Jacques Marcovitch (1947) é Professor Emérito da Universidade de São Paulo e da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. Iniciou sua trajetória na Universidade de São Paulo em 1965. Graduou-se no curso de administração na turma de 1968, ano em que presidiu o Centro Acadêmico Visconde de Cairu e a Executiva Nacional dos Estudantes de Administração. Realizou seu mestrado na Owen Graduate School of Management, Vanderbilt University e obteve o grau de Doutor pela USP em 1973.

Atualmente é Professor Sênior da Faculdade de Economia Administração e Contabilidade (FEA-USP) e do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, e membro do Conselho Superior do Graduate Institute of International and Development Studies (IHEID) em Genebra, Suíça.

Reitor da USP entre 1997 e 2001, foi presidente das Companhias de Energia do Estado de São Paulo entre 1986 e 1987. Secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo no ano de 2002, e Consultor Sênior do Fórum Econômico Mundial.

Publicou mais de uma dezena de livros e inúmeros artigos e ensaios com repercussão no meio acadêmico e fora dele. Sua contribuição concentra-se nas áreas de estratégia e inovação, energia, florestas e meio ambiente, governança universitária, pioneirismo empresarial e relações internacionais.

Produção acadêmica

Sua produção acadêmica é fundamentada no exercício prático da gestão dentro e fora da universidade. Ao longo de sua carreira, os domínios da prática e da reflexão sempre se desenvolveram de forma paralela e complementar. Sua produção pode ser dividida em cinco áreas de interesse:

Estratégia e inovação

Em 1974, recém-concluída sua tese sobre Eficácia Organizacional, precedida pela dissertação sobre o estudo de estratégia em organizações inovadoras, ainda em seu primeiro ano como professor do curso de Administração, estruturou em conjunto com pares de sua geração na FEA o Programa de Administração em Ciência e Tecnologia (PACTo), em um convênio estabelecido entre a USP e a Vanderbilt University.

Durante duas décadas seguintes, ministra a disciplina "Administração de Projetos e Programas". Entre 1980 e 1983, participa da publicação de duas obras sobre o tema da gestão da inovação: Administração do Processo de Inovação Tecnológica (Editora Atlas) e Administração em Ciência e Tecnologia (Editora Edgard Blucher).

O período seguinte é marcado pela liderança de uma entidade internacional, da qual foi o primeiro presidente até o ano de 1992: a ALTEC - Asociación Latino-Iberoamericana de Gestión Tecnológica, uma instituição privada sem fins lucrativos que congrega profissionais e instituições "ativas na reflexão e no exercício da gestão tecnológica" que visa estimular ações de cooperação na região.

Em 1985 integra a Comissão de Política Científica e Tecnológica do Estado de São Paulo, e em 1992, assume a coordenação Internacional do Subprograma (XVI) de Gestión de la Investigación y del Desarrollo Tecnológico del Programa Iberoamericano de Ciencia y Tecnología para el Desarrollo o (CYTED-D). Em 1994, coordena e publica a obra coletiva: "Cooperação Internacional, Estratégia e Gestão” (Edusp). Três anos mais tarde, em 1997, organiza a coletânea "Tecnologia da Informação e Estratégia Empresarial", publicada pelas Editoras Futura e Siciliano, recebendo o seu primeiro Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro.

Em 2016, no marco das comemorações dos 70 anos da FEA/USP, coordena o grupo de trabalho que concebe o Ciclo "Repensar o Brasil" dedicado a análise da governança publica e privada, previdência social, desigualdade e o futuro do trabalho.

Energia, florestas e meio ambiente

Entre 1986-87, preside as Companhias Energéticas de São Paulo, CESP/CPFL/Eletropaulo/Comgas, no governo de André Franco Montoro.

Durante conferência da ONU sobre clima e desenvolvimento, realizada em Hamburgo em 1988, o climatologista Wilfred Bach lança um desafio aos integrantes da comitiva brasileira de realizar um programa de recuperação de florestas em uma escala nunca antes proposta. Esse desafio se materializou no programa interinstitucional, multidisciplinar e internacional do IEA: o projeto Floram.

Entre 1988 e 1993, enquanto diretor do IEA - Instituto de Estudos Avançados da USP, integrou o conselho de coordenação do projeto Floram. Nesse período, dedicou-se a liderar o processo de arregimentar os meios e talentos para promover o reflorestamento de uma área aproximada de 14 milhões de hectares em território brasileiro em um horizonte de 30 anos. Entre os idealizadores deste projeto que se alinhava com os debates sobre política ambiental na virada daquela década. Participaram dessa iniciativa acadêmicos como Aziz Ab'Saber, Leopold Rodés e Werner Zulauf.

Em 1992, integra a Comissão Coordenadora da USP para a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ECO-92.

No ano de 2006, retorna ao tema na academia, com a publicação do livro "Para Mudar o Futuro: Mudanças Climáticas, Políticas Públicas e Estratégias Empresariais" pela Edusp, projeto que tem sequência com a publicação dos trabalhos de alunos do programa de pós-graduação da disciplina “Estratégia Empresarial e Mudanças Climáticas”, do Departamento de Administração da FEA/USP, que trazem análises sobre setores da economia e programas de mitigação de danos ambientais. Em 2014, organiza com os alunos da mesma disciplina a publicação de uma obra coletiva “Fundo Amazônia: cooperação internacional e gestão brasileira”, publicada em e-book pela Mombak Editora, laureada com o Prêmio Dow de Sustentabilidade daquele ano.

Em 2007, organiza e publica o livro “Crescimento Econômico e Distribuição de Renda - Prioridades para Ação” (EDUSP/SENAC), obra coletiva com contribuições de estudiosos de diversos setores trazendo reflexões sobre o tema. Tendo recebido o primeiro prêmio na categoria Economia, Administração e Negócios do Prêmio Jabuti 2008 da Câmara Brasileira do Livro, o livro é também publicado em inglês.

Entre os anos de 2007 e 2011, coordena e elabora, em parceria com os professores Carlos Roberto Azzoni e Eduardo Haddad o projeto Economia das Mudanças Climáticas no Brasil, financiado pela Embaixada Britânica no Brasil. Os resultados desse trabalho estão na origem de outra publicação: "Economia das Mudanças Climáticas no Brasil: Custos e Oportunidades", obra coletiva organizada em colaboração com Sergio Margulis e Carolina B. S. Dubeux (Synergia Ed. RJ).

Em 2008 passa a coordenar o Projeto “Economia das Mudanças Climáticas”, no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (CNPq/Fapesp/Capes).

Em 2011, publica pela EDUSP. a obra "A Gestão da Amazônia: Ações Empresariais, Políticas Públicas, Estudos e Propostas", vencedora do Prêmio Jabuti de 2012, o livro analisa o bioma amazônico sob múltiplas óticas, abordando desde a biodiversidade até conflitos sociais e desmatamento. O texto apresenta um levantamento de grandes empresas, detalhando práticas de sustentabilidade que servem como modelos de gestão ambiental. Adalberto Luis Val, então diretor do Instituto de Pesquisas da Amazônia, refere-se a "obra como indispensável e leitura obrigatória dos que se interessam pelas questões amazônicas”

Participa em 2016 da estruturação do projeto de cooperação DINTER em convênio entre a USP e a Universidade do Estado do Amazonas.

Em 2017, publica em coautoria com o professor Eduardo Haddad, um artigo sobre as dimensões humanas e sociais nas discussões contemporâneas sobre mudanças climáticas.

Em 2018, integra o Conselho do “I Congresso de Gestão da Amazônia”, realizado em parceria com a UEA na cidade de Manaus.

No período 2018-2019, a convite da Universidade de Salamanca (USAL), em parceria com Adalberto Val do INPA, edita o Dossiê Bioma Amazônia, publicado na Revista de Estudios Brasileños (REB) da USAL Os seminários de lançamento foram realizados na Espanha em janeiro de 2019, na USAL e no Brasil, em março de 2019 na USP.

No período 2019-2020, no âmbito da disciplina EAD 5978 Governança Ambiental, ministrada no curso de pós-graduação da FEA USP, inicia os seminários relativos à CND 2030 para a implantação pelo Brasil até 2030 da Contribuição Nacionalmente Determinada, assim como da implementação do Plano Nacional do Desenvolvimento da Bioeconomia até 2034.

Governança Universitária

Como exemplo de seu compromisso com a reflexão sobre a administração, seu tempo de atuação à frente da reitoria da USP suscitou a publicação de três obras de importância como registro histórico e sobre temas de gestão universitária;

A Universidade (Im)Possível (Futura-Siciliano), editada internacionalmente em língua espanhola pela Cambridge University Press. Sobre esta obra, registre-se o comentário do professor Alfredo Bosi, aclamado crítico e estudioso da cultura e da literatura: "A USP e seus desafios" (EDUSP) de 2001, publicado em dois volumes, organizados por Marília Junqueira Caldas, reproduz textos seus e de outros participantes do Fórum de Políticas Universitárias.

Sobre outra obra publicada neste ano: "Universidade Viva - Diário de um Reitor" registre-se um testemunho do amigo e bibliófilo José Mindlin, que durante sua gestão encaminhou a doação do seu acervo de livros que integra a coleção da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin: Como marcas de sua gestão na reitoria da USP, destacam-se a elaboração do Código de Ética da Universidade, a criação do Instituto de Relações Internacionais da USP e a criação de uma reserva de contingência que tem garantido a resiliência das finanças da instituição.

Ainda no campo das contribuições sobre governança universitária, organiza em 2015, com professor Adalberto Américo Fischmann, o seminário "Governança Universitária", destinado a dirigentes da USP, cujos temas abordados resultaram no Dossiê “Universidade em Movimento”, publicado no número 105 da Revista USP. As discussões se orientaram em torno da crise financeira na Universidade vinda à tona em meados da década de 2010, e reúne um conjunto de análises e propostas para melhoria dos processos decisórios e de aspectos de governança institucional, tendo como parâmetro o caso concreto da Universidade de São Paulo. O resultado desse trabalho concretizou-se em 2017 na obra coletiva Universidade em Movimento: Memória de uma Crise. ComArte, contribui para o aprimoramento da governança e da tomada de decisão nas universidades públicas brasileiras. Um livro texto indicado nos cursos de governança acadêmica.

A partir de 2018, atuou como coordenador do projeto de pesquisa "Indicadores de Desempenho das Universidades Estaduais Paulistas que reúne instituições de educação superior intensivas em pesquisa. Com resultado desta pesquisa apoiada pela FAPESP, foram publicados em três volumes a obra "Repensar a Universidade I, II e III. USP/ECA, 2018, 2021, 2023".(1, 2 e 3) A trilogia estabelece novas métricas de desempenho para aumentar a competitividade e o reconhecimento internacional das universidades públicas, alinhando-as às demandas da sociedade. Os três volumes fazem parte da série Projeto Métricas um conteúdo acessível pelos livros abertos da USP e colocado em prática por meio dos Cursos de Métricas de Desempenho Acadêmico e Comparações Internacionais

No Biênio 2018/2019, atuou como coordenador do projeto de pesquisa "Indicadores de Desempenho das Universidades Estaduais Paulistas que reúne instituições de educação superior intensivas em pesquisa. Com resultado desta pesquisa apoiada pela FAPESP, foram publicados em dois volumes a obra "Repensar a Universidade", desempenho acadêmico e comparações internacionais e impactos para a Sociedade.

Em junho de 2020 coordena o III Fórum “Desempenho Acadêmico e Comparações Internacionais”, um espaço de diálogo e colaboração focado no « Novo protagonismo da Ciência » para articular proposições relativas as Universidades frente ao  impacto econômico, social e ambiental, frente a pandemia Covid-19. 

Pioneirismo Empresarial