A RCA Records é uma gravadora norte-americana pertencente à Sony Music, subsidiária do Sony Music Group, que por sua vez integra o conglomerado japonês Sony. É uma das marcas principais da Sony Music, ao lado de sua antiga rival Columbia Records. A gravadora lança pop, música clássica, rock, hip hop, afrobeat, música eletrônica, R&B, blues, jazz e música country. Seu nome vem da antiga empresa controladora, a Radio Corporation of America (RCA).
Depois que a RCA Corporation foi comprada pela General Electric em 1986, a GE vendeu sua participação restante na RCA Records à Bertelsmann em 1987, e a gravadora passou a integrar o Bertelsmann Music Group (BMG). Após a fusão da BMG com a Sony em 2004, a RCA Records tornou-se um selo da Sony BMG Music Entertainment. Em 2008, com a dissolução da Sony BMG e a reorganização da Sony Music, a RCA Records passou a pertencer integralmente à Sony.
A RCA Records é a sucessora corporativa da Victor Talking Machine Company.
Início e história
miniatura|esquerda|103px|Versão revista do logotipo corporativo clássico da RCA. Foi usada em muitos lançamentos estrangeiros da RCA no lugar da marca "His Master's Voice" até 1968. O BMG retomou seu uso mundial na RCA Records entre 1987 e 2015. O logotipo ainda é usado em lançamentos da divisão RCA Nashville e em alguns relançamentos.
Em 1929, a Radio Corporation of America comprou a Victor Talking Machine Company, então a maior fabricante mundial de fonógrafos, entre eles a famosa Victrola, e de discos fonográficos. A empresa passou a constituir a divisão RCA Victor da RCA. Com a incorporação da Victor, a RCA adquiriu os direitos no Novo Mundo sobre a conhecida marca Nipper/"His Master's Voice".
Em 1931, a afiliada britânica da RCA Victor, a Gramophone Company, fundiu-se com a Columbia Graphophone Company para formar a EMI. Com isso, o dirigente da RCA David Sarnoff ganhou um assento no conselho da EMI.
Em setembro de 1931, a RCA Victor lançou os primeiros discos de 33 rpm vendidos ao público, chamados "Program Transcription". Eles usavam uma versão mais rasa e de sulcos mais próximos do grande "sulco padrão" encontrado nos discos de 78 rpm da época, em vez do "microssulco" empregado nos discos LP de 33 rpm lançados após a Segunda Guerra Mundial. O formato fracassou comercialmente, em parte porque as novas Victrolas com toca-discos de duas velocidades eram muito caras. No auge da Grande Depressão, o modelo mais barato custava US$ 395. Em 1933, o formato foi abandonado e os toca-discos de duas velocidades deixaram de ser oferecidos, embora alguns Program Transcriptions permanecessem no catálogo da Victor até o fim da década de 1930.
Nos primeiros anos da Depressão, a RCA Victor tentou criar uma gravadora de baixo preço que pudesse competir com selos vendidos em lojas populares, como Perfect, Oriole, Banner e Melotone. A primeira tentativa foi a Timely Tunes, de vida curta, vendida exclusivamente pela Montgomery Ward em 1931. A Bluebird Records surgiu em 1932 como selo subsidiário da Victor. No início, seus discos tinham 20 cm e rótulo azul-escuro, ao lado dos discos Electradisk de 20 cm, vendidos pela F. W. Woolworth. Nenhum dos dois selos teve êxito. Em 1933, a RCA Victor relançou Bluebird e Electradisk no formato padrão de 25 cm. O rótulo da Bluebird foi redesenhado e ficou conhecido como "buff". Outro selo de baixo preço, Sunrise, também foi produzido, embora não se saiba para quem, e seus discos são muito raros. As mesmas combinações de músicas saíam nos três selos. A Bluebird permanece em atividade, nove décadas após o fim da Electradisk e da Sunrise.
Nesse período, a RCA Victor também produziu transcrições elétricas de música sob o selo RCA Thesaurus em seu estúdio RCA Recorded Program Services, em Nova Iorque. Essas gravações não eram vendidas ao público e destinavam-se apenas a transmissões das principais redes de rádio. Em 1936, o amplo acervo musical de gravações da RCA foi reunido à divisão de transcrições da NBC. Na década de 1950, o catálogo reunia música popular de intérpretes como Sammy Kaye, Freddie Martin, Lawrence Welk e John Serry Sr..
RCA Victor Custom Record Division
Além de fabricar os próprios discos, a Custom Record Division da RCA era uma das principais fabricantes de discos para gravadoras independentes. O grande complexo industrial da RCA Victor no Meio-Oeste, em Indianápolis, tinha uma fábrica de prensagem de discos no número 501 da North LaSalle Street. A divisão também prensou muitas coletâneas para a Reader's Digest Association.
EMI
A RCA vendeu sua participação na EMI em 1938, mas a EMI, mais tarde adquirida pela Universal Music Group, continuou distribuindo gravações da RCA Victor no Reino Unido e em seus territórios pelo selo His Master's Voice até 1957. A RCA também fabricou e distribuiu gravações da HMV na América do Norte com os selos RCA Victor e HMV customizado.
Segunda Guerra Mundial
Por causa das hostilidades entre o Japão e os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, os vínculos entre a RCA Victor e sua subsidiária japonesa, a Victor Company of Japan, foram rompidos. A gravadora da JVC é conhecida como Victor Entertainment e ainda usa no Japão a marca Nipper/His Master's Voice.
Entre 1942 e 1944, a RCA Victor foi duramente afetada pela proibição de gravações imposta pela American Federation of Musicians. Quase todos os músicos sindicalizados dos Estados Unidos e do Canadá ficaram impedidos de fazer gravações nesse período. Uma das poucas exceções foi o lançamento posterior de apresentações gravadas para transmissões de rádio da Orquestra Sinfônica NBC, regida por Arturo Toscanini. A RCA Victor, porém, perdeu a Orquestra de Filadélfia. O contrato da orquestra com a empresa venceu durante a greve e, quando a Columbia Records chegou a um acordo com o sindicato antes da RCA Victor, Eugene Ormandy e os músicos da Filadélfia assinaram um novo contrato com a Columbia e começaram a gravar em 1944. Ormandy e a Orquestra de Filadélfia só voltariam à RCA em 1968.
Pós-guerra na década de 1940
miniatura|direita|Rótulo padrão dos discos de 78 rpm da RCA Victor, usado desde pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial até 1954
Na primavera de 1946, "RCA Victor" substituiu "Victor" nos rótulos dos discos. Em 1949, a RCA Victor lançou o disco de vinilite com microssulcos de 18 cm e 45 rpm, promovido simplesmente como o "45". O novo formato vinha sendo desenvolvido havia mais de uma década e fora pensado inicialmente como substituto dos discos de 78 rpm. Quando a RCA Victor o apresentou, o 45 já concorria com os discos LP de vinil de microssulco, de 25 e 30 cm e 33 rpm, lançados pela rival Columbia Records no início do verão de 1948. Numa campanha intensa, a RCA Victor vendeu aparelhos compactos e baratos, independentes ou complementares, feitos exclusivamente para o formato de 45 rpm. No começo, os discos de 45 rpm da RCA Victor eram prensados em vinil colorido conforme o gênero musical. A música pop saía em vinil preto, na série 47-xxxx. Musicais da Broadway e operetas saíam em azul "meia-noite", na série 52-xxxx. A música clássica vinha em vermelho, na série 49-xxxx. Country e polca vinham em verde, na série 48-xxxx. Lançamentos infantis saíam em amarelo, também na série 47-xxxx. Rhythm and blues vinha em laranja ou cereja, na série 50-xxxx, e o repertório internacional em azul-claro, na série 51-xxxx. A quantidade de cores complicou a produção e a prática foi logo abandonada, com a adoção do preto em todos os discos. Os discos amarelos e os Red Seal vermelhos resistiram até cerca de 1952. O primeiro disco de 45 rpm fabricado foi "PeeWee the Piccolo", RCA Victor 47-0147, prensado em 7 de dezembro de 1948 na fábrica da Sherman Drive, em Indianápolis. O vinil custava muito mais do que a mistura áspera de goma-laca normalmente usada nos discos de 78 rpm, mas o diâmetro e o volume bem menores dos novos discos exigiam pouca matéria-prima, o que reduzia o custo. Os discos menores e mais leves também eram mais baratos de armazenar e transportar.
A RCA Victor promoveu o 45 como substituto direto dos discos de 78 rpm de 25 e 30 cm, que tocavam, em geral, cerca de três e quatro minutos por lado. A empresa também lançou alguns discos de 45 rpm em formato EP, com até sete minutos por lado, sobretudo para coletâneas vocais e seleções de música clássica leve. Um exemplo foi um disco de Arthur Fiedler e da Orquestra Sinfônica de Boston com Marche Slave, de Piotr Ilitch Tchaikovski, e In a Persian Market, de Albert Ketèlbey. A RCA Victor lançou caixas com quatro a seis discos de 45 rpm, cada uma com aproximadamente a mesma quantidade de música de um LP. Um caso extremo foi a gravação completa de 1951 da ópera Carmen, com Risë Stevens e Jan Peerce sob regência de Fritz Reiner, distribuída em dezesseis discos de 45 rpm. Em óperas, sinfonias e outras gravações completas de música clássica, havia uma interrupção a cada quatro minutos, quando um lado terminava e outro começava. Essas mudanças de lado, já familiares aos ouvintes de caixas de discos de 78 rpm de música clássica e ópera, foram reduzidas por um mecanismo automático de troca de discos muito rápido, peça central dos aparelhos de 45 rpm da RCA Victor. Em grande parte graças a uma campanha publicitária de US$ 5 milhões, o 45 tornou-se a rotação preferida para singles de música pop, superando em 1954 as vendas norte-americanas do mesmo repertório em 78 rpm. O LP da Columbia, porém, prevaleceu na música clássica e nas coleções em um único disco com oito ou mais canções pop. A RCA Victor acabou cedendo e anunciou, em janeiro de 1950, que passaria a lançar LPs.
RCA Victor Award of Merit
O RCA Victor Award of Merit era a maior distinção da empresa para seus funcionários. O prêmio foi concedido de 1945 a pelo menos 1957. Os ganhadores passavam a integrar a RCA Victor Award of Merit Society, que realizava jantares em sua homenagem. No máximo 15 funcionários recebiam o prêmio por ano, quantidade atingida anualmente entre 1946 e 1952. Um funcionário de sobrenome Watters, que era assistente do diretor de pessoal em Camden, recebeu o prêmio em 1946. Em 1952, Paul Barkmeier e David Finn foram premiados. Até 1953, cerca de cem funcionários haviam recebido a distinção. Naquele ano, Shirley Neuman tornou-se a terceira mulher premiada e M. John Heffernan, engenheiro de campo, também recebeu o prêmio.
Década de 1950
miniatura|Lata metálica de agulhas de fonógrafo da marca Victor, com "Nipper", por volta de 1915
Entre os primeiros LPs da RCA Victor lançados em 1950 estava Gaîté Parisienne, de Jacques Offenbach, interpretado por Arthur Fiedler e pela Orquestra Sinfônica de Boston. A gravação havia sido feita em 20 de junho de 1947 no Symphony Hall, em Boston, e recebeu o número de catálogo LM-1001. Os álbuns não clássicos em LP usavam o prefixo "LPM". Quando a RCA Victor começou a lançar LPs clássicos em som estereofônico, em 1958, passou a usar o prefixo "LSC". Os LPs estéreo não clássicos saíam com "LSP". A RCA manteve esses prefixos até 1973, quando eles foram substituídos por "ARL1" e "APL1" para LPs individuais de música clássica estéreo e não clássica estéreo, respectivamente.
Na década de 1950, a RCA Victor tinha três selos subsidiários ou especializados: Groove, Vik e "X".
A edição da revista Billboard de 11 de abril de 1953 anunciou um novo selo subsidiário da RCA Victor, o primeiro a usar distribuição independente. Ele ainda não tinha nome quando foi apresentado. Na falta de outra designação, a Billboard chamou o novo selo de Label "X". A empresa começou a contratar funcionários e a definir uma direção, e o nome permaneceu até 1955. A RCA Victor anunciou oficialmente a criação da Label "X" em 20 de abril de 1953. A Groove, voltada ao R&B, foi fundada em 1954 e incorporada à Vik em 1957. O selo Vik foi encerrado no ano seguinte.