Maud de Gales (nome pessoal em Inglês: Maud Charlotte Mary Victoria; Londres, – Londres, ) foi a esposa do Rei Haakon VII e Rainha Consorte da Noruega, desde a eleição de seu marido ao trono, em 18 de novembro de 1905 até a data de sua morte. Nascida princesa britânica, era a filha mais nova do rei Eduardo VII do Reino Unido e de Alexandra da Dinamarca.
Após a dissolução da União com a Suécia, em novembro de 1905, o seu marido foi eleito Rei da Noruega como Haakon VII, e Maud tornou-se a primeira Rainha Consorte de uma Noruega independente em mais de cinco séculos. Ao assumir seu novo papel, ela combinou sua formação britânica com as responsabilidades norueguesas, mantendo fortes vínculos com a Inglaterra natal e, ao mesmo tempo, integrando-se à vida nacional norueguesa.
Apesar de sua postura reservada em público, Maud desempenhou um papel constante e estabilizador no início da monarquia norueguesa do século XX. Era amplamente admirada por sua dignidade, por seu bom gosto e pela predileção por moda, atividades ao ar livre e esportes.
Primeiros anos Nascimento Maud Carlota Maria Vitória nasceu em 26 de novembro de 1869, na Casa Marlborough, residência londrina de seus pais. Era a quinta filha, terceira e última menina do então Príncipe de Gales, o futuro rei Eduardo VII do Reino Unido, e de Alexandra da Dinamarca. Pelo lado paterno, era neta da Rainha Vitória e, pelo lado materno, do rei Cristiano IX da Dinamarca. Maud mantinha estreitos laços de parentesco com numerosas casas reais europeias. Sua avó paterna era conhecida como a "avó da Europa", enquanto seu avô materno era chamado de "o sogro da Europa", contando entre seus tios a imperatriz Vitória da Alemanha (consorte de Frederico III), o rei Jorge I da Grécia e a imperatriz Maria da Rússia (consorte de Alexandre III). Desde o nascimento, como neta da monarca britânica, ostentava o tratamento de "Sua Alteza Real" e o título de "Princesa Maud de Gales".
Ela foi batizada em 24 de dezembro de 1869, em Marlborough, pelo Bispo de Londres. Seus padrinhos foram o rei Carlos XV da Suécia (representado pelo Barão Hochschild); o Duque de Albany (tio paterno de Maud, representado pelo Duque de Cambridge); o conde Frederico Guilherme de Hesse-Cassel (representado pelo Duque de Teck); o príncipe Vítor de Hohenlohe-Langenburg; a Duquesa de Nassau (representada pela Duquesa de Teck); a princesa Maria de Baden (representada pela princesa Claudina de Teck); a Czarevna da Rússia (tia materna de Maud, representada pela esposa do embaixador russo na Grã-Bretanha, Barão Philipp von Brunnow); a princesa herdeira Luísa da Dinamarca (também tia materna, representada por Madame de Bülow, esposa do ministro dinamarquês); e a Duquesa de Inverness.Batizados da Família Real - Pricesa Maud da Grã-Bretanha 1869. Arquivado do original em 27 de agosto de 2011. Consultado em 21 de dezembro de 2024.
Infância miniatura|esquerda|220px|Maud, durante a infância, com sua mãe, em 1872. Desde a infância, Maud era uma menina muito animada, sendo carinhosamente chamada de "Harry" em seu círculo íntimo. Foi criada com relativa liberdade e apreciava atividades como velejar, pescar e andar de bicicleta, o que não agradava à sua avó, a Rainha Vitória.. Em certa ocasião, ao ser repreendida pela rainha por andar de bicicleta, Maud declarou: "Mas, vovó, todo mundo sabe que eu tenho pernas!"
O trio de irmãs Maud, Luísa e Vitória era conhecido na corte como "Suas Timidezes Reais", em razão de sua evidente timidez, e também alvo de zombarias, sendo chamado de "As Bruxas" em virtude de uma aparência considerada pouco agraciada. A Rainha Vitória declarou certa vez que os filhos de Alexandra eram mimados e mal-educados, vendo pouca utilidade neles. Alexandra, contudo, acreditava que esse comportamento se devia apenas à juventude, considerando-os "selvagens", assim como ela própria fora em sua infância.
miniatura|260px|Maud (ao centro) com as irmãs, Vitória e Luísa, em 1883. Maud acompanhava a mãe e as irmãs em viagens pelo Mediterrâneo e, todos os verões, participava de uma tradicional reunião familiar na Dinamarca, terra natal de sua mãe, realizada no Palácio de Fredensborg, que à época reunia parentes de toda a Europa, incluindo os primos gregos e russos.
Em 1885, Maud, acompanhada de suas irmãs, desempenhou o papel de dama de honra no casamento de sua tia, a Princesa Beatriz, com o príncipe Henrique de Battenberg.. Em 1893, também atuou como dama de honra no enlace de seu irmão, o Duque de Iorque, com a princesa Vitória Maria de Teck..
Casamento Pretendentes miniatura|esquerda|220px|Maud em 1893. Maud casou-se relativamente tarde para os padrões da época, aguardando até o final dos seus vinte anos para encontrar um marido. Inicialmente, pretendia unir-se ao primo distante, príncipe Francisco de Teck, irmão mais novo de sua cunhada Maria. No entanto, apesar de suas dificuldades financeiras e do possível benefício de associar-se ao prestígio de Maud, ele rejeitou suas investidas.
Em 1888, o príncipe Frederico Leopoldo da Prússia cortejou Maud, mas a possibilidade de união foi rejeitada pela Princesa de Gales, conhecida por seu antigermanismo. Após o noivado de Maud com o príncipe Carlos da Dinamarca, seus pais julgaram necessário pedir desculpas à mãe de Frederico, que ainda esperava esse casamento. Em 1889, iniciaram-se negociações para um possível matrimônio entre Maud e o príncipe herdeiro Vítor Emanuel da Itália. Para tornar-se rainha, ela teria de renunciar ao protestantismo e converter-se ao catolicismo. A Itália exigia que a conversão ocorresse antes do casamento, enquanto a corte britânica defendia que fosse posterior. Embora o Papa Leão XIII aceitasse a conversão após o matrimônio, a rainha Margarida da Itália manteve sua exigência, levando ao abandono do projeto matrimonial.
Circulavam também rumores de que Maud ou a sua irmã Vitória estariam a ser consideradas como possíveis esposas do príncipe Cristiano da Dinamarca. Contudo, nenhum compromisso se concretizou.
Noivado e casamento miniatura|220px|Fotografia oficial do noivado de Maud e Carlos, em 1896. Em 1895, o príncipe Carlos da Dinamarca iniciou o cortejo à princesa Maud. Carlos era o segundo filho do príncipe herdeiro Frederico da Dinamarca, irmão mais velho da Princesa de Gales. Eles se conheciam desde a infância, pois, nas frequentes visitas de Alexandra à corte de seu pai na Dinamarca, os primos Maud e Cristiano brincavam juntos. Carlos, então com vinte e dois anos, era alto, loiro, esbelto, bem-humorado e sensato. A Duquesa de Teck o considerava muito atraente, observando que "ele parece encantador, mas aparenta ser três anos mais jovem que Maud e não tem dinheiro".
Durante um desses encontros familiares, no Palácio de Fredensborg, o príncipe Carlos pediu Maud em casamento, e ela aceitou. O casal ficou oficialmente noivo em outubro de 1895, para grande alegria da rainha Vitória.
miniatura|esquerda|265px|Maud a receber a bênção da avó, a Rainha Vitória, durante o seu casamento. Em 22 de julho de 1896, Maud casou-se com o príncipe Carlos da Dinamarca, na capela privada do Palácio de Buckingham. Maud recebeu o tratamento de Sua Alteza Real e o título de "Princesa Carlos da Dinamarca".
miniatura|260px|Casa Appleton, residência de Maud e Carlos na Inglaterra. Fotografia de 1929. Após o casamento, a princesa Maud da Dinamarca mostrou-se relutante em deixar a Inglaterra, à qual era profundamente apegada. Em razão disso, tornou-se impopular na Dinamarca, país no qual jamais residiu por longos períodos. O pai da noiva, o Príncipe de Gales, concedeu-lhes a Casa Appleton, na propriedade de Sandringham, como residência campestre para suas frequentes visitas ao seu país natal. Foi ali que nasceu o único filho do casal, Alexandre, o futuro rei Olavo V da Noruega, em 2 de julho de 1903.
Princesa Carlos da Dinamarca Durante sua estadia na Dinamarca, Maud manifestava intensa saudade de casa e mantinha preferência pelos costumes ingleses, sendo sua conversa, seus interesses e seus passatempos típicos da sociedade campestre da Inglaterra. Nos primeiros anos de casamento, Maud queixava-se de resfriados constantes, dores reumáticas, problemas respiratórios e auditivos, bem como de nevralgia. Posteriormente, constatou-se que sofria de porfiria variegata. Não se mostrava mais feliz do que quando cuidava do jardim, cavalgava, pedalava ou conduzia uma charrete. Embora sua residência em Copenhague, uma suíte de doze quartos na Mansão Bernstorff, junto ao Palácio de Amalienborg, fosse mobiliada "para refletir o gosto inglês", ela permanecia insatisfeita. Ainda assim, dividia seu tempo entre essa mansão e Casa Appleton, sua estimada casa de campo na Inglaterra. As responsabilidades do casamento e da maternidade pouco alteraram sua aparência, personalidade ou estilo de vida. Com penteado elaborado, golas altas e figura pequena e de cintura fina, Maud continuava a remeter à imagem de sua mãe.
Rainha Antecedentes No final do século XIX, a Suécia passou a perder gradualmente o controle sobre a Noruega. Em fevereiro de 1905, as tensões entre ambos atingiram o seu ápice, levando à substituição do governo moderado de Francis Hagerup pelo gabinete reformista de Christian Michelsen, que proclamou a retirada da Noruega da união com a Suécia. A Suécia considerou a ruptura ilegal, enquanto a Noruega respondeu com mobilização. Para evitar um conflito, o governo sueco exigiu a realização de um plebiscito, ocorrido em 13 de agosto de 1905, no qual 368.892 eleitores votaram pela dissolução da união, contra apenas 184 favoráveis à sua manutenção. Em 23 de setembro de 1905, a Suécia concordou com a dissolução pacífica da união.Este dia na história - 20 de dezembro. (em russo). Recuperado em 21 de novembro de 2017. Arquivado em 1 de novembro de 2017.
Após a ruptura, as correntes liberais radicais ganharam força, defendendo a instauração de uma república. Fridtjof Nansen, contudo, considerava que essa agitação enfraquecia a autoridade internacional da Noruega e passou a defender a rápida escolha de um monarca. Em julho de 1905, Michelsen enviou Nansen a Copenhague para oferecer o trono norueguês ao príncipe Carlos da Dinamarca.Leiren, Terje. Um Século de Independência da Noruega // The Scandinavian Review. —Pág . 7. Arquivado do original em 28 de dezembro de 2013. Cópia arquivada . Recuperado em 21 de novembro de 2017. Arquivado do original em 28 de dezembro de 2013. O príncipe condicionou a aceitação à realização de um novo plebiscito, a fim de evitar a imposição da monarquia sem o consentimento popular. O referendo, organizado com a participação ativa de Nansen, realizou-se nos dias 12 e 13 de novembro de 1905, resultando em 259.563 votos a favor da monarquia e 69.254 em favor da república.Nansen, Heyer. a. (1973). Book the father. Gidrometeoizdat (em russo). Em 18 de novembro, o Parlamento norueguês aprovou os resultados do plebiscito e elegeu o Príncipe Carlos como o novo rei da Noruega e seu filho Alexandre, de dois anos, como Príncipe Herdeiro.
A nova família real deixou a Dinamarca a bordo do iate real dinamarquês Dannebrog e, após três dias de viagem, chegou a Christiania (antigo nome da capital Oslo) na madrugada de 25 de novembro, sendo recebida pelo primeiro-ministro Michelsen, por Nansen e por sua esposa. Carlos ascendeu ao trono com o nome de Haakon VII. Maud tornou-se rainha consorte, e o filho do casal foi confirmado como herdeiro aparente ao trono norueguês. A família estabeleceu-se definitivamente no país. A coroação do novo rei e da nova rainha realizou-se na Catedral de Nidaros, em 22 de junho de 1906, constituindo a última coroação de um monarca escandinavo. Desde então, os soberanos da região passaram a ser investidos no cargo por meio de cerimônias de investidura.
Reinado miniatura|esquerda|220px|Rainha Maud esquiando, em 1910.