A Copa Rio de 1952, ou simplesmente Copa Rio (nome oficial escrito no troféu da edição de 1952), foi a segunda edição da competição internacional, disputada por oito equipes de sete países da América do Sul e da Europa, entre 13 de julho e 2 de agosto de 1952 no Rio de Janeiro e em São Paulo, nos estádios do Maracanã e do Pacaembu, respectivamente. O Fluminense sagrou-se campeão de forma invicta.

Introdução A segunda edição da Copa Rio foi organizada pela CBD, com caráter oficial por essa entidade, e pelo Fluminense, contando com o acompanhamento da FIFA por meio de seu secretário Ottorino Barassi, conforme consta em seu estatuto. A competição foi patrocinada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, que, assim como no ano anterior, doou o troféu aos campeões.Jornal dos Sports de 11 de julho de 1952 (ed. eletrônica 07015), capa

Inicialmente planejada para ser disputada em 1953, conforme estipulado quando a competição foi criada em 1951, como uma competição bianual, a Copa Rio foi antecipada para 1952. Essa mudança ocorreu a pedido do Fluminense, que desejava organizar o evento como parte das comemorações pelo seu cinquentenário. O clube assumiu a organização do torneio com a autorização e apoio da CBD, além do respaldo financeiro da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Em agosto de 2014, o então presidente da FIFA, Joseph Blatter, afirmou que a entidade reconheceria a competição de 1951, vencida pelo Palmeiras, como um mundial de clubes. O dirigente máximo da entidade destacou que a Copa Rio não seria equiparada aos Mundiais da FIFA, mas receberia um certificado que chancela sua importância. Na mesma declaração, Blatter disse que reconheceria outros campeões mundiais, o que poderia incluir a Copa Rio de 1952.Jornal O Estado de S. Paulo, de 09/06/1951, página 07. Entretanto, apesar das reivindicações do Fluminense, até o presente momento a FIFA não oficializou o reconhecimento da edição de 1952 como equivalente a um mundial de clubes.

Até 27 de janeiro de 2017, a maioria das menções da FIFA como primeiro torneio de clubes de dimensão mundial faziam referência apenas à Copa Rio de 1951, em geral, consultas formais do Palmeiras e do jornal O Estado de S. Paulo sobre o título palmeirense; porém, naquela data uma comunicação da FIFA, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, incluiu a Copa Rio de 1952, em uma informação exemplificada (utilizando o termo such as, ou seja, tais como, ao se referir às competições), sem nenhuma aprovação do Comitê e Conselho da entidade, ou quaisquer informações nos seus canais oficiais em relação à conquista do clube carioca.Jornal Estado de S. Paulo - Ao Estado, Fifa confirma Mundial de 1951 para o Palmeiras, página editada em 18 de dezembro de 2015.Jornal Folha de S. Paulo - Blatter diz que Fifa vai reconhecer Palmeiras como campeão mundial, página editada em 9 de agosto de 2013 e disponível em 29 de janeiro de 2017.Site OBSERVATÓRIO DO FLUMINENSE (citando correspondências da FIFA em 2016) - Dossiê Mundial 52 (Redação) ao reconhecimento da Copa Rio, página editada em 2 de setembro de 2016 e disponível em 29 de janeiro de 2017.Jornal O Estado de São Paulo, "Para Fifa, só Mundiais de Clubes a partir de 2000 são títulos oficiais", 27/01/2017.

A Copa Rio de 1952 também foi apontada como tendo marcada uma evolução tática no futebol brasileiro, o sistema de jogo 4-3-3.Jornal dos Sports de 5 de agosto de 1952, página 5, coluna de Albert Laurence. Edição 7036. Em 5 de maio de 2020, após alguns dias de votação no site Globoesporte.com, os torcedores do Fluminense escolheram a vitória por 3 a 0 sobre o , válida por essa competição, como a partida mais importante de sua História. Os gols da partida que marcou a vitoriosa campanha invicta tricolor foram marcados por Marinho, duas vezes, e Orlando, perante mais de 63.000 torcedores. O Peñarol era base da Seleção Uruguaia campeã mundial dois anos antes no Maracanã contra a Seleção Brasileira. Em 9 de maio de 2020, com 24,14% dos votos, Fluminense 3 a 0 Peñarol foi escolhida a segunda maior partida da história dos clubes brasileiros.

Pronunciamento da FIFA sobre a Copa Rio de 1952:

Sobre o fim da Copa Rio:

Nomenclaturas A Copa Rio de 1952 tinha este nome por ser patrocinada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, que assim como no ano anterior, doou o troféu aos campeões. O fato é que o torneio de 1952 foi uma continuação do torneio de 1951, conforme os promotores de ambas as edições.Jornal Última Hora, 04 de agosto de 1952, página 2, catalogado no acervo on-line da Biblioteca Nacional como edição 351 do Última Hora.

A edição de 1952 também chegou a receber menção como troféu mundial pela imprensa da época, contudo bem menos que a edição de 1951. Em 1951, os jornais brasileiros, de forma generalizada, trataram a competição como mundial de clubes (ao menos 15 jornais da época já pesquisados),Ao menos 15 jornais, constantes no verbete Copa Rio de 1951. com o jornal Mundo Esportivo tendo afirmado em 1956 que apenas a edição de 1951 teria tido cunho de Torneio dos Campeões/Mundial de Clubes, e com Mário Filho, do Jornal dos Sports, tendo lamentado em sua edição 7050 de 21/08/1952 que o Fluminense não tivesse se auto-declarado como campeão mundial em 1952 tal como o Palmeiras fizera em 1951;Jornal Mundo Esportivo (Brasil), 9 de março de 1956, página 15, dizendo que apenas a edição de 1951 da Copa Rio teve cunho de Torneio de Campeões, e que o Palmeiras se considerou campeão mundial ao vencer o Torneio. Acesso através do acervo on-line da Biblioteca Nacional, edição catalogada neste acervo como edição 745 do Mundo Esportivo.Ver links para os jornais da época no artigo sobre a Copa Rio de 1951. já em 1952, pelo menos três jornais a trataram como Mundial, assim como o Canal 100, histórico cine-jornal brasileiro, raro documento de imprensa não escrita da época atualmente preservado; o jornal Última Hora a tratou assim,jornal Última Hora, 4 de agosto de 1952, página 2, catalogado no acervo on-line da Biblioteca Nacional como edição 351 do Última Hora. o jornal Diário de Minas de Belo Horizonte (que estampou como manchete principal "Fluminense campeão do mundo")Exemplar disponível no FLUMEMÓRIA e citado no livro 1952 - Fluminense campeão do mundo, página 112 e o Jornal dos Sports.Jornal dos Sports (edição eletrônica 7086), de 2 de outubro de 1952, página 5. O Jornal dos Sports fazia citações do tipo "...o mais importante torneio de clubes campeões que se tem realizado no mundo"Jornal dos Sports de 5 de agosto de 1952, página 5, crônica de Vargas Netto ou "Rio capital mundial do football",Jornal dos Sports de 5 de julho de 1952, página 4. Edição 7036. rebateu a opinião de alguns que a segunda Copa Rio teria tido nível técnico menor do que a primeira, opinião que foi dada por exemplo pelo jornal O Estado de São PauloJornal O Estado de São Paulo, 25 de junho de 1952, ressaltando que a edição de 1952 não possuía representantes de países importantes no futebol como Inglaterra, Espanha, Argentina e Itália (crítica que o jornal já havia feito à edição de 1951, que incluiu o clube italiano Juventus mas não clubes dos demais países citados), e que o uruguaio Peñarol era o único estrangeiro forte na edição de 1952. (em virtude das sucessivas recusas de alguns clubes convidados, como Millonários, Racing, Juventus, Barcelona, chegou-se a fazer pilhéria da organização da competição),Jornal dos Sports de 5 de agosto de 1952, página 5, coluna de Mario Julio Rodrigues. Edição 7036. além de afirmar que a vitória do Fluminense marcou uma curva decisiva na evolução tática do futebol brasileiro.

Em junho de 1951, a CBD declarou que as edições seguintes do torneio (depois da edição de 1951) não seriam chamadas oficialmente de Torneio de Campeões, mas só de Copa Rio. Possivelmente por isso, a conquista do Fluminense em 1952 foi tratada apenas como Copa Rio pela imprensa, exceto pelos jornais citados, que a trataram como título Mundial e dos Campeões, assim como o Canal 100.

História thumb|direita|Homenagem do ao . thumb|Objetos históricos relacionados à conquista da Copa Rio de 1952. thumb|direita|Taça Ramos Pinto, uma das quatro taças em disputa.

O jornal catalão Mundo Deportivo cobriu os preparativos para a organização da edição de 1952 da Copa Rio.http://hemeroteca.mundodeportivo.com/search.html?q=Copa+Rio++Fluminense&bd=01&bm=01&by=1952&ed=13&em=07&ey=1952&keywords=&__checkbox_home=true&edition=&exclude=&excludeAds=true&sortBy=date&order=asc&x=49&y=18 A reportagem de 18 de fevereiro de 1952, intitulada "Brasil prepara la Copa Río", confirma a participação da CBD na organização do torneio, embora sem responsabilidade econômica como na edição anterior, e o recebimento pela entidade de 10% da renda dos jogos. A mesma reportagem indica a intenção inicial dos organizadores de contar com a participação dos campeões de Áustria (Austria Viena), Itália (Juventus), Uruguai (Peñarol), Argentina (Racing), Portugal (Sporting), Espanha (Barcelona, Real Madrid ou Atlético de Bilbao)Com preferência ao Barcelona, por ser o então bicampeão espanhol. e um campeão britânico, de Inglaterra ou Escócia (o inglês Newcastle ou o escocês Hibernian). O Dínamo Zagreb, campeão iugoslavo, solicitou a sua inscrição.

A edição da Copa Rio de 1951http://hemeroteca.mundodeportivo.com/preview/1952/02/18/pagina-2/635352/pdf.html?search=Copa%20Rio%20%20Fluminense confirmou a participação do secretário da FIFA Ottorino Barassihttp://hemeroteca.mundodeportivo.com/preview/1950/12/31/pagina-1/661301/pdf.html?search=barassihttp://hemeroteca.mundodeportivo.com/preview/1951/03/29/pagina-3/625312/pdf.html?search=barassi na organização do evento. Em 1952, o Real Madrid supostamente queria participar da competição, o campeão alemão disputaria o torneio em caso da suposta ausência do clube espanhol. Por não haver um suposto acordo financeiro, o clube madrilenho teria supostamente optado por não disputar o certame e participar da Pequena Taça do Mundo, competição amistosa realizada na Venezuela organizada por empresários (sob os auspícios da Federación Venezolana de Fútbol), em datas próximas às da Copa Rio de 1952.A edição de 2 de junho de 1952 do jornal catalão não confirmou as informações sobre o Real Madrid A cobertura do jornal O Estado de S. Paulo à organização: a edição de 5 de abril de 1952 do jornal O Estado de S. Paulo confirma o convite feito pelo Fluminense a que Ottorino Barassi participasse na organização da Copa Rio de 1952 e o convite à participação dos seguintes clubes: Barcelona (Espanha), Austria Viena (Áustria), Racing (Argentina), Peñarol (Uruguai), e o campeão de Portugal, além de estipular que a vaga restante seria disputada em jogos eliminatórios entre clubes de Escócia, Iugoslávia e Alemanha.

A matéria de 11 de abril de 1952 mostra a intenção da CBD e do Fluminense de contarem com os campeões de Escócia/Alemanha/Áustria (com o campeão de um dos três), Espanha (Barcelona), Inglaterra, Itália (Juventus), Portugal (Sporting), Argentina (Racing) e Uruguai (Peñarol), também ressaltando força das equipes convidadas, comentando que o "mais fraco" seria o Sporting CP, mas que o convite ao mesmo seria uma questão de "sangue luso-brasileiro".

A edição de 30 de abril de 1952 deste jornal indica que naquele momento haviam confirmado participação as seguintes equipes estrangeiras: Austria Viena (Áustria), Hibernian (Escócia), Racing (Argentina), Sporting (Portugal), além de estar confirmado um clube uruguaio (Nacional ou Peñarol), sendo que a vaga restante seria de um clube de Espanha ou Itália.