Resiliência psicológica ou mental é a capacidade de lidar mental e emocionalmente com uma crise, ou de retornar rapidamente ao estado pré-crise.
O termo foi popularizado nas décadas de 1970 e 1980 pela psicóloga Emmy Werner, quando ela conduziu um estudo de quarenta anos de duração com uma coorte de crianças havaianas provenientes de origens de baixo nível socioeconômico.
Inúmeros fatores influenciam o nível de resiliência de uma pessoa. Os fatores internos incluem características pessoais como autoestima, autorregulação e uma perspectiva positiva de vida. Os fatores externos incluem sistemas de apoio social, incluindo relacionamentos com a família, amigos e comunidade, bem como acesso a recursos e oportunidades.
As pessoas podem aproveitar intervenções psicológicas e outras estratégias para aumentar a sua resiliência e lidar melhor com a adversidade. Estas incluem técnicas cognitivo-comportamentais, práticas de atenção plena, construção de factores psicossociais, promoção de emoções positivas e promoção da autocompaixão.
Até os anos 90 foi estudada como constituída por Fatores São fatores inerentes da resiliência:
Administração de emoções É a habilidade de se manter sereno diante de uma situação de estresse. Pessoas resilientes quanto a esse fator são capazes de utilizar as pistas que leem nas outras pessoas para reorientar o comportamento, promovendo a autorregulação. Quando essa habilidade é rudimentar, as pessoas encontram dificuldades em cultivar vínculos e com frequência desgastam, no âmbito emocional, aqueles com quem convivem em família ou no trabalho.
Controle dos impulsos É a capacidade de regular a intensidade de seus impulsos no sistema neuromuscular (nervos e músculos), não se deixando levar impulsivamente pela experiência de uma emoção. As pessoas podem exercer um controle frouxo ou rígido do seu sistema muscular, visto que esse sistema está vinculado à regulação da intensidade das emoções. Dessa forma, a pessoa poderá viver uma emoção de forma exacerbada ou inibida. O controle de impulso garante a autorregulação dessas emoções ou a possibilidade de dar a devida força à vivência de emoções, tornando o grau de compreensão do autor mais sensível e apurado mediante a situação.
Otimismo É a crença de que as coisas podem mudar para melhor. Há um investimento contínuo de esperança e, por isso mesmo, a convicção da capacidade de controlar o destino da vida, mesmo quando o poder de decisão esteja fora das mãos. O otimismo se alia à competência social e à proatividade, tendo por base a autoeficácia.
Análise do ambiente É a capacidade de identificar precisamente as causas dos problemas e das adversidades presentes no ambiente. Essa possibilidade habilita a pessoa a se colocar em um lugar mais seguro ao invés de se posicionar em situação de risco.
Empatia É a capacidade que o ser humano tem de compreender os estados psicológicos dos outros (emoções e sentimentos). Não é ''colocar-se no lugar do outro'' como muitos insistem em afirmar. É sim a capacidade de sentir o mesmo que o outro sente, ao passo que o "colocar-se no lugar do outro" de certa maneira contribui para a experiencialização e direcionamento das ações compreensivas.
Autoeficácia É a crença na própria capacidade de organizar e executar ações requeridas para produzir resultados desejados. Associada à autoconfiança, transforma-se em “combustível” para a proatividade e a solução de problemas.
Alcance de pessoas É a capacidade que a pessoa tem de se vincular a outras pessoas para viabilizar soluções para intempéries da vida, sem receios e medo do fracasso.
A partir dos anos 2000 surgiu a “Abordagem Resiliente” que embasa os Modelos de Crenças Determinantes Procurando ampliar os entendimentos sobre resiliência foram mapeados esquemas básicos de crenças vinculados à superação estratégica do estresse - são os modelos crenças determinantes (MCDs). Esse desdobramento, conhecido como QUEST_Resiliência, permite mapear e compreender o tipo de superação de uma pessoa ou de um grupo quando diante de situações de adversidades e de um forte e contínuo estresse. É estruturado com uma abordagem teórica da terapia cognitiva, da psicologia positiva e da teoria geral dos sistemas, a partir de uma abordagem psicossomática.
Esses MCDs são estruturados desde a primeira infância. São crenças que se aglutinam quando vamos conhecendo/aprendendo/experimentando os fatos da vida com aqueles que nos cercam. Os MCDs são: MCD de autocontrole - capacidade de se administrar emocionalmente diante do inesperado. É amadurecer no comportamento expresso, uma vez que será esse comportamento que irá ser lido pelas outras pessoas. É a condição de serenidade diante da adversidade; MCD de leitura corporal - capacidade de ler, identificar e organizar as reações percebidas no corpo, em especial aquelas relacionadas com o sistema nervoso/muscular. É amadurecer no modo de lidar com as reações somáticas que surgem quando a tensão ou o estresse se tornam elevados; MCD de otimismo para com a vida - capacidade de enxergar a vida com esperança, alegria e sonhos. É a maturidade de controlar o destino da vida, mesmo quando o poder de decisão está fora de suas mãos. Para tanto uma das característica mais preciosas para o cultivo do Otimismo para com a Vida é a criatividade; MCD de análise do ambiente - capacidade de identificar e perceber precisamente as causas, as relações e as implicações dos problemas, dos conflitos e das adversidades presentes no ambiente. É se dar conta e estar atento às situações e circuntâncias presentes na experiência do estresse; MCD empatia - capacidade de evidenciar a habilidade de, a partir de se compreender o outro, emitir mensagens que promovam interação e aproximação, conectividade e reciprocidade entre as pessoas; MCD autoconfiança - capacidade de ter convicção de ser capaz e eficaz nas ações propostas; MCD alcançar e manter pessoas - capacidade de se vincular às outras pessoas sem receios ou medo de fracasso, conectando-se para a formação de fortes redes de apoio e proteção; MCD sentido de vida - capacidade de entendimento de um propósito vital de vida na experiência vivida como adversa. Promove um enriquecimento do valor da vida, fortalecendo e capacitando a pessoa a preservar sua vida ao máximo.
Cada um dos MCDs desenvolve resiliência em uma área da vida e o leque de todos eles juntos contempla a vida de uma pessoa.
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Ligações externas
Categoria:Psicologia