O Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Unidos de Jucutuquara é uma escola de samba brasileira de Vitória, Espírito Santo, fundada em 29 de janeiro de 1972, no bairro de Jucutuquara, originalmente como bloco carnavalesco.
História
Fundação Foi fundado em um terreiro do bairro em 1972 por nomes conhecidos na região, tais como Ismail Gonçalves, Guilherme Monteiro Alves, Mano Gim, Adilson Ribeiro da Silva (Mestre Ditão) e outras figuras históricas do bairro. O Bloco Carnavalesco Unidos de Jucutuquara em seu início não havia enredo, e os integrantes (só homens) saiam todos de tamanco, vestindo roupas que se assemelhavam a vestimentas femininas, apenas por brincadeira, depois a fantasia oficial passou a ser de pescador e com o passar do tempo foram surgindo outras fantasias e as mulheres começaram a participar do bloco.
A partir de 1980 o bloco começou a participar dos concursos, sendo campeão por cinco anos consecutivos, dessa forma a Prefeitura de Vitória (Espírito Santo) sugeriu, em 1986, a transformação do bloco em escola de samba, ganhando a denominação atual. No seu primeiro desfile como escola de samba, a Unidos de Jucutuquara foi a grande campeã do segundo grupo e em seu primeiro desfile no 1° Grupo já conseguiu o vice-campeonato.
No ano de 1989, há a primeira eleição direta para presidente da Escola de Samba, embalada pelos ventos da redemocratização brasileira. Sendo candidatos o Alarico Duarte, apoiado pela diretoria, e, Luiz Fernando Barbosa Santos, candidato identificado com as bases da escola, principalmente, pela bateria do qual era egresso. Assim, é eleito o Luiz Fernando com o slogan "Raça, Luiz Fernando a voz das massas", fazendo um desfile memorável, pelas mãos do carnavalesco João Marcos, com o enredo "Rei por um dia" com uma narrativa sobre os sentimentos do folião quando estava no momento mágico do desfile.
Por razões políticas com a então Associação Capixaba das Escolas de Samba (ACES), esta por não aceitar a evolução de uma nova força do carnaval para competir com a Novo Império, penaliza a escola sob o argumento dos empurradores de carro não estarem uniformizados, item sequer presente no regulamento do carnaval. A Unidos de Jucutuquara se insurge e, organiza uma transformação na ACES voltada para a imparcialidade e transparência, em nome da construção do carnaval. Apoiam o representante da Unidos da Piedade para a presidência e, se preparam fortemente para o carnaval de 1990.
No carnaval de 1990, a Unidos de Jucutuquara inova com a constituição de uma Comissão de Carnaval, constituída por Sueli Celestino, Robson Paysan, Tadeu Campostrini e Lucio Cezar, criando o enredo, tema antes de estrita responsabilidade do carnavalesco, e desenvolvem um enredo sobre a formação da identidade do povo capixaba, usando como elemento da narrativa o maior símbolo desta identidade, a culinária! Assim, a torta capixaba que, antes era um elemento voltado para a alimentação, passa a alimentar o sonho do primeiro campeonato da Escola de Samba.
Com um figurino altamente identificado com o enredo, a escola sagrou-se campeoníssima, com enorme reconhecimento da imprensa e dos críticos do carnaval, inclusive da intelectualidade que enaltece o pioneirismo da Jucutuquara ao romper com o ciclo de enredos copiados das escolas do Rio de Janeiro e fantasias usadas no carnaval por aquelas, utilizados pela maioria das demais escolas de samba de Vitória.
Assim a Jucutuquara se consagra como uma forte e estruturada escola de samba sob a presidência de Luiz Fernando Barbosa Santos, que estrutura a escola com presidentes de ala e com uma forte presença da comunidade no processo decisório da agremiação carnavalesca, ainda embalado pelo compromisso de democratização da Escola e do fortalecimento institucional a partir da comunidade, impulsionado pelos ventos da redemocratização brasileira.
Entre 1993 e 1997, não houve desfiles no Carnaval de Vitória, depois deste grande hiato, a agremiação voltou em 1998 em um desfile não competitivo com o enredo "Retorno: Carnaval, A Alegria Está de Volta", foi um grande desfile, o samba, de Zé Kuruba, é cantado até hoje como samba exaltação da agremiação.
Após esse período, sob a presidência de Rogério Sarmento, a Unidos de Jucutuquara foi tetracampeã (2006, 2007, 2008 e 2009) do Carnaval de Vitória. Com isso, a escola totaliza sete títulos (1990, 2002, 2004, 2006, 2007, 2008 e 2009) e cinco títulos de vice-campeã (1988, 1989, 2005, 2015 e 2023), em alguns títulos, a Jucutuquara, contou com o carnavalesco carioca Orlando Júnior. miniaturadaimagem|292x292px|Carro abre-alas da Jucutuquara em 2009, quando conquistou seu último título. Em 2009, com o enredo sobre o Convento da Penha obteve o tetracampeonato. No ano seguinte, a escola perdeu o carnavalesco Orlando Júnior, que foi para a Independente de Boa Vista e trouxe o carnavalesco Flávio Campello. que desenvolveu o enredo O Espírito Santo Azul. O desfile acabou sendo atrasado por outras agremiações que não se posicionaram no tempo determinado pelo regulamento. A situação demorou quase duas horas, para ser resolvida que culminou na 5.º colocação.
Para 2011, a direção trouxe de volta o carnavalesco Orlando Júnior. Em 2012, a diretoria da escola chegou a manifestar a possibilidade de não desfilar, devido a dívidas de carnav
ais passados. Após o pedido de licença do então presidente Braulino Gomes da Silveira, a escola passou a ser presidida interinamente pelo Conselho Deliberativo, que garantiu o desfile sobre Parintins e seus bois. Naquele ano, chegou a anunciar Kyscila Barcellos, como rainha de bateria, mas pouco antes do desfile esta substituída por Tatiana Paysan, que havia passado a coroa, mas foi novamente convidada para o Desfile.
Para o ano de 2015, os principais segmentos da escola tiveram alterações, a começar pela Comissão de Frente, que ficou ao cargo de Andrezinho Castro, coreógrafo multipremiado. Este pediu dispensa da escola para seguir com seu trabalho profissionalmente no carnaval com a sua Companhia de Dança. Pouco antes do desfile, a escola perdeu seu presidente e fundador Mestre Ditão, que infartou.
Em 2016 a escola desfilou com um enredo sobre a cidade de Vitória, na qual garantiu o vice-campeonato.
Década de 2010
2018: "Ambrósio"
Em 2018, com a contratação de Petterson Alves, a agremiação anunciou que seu enredo seria sobre Ambrósio, o escravo que comprou sua liberdade, e ajudou outros escravos a serem libertados. Com a saída de Kleber Simpatia, a agremiação contratou Ricardinho de Oliveira, conhecido pelo seus longos anos na Mocidade Unida da Glória. Além disso, a escola contratou Junior Caprichosos como mestre de bateria.
As fantasias da agremiação, contavam com elementos que relembravam África, como explicou o carnavalesco.
2019: "O Rosário do Bispo e Seu Delirante Inventário do Universo"
Com a volta de Rogério Sarmento na presidência da agremiação, a escola anuncia que Orlando Júnior voltaria a posição de carnavalesco na agremiação, além disso, Kleber Simpatia também se tornaria intérprete da agremiação mais uma vez. O enredo, contaria a história de Bispo do Rosário, artista plástico sergipano. A agremiação também desligou Mestre Serginho da bateria, o repondo com Junior Caprichosos.
A agremiação foi a última a desfilar e levantou todo o Sambão do Povo, mas só conseguiu chegar ao 4.º lugar.
Década de 2020
2020: "Griot" Após o carnaval de 2019, a agremiação desligou o carnavalesco Orlando Júnior, contratando a dupla de irmãos Jorge Mayko e Vanderson César, que não muito depois, viriam a anunciar o enredo, Griot. O enredo prometia desenvolver e contar sobre os anciões africanos, aqueles que preservam as histórias, mitos, canções, danças e tradições milenares dos povos africanos
Pouco antes dos desfiles, a agremiação desligou Kleber Simpatia novamente, substituindo-o por Celso Júnior. Nesse estado, a agremiação conquistou a 3.ª posição naquele ano, recebeu também dois prêmios Faisão de Ouro de "Melhor enredo" e "Melhor conjunto de fantasias".
2022: "O Povo Inteiro Vai Saber, É Jucutuquara Que Vem Lá!"
Depois da paralisação dos desfiles devido a Pandemia de COVID-19, a escola decidiu que iria comemorar seus 50 anos de história na avenida, com a renovação dos carnavalescos, a dupla desenvolveu o enredo "O Povo Inteiro Vai Saber, É Jucutuquara Que Vem Lá!", o nome, vem de um trecho do samba de 1988, composto por Zé Kuruba, e atual samba exaltação da agremiação. Na equipe musical, Junior Caprichosos foi desligado do cargo, dando espaço novamente a Serginho, ou "Cabeça", como mestre da bateria. Celso Júnior também viria a ser desligado, dando espaço a Igor Sorriso no cargo de intérprete.
O enredo contou parte da história do bairro, o samba fazia referência aos antigos bondes que tinham no bairro, a Pedra dos Dois Olhos, o Mercado São Sebastião, exaltando também, a agremiação. Contudo, a agremiação ficou em 5.º lugar naquele ano.
2023: "Onde Ocê Foi Morar"
Para o ano de 2023, o cargo de carnavalesco foi esvaziado, mas não por muito tempo, já que Osvaldo Garcia não demoraria muito para ocupa-lo. O enredo também não levaria muito tempo para ser anunciado, "Onde Ocê Foi Morar" contaria a história dos retirantes nordestinos, que saiam do nordeste brasileiro com as roupas do corpo e viam ao Espírito Santo procurando uma vida melhor. Na parte musical, Mestre Serginho e Igor Sorriso haviam sido desligados do cargo, com isso, abriram espaço para Glaydson Santos como mestre de bateria, e Danilo Cezar como intérprete.
A agremiação encantou o Sambão do Povo, e conquistou o segundo lugar naquele ano.
2024: "Gassho: Caminhos de Sabedoria"
alt=A imagem mostra um carro alegórico da agremiação GRCES Unidos de Jucutuquara, é possível ver a frente do carro, uma grande escultura de uma coruja, símbolo da escola, vestida em uma armadura medieval oriental, no fundo, uma construção no estilo oriental com várias lanternas orientais ao redor, simulando a imagem de um pequeno mosteiro.|esquerda|miniaturadaimagem|318x318px|Carro abre-alas da agremiação na concentração para o desfile de 2024. Ainda em 2023, o Carnaval de Vitória recebeu pela primeira vez os minidesfiles, um projeto da LIESGE, na qual apresentou pela primeira vez seu enredo para 2024, "Gassho: Caminhos de Sabedoria", o evento não foi competitivo, servindo apenas como uma curta prévia do que virá a ser mostrado no campeonato de 2024.
Com a equipe renovada, no carnaval de 2024, a agremiação levou o enredo "Gassho: Caminhos de Sabedoria", assinado pelo carnavalesco Osvaldo Garcia, no qual a agremiação homenageou e contou a história do Mosteiro Zen Morro da Vargem, que abriga o Buda de Ibiraçu, contando suas tradições e a história daqueles que vieram aqui, e construíram o mosteiro. A agremiação homenageou também todos os diferentes tipos do budismo em uma de suas alas. Uma surpresa para os torcedores, foi a coruja no abre-alas, que pela primeira vez em toda a história da agremiação, veio fantasiada. Vestida como um samurai, o mascote da agremiação perfumava a avenida com o cheiro de rosas utilizando um tipo de difusor de aromas. O abade do mosteiro, monge Daiju Bitti, acompanhou o desfile, e alega ter se emocionado com a homenagem feita pela agremiação.
No entanto, a agremiação ficou em 5.º lugar. Receberam também os prêmios Feras do Carnaval de "Melhor Escola" e "Melhor Comissão de Frente", e o Trófeu Capixabices para a ala de passistas.
2025: "Pulsar da Vida"
Para 2025, com a troca de presidentes, a equipe da escola mudou. Na bateria, Mestre Junior Caprichosos retorna ao cargo que havia deixado em 2020, após a saída de Mestre Genivaldo, que também havia retornado ao cargo no mês de junho. Além disso, o carnavalesco carioca Orlando Júnior, tricampeão pela escola, foi recontratado depois de 5 anos fora da agremiação. A agremiação posteriormente anunciaria seu enredo, nomeado de "Pulsar da Vida", contando e exaltando as emoções que pulsam ao longo da vida.
Símbolos
Nome