Torneio Octogonal Rivadávia Corrêa Meyer (nome dado em homenagem ao então presidente da CBD) foi um torneio internacional de futebol de natureza intercontinental, disputado entre 7 de junho e 4 de julho de 1953, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Sucedeu a Copa Rio, com novo nome, formato, regulamento e história próprias, com outros patrocinadores - mas com o mesmo organizador, a CBD, e com autorização da FIFA. Teve o Vasco da Gama como campeão, invicto.FIFA Ottorino Barassi no recrutamento do campeão italiano no Torneio Octogonal Rivadavia Correa Meyer de 1953. Infelizmente, como já havia ocorrido na Copa Rio 1952, em 1953 Ottorino Barassi também não indicou a presença de um clube italiano na competição organizada pela CBD.
É por vezes apontada como sucessora da Copa Rio Internacional, tendo sido tratada por alguns jornais da Europa como "continuação da Copa Rio de 1952".Jornal Última Hora, edição 614, de 15 de junho de 1953Jornal espanhol El Mundo Deportivo, 29/04/1953, pag.03. O jornal se refere ao Torneio Octogonal Rivadavia Correa Meyer como "o torneio de futebol do Rio" ("el torneo de fútbol de Río"). A mesma edição do jornal comenta que o adianto da Copa Latina de 1953 em uma semana (para os dias 04 e 07 de junho) possibilitaria ao Reims francês e ao Sporting de Lisboa participar da "Copa de Rio"- tratando o Torneio Octogonal Rivadavia Correa Meyer assim e antes era "o torneio de futebol do Rio".Jornal do Brasil, O Torneio Octogonal - 07/05/1953, página 3 do 2º caderno. Noticiou que o Reims (então campeão francês) foi questionado sobre o Torneio Octogonal e tinha dito "que irá ao Brasil participar do torneio em disputa da Taça Rivadavia Corrêa Meyer (Copa Rio), confirmando sua participação e escrevendo o jornal carioca (Copa Rio) logo após a menção da Taça RivadaviaJornal Diário Carioca, edição 7609, de 27/05/1953, página 9, reproduzindo texto de notícia da agência de notícias francesa AFP (Agence France Press), que comenta a possibilidade da participação do clube alemão Rot Weiss Essen no Torneio Rivadavia e chama o torneio de "Copa Rio de janeiro" e de "torneio Rio de Janeiro". A imprensa brasileira da época, por sua vez, destacou que a competição era almejada pelos quatro grandes cariocas, com Botafogo e Vasco havendo se classificado ao certame via suas colocações no Torneio Rio-São Paulo, e Fluminense e Flamengo solicitado à Federação Metropolitana de Futebol (do Rio de Janeiro) a vaga do Nacional quando este foi proibido de participar do certame pela AUF, forçada a tal decisão pelos clubes de "menor expressão" do Uruguai, com a vaga sendo dada ao Fluminense, dada sua posição no Torneio Rio-São Paulo. O jornalista Olimpicus do Brasil em setembro de 1953, observou que os espanhóis se recusaram a prestigiar os torneios internacionais no Brasil, as "duas Taças Rio e a Taça Rivadávia".
O artilheiro da competição foi Pinga, do Vasco da Gama, com 6 gols.
História Extinção da Copa Rio O Anuário do Esporte teria publicado, em 1953, sobre a criação do Torneio Octogonal Rivadávia Corrêa Meyer: Um detalhe que acabou marcando, de forma mais expressiva a II Copa Rio, é que ela foi a segunda e última. Em verdade, não se sabe bem porquê, cinco clubes do Rio e de S. Paulo reuniram-se e resolveram forçar a C.B.D. a extinguir a Copa Rio. Deixaram a entidade máxima com um torneio internacional na mesma época, mas com outro nome e outro regulamento. Inclusive aumentando o número de concorrentes brasileiros, que agora serão quatro: dois do Rio e dois de S. Paulo. E essa fórmula nova deverá começar a vigorar agora, neste ano de 1953.Revista Anuário do Esporte Ilustrado de 1953
No dia 11 de setembro de 1952, a CBD informou que a Copa Rio não seria disputada em 1953, devido à antecipação da segunda edição da mesma de 1953 para 1952.Jornal O Estado de S. Paulo, 12/09/1952 , página 12 Com isso, o Conselho Técnico da CBD sugeriu que ela fosse disputada de 4 em 4 anos (e não mais de 2 em 2 anosJornal O Estado de S. Paulo, 17/09/1952, pág.13), ficando o certame entrosado à Copa do Mundo, às Olimpíadas e à vindoura Taça Brasil.Jornal O Estado de S. Paulo, 12/09/1952, pág.12 Já no dia 25 de setembro de 1952, a CBD divulgou um esboço de calendário para as temporadas de 1953, 1954 e 1955 marcando a "Taça Rio" (Copa Rio) para junho e julho de 1953, o mesmo período em que ocorreu o Torneio Octogonal Rivadávia Corrêa Meyer,Jornal O Estado de S. Paulo, 26/09/1952, pág.12 substituindo a Copa Rio, segundo a edição de 23 de outubro de 1952 do mesmo jornal.Jornal O Estado de S. Paulo, página 11, 23/10/1952
O Jornal dos Sports de 05/10/1952 (edição 7089) relata a reunião da CBD que determinou substituição da Copa Rio pelo Torneio Octogonal, comprovando que o planejamento era incluir quatro clubes brasileiros (dois de RJ e dois de SP) e quatro clubes estrangeiros, sendo que os clubes brasileiros seriam classificados de acordo com sua posição no Torneio Rio-São Paulo (os dois clubes cariocas e os dois clubes paulistas mais bem classificados no Torneio Rio-São Paulo) e os estrangeiros seriam clubes (preferencialmente clubes campeões) de Inglaterra, Escócia, Portugal, Espanha, Itália, Iugoslávia, Hungria, Argentina e Uruguai (ou seja, os mesmos países dos clubes que foram os principais convidados à Copa Rio em 1951 e 1952 mais a Hungria). O jornal atesta que houve um debate para tentar manter o nome anterior de Copa Rio "pelo fato de possuir um nome internacional" (nomenclatura oficial da Copa Rio de 1952), mas houve a mudança. Foi uma reunião com a participação do presidente da CBD, Rivadávia Corrêa Meyer, do presidente do Conselho Técnico de Futebol da entidade, Castelo Branco, do presidente da Federação Paulista de Futebol, Roberto Gomes Pedrosa, e de um representante dos clubes da Federação Metropolitana de Futebol (nome à época da Federação de Futebol do Rio de Janeiro).
O Jornal dos Sports de 02/10/1952 (edição 7086) traz um artigo de Mário Filho (jornalista que em 1950 idealizou a Copa Rio) em que o mesmo atribuiu a proposta de mudança no número de participantes estrangeiros/brasileiros (de 6/2 nas Copas Rio para 4/4 no Torneio Rivadávia) a uma solicitação dos próprios clubes brasileiros, sob o argumento dos clubes brasileiros de que o modelo de 1951/1952 (Copa Rio) "favorece um clube paulista e um clube carioca em detrimento dos demais". Mário Filho, neste artigo, diz que discorda da mudança, insinuando que os clubes não-incluídos iam da mesma forma continuar dizendo-se prejudicados: "Vamos admitir que no torneio internacional projetado pelos clubes se dobre o número de clubes brasileiros: dois do RJ e dois de SP. E os outros?" Neste mesmo artigo, Mário Filho diz que já achava errado que na Copa Rio (1951/1952) o Brasil contasse com 2 representantes (os campeões de RJ e SP) enquanto todos os demais países podiam contar com apenas 1 representante, que isso era um benefício indevido ao Brasil, e que seria ainda mais agravado se dobrasse o número de participantes brasileiros.Jornal dos Sports, 02/10/1952 (edição 7086), página 5. Porém, o mesmo jornal publicou que, se por um lado discordava da mudança no número de participantes brasileiros de 2 para 4, mas que o "essencial era a ideia, que resistiu como necessidade imperiosa", e que modificou o título de roupa nova em um corpo totalmente diferente continuando o torneio internacional, para honra e proveito do futebol brasileiro.Jornal dos Sports, página 11, edição 7095, de 12 de outubro de 1952.
Em entrevista ao jornal Última Hora de 09/01/1953, o presidente do Conselho Técnico de Futebol da CBD, Sr. Castello Branco, confirmou que foi a pedido dos clubes brasileiros que o número de participantes brasileiros aumentou de 2 para 4. Disse também que o objetivo era contar com os clubes campeões de Escócia, Inglaterra, Itália, Espanha, Portugal (ou seja, como nos torneios anteriores, o foco principal seria contar com equipes campeãs). Afirmou também que o modelo da competição não seria muito diferente ao da Copa Rio, com 2 grupos de 4 equipes.Jornal Última Hora, 09/01/1953,páginas 7 e 8.
A mudança no número de participantes brasileiros, de 2 para 4, foi uma proposta originalmente do jornal O Estado de São Paulo: em 27/06/1952 o citado jornal criticou a Copa Rio de 1952, comentando que a competição não havia tido sua situação resolvida faltando menos de 15 dias para o seu início, e que, com tantas recusas de convidados europeus, afigurava-se um torneio desinteressante, e sugeriu que organizar uma competição com mais clubes brasileiros (4) e menos estrangeiros seria melhor do que insistir numa Copa Rio com clubes europeus desinteressantes.Jornal O Estado de S. Paulo, 27/06/1952, página 13.
Proibição ao Nacional pela AUF e sua substituição pelo Fluminense
Publicou o Jornal do Brasil de 10/06/1953 sobre a proibição da Associação Uruguaia de Futebol a que o Club Nacional de Football participasse do Torneio Octogonal Rivadávia Corrêa Meyer:
A comissão diretora do Nacional de Montevidéu se reuniu, em 09 de junho de 1953, e considerou a situação que surgiu com a decisão da Junta dirigente da AUF (Associação Uruguaia de Futebol) de proibir o Clube de participar da "Copa Rivadávia", bem como conferenciou, telefonicamente, com os dirigentes da Confederação Brasileira de Desportos sobre o problema.Considerou-se impossível a participação do Nacional, em vista da categórica recusa da Junta por 10 votos, 7 contra a participação do Nacional e 3 a favor (Nacional, Peñarol e Wanderers), já que a participação não autorizada significaria violação dos regulamentos internacionais de futebol.
A sessão da Junta finalizou às primeiras horas daquele dia, fundamentando seu voto contrário, de 10 clubes da primeira divisão, e pronunciando-se a favor da participação apenas o próprio Nacional, o Peñarol e o Wanderers. O presidente do Nacional, Brum Carbajal, ainda tentou solicitar a autorização, como uma homenagem à C.B.D. O resultado da votação fez desaparecer as possibilidades de qualquer outra consideração do assunto, por parte da Junta.Jornal do Brasil, 10/06/1953
Dois dias depois, em 12/06/1953, publicou o Jornal do Brasil as seguintes informações, deixando claro que Club Nacional de Football desejava participar da competição mas que não pôde fazê-lo porque teve contra si, no âmbito da Associação Uruguaia de Futebol, os 7 clubes "pequenos" do Uruguai (os grandes sendo o Peñarol, o Wanderers e o próprio Nacional):A CBD forneceu a imprensa e ao rádio no dia 11 de junho de 1953 uma longa e minuciosa "nota oficial" esclarecendo os entendimentos ocorridos com o Nacional para a sua participação na disputa da "Taça Rivadávia Corrêa Meyer". Pela troca de correspondência, cujos telegramas e ofícios fizeram parte da citada nota da CBD, verificou-se a atitude devente da entidade máxima que atendeu a todos os desejos do Nacional, clube que sempre manteve a altura do prestígio que desfruta, sendo acompanhado pelo Peñarol e pelo Wanderers, tendo contra si os demais outros sete clubes, todos eles sem a expressão do Nacional e que levaram a Associação Uruguaia de Futebol a tomar uma atitude completamente diversas da até então por ela seguida para com a CBD, que sempre se empenhou por manter os laços mais estreitos de amizade com a entidade uruguaia, sem esperar, jamais, que surgisse tão decepcionante atitute dessa, sempre tida em alta conta, mesmo entre o público desportivo brasileiro.Jornal do Brasil, 12/06/1953, pag.11.
As edições de 26/05/1953, 09/06/1953 e 12/06/1953 do jornal O Estado de S. Paulo confirmam que o Club Nacional de Football do Uruguai aceitou o convite para participar da competição, e apenas não o fez em função da proibição imposta pela Associação Uruguaia de Futebol.