A expressão filosofia hindu se refere ao pensamento filosófico associado ao hinduísmo. A filosofia hindu se divide em seis escolas (, "ortodoxas") de pensamento,Para um panorama das seis escolas ortodoxas, com detalhes sobre as divisões destas escolas, ver: Radhakrishnan and Moore, "Contents", e p. 453-487. ou (दर्शनस्, "visões"), que aceitam os Vedas como as supremas escrituras reveladas. São elas:

Samkhya, uma exposição teórica fortemente dualista de mente e matéria, que vê de outra forma a existência de Deus; Ioga, uma escola que enfatiza experiência direta da meditação, fortemente baseada na samkhya; Nyaya, escola com forte fundamentação lógica; Vaisheshika, uma escola empírica de atomismo; Mimamsa, uma escola antiascética e antimística de ortopraxia; Vedanta, a conclusão lógica do ritualismo védico, focada no misticismo. O vedanta acabou por se tornar a corrente dominante do hinduísmo no período pós-medieval.

Escolas nāstika Em contraposição, as escolas (, "heterodoxas") não aceitam os Vedas como autoridade. São elasː Budismo Jainismo Cārvāka

História Antes do surgimento das seis escolas ortodoxas acima citadas, o pensamento filosófico indiano já estava presente de forma não sistematizada em diversas obras, como os Vedas, que contêm diversos hinos de grande profundidade, e as Upanishads, nas quais foram elaborados conceitos fundamentais como o de Brahman e Atman.MARTINS, Roberto de Andrade. Muṇḍaka-Upaniṣad: o conhecimento de Brahman e do Ātman. Rio de Janeiro: Corifeu, 2008.

Na história hindu, a distinção entre as seis escolas ortodoxas tornou-se corrente na "idade áurea" do hinduísmo (período Gupta). Com o desaparecimento da vaisheshika e da mimamsa, no fim da Idade Média, esta distinção se tornou obsoleta, quando as diversas sub-escolas do Vedanta (Dvaita, "dualismo", Advaita Vedanta, "não dualismo", e outras), começaram a se tornar proeminentes como as principais divisões da filosofia religiosa. A nyaya sobreviveu até o século XVII como Navya Nyaya, "neo-nyaya", enquanto a samkhya gradualmente perdeu seu status como escola independente, e seus princípios foram absorvidos pela ioga e a vedanta.

O pensamento filosófico indiano começou a ser conhecido no mundo ocidental a partir do final do século XVIII e início do século XIX, quando surgiram as primeiras traduções de textos sânscritos para idiomas como latim, inglês, francês e alemão. No início do século XIX, foram traduzidas várias Upanishads do persa para o latimː essas traduções tiveram grande influência sobre o filósofo alemão Arthur Schopenhauer.BIANCHINI, Flávia; REDYSON, Deyve. A obra Oupnek'hat na filosofia de Schopenhauer. Litterarius, 11 (2): 157-184, 2012. No entanto, outro filósofo alemão, Georg Wilhelm Friedrich Hegel, guiado por seus pressupostos historicistas, negou a existência de qualquer filosofia na Índia.MARTINS, Roberto de Andrade. A crítica de Hegel à filosofia da Índia. Textos SEAF (5): 58-116, 1983. Devido à influência de Hegel, até hoje muitos professores de filosofia continuam a afirmar que nunca houve filosofia na Índia, ignorando, assim, a vasta literatura existente.

Bibliografia

Flood, Gavin. An Introduction to Hinduism. Cambridge University Press: Cambridge, 1996. ISBN 0-521-43878-0. reedição; publicado originalmente com o título de The Six Systems of Indian Philosophy.

Rambachan, Anantanand. "The Advaita Worldview: God, World and Humanity." 2006. Bollingen Series XXVI; editado por Joseph Campbell. Zilberman, David B., The Birth of Meaning in Hindu Thought. D. Reidel Publishing Company, Dordrecht, Holland, 1988. ISBN 90-277-2497-0. Chapter 1. "Hindu Systems of Thought as Epistemic Disciplines".

Ligações externas A History of Indian Philosophy, Surendranath Dasgupta (5 Volumes) - Internet Archive Indian Idealism by Surendranath Dasgupta - Internet Archive Outlines of Indian Philosophy, Prof. Mysore Hiriyanna - Internet Archive Indian Philosophy, Dr. Sarvepalli Radhakrishnan (2 volumes) - Internet Archive

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