fazendo bicos para manter a renda. Também em 2019, realiza participações especiais nas séries Baile de Máscaras, da AXN, Sob Pressão, da TV Globo, e Psi, da HBO. No mesmo ano, ganhou maior repercussão na televisão ao interpretar "Maria Expedita" na série Segunda Chamada. Na série, que aborda o cotidiano de uma escola noturna na periferia de São Paulo, sua personagem é uma mulher que resolve voltar a estudar em meio às dificuldades da vida.

2020—presente: Protagonismo na televisão e reconhecimento Em 2021, foi lançado nos cinemas o drama Selvagem, de Diego da Costa, onde interpreta "Maria Elisa", mãe de um dos estudantes que promovem a ocupação da escola onde estudam reivindicando melhores condições de estudo. Apesar da obra ter sido lançada no circuito comercial em 2021, o filme foi gravado em 2018 e desde 2019 percorreu festivais de cinema. Ainda em 2021, foi dirigida por Márcio Garcia no filme de ação Reação em Cadeia, que aborda esquemas de corrupção entre empresários. No filme, sua personagem é a "Delegada Queiroz", responsável pela investigação. Também volta a dirigir no teatro com o espetáculo Meus Cabelos de Baobá, estrelado por Anna Paula Black. Por fim, esteve em um episódio da série 5X Comédia, do Amazon Prime Video, substituindo a atriz Yara de Novaes.