Pretty. Odd. é o segundo álbum de estúdio da banda de rock Panic! at the Disco. Lançado em março de 2008 pela Decaydance e pela Fueled by Ramen, foi gravado no Studio at the Palms em Paradise, Nevada, com produção adicional de Rob Mathes no Abbey Road Studios em Londres. Inspirado no pop barroco e nos trabalhos de The Beatles e The Beach Boys, o álbum em estilo de rock psicodélico é bem diferente do antecessor A Fever You Can't Sweat Out (2005), que tem uma grande influência do pop punk.
Para iniciar a gravação do disco, o Panic at the Disco se isolou numa cabana nas montanhas do Mount Charleston, em seu estado natal, Nevada. Os primeiros trabalhos não satisfizeram a banda, que passou todo o inverno reescrevendo o disco. A gravação e a produção foram feitas logo em seguida, e cada música trabalhada até chegar ao nível desejado. As cordas e os sopros foram gravados depois, no Abbey Road Studios. É o único álbum com a participação do baixista Jon Walker e o último com o guitarrista Ryan Ross, que deixaram a banda em 2009.
O disco recebeu crítica mista e foi menos bem sucedido que o álbum anterior - que chegou à certificação de dupla platina -, vendendo 422 mil cópias até 2011. Ele ficou 18 semanas na Billboard 200 e o single "Nine in the Afternoon" ganhou a certificação de ouro pela RIAA. Em 2016, o disco também chegou ao certificado de ouro.
Antecedentes O grupo, logo após o sucesso de A Fever You Can't Sweat Out, tirou férias após a turnê mundial e começou a trabalhar em ideias para o próximo disco no começo de 2006. Após um curto tempo unindo ideias para as músicas, a banda mudou-se para uma cabana nas montanhas rurais de Mount Charleston, Nevada, em março de 2007 para começar a compor as letras. Na época, eles esperavam lançar o disco durante o outono, mas ainda não haviam escolhido um produtor. Em abril, quatro músicas estavam prontas e eles planejavam voltar para Los Angeles para continuar a trabalhar no que Ryan Ross chamou de "um conto de fadas moderno com um tom romântico." Antes da volta, Jon Walker disse que o álbum seria similar a um álbum conceitual e que toda a banda estava compondo músicas (todas as faixas do álbum anterior foram escritas por Ryan). "Nearly Witches (Ever Since We Met...)" foi escrita para esse disco, mas não foi incluida por não se encaixar no conceito do álbum. Brendon Urie e Spencer Smith reescreveram partes da música e a colocaram no álbum seguinte, Vices & Virtues (2011).
Ao chegar em Los Angeles em junho de 2007, oito músicas estavam completas e a gravação foi iniciada. Após gravarem as novas faixas e tocarem-nas ao vivo durante o verão, a banda voltou para o seu estúdio em Las Vegas, onde escreveram as músicas de seu primeiro álbum. Rob Mathes, que produziu o cover que eles fizeram de "This Is Halloween", do filme O Estranho Mundo de Jack (1993), foi escolhido produtor do álbum. Por volta de agosto, a banda ficou desinteressada nas músicas já escritas e as descartou. Segundo Ryan Ross, eles escreveram as músicas "apenas com um violão e alguém cantando. Eu acho que nós meio que pulamos a parte de escrever na primeira gravação, e agora estávamos mais atentos a isso. (...) Nós compusemos várias músicas desde que voltamos pra casa e eu considero isso a parte mais divertida." As músicas anteriores foram arquivadas e o grupo começou a gravar o que viria a ser o Pretty. Odd.
Gravação e produção esquerda|miniaturadaimagem|Abbey Road Studios, onde o Pretty. Odd. foi produzido e mixado. Os trabalhos para o novo álbum continuaram em setembro de 2007. Em um mês, a banda escreveu "seis ou sete músicas" que pareciam muito mais agradáveis para eles, segundo Ross. Em outubro, entraram no estúdio do Palms Casino Resort em Las Vegas para começar a gravação. Ryan se tornou o principal porta-voz do grupo, dizendo à MTV que eles estavam se esforçando para o lançamento, produzindo o álbum para ser mais voltado a uma sonoridade próxima do rock clássico. Eles não se sentiam tão pressionados a conseguir tanto sucesso quanto conseguiram com o primeiro álbum, e portanto fizeram músicas que os deixassem felizes.
A primeira música escrita pro álbum, "Nine in the Afternoon", foi uma das letras salvas da versão descartada do disco. "Nós queríamos uma música que as pessoas viciassem fácil. Ela foi uma das músicas que falavam sobre aquele momento, ela saiu naturalmente em poucas horas. É uma canção divertida, não é pra ser levada a sério", comentou Ryan. Ela foi a inspiração para que a banda fizesse outras músicas animadas, e a partir daí compuseram mais oito músicas em seis semanas, criando algumas outras enquanto estavam no Palms. No fim do ano, o álbum já estava encaminhado para a produção final. Cada faixa pronta foi rapidamente concluída, sendo "Mad as Rabbits" a última a ser gravada.
Em janeiro de 2008, a banda descansou por uma semana em sua cidade natal e partiu para Londres, onde gravaram os sopros e as cordas no lendário Abbey Road Studios, onde eles consideram que "o sonho se tornou realmente verdade." Na capital britânica, o álbum foi mixado por Peter Cobbin. Mathes estava envolvido com a parte instrumental do disco, tocando teclados, piano e bandolim, além de arranjar e conduzir a orquestra para todas as faixas, exceto "Nine in the Afternoon". O wurlitzer de "Mad as Rabbits" foi tocado por Rick Ronick.
Músicas A sonoridade do disco foi descrita pela banda como "mais orgânica e madura" do que a de A Fever You Can't Sweat Out, e também involuntariamente e coincidentemente similar às músicas dos The Beatles, tanto nas letras como nas ideias. "Nós gostamos deles, do Rubber Soul até o White Album e tal, mas mesmo antes nós estávamos voltados para essas coisas de elementos teatrais. Não queríamos fazer algo como o Sgt. Pepper's", explicou Ross. A banda nunca teve a intenção de soar nem como The Beach Boys nem como The Beatles, de acordo com Ryan e Walker. "Antes de começarmos a escrever as músicas, estávamos fazendo coisas que eram quase totalmente orquestradas - e isso meio que nos carregou para isso", continua Ross. "Eu acredito mesmo que metade desse disco tem tipo aquela coisa de 'instrumentação fantástica', mas nós só tentamos passar nosso humor para cada música. Em alguns casos, só pensamos: 'temos que fazer isso'." A diferença de idade não teve nenhum efeito negativo na banda, e na verdade os inspirou a ter uma visão mais madura, segundo Urie.
Apesar de não haver um conceito por trás de Pretty. Odd., a banda sabia que queria "fazer algo diferente no sentido de que as músicas não soassem parecidas ou fossem parte de um único gênero, você sabe, só fazer algo diferente. Com esse disco, nós ouvimos várias coisas diferentes também, então isso meio que nos ajudou a aumentar nosso gosto musical." Graças à colaboração com o produtor Rob Mathes, a participação dos membros se tornou confusa. Apesar de a maioria das músicas serem atribuídas a Ryan Ross, a banda inteira colaborou nas faixas, sendo que Urie escreveu duas sozinho e Walker e Smith colaboraram em diversas faixas. O jornal The Washington Post avaliou positivamente a nova sonoridade do Panic: "Tudo é novo, e se velho, vai da instrumentação barroca (o uso de fliscorne), letras (com menos palavras, mais claras) e fraseio vocal (simplificado) à progressão de cordas inspirada em Beatles, melodias, harmonias vocais viciantes e unidas, que também server como um pequeno tributo a Brian Wilson." As letras misturam romances destruídos a aforismos neopsicodélicos.
"Nine in the Afternoon" recebeu críticas positivas e os críticos perceberam a grande mudança entre o primeiro álbum o esse. James Montgomery da MTV achou a música similar ao álbum Music from Big Pink do The Band e chamou o single "Northern Downpour" de um reminiscente das "faixas descartadas do Abbey Road". "When the Day Met the Night", a oitava faixa, foi altamente louvada pelas publicações de música. A Spin a considerou como peça central do disco, chamando-a de "uma música pop alegre que brilha como o sol" e um rígido contraste com o "embaraçoso" A Fever You Can't Sweat Out. A Gigwise chamou a música de "a faixa que todo mundo vai querer ouvir ao vivo" e notou que "o baixo e o glorioso crescendo baseado nas cordas são os mesmo da era Pet Sounds do Beach Boys." A National Public Radio comentou que o Pretty. Odd. é um "experimento entre pop psicodélico, vaudeville e instrumentação não usual."
Marketing Toda a campanha de marketing de Pretty. Odd. foi baseada praticamente em marketing viral. Segundo o baterista Spencer, a intenção original da banda era de lançar um single durante o Natal de 2007 e o álbum em fevereiro do ano seguinte. A banda começou a promover o álbum em novembro de 2007, com um trecho de "Nine in the Afternoon" tocado no episódio "Cautionary Tales" de Heroes. Em 12 de dezembro, eles lançaram um enigma no MySpace, que continha um link para o site da banda e a misteriosa mensagem "And so it begins..." (e assim isso começa). No site, havia a legenda "You don't have to worry..." (você não tem que se preocupar...). A ideia de ir soltando pistas - que incluíam o nome do álbum, a capa e o primeiro single -, segundo o empresário Bob McLynn, surgiu enquanto os membros estavam bêbados e gravando o disco.
"Nine in the Afternoon" foi lançada pelo enigma em 14 de dezembro. Foi revelado que as mensagens originais eram parte da letra da faixa de abertura "We're So Starving", que foi lançada também no MySpace em 2 de janeiro de 2008. Até ser excluída no fim do dia, a demo foi ouvida 45 mil vezes. O nome do disco apareceu como pista durante a gravação do clipe de "Nine in the Afternoon" em 22 de dezembro, onde cada membro da banda aparecia com uma faixa escrita Pretty. Odd. O título foi oficialmente revelado em 9 de janeiro de 2008. Na mesma data, a banda revelou um novo logo, retirando o ponto de exclamação, o que foi considerado uma ofensa pelos fãs. Em abril de 2008, foi lançado um curta chamado Panic at the Disco in: American Valley para promover o álbum.
Capa e| título Toda a direção de arte de Pretty. Odd. foi chefiada por Alex Kirzhner, inspirado nas ideias da banda. O encarte, que possui as letras de todas as músicas, foi ilustrado pelo designer gráfico Connie Makita e a maioria das outras ilustrações foram feitas por Kirzhner e Tanapan "Bang" Puangpakdee. A capa foi revelada no site oficial da banda em 23 de janeiro de 2008. Ela consiste em pinturas de flores e borboletas, que a Slant chamou de tributo aos Beach Boys. A versão deluxe em vinil foi indicada a Melhor Box ou Edição Limitada no Grammy Awards de 2009, mas perdeu para o In Rainbows (2007) do Radiohead.
O título do álbum, Pretty. Odd., foi criado aleatoriamente durante as gravações e o nome pegou. "Apenas aconteceu numa noite. Nós estávamos trabalhando numa nova música e nem estávamos falando de nomes pro álbum, mas foi apenas algo que eu escrevi e trouxe pros caras", explicou Ross. "Tipo, Pretty. Odd. (em tradução livre, Muito. Estranho.). Eles todos gostaram, isso foi há alguns meses, então apenas mantivemos desde então." Smith comentou que achou "mais divertido" com a pontuação no nome. Enquanto isso, a falta de pontuação no nome da banda ofendeu os fãs e trouxe uma grande cobertura da imprensa. Geraldine Woods comparou a pontuação a e.e. cummings e considerou uma "revolução para as pessoas criativas."
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