O Orfeão de Castelo Branco é um grupo coral sediado na cidade de Castelo Branco, em Portugal. Fundado a 22 de Junho de 1957, por iniciativa do Clube de Castelo Branco, sob a regência do Padre Horácio Nogueira. Desde então o grupo tem como missão a promoção e divulgação da música coral, destacando-se na interpretação tanto de obras clássicas, litúrgicas, quanto de repertórios populares. Ao longo dos anos, o Orfeão tem participado em diversos festivais e eventos culturais, contribuindo para a valorização do património da musical local.

Descrição Consiste num sociedade recreativa de canto coral albicastrense, com sede no Cine-Teatro Avenida. Canta num variado leque de géneros, incluindo a música clássica, moderna e tradicional portuguesa, «apostando em estilos e temáticas variadas, desde a música popular aos temas clássicos, litúrgicos, pop». O coro foi considerado pela Rádio Castelo Branco como «o ex-líbris do concelho», tendo sido um «embaixador artístico da cidade» noutros pontos do país e no estrangeiro, através dos seus concertos. Marcou presença em vários festivais de música coral e encontros de coros, tendo igualmente feito intercâmbios com outros grupos deste género. Participou igualmente em vários programas de rádio e de televisão, e nos concertos Música e Poesia e Encontro com a Ópera.

alt=Capa do orfeão de Castelo Branco|esquerda|miniaturadaimagem|267x267px|Capa do orfeão (o desenho é inspirado nos famosos bordados albicastrenses ). O orfeão tem uma presença marcante no concelho, em cooperação com a Câmara Municipal e as freguesias locais, incluindo a realização de concertos em várias aldeias no âmbito da iniciativa Por terras de Xisto e Granito, nas comemorações anuais da Revolução de 25 de Abril, e nos eventos Dia dos Sinos e Janeiras na Freguesia. Destaca-se também a sua participação em galas solidárias e concertos de Natal, e a sua colaboração com outros artistas e grupos musicais, tanto no concelho como a nível nacional, como a Banda de Música da Força Aérea, o Orfeão Inmezzo de Castelo Branco, e Luísa Sobral.

Atualidade thumb|Vista do Cine-Teatro Avenida, em 2019O Orfeão de Castelo Branco realiza diversos espetáculos não apenas a nível regional, mas nacional e internacionalmente. À semelhança de outras coletividades, conta com o apoio do poder local, incluindo a Câmara Municipal de Castelo Branco e a Junta de Freguesia de Castelo Branco. Esses apoios são essenciais para a realização de suas atividades culturais e comunitárias, fornecendo recursos financeiros, logísticos e infraestruturais.

Anualmente o reportório gira num ciclo musical que se inicia com as tradicionais janeiras, passa por uma série de espetáculos ao longo do ano, com pontos altos durante o aniversário e culmina com celebrações natalícias. Habitualmente, destacam-se um ou dois concertos de relevo ao longo do ano, especialmente fora. No geral o orfeão participa em 25 a 40 concertos por ano, com temáticas bastante diversificadas.

Horários de Atividade O Orfeão de Castelo Branco realiza ensaios semanais às segundas e quintas-feiras úteis, das 21:15h às 23h, nos pisos superiores do Cine-Teatro Avenida. Tendo uma pausa durante os meses de Verão, retomando os ensaios em meados de Setembro, como anunciado na página do Orfeão.

Maestros titulares A lista a seguir apresenta os maestros titulares que dirigiram o orfeão ao longo dos anos: Padre Horácio Nogueira (1957 - 1958) Padre João da Rosa Velez (Jan. 1959 - Jul. 1959) Serafim Nunes Chamusca (Out. 1959 - Jun. 1961)(p.48)(p.72) Padre Joaquim Milheiro Valente (parcialmente) (c. Out.1961) Prof. João de Almeida (c. Jan. 1962) Sem regente (p.81-84) (c. 1961 - 1964) Prof. Carlos Gama (Jul. 1964 - 1995) Jorge Correia (1996 - 1997) Ema Casteleira (1997 - 2010) Rui Barata (2010 - Presente)

Direção Inicialmente em 1957 o orfeão estava sobre a direção do clube de Castelo Branco, sendo o presidente João Silva. A comissão organizadora do orfeão era constituída por Vasco Correia de Sá, Joaquim dos Santos Pires, Álvaro de Castro, Manuel Dias e João Borges Pires.

Tornou-se uma associação cultural independente a 12 de Outubro de 1973 com a aprovação dos estatutos do orfeão. Aprovado em Diário da República de 1 de Março de 1974.

A direção do orfeão é eleita em assembleia pelas orfeonistas: Simão Ferreira (c. 1974) José Ventura Balonas (c. 1982) Simão Ferreira (c. 1991) Orfeonista Ana Maria Gordino (c. 2006-2007) Arminda Teixeira (c. 2010). Orfeonista Ismael Reis (2019-2021). Orfeonista Daniel Martins. (Desde 2011 até 2025, excepto 2019-2021). Orfeonista Emília Rodrigues. (Desde 2025)

O Primeiro orfeão de 1930 O primeiro Orfeão de Castelo Branco, que se estreou em 16 de Fevereiro de 1930. foi organizado por César Antunes, Sousa Vieira e o regente Capitão Guilherme da Piedade (também maestro da banda do batalhão de caçadores nº6 da mesma cidade já extinto).

O concerto apresentou um programa dividido em três partes, combinando repertório coral, instrumental e declamação. A primeira parte, a cargo do orfeão, incluiu peças de carácter nacionalista e popular, entre as quais o hino de Portugal, as canções Papagaio e Lírio do Vale da autoria do Capitão Guilherme da Piedade. Canção do Linho de Tomás Borba. A segunda parte foi dedicada à banda militar, que executou o poema sinfónico Le Chasseur Maudit, de César Franck, a obra heroica Coutinho Sacadura do Capitão Guilherme da Piedade, e a abertura de Tannhäuser, de Wagner. A terceira parte retomou repertório tradicional e nacional, incluindo a canção minhota Josesito, e a o Canção do Marinheiro de Nascimento e uma rapsódia do regente que incluía a melodia popular beirã Quando eu era pequenina.

Teve uma existência efémera cessando atividade em Julho de 1931. Em carta ao director do extinto jornal Era Nova, em Outubro desse ano, o orfeonista nº 18, Alfredo Ribeiro, lamenta que, desde Julho se arrastava a situação da falta de maestro. O Orfeonista, falando pelo grupo, relata que é unânime que orfeão deixou de existir e lamenta que a direção nada tenha comunicado sobre do facto. Iriam haver seleção de novos elementos, com inclusão de elementos femininos, o que foi acolhido com algum entusiasmo. Apesar de a direção indicava como novo regente o Srº Sales Viana, este não chegou a aceitar, e a direção demitiu-se.

A razão aparente da saída do maestro estava relacionada com a sua transferência para o Regimento de Infantaria nº 8 em Braga. Faleceu apenas em 1952 e não na década de 30 como algumas fontes indicam.

Este mesmo orfeão foi apresentado com o discurso de abertura por parte do Dr.º Jaime Lopes Dias. Que anos mais tarde voltaria novamente a discursar perante a segunda versão do orfeão 27 anos depois.

Fundação do atual orfeão em 1957 "Ah! Castelo Branco é uma terra bonita, está uma cidade linda, mas morta (...)" - Citação de Eugénia Lima

A 3 de Junho de 1956, Castelo Branco recebeu na estação de comboios da cidade uma embaixada musical oriunda do Ribatejo, orfeão Scalabitano, orquestra típica Scalabitana, banda dos bombeiros voluntários de Santarém, entre muitos outros agrupamentos culturais ribatejanos. A sua visita motivou e impulsionou os albicastrense a renascer das cinzas o Orfeão de Castelo Branco. O extinto grupo cenográfico do Orfeão, o extinto cine-clube e a formação da Orquestra Típica Albicastrense. Todas estas estes empreendimentos faziam parte do então chamado Círculo Cultural de Castelo Branco, fruto das diversas reuniões de várias associações e da autarquia para o renascimento cultural da cidade.

A sua formação começou nos primeiros dias de Janeiro de 1957, sobre a alçada do Clube de Castelo Branco, sobre a regência do Padre Horácio Nogueira, 90 candidatos masculinos a orfeonistas se apresentaram. Havia ensaios 3 vezes por semana ao final do dia nas salas do clube. Sendo o horário repartido pelos 4 naipes existentes: Baixos, primeiros tenores, segundos tenores e barítonos. O reportório dos ensaios tinha partes de Beethoven, Wagner, Offenbach e do folclore da Beira Baixa.

O grupo cenográfico do Orfeão Dirigido pelo orfeonista Álvaro de Castro (dramaturgo) formou-se um grupo cénico. Acompanhado por uma orquestra instrumental. Teve um papel relevante na implementação do orfeão que espelhavam o quotidiano e sentimentos da cidade.

22 de Junho de 1957 - O primeiro espetáculo público miniaturadaimagem|280x280px|Quadro com a foto do Sarau de estreia do orfeão (existente na sede do orfeão). Presentes os orfeanistas, juntamente com o grupo cenográfico (elementos femininos em vestido branco e masculinos em fato acinzentado). Ainda se vê a fita por cortar.|esquerdaO grupo coral teve o seu espetáculo inaugural a 22 Junho de 1957 no ainda novo Cine Teatro Avenida inaugurado em 1954, esta data é festejada anualmente pelo Orfeão, como data de início de atividade e fundação.

Discurso de abertura O evento abriu com o discurso do Dr.º Jaime Lopes Dias, conhecido etnográfico, intitulado "Renascimento Musical".

Despontava novamente uma nova oportunidade para uma cultura musical em Castelo Branco. No final do discurso mais controverso citou o poeta Afonso Lopes Vieira: «... não o assustava demasiadamente que tantos portugueses não soubessem ler, penalizava-o mais que não soubessem cantar (...) se todos soubessem ler, quem sabe o uso que eles fariam de esse utensílio que a leitura representa; mas se soubessem cantar, reunindo-se em orfeões, com certeza entre eles existiria espírito de educação, e o sentimento da unidade moral, elementos primaciais para o rejuvenescimento do ambiente educativo da grei ...» Terminando com um verso próprio: "Quero cantar, ser alegre, que o ser triste não faz bem: Nunca se viu a tristeza dar de comer a ninguém."

Espetáculo Seguiu-se a apresentação do novo estandarte do orfeão. A haste metálica foi oferecida pela antiga Auto Mecânica da Beira, e o trabalho de bordado das insígnias realizado pelas bordadeiras da antiga loja albicastrense de máquinas Oliva. O Desenho foi da autoria de Eurico de Sales Viana, segundo jornais da época, ou pelo desenhador Joaquim Marques da Auto Mecânica da Beira. O espetáculo foi patrocinado por 38 entidades comerciais da cidade. Prestou-se ainda uma homenagem ao primeiro orfeão da década de 30.

O palco composto por 70 orfeonistas masculinos, mais 30 figurantes do grupo cénico. Iniciou o reportório com:

Senhora do Almortão, cantiga de romaria; trecho de Apassionata, Beethoven Offenbach - Barcarola, "Contos de Hoffmann"; Le Tambourin, Remeau Canção da Borboleta, Brahms Coro dos Peregrinos (Tannhäuser), Wagner miniaturadaimagem|Manchete do extinto Jornal Beira Baixa de 7 de Julho de 1957 sobre a atuação dos novos grupos musicais de Castelo Branco A última parte da festa foi preenchida com a revista "Bordados de Castelo Branco" com o grupo cenográfico do orfeão retratando a aspectos da vida em Castelo Branco.

No seu diário a 23 de Junho, em Alcains, Horácio Nogueira descreve que este serão foi dos mais felizes da sua vida. Não por vaidade, mas por sentir que todo o esforço em erguer o orfeão tinha sido recompensado. Conta que os orfeonistas estavam delirantes e que o espetáculo tinha corrido lindamente. Descreve a aceitação positiva do público e a visita de familiares de Góis. Recebeu incontáveis ovações e abraços, foi presenteado com um relógio e deu graças a Deus por esse dia.

História 1957 - 1958 miniaturadaimagem|Pormenor do programa do Sarau de Boas Festas, de 1958. O maestro Padre Horácio Nogueira dirigiu o orfeão até finais de 1958. A 22 de Junho de 1957, o orfeão estreou-se no seu Sarau de Estreia, como descrito na sua fundação.

A 4 de Janeiro de 1958, o orfeão e seu grupo cénico organizou conjuntamente com a OTA, um Sarau de Boas Festas no Cine-Teatro Avenida. Introduzindo novos temas por altura do Natal, como descritos no programa.