Globalstar, Inc. é uma empresa de telecomunicações dos Estados Unidos que opera uma constelação de satélites em órbita terrestre baixa para telefonia por satélite, transmissão de dados em baixa velocidade e observação da Terra. A constelação de segunda geração da Globalstar é formada por 25 satélites. Em abril de 2026, a Amazon anunciou um acordo para comprar a Globalstar e incorporá-la à unidade Amazon Leo. A conclusão da compra está prevista para 2027.

História O projeto Globalstar começou em 1991 como um empreendimento conjunto da Loral Space & Communications e da Qualcomm. Em 24 de março de 1994, as empresas anunciaram a formação da Globalstar LP, uma parceria limitada nos Estados Unidos que recebeu participação financeira de outras oito companhias, entre elas Alcatel, AirTouch, Deutsche Aerospace, Hyundai e Vodafone. O sistema deveria entrar em serviço em 1998, a um custo estimado de US$ 1,8 bilhão. Em 1994, a Globalstar previa cobrar US$ 0,65 por minuto, ante cerca de US$ 3 por minuto no serviço concorrente da Iridium. A empresa obteve uma licença mundial na Conferência Administrativa Mundial de Radiocomunicações e recebeu da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos a alocação do espectro em janeiro de 1995, enquanto negociava direitos de frequência em outros países.

Os primeiros satélites foram lançados em fevereiro de 1998. Uma falha de lançamento em setembro daquele ano causou a perda de 12 satélites e atrasou a implantação do sistema. No fim de 1999, a Globalstar iniciou testes com usuários convidados usando 44 dos 48 satélites planejados. A primeira chamada pelo sistema foi feita em 1 de novembro de 1998 por Irwin Jacobs, presidente da Qualcomm, em San Diego, para Bernard Schwartz, diretor-executivo e presidente da Loral Space & Communications, em Nova Iorque. O serviço comercial limitado começou em dezembro de 1999. Em fevereiro de 2000, o serviço comercial completo já atendia à América do Norte, à Europa e ao Brasil com 48 satélites e quatro unidades de reserva em órbita. Outros satélites ficaram em terra como reserva. O preço inicial era de US$ 1,79 por minuto.

Em maio de 1998, a Agência Nacional de Telecomunicações habilitou a Globalstar Limited Partnership a operar no Brasil por meio da Globalstar do Brasil S.A. e autorizou o uso de radiofrequências das bandas L e S pelo sistema.

Após os ataques de 11 de setembro de 2001, a Qualcomm desenvolveu um sistema experimental aerotransportado da Globalstar que usava terminais de usuário em conjunto para aumentar a taxa de transmissão de dados. O sistema fornecia conexões de voz e dados, integrava-se aos sistemas da aeronave e permitia transmitir telemetria e vídeo. Em 15 de fevereiro de 2002, a Globalstar e três subsidiárias pediram proteção judicial sob o Capítulo 11. A reestruturação terminou em 2004. Na primeira etapa, em dezembro de 2003, a Thermo Capital Partners assumiu o controle operacional. A Globalstar LLC foi criada em novembro de 2003 e convertida em Globalstar, Inc. em 17 de março de 2006. Em 2007, a empresa lançou oito satélites de primeira geração para complementar as unidades que apresentavam falhas. De 2010 a 2013, colocou em órbita 24 satélites de segunda geração para recuperar a capacidade do sistema. Nesse intervalo, transferiu sua sede do Vale do Silício para Covington, na Luisiana.

Em março de 2020, o 3GPP aprovou o uso da banda 53 da Globalstar em redes 5G, sob a designação n53. Em março de 2021, a empresa anunciou o fim dos serviços Sat-Fi2 e Sat-Fi2 RAS. Em 7 de setembro de 2022, a Apple anunciou mensagens de emergência por satélite para o iPhone, usando a rede Globalstar nos Estados Unidos e no Canadá. Em outubro de 2024, a Globalstar informou que a Apple havia concordado em adquirir 20% da empresa e que a rede passaria a ter 54 satélites. Em 14 de abril de 2026, a Amazon anunciou o acordo para comprar a Globalstar por US$ 11,57 bilhões e prometeu manter o suporte aos aparelhos da Apple.

Produtos e serviços

A Globalstar fornece conectividade por satélite e por redes terrestres a clientes comerciais e usuários recreativos em mais de 120 países. Sua faixa de espectro terrestre, a banda 53, e a variante n53 para 5G oferecem a operadoras, empresas de cabo e integradores de sistemas um canal licenciado para redes privadas. A tecnologia XCOMP aumenta a capacidade de redes sem fio com alta densidade de usuários. Os produtos da empresa abrangem aparelhos de satélite simplex e duplex, modems de dados e pacotes de tempo de uso da rede.

Empresas terrestres e marítimas usam os produtos e serviços da Globalstar em áreas remotas que ficam fora do alcance da telefonia celular ou fixa. Certas partes da superfície terrestre, contudo, não recebem cobertura, pois o satélite precisa estar ao alcance de uma estação terrena de acesso. Entre os clientes estão empresas de petróleo e gás, órgãos públicos, mineradoras, companhias florestais, operadores de pesca comercial, prestadores de serviços de utilidade pública, forças armadas, transportadoras e construtoras. A rede também é usada em preparação para emergências, continuidade de negócios e atividades recreativas. Os serviços de transmissão de dados da Globalstar permitem rastrear bens e pessoas, monitorar dados e operar sistemas de supervisão e aquisição de dados, conhecidos pela sigla SCADA.

Mensageiros por satélite No fim de 2007, a subsidiária SPOT LLC lançou o SPOT Satellite Messenger, um aparelho portátil de mensagens e rastreamento voltado à segurança pessoal. O SPOT X, mensageiro por satélite bidirecional com rastreamento por GPS, recursos de navegação, integração com redes sociais e comunicação direta com serviços de emergência, chegou ao mercado em 2018.

Modems de dados simplex Globalstar STINGR Globalstar STX2 Globalstar STX3 Globalstar ST100 Globalstar SmartOne C Globalstar SmartOne Solar

Modems de dados duplex SPOT Trace SPOT Gen4 SPOT X

Módulos duplex de voz e dados Globalstar GSP-1620 Globalstar GSP-1720

Serviços Telefonia de voz Mensagens SMS unidirecionais recebidas pelo terminal móvel Chamadas de dados por comutação de circuitos a 9.600 bit/s, por discagem direta Acesso à Internet por comutação de pacotes a 9.600 bit/s, com conexão direta Mensagens curtas unidirecionais enviadas pelo terminal móvel, apenas em aparelhos simplex Mensagens curtas bidirecionais enviadas ou recebidas pelo terminal móvel, apenas no SPOT X Geolocalização do aparelho com precisão aproximada de 30 km

Produtos e serviços descontinuados Sat-Fi2, um ponto de acesso Wi-Fi por satélite, e Sat-Fi2 RAS, uma estação de antena remota Acesso à Internet por comutação de pacotes a 72 kbit/s, na rede WCDMA de segunda geração Globalstar GSP-1620 Globalstar GSP-1720

Arquitetura do sistema

Estações de acesso Os satélites Globalstar são retransmissores analógicos simples do tipo "bent pipe", ao contrário dos satélites da Iridium.

Uma rede de estações de acesso em terra conecta os 40 satélites à rede pública de telefonia comutada e à Internet. Para atender um usuário, o satélite precisa ter uma dessas estações em seu campo de visão. Há 24 estações da Globalstar pelo mundo, sete delas na América do Norte. As estações da rede formam a maior estação-base celular do mundo e foram projetadas para mais de 10 mil chamadas simultâneas em uma área de cobertura equivalente a cerca de metade dos Estados Unidos. A Globalstar usa recursos de CDMA, entre eles receptores rake e transferências suaves, de modo que um telefone pode se comunicar com duas estações por dois feixes pontuais e obter diversidade de percurso.

Na América do Norte, os usuários da Globalstar recebem números de telefone do Plano de Numeração da América do Norte. Em outros países, seguem o plano de numeração do local onde fica a estação de acesso. O Brasil é a exceção e usa o código internacional da Globalstar, +8818. As estações em terra permitem atribuir números regionais aos telefones por satélite. O serviço não alcança áreas remotas, como partes do Pacífico Sul e as regiões polares, quando não há uma estação próxima. Em maio de 2012, a falta dessas estações impedia o funcionamento de voz e dados full-duplex em grande parte da África, no subcontinente sul-asiático e na maior parte das regiões oceânicas.

O sistema Globalstar usa a interface aérea CDMA da Qualcomm. Os telefones da Ericsson e da Telit aceitam cartões GSM do tipo SIM, enquanto os aparelhos Qualcomm GSP-1600 e GSP-1700 não têm entrada para esse cartão e empregam autenticação baseada em CDMA e IS-41. Por isso, as estações da Globalstar precisam aceitar os padrões CDMA/IS-41 e GSM.

A Globalstar mantém acordos de roaming com operadoras de telefonia celular em algumas regiões. Nos aparelhos multimodo, isso permite usar um só número nos modos celular e satélite. Esses acordos não existem na América do Norte. Com o avanço dos celulares e de suas redes, somado às limitações dos telefones por satélite, o aparelho mais recente da Globalstar, lançado em 2006, não trouxe conexão celular. A empresa não esperava que os assinantes o usassem como único telefone móvel.

Satélites de primeira geração As órbitas da Globalstar têm inclinação de 52 graus. Por causa dessa inclinação, a rede não cobre as regiões polares. Os satélites orbitam a cerca de 1.400 km de altitude e mantêm latência relativamente baixa, por volta de 60 ms. Cada um tem dois painéis montados no corpo e voltados para a Terra. As unidades da primeira geração pesam cerca de 550 kg. O projeto da segunda geração tem massa maior. Em 2005, parte dos satélites começou a atingir o limite de sua vida operacional, estimada em 7,5 anos. Em dezembro daquele ano, a Globalstar passou a mover certas unidades para uma órbita cemitério acima da órbita terrestre baixa.

Problemas nos satélites de primeira geração Documentos apresentados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos em 30 de janeiro de 2007 informaram que os problemas já detectados nos amplificadores de banda S usados para comunicações bidirecionais ocorriam com frequência acima da esperada. A falha poderia reduzir a disponibilidade dos serviços de voz bidirecional e dados duplex em 2008. Os serviços de dados simplex usados nos produtos de rastreamento e no SPOT Satellite Messenger não eram afetados pelo problema. A Globalstar também lançou em 2007 oito satélites que estavam guardados em terra para diminuir seus efeitos.

No documento, a Globalstar declarou:

Com base em dados recolhidos recentemente nas operações dos satélites, a empresa concluiu que a degradação dos amplificadores ocorre em um ritmo mais rápido do que o observado e previsto anteriormente.

Com base em sua análise mais recente, a empresa acredita que, se a degradação dos amplificadores das antenas da banda S continuar no ritmo atual ou acelerar, e se a empresa não conseguir desenvolver outras soluções técnicas, a qualidade dos serviços de comunicação bidirecional cairá. Em algum momento de 2008, quase todos os satélites que a empresa mantém em órbita deixarão de ser capazes de prestar esses serviços.

A causa cogitada para a falha foi a radiação recebida pelos satélites ao atravessarem a Anomalia do Atlântico Sul em órbitas com 1.414 km de altitude.

A degradação dos amplificadores das antenas da banda S não prejudica os serviços unidirecionais de transmissão de dados "Simplex" da empresa. Esses serviços usam apenas o enlace ascendente da banda L entre o terminal "Simplex" do assinante e os satélites.