Atenas alcançou seu auge durante o período clássico da Grécia Antiga Democracy and knowledge: innovation and learning in classical Athens by Josiah Ober p. 40] ISBN 0-691-13347-6 (2008) quando era o principal centro urbano da importante pólis (cidade-Estado) de mesmo nome, localizado em Ática, na Grécia. A cidade tem sido continuamente habitada há cerca de anos e tornou-se a principal cidade grega da época, sendo a líder da Liga de Delos durante a Guerra do Peloponeso contra Esparta e a Liga do Peloponeso.

A democracia ateniense foi criada em por Clístenes após a tirania de Iságoras. Este sistema de governo permaneceu notavelmente estável e, apesar de algumas breves interrupções, permaneceu funcionando por 180 anos, até (após a Guerra Lamiaca). O auge da hegemonia ateniense foi alcançado entre as décadas de 440 e , conhecido como o "Século de Péricles".

No período clássico, Atenas era um centro artístico, estudantil e filosófico, sendo a sede da Academia de Platão e do Liceu de Aristóteles. Atenas também foi o berço de Sócrates, Péricles, Sófocles e muitos outros proeminentes filósofos, escritores e políticos do mundo antigo. A cidade é amplamente considerada como o berço da civilização ocidental e da democracia,— Acessado em 26 de janeiro de 2007 em grande parte devido ao impacto de suas realizações culturais e políticas na Europa durante os século IV e V a.C.—Acessado em 26 de janeiro de 2007. Archived 31 de outubro de 2009.

Após o fim do período clássico, a cidade foi dominada por povos estrangeiros e entrou em declínio durante a Idade Média. Durante o domínio do Império Bizantino Atenas se recuperou e a cidade foi relativamente próspera durante o período das Cruzadas (séculos XII e XIII), beneficiando o comércio italiano. Após um período de declínio acentuado sob o domínio do Império Otomano, Atenas ressurgiu no século XIX como a capital do novo Estado grego independente.

História Origem

thumb|upright|Estátua da deusa Atena no Museu Arqueológico Nacional.

Apesar de os antigos habitantes de Atenas se considerarem Autóctones, eles na verdade resultam de uma lenta mistura de populações pré-helênicas realmente autóctones com populações helênicas, vindas principalmente da Iônia, sem histórico de conflitos ou conquistas violentas. Sua posição geográfica deixou Atenas fora das correntes invasoras dóricas. Mais tarde sua população sofreu novamente influência externa pela chegada gradual de estrangeiros, atraídos pela prosperidade comercial da cidade.

Até cerca do a região não constituía uma unidade política, sendo dividida em pequenas comunidades. A união destas comunidades é associada à figura mitológica de Teseu. A colina conhecida como Acrópole passou então a ser a capital do novo estado.

Na origem lendária, a região da Ática era disputada entre Poseidon e Atena. Os deuses dariam a região aquele que desse aos habitantes o presente mais útil. Poseidon deu então uma fonte de água, e Atena o suplantou criando a oliveira. A cidade ganhou então seu nome do nome desta deusa.Marco Terêncio Varrão, citado por Agostinho de Hipona, A Cidade de Deus, Livro XVIII, Capítulo 9, Quando a cidade de Atenas foi fundada, e a razão que Varrão dá para o seu nome

Essa disputa entre os deuses parece estar ligada a uma mudança na população dominante da região em algum momento da sua história antiga.

Reformas e democracia

thumb|esquerda|Moedas atenienses do , mostrando a Coruja de Atena

No Atenas se destaca como um estado poderoso, mas ainda sofrendo ameaças dos persas, auxiliados por Hípias que tentava restabelecer a tirania. Durante seis anos os persas foram detidos pelas revoltas das cidades gregas na Iônia auxiliadas por Atenas. Finalmente em iniciaram-se as Guerras Médicas, quando os persas tentaram a primeira invasão detida em Maratona. A segunda Guerra Médica, dez anos depois, encontrou em Atenas uma forte marinha de guerra, graças a influência de Temístocles. No final da guerra, apesar da cidade estar em ruínas, a frota ateniense se encontrava intacta, e seu prestígio ainda maior, conquistando com isso a hegemonia sobre todos os gregos da Iônia.

O crescimento proporcionado nos tempos de Pisístrato também fez com que Atenas se tornasse dependente da importação de alimentos e matérias primas para a indústria, e para isso o domínio do mar era de suma importância. Sendo a única frota capaz de proteger a Grécia e as ilhas do Mar Egeu contra os persas, Atenas dominou as cidades gregas que se haviam rebelado contra a Pérsia, iniciando assim a Confederação de Delos. Através desta confederação, de suas colônias e clerucos no Mar Egeu e no Ponto Euxino Atenas se transformou em uma potência imperial sob a liderança principalmente de Címon e Péricles. Com o tempo tomou o controle de seus aliados e apenas três deles mantiveram sua independência: Samos, Quios e Mitilene. thumb|upright|Clístenes foi um reformador de Atenas que ampliou o poder da assembleia popular e que é considerado o pai da democracia ateniense.

Na política, através das reformas constitucionais de Efialtes e Péricles, Atenas atingiu o auge de sua democracia: Governo do povo pelo povo, cargos públicos acessíveis a todos os cidadãos e remuneração dos cidadãos que exercessem cargos públicos para que mesmo os mais pobres pudessem suportar o ônus desses cargos. Foram criados em 10 novos cargos de estratego e a escolha dos arcontes passou a ser mediante sorteio a partir de A partir de o arcontado foi aberto a todos os cidadãos, e não apenas aos mais ricos.

Entretanto, o imperialismo ateniense ofendeu o sentimento grego de independência das cidades estado e ameaçou a hegemonia comercial de Corinto. Esta cidade comercial por excelência viu seus interesses ameaçados quando Atenas assumiu o controle de Mégara e ocupou Náupactos, no golfo de Corinto em e no mesmo ano a guerra entre as duas cidades havia eclodido. Egina e Esparta se juntaram também a esta guerra contra Atenas. Apesar de conseguir a capitulação de Égina em e conquistar a Beócia em , Atenas sofreu reveses em várias frentes. A decisão de atacar os persas no Egito levando a destruição de um flotilha de socorro em e a derrota para os beócios em Coroneia no ano de deixaram Atenas em uma posição frágil. Por isso, em Atenas concluiu um tratado de paz por 30 anos (chamado de "Paz de Trinta Anos") com Esparta pondo fim a primeira Guerra do Peloponeso.

Séculos VII e VI a.C. O período dos séculos VII e VI a.C. foi marcado por grande instabilidade e mudança social em Atenas. As terras se acumulavam cada vez mais nas mãos de poucos e o endividamento levava os camponeses à servidão, causando tensão social cada vez maior. Esta tensão culminou na revolta de Cilón durante o arcontado de Mégacles em Este último, tendo violado o templo de Atena Poliás para massacrar os revoltosos, acabou levando ao banimento da família dos Alcmeônidas à qual pertencia.Em seguida à revolta, Cílon se refugia em Mégara e leva esta cidade à guerra contra Atenas, devastando a Ática e tomando Salamina. Esta derrota foi considerada consequência do sacrilégio do templo de Atena Poliás, levando ao banimento dos Alcmeônidas

No período que segue, as legislações de Drácon e depois Sólon tentam trazer reformas sociais, mas sempre com resultados limitados. A sociedade passou a se agrupar em facções rivais de acordo com as ocupações e riqueza: os pediakoi (pedianos), habitantes da planície que compreendia nobres e agricultores ricos, cuja riqueza estava na terra; os parálioi (paralianos), habitantes da costa: marinheiros, artesãos e comerciantes cuja riqueza vinha do comércio; principais rivais nas disputas sociais, e mais tarde, juntos inicialmente em torno de Pisístrato: os diakriói (diacleanos), habitantes das colinas, pastores e camponeses pobres que não tinham nem terras nem tiravam riquezas do comércio. thumb|esquerda|upright=1.2|"Fídias mostrando o friso do Partenon a Péricles, Aspásia, Alcibíades e amigos", Sir Lawrence Alma-Tadema, 1868.

Estes últimos foram organizados por Pisístrato numa facção realmente revolucionária, que conquistou o poder e o levou a posição de tirano em Neste período, Pisístrato promoveu a reforma agrária, saneou as finanças públicas, construiu uma rede de estradas pela Ática e uma rede de abastecimento de água para Atenas. Atenas prosperou como centro de comércio e iniciou sua ascensão para a hegemonia sobre as regiões de raça iônica. Morrendo em , foi sucedido por seus filhos Hípias e Hiparco que continuaram seu trabalho e embelezaram a cidade ainda mais. Entretanto, com a morte de Hiparco em , Hípias tornou-se um tirano violento e impopular, culminando com sua deposição em Ele ainda tentou recuperar o poder através de aliança com os Persas, auxiliando-os inclusive na batalha de Maratona, mas não obteve sucesso.

Com a queda da tirania começa uma guerra entre os partidários da oligarquia, liderados por Iságoras e da democracia, liderados por Clistenes. A democracia acaba por vencer e Clistenes promove as mudanças que determinariam, segundo Heródoto, a grandeza futura de Atenas. As quatro tribos são reorganizadas em dez tribos, e seus nomes são trocados por novos nomes, baseados em heróis epônimos.Pausânias (geógrafo), Descrição da Grécia, 1.5.2 Mesmo atacada por vizinhos (Esparta, Beócia e Cálcis) em a nova democracia consegue repeli-los e assim consolidar sua posição.

Este período inicia a história artística e literária de Atenas, com Pisístrato e seus filhos sendo patronos ardorosos das artes e atraindo artistas e poetas estrangeiros para obras de embelezamento e concursos musicais e poéticos. A escultura da Ática começa a se desenvolver e se espalhar com o crescimento do comércio, assim como a arte da pintura de vasos.

Guerra do Peloponeso (431–404 a.C.)

thumb|upright=1.5|O Mar Mediterrâneo durante a Guerra do Peloponeso .

Apesar de declarada por trinta anos, a paz com Esparta durou apenas quinze. Em a Guerra do Peloponeso começa entre Atenas e Esparta, e Atenas entra também em guerra contra Corinto na disputa por rotas comerciais. O evento culminante desta guerra - a malfadada expedição ateniense à Sicília - deflagrou a revolta de vários aliados-súditos de Atenas, reprimida com algum sucesso. Ao final da guerra, também os persas se aliaram contra Atenas graças às intrigas de Alcibíades então exilado.

Com todos esses reveses, a própria cidade acabou por se insurgir, e em um governo oligárquico conhecido como "O Conselho dos Quatrocentos" foi instaurado, complementado nominalmente pela "Assembleia dos Cinco Mil" que nunca foi convocada. Apesar disso a frota de Alcibíades, então chamado de volta, continuou defendendo os ideais democráticos de Atenas. Com a revolta da Eubeia os Quatrocentos acabaram por ser depostos. Terâmenes foi um dos nomes mais importantes tanto no período oligárquico, quanto na sua deposição, e um governo misto de oligarquia e democracia idealizado por ele e baseado na "Assembleia dos Cinco Mil" entrou então em vigor. Esta forma de governo, elogiada por Tucídides e Aristóteles foi finalmente posta de lado em prol do retorno a democracia no ano de depois da vitória naval em Cízico. A democracia durou até a rendição de Atenas em quando a oligarquia foi restaurada, subordinada ao comando espartano.

Atenas estava empobrecida e com seu império mutilado depois da guerra, e ficou a mercê do espartano Lisandro. A nova oligarquia liderada por Crítias formou um governo conhecido como "Os Trinta" que deveria governar e elaborar uma nova constituição. Foi composto um conselho de adeptos da oligarquia, os Quinhentos, que impôs um reinado de terror sobre Atenas. Mas as divergências entre os oligarcas levaram a uma guerra civil com os democratas, liderados por Trasíbulo. Com a intervenção de Pausânias, rei de Esparta, a guerra civil terminou com a vitória da democracia em

Guerra de Corinto e Segunda Liga Ateniense (395–355 a.C.)