Produção P2P (peer-to-peer) é a produção nos moldes da cultura e das redes "entre pares" (tradução livre). A produção P2P assemelha-se à produção colaborativa, que está inserida no contexto da economia colaborativa. No entanto, a produção peer-to-peer é derivada da forma de rede de computadores criada principalmente para compartilhamento de arquivos na qual cada computador faz o papel de cliente e servidor.

Definição Acadêmica Para Don Tapscott o modelo de inovação na economia digital ( ou Habitat Atópico) é a própria "Peer Production" ou "Peering", onde indivíduos e empresas colaboram de forma aberta. A primeira característica que possibilitou a emergência desse tipo de economia foi a centralização da economia na informação. O segundo importante movimento foi a disponibilidade tecnológica, que possibilitou ao meio comunicativo uma produção sobre computação e processamento acessíveis, conectados por uma rede não centralizada.

Yochai Benkler em "The Wealth of Networks", aborda esse contexto e o diferencia da Economia da Informação na qual muitas empresas se baseavam desde o século XIX. A Economia da Informação era baseada na informação em propriedade de empresas, que a utilizavam como capital essencial na diferenciação de produtos, obtenção de patentes e consequente aumento de seus lucros. O que estamos presenciando é a emergência de um novo estágio da Economia da informação, que é a economia da informação em rede.

Neste novo estágio, o capital fixo da produção não necessita de grandes investimentos centralizados, pois a principal ferramenta de produção é o computador pessoal localizado no escritório e sua interligação com a internet. Diferentemente da televisão, por exemplo, na qual a produção de seu conteúdo necessita de determinados tipos de equipamentos e estrutura e seu consumo necessita apenas da tv receptora. Na produção descentralizada em rede, o mesmo equipamento utilizado no consumo do conteúdo é o utilizado na sua produção, tornando a produção colaborativa em rede acessível a uma parcela muito grande da população.

Exemplos

Moeda bit coin Bit coin é uma moeda digital criada apenas para negociações virtuais com controle aberto.

Wikipedia - Creative Commons Um dos exemplos mais ilustrativos de compartilhamento e criação de conhecimento na web 2.0. Sob as licenças Creative Commons, essa enciclopédia digital possibilita a criação, correção e consumo de conteúdo em diversas linguas ao redor do globo. Já as licenças Creative Commons, é a instituição criada para possibilitar a disponibilização de conteúdo de forma ampla, mas garantindo a autoria.

GNU-LINUX Talvez o primeiro grande exemplo de produto criado de forma colaborativa. trata-se de um sistema operacional criado em código aberto, disponibilizado globalmente de forma gratuita e com garantida atualização pelos programadores/desenvolvedores.

Pintura Coletiva Já é notório na arte moderna pinturas coletivas, onde diversas pessoas contribuem com a pintura pela internet para formar uma obra. Um exemplo anterior de economia colaborativa são os tapetes de Santana de Parnaíba, Poá e Pirapora do Bom Jesus que formam uma obra gigantesca e cuja ideia de colaboração é anterior à própria internet.

swap.com & loanables.com Sites nos Estados Unidos que permitem a troca direta de produtos que as pessoas não utilizam mais por outros e que permitem até mesmo o aluguel de produtos diretamente entre pares.

Documentário "Us Now" Neste documentário, narra-se o surgimento de diversas experiencias colaborativas na internet 2.0. Há desde o serviço de hospedagem internacional entre pares a um time de futebol administrado e escalado de forma coletiva. Assista aqui ao documentário:

Discussões Desde a criação do Napster, a discussão em torno dos direitos autorais estão cada vez mais acirradas. O compartilhamento gratuito de arquivos de música, livros e filmes causou profundas mudanças nos setores artísticos e nas produtoras/editoras.

Aqueles que defendem o maior compartilhamento da cultura e informação, possuem até argumentos econômicos que demonstram que as patentes podem ser ineficientes socialmente: como a informação é um bem não-rival (ao contrário da maça, que se consumida não poderá ser novamente consumida por outro), a sua restrição por meio de patentes e direitos autorais não levam à otimização social, pois mesmo os consumidores pagando o preço cobrado, sempre haverá uma forma de melhorar a situação de alguem sem piorar a de outro, liberando o consumo apenas do conteúdo a alguem. Contrariando, assim, o princípio microeconômico de Pareto.

Outros argumentos, partem do princípio de que todos que produzem querem ser reconhecidos e que prodizem conhecimento para colaborar com a produção de mais conhecimento, assim como foi a sua própria produção. É o princípio conhecido como "sobre ombros de gigantes".

Bibliografia BENKLER, Y. The wealth of networks - how social production transforms markets and freedom. New Haven, Yale University Press, 2006. KAUFMAN, D. Cultura Colaborativa, Novo Sistema Economico. Tese de doutorado HAYEK, F. Individualism and economic order. Chicago, University of Chicago Press, 1948. FELICE, Massimo Di. Paisagens Pós-urbanas, o fim da experiência urbana e as formas comunicativas do habitar. São Paulo, Coleção Atopos, Annablume, 2009.

Ligações externas watch.UsNow: Watch the film in full online. Arquivado em 17 de maio de 2009 Prof. Titular Ricardo Abramovay no site da USP. Arquivado em 27 de janeiro de 2012 Nuvem-social, p2p e economia descentralizada de Rafael Pezzi, publicado em 4 de janeiro de 2010

Categoria:Economias Categoria:Colaboração