O Colégio de São Bento do Rio de Janeiro é um estabelecimento de ensino confessional católico, exclusivamente para meninos, dirigido e mantido pelos monges beneditinos do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro. É uma referência histórica da presença da Ordem de São Bento no Brasil e uma das mais antigas instituições de ensino em funcionamento no país. Além disso, o Colégio é conhecido por ser uma das instituições do país que mais vezes lideraram o ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
O Colégio segue um currículo amplo, inspirado pelas características monásticas da Ordem Beneditina, que inclui teologia, música, álgebra, geometria, física, química, biologia, cultura clássica, literatura brasileira e portuguesa, geografia, história, português, espanhol, francês e inglês, filosofia, sociologia, bem como história da música, arquitetura e belas-artes, entre outras disciplinas.
História esquerda|miniaturadaimagem|Vista do Mosteiro de São Bento numa aquarela de Debret ilustrando a chegada ao Rio de Janeiro da princesa Maria Leopoldina de Áustria em 1817. esquerda|miniaturadaimagem|Fachada frontal da Igreja de Nossa Senhora de Montserrat, do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro. O Colégio foi formalmente constituído pelos monges do Mosteiro de São Bento em 1858, tendo o abade Frei Luís da Conceição Saraiva como seu fundador. A partir de 1904, passou a funcionar num prédio ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Monte Serreado, já sobre o Morro de São Bento. Em 1929, transferiu-se para um prédio no número 42 da Rua Dom Gerardo (o mesmo endereço onde, atualmente, se localiza a atual Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro, também pertencente ao Mosteiro). Até 1960, todos os professores do colégio eram homens, seguindo as normas monásticas da Ordem São Bento. No entanto, a partir desse ano, o Colégio passou a também admitir professoras, mantendo, no entanto, o ensino exclusivo para meninos. Em 1971, mudou-se para um novo prédio em estilo brutalista, projetado pelo arquiteto e ex-aluno Mauro Guaranys, com colaboração de Lúcio Costa, ao lado do mosteiro homônimo, de onde podem ser observados o Porto do Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã e a Praça Mauá.
Exame Nacional do Ensino Médio Nos anos de 2005, 2007 e 2010, foi o primeiro colocado no ranking nacional do Exame Nacional do Ensino Médio e, nos anos de 2009 e 2011, ficou em primeiro lugar no ranking estadual, além de ter sido o segundo no ranking nacional em 2006. No ano de 2012, o Colégio conquistou o 1º lugar em redação e 4º nas questões objetivas nacionalmente, sendo novamente o 1º no ranking estadual. Esses bons resultados renderam à instituição a reputação de melhor colégio brasileiro. Em 2014, o Colégio alcançou o primeiro lugar na ranking nacional novamente.
Educação Integral do Ser Humano miniaturadaimagem|Imagem de São Bento onde o santo carrega um livro com sua regra: Ora et Labora, lema e síntese da metodologia de ensino beneditina, retratada no Mosteiro de Wernberg, na Áustria A metodologia de ensino do Colégio de São Bento é denominada Educação Integral do Ser Humano, defendida pelo reitor e educador Dom Lourenço, sob a influência de Jacques Maritain. Trata-se de tese consolidada que se distingue por compreender a educação como formação completa e rigorosa do indivíduo como pessoa. Isto é, em vez de limitar o ensino à mera transmissão de conteúdos ou apenas ao preparo técnico para o mercado, a metodologia busca desenvolver inteligência, caráter, disciplina interior, sensibilidade moral e responsabilidade social. Dentro da ótica beneditina, é aplicada sob tutela da Regra de São Bento, de forma que valoriza a escuta, o estudo rigoroso, a convivência e a busca constante pela verdade, uma característica particularmente presente em metodologias de ensino cristãs, como a escolástica, e com forte influência do pensamento agostiniano.
Assim, a proposta beneditina defende que o estudante não é uma peça de engrenagem econômica, mas alguém dotado de dignidade, liberdade e vocação. Por isso, o ensino humanístico ocupa papel central. Durante a formação, o ensino de literatura, filosofia, história, artes e ciências é utilizado para ampliar a visão de mundo e fortalecer o senso crítico que cultiva a capacidade de pensar com profundidade. Somado ao rigor acadêmico, que não se trata de um fim em si mesmo, cria-se caminho para a excelência intelectual do aluno, de forma que o bom desempenho é atingido como mero resultado, e não como objetivo central. A dogmática dessa metodologia resume-se ao ensinamento beneditino "Ora et Labora", isto é, reze e trabalhe.
O sucesso do modelo foi tamanho que seu principal defensor, Dom Lourenço, chegou a integrar diversos quadros nacionais, estaduais e internacionais de ensino, como o Conselho Federal de Educação. Atualmente, sua metodologia é lembrada como uma alternativa a modelos sistemáticos de ensino e muitas vezes é apresentada como uma opção contrária às visões de outros educadores brasileiros, como Paulo Freire.
Brasão miniaturadaimagem|Brasão da abadia de Nossa Senhora de Montserrat do Rio de Janeiro O brasão do Colégio de São Bento do Rio de Janeiro deriva do brasão da Abadia. Ele apresenta dois elementos principais: o Monte Serrado, que faz alusão ao santuário catalão de Monserrate, onde se venera a Santíssima Virgem Mãe de Deus; o leão com o báculo, que simboliza as virtudes da coragem, da bravura e da magnanimidade, associadas na Idade Média à Ordem de São Bento. O báculo, ainda, faz referência ao poder abacial, com seu múnus pastoral.
O Colégio também possui um escudo alternativo, utilizado em seus uniformes, onde se retira a heráldica leonina do Mosteiro, mantendo-se apenas uma versão simplificada do Monte Serrado.thumb|Parte superior do diploma conferido aos concluintes do ensino médio. Nele, pode-se ver o brasão alternativo do colégio. Condecorações O Colégio de São Bento foi condecorado no dia 29 de março de 2010 com a insígnia da Ordem do Mérito Judiciário do Distrito Federal e dos Territórios, a mais alta ordem honorífica do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, por ter prestado relevantes serviços à cultura jurídica em geral, bem como ao Poder Judiciário do Distrito Federal e Territórios. Foi a primeira instituição educacional a receber tal prêmio.thumb|direita|Insignia da Ordem do Mérito Judiciário do Distrito Federal e dos Territórios (OMJDFT) Representação na mídia Em 2014, o Colégio foi cenário do filme Casa grande e, com a aprovação do abade Dom Felipe, cedeu sua estrutura para as gravações. O filme, dirigido pelo ex-aluno Fellipe Barbosa, a partir de um roteiro do diretor e de Karen Sztajnberg, conta a história de um casal da classe média alta que é afetado por uma crise financeira, levando-o à falência, ao mesmo tempo que precisa lidar com os problemas do filho, que começa a vivenciar experiências da adolescência. A produção contou com a participação de professores reais do Colégio, como Sebastião Pereira, além do elenco integralmente composto por ex-alunos que se formaram entre 2012 e 2013, entre eles o protagonista Thales Cavalcanti, pois foi julgada pela produção como única a relação cultivada dentro da escola, e apenas aqueles que a viveram seriam capazes de replicá-la.
O Colégio também já foi representado em obras literárias, como Os beneditinos, de José Trajano, um livro de memórias que acompanha o próprio autor, já idoso, aos 72 anos, desempregado e vivendo uma fase solitária da vida. A partir dessa realidade, ele revisita suas lembranças de infância e juventude no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, especialmente os anos em que estudou no Colégio de São Bento.
Em 2006 foi publicado o livro Pula, pula, macacada, que amanhã não tem mais nada, uma compilação de crônicas de ex-alunos da turma de 1993, em que são contadas diversas das mais absurdas histórias ocorridas no Colégio. Em 2014, o livro foi relançado pela editora Oito e Meio. Em 2026, a obra ganhou uma terceira edição, revista e ampliada. Coorganizada por Daniel Seidl de Moura e Fernando Carneiro M. Valente, a nova edição (independente) conta com a participação de ex-alunos de outras épocas, como o jornalista José Trajano, o tradutor Carlos Nougué, o humorista Helio de la Peña, o escritor Raphael Montes (no texto de contracapa) e o cineasta Fellipe Barbosa (no texto de orelha).
Além disso, em 1917 o Colégio foi palco da primeira obra documentada de Lamartine Babo, ex-aluno, que vencera uma competição interna de escrita, realizada dentro do Ginásio do Colégio. O poema, chamado "O frade que pedia esmola", narra de maneira bem-humorada a existência de uma casa muito conceituada, onde um frade pede esmolas para alimentar os pobres, mas por avareza retém sua parte.
Hino do Colégio O Colégio tem um hino próprio, utilizado em cerimônias solenes, como a abertura dos Jogos Internos, hasteamento da bandeira nacional e formaturas. O hino, denominado Hino a São Bento, conta a história do padroeiro São Bento de Núrsia e relembra seus feitos e sua vocação. miniaturadaimagem|Representação de São Bento na Sacristia de Frari, em Veneza, na Itália miniaturadaimagem|Estátua de São Bento na entrada do mosteiro. Hino a São Bento
Pai dos monges, conduzi-nos
Pelas sendas do Senhor
Dilatai as nossas almas
Pela paz e pelo amor
Bento Jovem, deixa o mundo
Procurando a solidão
Troca os livros e os palácios
Pela Santa Vocação
Dia e noite, como os anjos
Faz subir da terra aos céus
Hinos, salmos e louvores
Para o trono de seu Deus
Já refulge vossa face
Na celeste eterna luz
Até vós, Bento guiai-nos
Sob o lábaro da cruz
Reitores (até 1903, diretores) miniaturadaimagem|Pátio interno do mosteiro, onde muitos dos reitores foram enterrados, como pode ser observado nas inscrições das lápides no piso.miniaturadaimagem|O reitor Dom Lourenço, educador beneditino, e mais longevo reitor do Colégio. Abade Frei Luís da Conceição Saraiva (fundador), 1858 - 1860 Presidente Frei Antônio de Santa Águeda Carneiro, 1860 Abade Frei Saturnino de Santa Clara Antunes de Abreu, 1860 - 1863 Abade Frei José da Purificação Franco, 1863 - 1872 Abade Frei Manoel de São Caetano Pinto, 1872 - 1881 Abade Frei José da Purificação Franco, 1881 - 1884 Abade Frei Manoel de Santa Catarina Furtado, 1884 - 1893 Abade Frei João das Mercês Ramos, 1893 - 1903 Dom Marcos Stoker, 1903 Dom Pio Alpen, 1904 - 1905 Dom Amaro van Emelen, 1905 - 1906 Dom Ambrósio Winckier, 1907 - 1908 Abade Coadjutor Dom João Crisóstomo De Saegher, 1908 Dom Amaro van Emelen, 1909 - 1910 Dom Ildefonso Deigendesch, 1910 Dom João Evangelista Barbosa, 1911 - 1913 Dom Ildefonso Deigendesch, 1914 - 1915 Abade Dom Pedro Eggerath, 1915 - 1916 Dom Leandro Marques de Souza, 1917 - 1918 Dom Meinrado Mattmann, 1918 - 1936 Abade Dom Tomás Keller, 1936 Dom Vicente de Oliveira, 1936 - 1937 Dom Bonifácio Plum, 1937 - 1941 Dom Hildebrando Petrola Martins, 1942 - 1946 Dom Basílio Penido, 1947 - 1954 Dom Lourenço de Almeida Prado, 1955 - 2001 Dom Matias Fonseca de Medeiros, 2001 - 2003 Dom Tadeu de Albuquerque Lopes, 2003 - 2010 Dom Miguel da Silva Vieira, 2010 - 2014 Abade Dom Felipe da Silva, 2014 - Presente
Ex-alunos ilustres miniaturadaimagem|347x347px|Benjamin Constant, o fundador da República, Ministro da Instrução Pública, Correios e Telégrafos, coronel veterano da Guera do Paraguai, engenheiro civil e militar, e líder da Proclamação da República de 1889. miniaturadaimagem|235x235px|Heitor Villa-Lobos, maestro e compositor, representado na nota de 500 cruzados miniaturadaimagem|273x273px|Pixinguinha, grande ícone do samba e choro carioca miniaturadaimagem|278x278px|Heleno de Freitas, ídolo do Botafogo F.R. miniaturadaimagem|287x287px|Noel Rosa, grande figura do samba carioca miniaturadaimagem|258x258px|Clóvis Bevilaqua, um dos maiores juristas do Direito Brasileiro, fundador da Academia Brasileira de Letras, e autor do primeiro Código Civil Brasileiro, o Código Civil de 1916.