right|thumb|300px|Símbolo do Palmeiras em formato de mosaico no antigo Estádio Palestra Itália O artigo a seguir visa cobrir a história da Sociedade Esportiva Palmeiras, clube poliesportivo brasileiro, localizado na cidade de São Paulo.

Fundado por imigrantes italianos em 26 de agosto de 1914 com o nome de Palestra Italia, o clube alviverde foi forçado a mudar de nome em 1942, devido altercações com o governo brasileiro, e passou a chamar-se Sociedade Esportiva Palmeiras.

O Palmeiras é um dos clubes mais vencedores do Brasil, sendo o maior campeão nacional, com 18 títulos. Entre as maiores conquistas da sua história estão o Mundial Interclubes de 1951, as Copas Libertadores da América de 1999, 2020 e 2021, 12 Campeonatos Brasileiros e 4 Copas do Brasil.

Nasce o Palestra Itália (1914–1942)

Início right|thumb|150px|"Cruz de Savoia", foi o distintivo utilizado pelo Palestra Itália em 1916.

O Palestra Italia (em italiano a palavra Itália não é acentuada) foi fundado em 26 de agosto de 1914 por imigrantes da colônia italiana da cidade de São Paulo. A sua fundação se deu pela presença de dois times italianos no Brasil, no caso o Pro Vercelli e o Torino, que serviram de inspiração para que fosse criado um time que representasse a colônia italiana no campeonato paulista. Os principais nomes da fundação do Palestra foram: Luigi Cervo e Luigi Marzo, funcionários das Indústrias Matarazzo, mais Vincenzo Ragognetti, jornalista, e Ezequiel Simone, que era o mais velho deles e membro de várias entidades de cultura italiana da época. A ata de fundação, por sinal, é redigida em italiano. O primeiro presidente foi Ezequiel Simone, que ficou apenas dezenove dias no cargo. A fundação ocorreu após duas reuniões, a primeira ocorrida no dia 19 de agosto de 1914, onde discutiram a função do clube. Uma parte dos presentes defendia a ideia de que o clube deveria ter finalidade social e cultural, enquanto outra parte defendia a finalidade esportiva, direcionada para o futebol. Para definirem a situação, marcaram uma nova reunião para a semana seguinte, dia 26 de agosto de 1914, data considerada oficialmente como a de fundação. Ambas reuniões ocorreram no Palacete Baruel, no Salão Alhambra, região da Praça da Sé.http://www.jornalfanfulla.com/paginas.asp?categoria=arquivo . Página acessada em 24 de dezembro de 2015.

A imensa maioria dos fundadores eram italianos e descendentes, e trabalhavam nas Indústrias Reunidas Matarazzo. Havia o português Francisco Camargo, que também trabalhava na Matarazzo, participou da reunião de fundação e fora eleito diretor. Nenhum deles era filiado a qualquer outro clube de futebol, com exceção de Luigi Cervo, que fora sócio e jogador do segundo quadro do Internacional de SP. Entre os demais fundadores do Palestra haviam apenas membros do Esperia, clube italiano de regatas, como o esportista Delfo Betti.

Entre agosto de 1914 a janeiro de 1915 o Palestra Itália tratou de organizar seu elenco de jogadores, bem como sua apresentação para a cidade e principalmente para a colônia italiana residente em São Paulo. O grande baile de inauguração aconteceu nos salões da "Germânia" - localizado na rua "Dom José de Barros", alugado na época por 300 mil réis - com uma festa realizada no dia 9 de janeiro.

As primeiras partidas esquerda|thumb|250px|Palestra Itália em 1916 Nos primeiros quatro meses de existência, os fundadores e primeiros sócios trataram de realizar jogos treinos em um campo alugado na Vila Mariana. Esse campo ficava situado onde hoje localiza-se a Vila Clementino, muito próximo da atual área do Parque do Ibirapuera. Em 24 de janeiro de 1915, o Palestra Italia disputa o seu primeiro amistoso, contra o Savoia, de Sorocaba (que hoje é chamado Clube Atlético Votorantim, pois a equipe tinha sua sede no atual município de Votorantim, à época distrito de Sorocaba) e vence por 2 a 0, com gols de Bianco e Alegretti. O escudo adotado é a Cruz de Savoia. right|thumb|150px|Distintivo utilizado pelo Palestra Itália entre 1917 e 1942

Em 1915, sem conseguir uma vaga no campeonato da APEA, o Palestra Itália realizou apenas partidas amistosas. Mas no início de 1916, o clube aproveitou-se de uma situação de dificuldade da Associação Paulista de Esportes Atléticos, que na época era quem comandava o futebol dos grandes clubes paulistas, causada pela desativação do Velódromo, local onde eram disputadas as partidas do campeonato. Os dirigentes palestrinos articularam um apoio das Indústrias Matarazzo para remover e transportar as arquibancadas do Velódromo para a Chácara da Floresta, pertencente à A. A. Palmeiras, e assim obteve apoio para seu ingresso na Liga da elite do futebol paulistano.

A estreia no campeonato aconteceu no dia 13 de Maio, na própria "Chácara Floresta", em partida contra a Associação Atlética Mackenzie College, empatando em 1 a 1. A escalação do time foi a seguinte: Julio Fabbrini; Grimaldi e Ricco (capitão); Fabbi II, Bianco e De Biase; Gobbato, Valle II, Vescovini, Bernardini e Cestari.

Em 1917, a camisa muda sua aparência, saindo a faixa horizontal branca existente até então, e o escudo passa a ser um círculo com as iniciais P e I, no lugar da Cruz de Savóia. A equipe se reforça, e o Palestra conquista o primeiro vice campeonato. O ano marca também o primeiro confronto contra aquele que se tornaria seu maior rival, o , em duas partidas, duas vitórias, 3 a 0 e 3 a 1. Dois anos depois, em 1919, o Palestra volta a ser vice-campeão.

As primeiras conquistas right|thumb|250px|Equipe do Palestra Itália campeã paulista de 1920

Em 26 de Abril de 1920, o Palestra Italia adquire 150 mil metros quadrados do terreno pertencente à Companhia Antarctica Paulista, incluindo o estádio do Parque da Antarctica, então formado por arquibancadas de madeira.

No final do mesmo ano, conquista seu primeiro título, numa final dramática contra o poderoso Paulistano, tetracampeão paulista de 1916 a 1919. As duas equipes terminaram empatadas em pontos, obrigando a realização de uma partida extra, vencida pelos palestrinos por 2 a 1, com gols de Martinelli e Forte, quebrando a hegemonia do rival.

Em 1921 o time conquista a Taça Competência (disputa entre o campeão da capital contra o campeão do interior). No triênio 1921, 1922 e 1923 o Palestra Italia é vice-campeão três vezes seguidas do campeonato paulista.

O ano de 1925 marcou a estreia do Palestra em campos internacionais, já que o clube excursionou pela Argentina e pelo Uruguai. Já em 1926, consegue o clube de novo o título paulista com uma campanha indiscutível: nove vitórias em nove partidas, 33 gols, tendo Heitor como artilheiro com dezoito gols. Em 1927, nova conquista, e o primeiro bicampeonato paulista de sua história. Além disso, o time também vence as duas Taças Competências disputadas nos anos 1927 e 1928, além da Taça dos Campeões Estaduais São Paulo-Rio de Janeiro, em 1926, contra o São Cristóvão.

left|thumb|250px|Palestra Itália de 1932 left|thumb|250px|Palestra Itália de 1933 thumb|right|250px|Romeu Pellicciari marca um de seus 4 gols contra o Corinthians na goleada do Palmeiras por 8 a 0 em 1933

O início da década de 1930 é marcado pela Revolução de 32, que provocou a paralisação do campeonato por quatro meses, onde os clubes cederam suas sedes para servirem de alojamento e enfermarias para as tropas paulistas. No futebol o período é marcado pela introdução do profissionalismo, e pela supremacia absoluta do Palestra não só pelos campos paulistas, mas também do restante do País.

Em 1932 o Palestra Italia conquista o Campeonato Paulista de forma invicta, e com a melhor campanha da história da competição: onze jogos, onze vitórias, 48 gols pró e apenas oito gols contra. No ano seguinte, os palestrinos comemoraram em dobro, bicampeão paulista e da primeira edição do Torneio Rio–São Paulo.

O ano seguinte, de 1933, marca a reinauguração do Estádio Palestra Itália, então o maior de São Paulo, e um dos únicos do país em concreto armado. Contou também com a goleada histórica por 8 a 0 imposta pelo Palestra ao arquirrival Corinthians. O clássico, válido simultaneamente pelo Campeonato Paulista e pelo Torneio Rio-São Paulo de 1933, contou com quatro gols de Romeu Pellicciari, um de Gabardo e três de Imparato. Foi a maior derrota sofrida pelo Corinthians em toda a sua história."Recordar é viver: há 80 anos, Palestra Itália humilhava o Corinthians: 8 a 0", GloboEsporte.com, 5/11/2013 O impacto da goleada na equipe do Parque São Jorge foi tão grande que derrubou o então presidente do clube, Alfredo Schurig,"Há 80 anos, 8 x 0 do Palestra sobre Corinthians derrubou presidente" , Placar, 5/11/2013 e fez a torcida corintiana colocar fogo na sede da própria agremiação."Palmeiras celebra 80 anos da maior goleada aplicada no Corinthians: 8 a 0", Lancenet, 5/11/2013

O ano de 1933, que foi o primeiro do profissionalismo no futebol brasileiro, fechou com o Palestra Italia bicampeão paulista e sendo o primeiro campeão do Torneio Rio-SãoPaulo.

Em 1934, o clube chega ao tricampeonato paulista. Nos anos de 1935 e 1936, o Palestra Italia começa a se tornar conhecido fora do país ao disputar amistosos contra o Boca Juniors, Estudiantes, Huracán e Velez da Argentina, além do Espanyol, de Barcelona.

Em 1940, o Palestra Italia tem a honra de inaugurar o estádio do Pacaembu, goleando o Coritiba por 6 a 2 na partida de estreia e vencendo o Corinthians por 2 a 1 no domingo seguinte, tornando-se Campeão da Taça Cidade de São Paulo, primeiro Campeão do Estádio do Pacaembu. 1941 marca a estreia do maior ídolo do clube na década de 1940, o goleiro Oberdan Cattani, junto com Waldemar Fiúme; Oberdan dominou o gol palestrino por quinze anos.

O Palestra torna-se Palmeiras

direita|thumb|280px|Tela que reproduz a Arrancada Heroica de 1942 O Palestra Itália foi forçado a mudar de nome por ocasião da Segunda Guerra Mundial. Após manter uma posição de neutralidade ao longo dos três primeiros anos do conflito, em 28 de janeiro de 1942 o Brasil rompeu relações diplomáticas com os Países do "Eixo" (Alemanha, Itália e Japão), sinalizando a posição que formalizaria em 31 de agosto do mesmo ano, quando declarou guerra a estes Países, alinhando-se com os "Aliados" (EUA, Inglaterra, França e outros países).

Em 17 de março de 1942, uma assembleia entre a diretoria do clube deliberou sobre a alteração da denominação da agremiação, escolhendo o nome "Sociedade Esportiva Palestra de São Paulo". O texto da publicação enviado para a imprensa e associados do clube foi: A Diretoria do Conselho Executivo e a Diretoria Executiva resolveram sui-referendum do Conselho Deliberativo, cuja reunião se realizará dentro de poucos dias, determinar que a sociedade passe a se denominar 'Sociedade Esportiva Palestra de São Paulo' . Diário da Tarde, 18 de março de 1912. Disponível em http://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=800074&pesq=%22Palestra%20It%C3%A1lia%22&pasta=ano%20193&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=62024

Porém, a medida tem pouco ou nenhum efeito, já que o costume da imprensa e dos torcedores nesta época era o uso apenas da palavra Palestra, que continuava existindo, assim como suas cores inalteradas, que faziam referência à Itália.

A situação agravou-se com o decreto-lei de 17 de junho de 1942, exigindo que as agremiações esportivas que tivessem nomes estrangeiros mudassem suas denominações, e finalmente em 31 de Agosto o governo brasileiro declarou formalmente o estado de Guerra contra os Países do "Eixo".