Bebiana Guerreiro Rocha Cardinali, que utilizava o nome artístico Anita Guerreiro (Pena, Lisboa, 13 de novembro de 1936 – Carnide, Lisboa, 7 de dezembro de 2025), foi uma atriz e fadista portuguesa.
Carreira Bebiana Guerreiro Rocha Cardinalli nasceu na cidade de Lisboa, freguesia dos Anjos a 13 de novembro de 1936. Na infância viveu com o pai e a madrasta.Aos sete anos já dava nas vistas, cantando entre familiares e amigos na coletividade Sport Clube do Intendente, situada no bairro onde cresceu.
Em dezembro de 1952 concorre ao "Tribunal da Canção", um passatempo radiofónico do programa "Comboio das Seis e Meia", na época um enorme sucesso. Sobre este dia escreveu-se na imprensa: “Havia um cronómetro a contar o tempo dos aplausos recebidos por cada concorrente…. e Anita dispensou-o – tal a alegria do público a ovacioná-la com a surpresa da artista feita que não figurava no programa, mas enchia a sala com uma bela e sentida voz…”. (“Plateia”, 01 de Dezembro de 1970). O produtor do programa, Marques Vidal, surpreendido com a qualidade da sua prestação retirou-a do concurso e fê-la estrear-se no Café Luso com o nome artístico Anita Guerreiro.
Em 1954 a "Voz de Portugal" destacava Anita Guerreiro na secção “Cantam Estrelas”: "...pelo que já vimos e ouvimos, é bem digna das nossas palavras de estímulo, é bem merecedora da nossa simpatia compreensiva." (A Voz de Portugal, 01 Agosto de 1954). Neste jornal figura também uma das primeiras criações de sucesso de Anita Guerreiro, “Menina Lisboa”, com letra de Francisco Radamanto e música de Martinho D´Assunção.
Em 1955, Anita Guerreiro apresenta-se no palco do Teatro Maria Vitória, nas revistas "Ó Zé Aperta o Laço” (Companhia Eugénio Salvador), onde se estreia e “Festa é Festa”. De novo o jornal “A Voz de Portugal” destaca a protagonista que revela em entrevista: “Se não fosse artista, gostaria de ser milionária, mas como isso é impossível, continuarei a ser artista para servir o Fado e o Teatro, sempre com a intenção de bem servir o público.” (“A Voz de Portugal”, 01 de Março de 1956).
Seguiram-se dezenas de outras participações em revistas. Neste palco, Anita Guerreiro distingue-se na divulgação do fado e de canções com temas populares e “alfacinhas”, interpretados com grande autenticidade e natural talento, fazendo de Anita uma das mais aplaudidas figuras do teatro de revista.
thumb|left|Anita Guerreiro, 1967 Embora com menor divulgação, Anita Guerreiro participou no filme Lisbon (1956) de Ray Milland, onde interpretou o tema "Lisboa Antiga" (Amadeu do Vale – José Galhardo / Raul Portela).
No histórico Parque Mayer, Anita Guerreiro funda e dirige a casa típica Adega da Anita, por onde passam grandes figuras do circuito fadista. Mais tarde encerra o espaço e parte com o marido para Angola, por onde se mantêm cerca de 3 anos. Após o seu regresso a Lisboa integra o elenco do Teatro Capitólio, no teatro de revista, Anita Guerreiro dá início a um dos pontos mais altos da sua carreira.
Do seu repertório constam grandes sucessos, e como afirmou recentemente: "Tive a sorte e, desde o início, apareceram pessoas a oferecer-me músicas e poemas. O que canto é tudo meu." (“DN”, 26 Julho de 2005).
Anita Guerreiro popularizou na sua voz vários êxitos, dos quais destacamos o fado-canção "Cheira a Lisboa” (Carlos Dias/César Oliveira) que em 1969 estreou na revista “Peço a Palavra”, no Teatro Variedades. Estas interpretações, em tempos áureos do Parque Mayer, conduziram-na ao Prémio Estevão Amarante para Melhor Artista de Revista (1970). Quase simultaneamente, em terras africanas, é-lhe atribuída a Guitarra de Oiro para além de prémios de interpretação e o primeiro prémio de fado (Festival da Canção de Luanda).
Apesar de todo o sucesso que obteve na sua carreira artística, nomeadamente no teatro de revista, Anita Guerreiro teve necessidade de se afastar durante um longo período de tempo. Regressou em 1982 ao Teatro Variedades, na revista "Há...mas são verdes". Nesse período de afastamento, Anita Guerreiro manteve-se a cantar Fado, gravando e atuando no estrangeiro, em longas temporadas na Europa, Canadá e nos Estados Unidos da América, locais onde recebeu os aplausos do público, nomeadamente das comunidades de emigrantes. Reflexo desse êxito são os Óscares de Popularidade que Anita recebeu em 1987 e 1988, em Fall River (E.U.A.).
No seu retorno a Portugal, Anita Guerreiro volta à interpretação, desta vez com grande destaque para a televisão, onde participou nos elencos de algumas telenovelas e séries portuguesas, destaque para "Primeiro Amor" (1995), "Roseira Brava" (1996), "Uma Casa em Fanicos" (1998), "A Loja do Camilo" (1999), "Nunca Digas Adeus" (2001), "Os Batanetes" (2004), e mais recentemente “Sentimentos” (2009). Pelo meio, regressa ao cinema em 1997, para um papel no filme "Morte Macaca" de Jeanne Waltz.
Num tributo à carreira de Anita Guerreiro, a Movieplay lança em 1994 um CD, integrado na coleção "O Melhor dos Melhores", com alguns dos seus maiores sucessos: "Festa é Festa" (Carlos Dias/Aníbal Nazaré), "Chico Marujo de Alfama" (António José/Ferrer Trindade), “Lisboa Ribeirinha” (António José/Rocha Oliveira), entre muitos outros.
Entre os aplausos, que soavam na casa de fados Faia, e da qual Anita Guerreiro integrava o elenco, as homenagens sucederam-se, como a ocorrida em Outubro de 2006 pela Junta de Freguesia dos Anjos.
Grande referência no seu percurso foi a presença em inúmeras peças de teatro de revista.
Viveu parte da sua vida nos Estados Unidos, país onde casou e teve dois filhos.
Foi madrinha de diversas marchas populares em Lisboa, incluindo da “Marcha dos Mercados” entre 2006 e 2015. Recebeu uma homenagem em 2014 no Porto onde celebrou os seus 60 anos de carreira
Pertenceu ao elenco do restaurante O Faia, no Bairro Alto, em Lisboa.
Anita Guerreiro faleceu, durante o sono, a 7 de dezembro de 2025, aos 89 anos, na Casa do Artista, na freguesia de Carnide, em Lisboa, local onde residia desde 2018.
Reconhecimento e Prémios A cidade, a que Anita Guerreiro tantas vezes presta homenagem, retribui o devido reconhecimento, e em outubro de 2001, o Município de Lisboa, entrega-lhe o Pelourinho de Prata da Cidade.
A par desta sua popularidade, Anita é também convidada para Madrinha de várias marchas populares de Lisboa, nomeadamente a "Marcha dos Mercados".
A 17 de fevereiro de 2004 realiza-se no Teatro Municipal de São Luiz um tributo à voz emblemática da cidade de Lisboa, num espetáculo comemorativo dos 50 anos de carreira da fadista e que antecedeu a homenagem. Neste espetáculo estiveram presentes nomes como António Calvário, António Rocha, Fernanda Baptista, Marina Mota, Natalina José, entre outros que se juntaram à justa consagração. 10 anos mais tarde, em 2014, é novamente homenageada pelos seus 60 anos de carreira, numa homenagem produzida por Daniel Martins, em Ermesinde.
Também em retrospetiva da sua vasta carreira, a Movieplay lança em 2005 o CD "Anita Guerreiro - Antologia 50 Anos de Teatro em Revista (1955-2000)",com 30 dos seus maiores êxitos interpretados na Revista portuguesa.
Em 2022, viu o seu nome ser adicionado ao Passeio da Fama na Praça da Alegria, em Lisboa, pela Junta de Freguesia de Santo António.
Foi distinguida com:
1970 - Prémio Estevão Amarante, para Melhor Artista de Revista 1987 e 1988 - Óscares de popularidade, Fall River, nos Estados Unidos 2001 - É homenageada pelas das Colectividades de Lisboa e é galardoada com o Pelourinho de Prata, pela Camara Municipal de Lisboa 2004 - Medalha de mérito grau ouro, do município de Lisboa, pelos 50 anos de carreira 2009 - Mascaras de Ouro do Teatro Maria Vitória Prémio Guitarra de ouro
Televisão Na televisão integrou o elenco de várias séries e telenovelas, entre elas: 1983 - Allegro RTP 1994/1995 - Cabaret, RTP, várias Personagens 1995 - Roseira Brava, RTP, Carminda 1996 - Todos ao Palco , RTP, 1996 - Primeiro Amor, RTP, 'Arminda' 1996 - Polícias , RTP, 'Joaquina' 1996 - Vidas de Sal , RTP, 'mulher na lota' 1997 - As Aventuras do Camilo, SIC, "Alzira" 1997/1998 - A Grande Aposta , RTP, 'Augusta' 1998 - Médico de Família, SIC 1998 -Camilo na Prisão, SIC 1998 -Ballet Rose, RTP, 'Maria' 1998 /1999 - Uma Casa em Fanicos , RTP, 'Ofélia' 1999 - Major Alvega, RTP, 'Fraulein Kluge' 1999 - As Lições do Tonecas , RTP, 1999 /2000 - A Loja do Camilo, RTP, 'Julieta' 2000 - A Senhora Ministra, RTP, 'Ausenda' 2000 - Casa da Saudade , RTP, 'Aurora Miranda' 2001 - Sábado à Noite, RTP, 2001 2001 - Olhos de Água, TVI, 'Celeste' 2001 - Nunca Digas Adeus, TVI, 'Felícia' 2002 - Super Pai, TVI, 'Dra. Maria João' 2002 - Bons Vizinhos, TVI, 'Juju' 2002 - A Minha Sogra é uma Bruxa, RTP, mãe de Acácio' 2003 - Coração Malandro, TVI, 'Zulmira' 2003/2004 - O Teu Olhar, TVI, 'Júlia das Dores' 2004 - Inspector Max, TVI, 'Maria do Sameiro/mulher de Arlindo' 2004/2005 - Os Batanetes, TVI, 'Zulmira da Silva Lucas' 2005 - Clube das Chaves, TVI, 'Rosa' 2006 - Mundo Meu, TVI, Esmeralda' 2006 - Aqui Não Há Quem Viva, SIC,'Isabel' 2008 - Chiquititas, SIC, 'Branca Montez' 2008 - A Outra, TVI 2009 - Conta-me como Foi, RTP, amiga de Vitória' 2009/2010 - Sentimentos, TVI, Maria da Luz Leal' 2011 - Liberdade 21 RTP 2011 - Remédio Santo, TVI, 'Cidália' 2011/2012 - Velhos Amigos, RTP, Albertina'
Teatro
Fez parte do elenco de várias revistas: 1955 - "Ó Zé Aperta o Laço!" - Teatro Maria Vitória 1955 - "Rir Até às Lágrimas" - Coliseu dos Recreios 1955 - "Festa é Festa!" - Teatro Maria Vitória 1956 - "Fonte Luminosa" - Coliseu dos Recreios 1956 - "O Reboliço" - Teatro Maria Vitória 1957 - "Toca a Música!" - Teatro Maria Vitória 1957 - "O João Valentão" - Teatro Maria Vitória 1957 - "Curvas Perigosas" - Teatro Maria Vitória 1958 - "Pernas à Vela" - Teatro Variedades 1959 - "Há Feira no Coliseu!" - Coliseu dos Recreios 1959 - "Isto é Delas" (Empresa Giuseppe Bastos e Vasco Morgado) - Teatro Variedades 1960 - "Revista é Sempre Revista" - Teatro Variedades 1960 - "Taco a Taco" - Teatro Maria Vitória 1960 - "Mulheres de Sonho" - Coliseu dos Recreios 1960 - "Chá-Chá-Chá" (Companhia Eugénio Salvador) - Teatro Maria Vitória 1961 - "Sopas e Descanso" - Teatro Maria Vitória 1961 - "O Trunfo é Espadas!" - Teatro ABC 1962 - "Saúde e Totobola" - Teatro ABC 1962 - "Com Sal e Pimenta" (Empresa Teatral José Miguel Lda.) - Teatro ABC 1964 - "Na Brasa!" - Teatro Capitólio 1965 - "É Canja!" - Teatro Capitólio 1967 - "Pão, Pão… Queijo, Queijo" (Empresa Giuseppe Bastos e Vasco Morgado) - Teatro Maria Vitória 1968 - "Grande Poeta é o Zé!" - Teatro Maria Vitória 1969 - "Mãos à Obra!" - Teatro Maria Vitória 1969 - "Peço a Palavra!" - Teatro Variedades 1970 - O Prato do Dia!… - Teatro Maria Vitória 1970 - Pimenta na Língua!… - Teatro Maria Vitória 1971 - Frangas na Grelha - Teatro ABC 1971 - Saídas da Casca - Teatro ABC 1972 - Viva a Pandilha... - Teatro ABC 1982 - Há, Mas São Verdes! - Teatro Variedades 1985 - Aguenta-te à Bronca - Teatro Variedades 1994 - De Pernas Pró Ar! - Teatro Maria Vitória 2012 - Não Há Euros P'ra Ninguém - Digressão 2013 - "Esta Vida é Uma Cantiga" - Teatro da Trindade e Coliseu dos Recreios 2014 - "Esta Vida é Uma Cantiga" - Coliseu dos Recreios 2014 - "Pró Diabo Kus Carregue" - Digressão 2014 - "O Barbeiro do Intendente" - Largo do Intendente 2019 - "Esta Vida é Uma Cantiga" - Casino do Estoril (duas sessões especiais)
Filmografia No cinema integra o elenco dos filmes:
1956 - Lisbon, do realizador Ray Milland 1969 - A Maluquinha de Arroios, do realizador Henrique Campos 1997 - Morte Macaca, da realizadora Jeanne Waltz
Fado Cantou com sucesso os temas: Cheira Bem, Cheira a Lisboa Fado da Sardinhada Santo António Veio a Alfama Sou Tua Tristezas não Pagam Dívidas Senhora da Saúde Calçadinha à Portuguesa Hermínia de Lisboa
Discografia Entre a sua discografia encontram-se: 1970 - Cheira a Lisboa, LP, Álbum 1970 - Cheira a Lisboa (7″, EP) 1970 - Marcha de Benfica / São João Bonito (7″, Single)