thumb|right|200px|Símbolo tático da OTAN para um batalhão de infantaria. O batalhão é uma unidade militar constituída por duas ou mais companhias, sendo tradicionalmente comandada por um coronel, tenente-coronel ou um major. Normalmente, tem um efetivo médio que pode ir de 500 a 800 militares. Dois ou mais batalhões podem constituir um regimento ou uma brigada.
A nomenclatura das unidades de escalão batalhão varia de exército para exército e, dentro de alguns exércitos, de arma para arma (especialidade). Por exemplo, na maioria dos exércitos, a infantaria está organizada em batalhões, mas em alguns deles, as unidades equivalentes de outras armas têm outras designações como "grupo" ou "esquadrão".
O batalhão é, normalmente, a menor unidade militar capaz de realizar operações independentes, ou seja, sem estar integrada numa unidade ou comando superior, apesar de alguns exércitos disporem de unidades menores que são autossustentáveis. Dependendo do modelo organizacional em vigor no exército em que se integra, o batalhão pode pertencer a um regimento ou a uma brigada. Normalmente, o grosso das subunidades de um batalhão são do tipo do próprio batalhão (infantaria, engenharia, carros de combate etc.). No entanto, cada batalhão inclui também uma subunidade de comando e, frequentemente, subunidades de apoio especializado (serviços, reconhecimento, armas pesadas etc.).
História thumb|right|200px|Bandeira do 1.º Batalhão de Choque do Exército Francês. thumb|right|200px|Escudo do Batalhão de Granadeiros Blindados n.º 282 do Exército Alemão. thumb|right|200px|Símbolo tático do Batalhão Blindado nº 14 do Exército Austríaco. O termo "batalhão" tem origem no italiano "battaglione", derivado de "battaglia (batalha)" e referindo-se a um conjunto de tropas mobilizadas para uma batalha. Do italiano passou para o francês como "bataillon" e daí para o português como "batalhão".
Renascimento Nos séculos XV e XVI, eram referidas como "batalhões" cada uma das grandes formações em quadrado que a infantaria e a cavalaria formavam em combate, sem consideração pelo seu tamanho em termos de efetivos. Nos exércitos ibéricos do Renascimento, a designação "batalhão" era aplicada às formações de infantaria, sendo as formações equiparadas de cavalaria designadas "esquadrões". O núcleo central de cada batalhão de infantaria era formado por piqueiros e designava-se "batalha".
Na época, cada batalhão ou esquadrão era formado a partir de um ou mais regimentos ou terços.
A introdução do batalhão como unidade tática permanente No século XVII, surgiu a necessidade da existência de unidades táticas de infantaria menores que o regimento. Em alguns exércitos europeus, estas unidades começaram a ser designadas como "batalhões". Finalmente, os batalhões começaram a tornar-se subdivisões permanentes dos regimentos de infantaria, compostas por várias companhias. Como subunidades dos regimentos, os batalhões foram introduzidos pela França em 1635, pela Prússia em 1686, pela Áustria em 1695 e pela maioria dos restantes países europeus, já durante o século XVIII.
Com a introdução dos batalhões, os regimentos passaram a ser unidades meramente administrativas, sem funções táticas, funções estas que foram assumidas inteiramente pelos batalhões. Os exércitos de alguns países adoptaram o sistema de cada regimento englobar um único batalhão. Assim, com este sistema, o regimento e o batalhão confundiam-se, constituindo as duas faces da mesma moeda, ou seja, o regimento e o batalhão eram, respetivamente, a vertente administrativa e a vertente tática da mesma entidade. O regimento, como unidade administrativa, apresentava-se taticamente em combate sob a forma de um batalhão.
Durante o século XVIII, os exércitos de alguns países organizam também batalhões independentes, não integrados em qualquer regimento. Na maioria dos casos, tratava-se de batalhões de caçadores, de atiradores ou de outros tipos de infantaria ligeira, cujas táticas de combate privilegiavam as unidades de pequena dimensão.
A organização dos batalhões nos séculos XVIII e XIX Até meados do século XVIII, na maioria dos exércitos, cada batalhão é composto em média por cinco a oito companhias, com um efetivo total situado entre os 500 e os 800 militares. A maioria dos soldados do batalhão são fuzileiros, armados com espingarda de pederneira com baioneta introduzida no final do século XVII. Além das companhias de fuzileiros, os batalhões começam também a integrar uma ou duas companhias de granadeiros, cuja missão inicial é a de protegerem os flancos das formações de infantaria através do lançamento de granadas de mão, passando posteriormente a ser empregadas como subunidades de assalto. Mais tarde, os batalhões passam a incluir também companhias de infantaria ligeira, como caçadores ou atiradores. As companhias de fuzileiros passam a ser genericamente conhecidas como "companhias de linha", "de centro" ou "de batalha" e as companhias de granadeiros e de infantaria ligeira como "companhias graduadas", "de flanco" ou "de elite". Em combate, ocasionalmente, as companhias de flanco são destacadas dos seus batalhões de origem e agrupadas em unidades provisórias de elite, formando assim batalhões de granadeiros, batalhões de infantaria ligeira e batalhões de flanco (estes agrupando tanto granadeiros como infantaria ligeira).
Em termos táticos, o batalhão apresenta-se em combate, geralmente, organizado em quatro divisões de batalhão, cada qual composta por dois pelotões. A companhia é apenas considerada uma subunidade administrativa, sendo ignorada na organização tática do batalhão. Cada pelotão representa a subunidade básica de manobra e de tiro de cada batalhão, sendo comandado por um tenente. A simplificação e a vantagem que existia em os soldados de cada companhia se manterem juntos e sob o comando dos seus oficiais em situações de combate, vai fazer com que o pelotão e a companhia se aproximem cada vez mais até se confundirem.
Ainda no século XVIII, os batalhões da Prússia passam a ser constituídos por apenas quatro ou cinco companhias, com um efetivo total de cerca de 800 militares. Este modelo de organização dos batalhões, com um menor número de companhias, começará a prevalecer também nos restantes exércitos já durante o século XIX. Por outro lado, a introdução das espingardas de repetição levou ao desaparecimento dos fuzileiros e dos granadeiros, passando os batalhões de infantaria a compreender apenas companhias de atiradores. No entanto, por razões históricas, alguns exércitos mantiveram as designações "fuzileiros" e até "granadeiros" para as suas companhias de infantaria.
O batalhão foi também introduzido na artilharia, ainda no século XVIII. Já a cavalaria continuou a organizar-se em esquadrões, não adotando a designação batalhão. Sobretudo durante o século XIX, também foram organizados batalhões em outras armas e serviços. No final do século, diversos exércitos dispunham de batalhões de engenharia, de telegrafistas e até de aerostação. Por outro lado, a artilharia de campanha da maioria dos exércitos deixou de usar o termo "batalhão" e passou a designar as suas unidades equivalentes como "brigadas", "corpos" ou "grupos", constituídos por baterias. Contudo, a designação "batalhão" manteve-se tradicionalmente na artilharia a pé (incluindo a de guarnição e a super-pesada).
Introdução do Sistema Continental No século XIX, face ao aumento do número de efetivos dos exércitos e ao consequente aumento da dificuldade em controlá-los taticamente, em alguns exércitos o regimento passa a ser uma unidade tática, de comando intermédio entre o batalhão e a brigada. Este tipo de organização passa a ser conhecido como "Sistema Continental", enquanto o anterior - em que o regimento é meramente uma unidade administrativa - passa a ser conhecido como "Sistema Regimental". No Sistema Continental, o batalhão perde consideravelmente a sua autonomia, passando grande parte das suas funções de comando tático para o regimento onde está integrado. O Sistema Continental é adoptado pela grande maioria dos exércitos, a grande exceção sendo o Exército Britânico que mantém o Sistema Regimental. No entanto, mesmo este, organiza brigadas táticas com caraterísticas muito semelhantes às dos regimentos do Sistema Continental, sendo inclusivamente comandadas por coronéis. Mesmo nos países onde vigora o Sistema Continental, algumas unidades especializadas - como as de engenharia e as de transmissões - continuam-se a organizarem-se em batalhões independentes e ficam na direta dependência dos comandos divisionários.
Desde a Primeira Guerra Mundial No início da Primeira Guerra Mundial, os batalhões de infantaria da maioria dos exércitos agrupam-se aos ternos em regimentos, compreendendo normalmente quatro companhias homogêneas, um pequeno comando e estado-maior e um efetivo de cerca de 800 militares. O armamento de cada batalhão restringe-se praticamente às espingardas individuais dos soldados, existindo poucas ou nenhumas metralhadoras e nenhum outro tipo de arma pesada. Quando muito, em alguns casos, existe uma companhia de metralhadoras em nível regimental. Devido ao novo tipo de guerra, esta situação depressa irá mudar. Depois de baixas muito pesadas, os comandos apercebem que o número de efetivos e de espingardas deixa de ter importância, em detrimento do poder de fogo. Consequentemente, por um lado, o efetivo de cada batalhão é reduzido para cerca de metade - situação também decorrente da falta de pessoal resultante das baixas - e por outro lado, são introduzidas companhias de metralhadoras em cada batalhão.
Com as lições aprendidas durante a Primeira Guerra Mundial, durante o período entre guerras, os batalhões da maioria dos exércitos adotam uma organização já muito próxima da atual. Normalmente, cada batalhão de infantaria inclui três companhias de manobra, uma companhia de comando e serviços e uma companhia de armas de apoio. A companhia de armas de apoio inclui pelotões de metralhadoras, de morteiros e de canhões anticarro. Em alguns batalhões, existe uma única companhia de comando e apoio em vez de companhias separadas de comando e serviços e de armas de apoio.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o regimento volta a desaparecer como unidade tática na maioria dos exércitos. O batalhão ganha assim, novamente, maior autonomia tática, ficando a depender diretamente dos comandos de brigadas.
Batalhões por países Brasil No Exército Brasileiro, o Batalhão (Btl) é uma unidade normalmente comandada por um oficial superior e constituída por um certo número de companhias (normalmente entre três e cinco).
No Exército Brasileiro, muitos confundem um batalhão com um regimento, porém é importante ressaltar a diferença dos mesmos, a diferença entre regimento e batalhão está na escala e na função das unidades. Um batalhão é uma unidade intermediária, composta por várias companhias, especializado em diferentes armas e serviços. Já um regimento é uma unidade maior, que inclui vários batalhões, esquadrões ou baterias, além de unidades de apoio. Regimentos têm uma história e tradição distintas, desempenhando papel crucial na administração e no comando de unidades menores dentro de uma mesma especialidade
Na infantaria do Exército Brasileiro, um batalhão é formado por três companhias de fuzileiros mais uma companhia de comando e apoio (CCAp). Além do armamento empregado pelas companhias, um batalhão de infantaria pode contar com morteiros pesados, canhões sem recuo e mísseis dos pelotões orgânicos da CCAp.
EUA thumb|200px|Brasão do 1.º Batalhão do 51.º Regimento de Infantaria do Exército do EUA.