Resumo do Grande Prêmio da Hungria de Fórmula 1 realizado em Hungaroring em 7 de agosto de 1988. Décima etapa do campeonato, foi vencido pelo brasileiro Ayrton Senna, que subiu ao pódio junto a Alain Prost numa dobradinha da McLaren-Honda, com Thierry Boutsen em terceiro pela Benetton-Ford.

Resumo Alain Prost ainda lidera Nelson Piquet venceu o Grande Prêmio da Hungria em 1986 e 1987, mas seu nome não constava estava entre os favoritos para a edição seguinte dada a tibieza da Lotus. Por outro lado Ayrton Senna chegou a Hungaroring de olho na liderança do certame, preferencialmente vencendo a etapa húngara em novo duelo com Alain Prost. Para tanto ele deveria fazer a pole position num circuito de baixa velocidade, estreito, travado e com poucas opções de ultrapassagem. Sair em primeiro, entretanto, seria uma vantagem relativaː "A primeira curva está a favor do pole, mas em compensação ele larga no lado sujo da pista", afirmou Senna antes de iniciados os treinos. A cautela do brasileiro têm razão de ser, afinal o traçado do circuito húngaro é ideal para os motores aspirados superarem os turbos. "Preciso ser o pole position do Grande Prêmio da Hungria. Tenho ainda mais motivos para isso do que em Silverstone ou em Hockenheim; em Budapeste, há poucos pontos de ultrapassagem e chegamos ao momento mais importante do campeonato, pois o Prost está muito pressionado e as Ferrari podem voltar a surpreender. A corrida vale a liderança".

Ao afirmar o óbvio, o piloto brasileiro refreou a empolgação de parte da imprensa brasileira para quem é Ayrton Senna quem lidera o campeonato mundial de pilotos por ter cinco vitórias no bolso do macacão ante as quatro de Alain Prost, embora o critério objetivo da pontuação assinale 60 pontos do francês contra 57 pontos de seu companheiro de equipe e de acordo com o regulamento da Fórmula 1 será esta contagem a definir o campeão de 1988. Caso triunfe na Hungria com Prost em segundo, a liderança será de Senna pois ele e seu contendor estariam no topo da tabela com 66 pontos. Até mesmo um abandono de Prost seria benéfico a Senna, desde que este termine pelo menos em quarto lugar igualando os atuais 60 pontos do líder do campeonatoː nos dois casos a quantidade de vitórias favorecia ao brasileiro, mas nem assim os pontos colhidos até o momento devem ser desconsiderados.

Uma pole difícil Choveu na sexta pela manhã e por isso o treino da tarde ocorreu com o piso molhado, mas no fim da sessão o asfalto húngaro já estava seco devido ao sol forte e nele Alain Prost foi o mais veloz com sua McLaren deixando Ayrton Senna em quinto lugar, subjugado por três bólidos aspiradosː a Benetton de Alessandro Nanini e as Williams de Nigel Mansell e Riccardo Patrese. Num circuito travado e quase sem pontos de ultrapassagem, o bom desempenho da concorrência obrigou a equipe de Ron Dennis a trabalhar durante a noite a fim de ajustar-se às características de Hungaroring extraindo o máximo dos turbos fornecidos pela Honda, uma medida necessária, pois no treino de sábado a pole provisória esteve ao alcance de Mansell durante 55 minutos quando a McLaren de Senna ascendeu ao primeiro lugar em sua derradeira tentativa, superando o britânico da Williams por um décimo de segundo enquanto Alain Prost terminou em sétimo (queixando-se do tráfego, para variar) e Nelson Piquet em décimo terceiro após lidar com um problema nos freios. Sob o ponto de vista estatístico, Ayrton Senna atingiu sua oitava pole position no ano e a vigésima quarta de sua carreira, número este igual ao dos tricampeões Niki Lauda e Nelson Piquet, mas o valor dessa conquista reside num fato inusitadoː Nigel Mansell vendeu caro sua derrota ante o primor da McLaren e o talento de Ayrton Senna, pois o "leão" da Williams extraiu o máximo de si, mesmo vitimado pelo sarampo.

Hungria em dois atos O prenúncio de que o domingo não seria fácil para Ayrton Senna veio no momento da largada quando ele valeu-se do potente motor Honda para manter a McLaren na liderança ao contornar a primeira curva adiante de Nigel Mansell, cuja Williams manteve-se próxima ao brasileiro durante onze voltas. Graças a um chassis bem adaptado ao circuito húngaro e ao bom rendimento dos motores aspirados, Mansell aproveitava as curvas para encostar em Senna, mas quando cruzavam a reta o brasileiro sustentava a liderança. Mesmo alquebrado pelo sarampo, Mansell aproveitou a presença de Riccardo Patrese em terceiro com a outra Williams para insistir na caça a Senna até a abertura da décima segunda volta, quando tocou a roda dianteira direita na grama ao contornar uma curva, obrigando o britânico a "domar" o carro e voltar à pista em quarto lugar atrás de Senna, Patrese e Boutsen, mas à frente de Prost.

Como a vantagem sobre Riccardo Patrese oscilava entre um e dois segundos, Ayrton Senna não pôde poupar seu equipamento da forma como gostaria, de modo a compensar o desgaste sofrido com Nigel Mansell. Por outro lado, Alain Prost empreendeu uma corrida mais tranquila, pois embora tenha caído para nono durante a largada, superou as March de Ivan Capelli e Maurício Gugelmin em apenas duas voltas. Algum tempo depois, o francês chegou à zona de pontuação ao ultrapassar Gerhard Berger, da Ferrari e Alessandro Nannini, da Benetton. Para chegar ao pódio seria preciso duelar com as Williams e nisso Prost reduziu a diferença que o separava de Mansell até suplantá-lo na volta vinte e oito. Quanto a Riccardo Patrese, seu bólido perdeu rendimento até cair para o sexto lugar, e quanto a Nigel Mansell, este abandonaria a disputa na sexagésima volta por falta de condições físicas.

Ainda em primeiro lugar, Ayrton Senna foi obrigado a acelerar e distanciar-se da briga, iniciada na volta trinta e dois, onde Alain Prost tomou a segunda posição de Thierry Boutsen na quadragésima sétima passagem. Nesse momento, os bólidos da McLaren estavam a três segundos de distância, pulverizados por Prost dois giros mais tarde quando o francês enquadrou o rival a curta distância. Quando Senna reduziu a velocidade a fim de ultrapassar os retardatários Gabriele Tarquini, da Coloni, e Philippe Alliot, da Lola, Prost foi ladino e mergulhou por dentro e mesmo expondo-se a um toque por falta de espaço, assumiu a liderança na volta 49, mas a beleza do duelo veio alguns metros adianteː ele deixou o carro escapar na aproximação de uma curva e tomou o contragolpe de Senna também pelo lado interno da pista. Como permaneceu fora do traçado ideal, o piloto francês sujou os pneus e perdeu aderência, além de sofrer com vibrações intensas na dianteira do carro, permitindo ao seu adversário abrir quase sete segundos de vantagem a dez voltas para o fim da contenda. Decidido a vencer, Prost reduziu a diferença, mas Senna resistiu ao ataque e cruzou a linha de chegada em primeiro lugar, meio segundo adiante de seu companheiro de equipe e a mais de trinta segundos da Benetton de Thierry Boutsen, sendo que Gerhard Berger (Ferrari), Maurício Gugelmin (March) e Riccardo Patrese (Williams) completaram a zona de pontuação. Em tempoː Ayrton Senna tornou-se o primeiro piloto de Fórmula 1 a vencer três corridas consecutivas no mesmo ano desde os triunfos de Alan Jones com a Williams na Alemanha, Áustria e Países Baixos em 1979.

Num fim de semana onde os rivais eclipsaram seu protagonismo em algum momento, Ayrton Senna conseguiu a vitória mais difícil do ano e graças ao empate em 66 pontos com Alain Prost, a McLaren ficou a um passo do mundial de construtores com 132 pontos. A partir destes números, a consagração de Senna depende de três vitórias nas seis provas restantes, independente dos resultados de Prost. Sem liderar o mundial de Fórmula 1 desde o Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 1987, as chances de o brasileiro chegar ao título são de 68% sob as regras vigentes. Conforme a matemática, já não é mais apenas uma questão de torcida...

Classificação Pré-classificação Pos. Nº Piloto Construtor Tempo Dif.136 Alex CaffiDallara-Ford2:01.593 —232 Oscar LarrauriEuroBrun-Ford2:03.343 + 1.750331 Gabriele TarquiniColoni-Ford2:03.371 + 1.778433 Stefano ModenaEuroBrun-Ford2:04.168 + 2.575521 Nicola LariniOsella2:05.626 + 4.033

Treinos classificatórios Pos. Nº Piloto Construtor Q1 Q2 Grid 1 12 Ayrton Senna McLaren-Honda 1:30.422 1:27.635 — 2 5 Nigel Mansell Williams-Judd 1:30.151 1:27.743 + 0.108 3 20 Thierry Boutsen Benetton-Ford 1:30.780 1:27.970 + 0.335 4 16 Ivan Capelli March-Judd 1:32.675 1:28.350 + 0.715 5 19 Alessandro Nannini Benetton-Ford 1:29.779 1:28.493 + 0.858 6 6 Riccardo Patrese Williams-Judd 1:30.382 1:28.569 + 0.934 7 11 Alain Prost McLaren-Honda 1:29.589 1:28.778 + 1.143 8 15 Maurício Gugelmin March-Judd 1:35.237 1:29.099 + 1.464 9 28 Gerhard Berger Ferrari 1:31.192 1:29.244 + 1.609 10 36 Alex Caffi Dallara-Ford 1:32.887 1:29.891 + 2.346 11 24 Luis Pérez-Sala Minardi-Ford 1:33.494 1:30.103 + 2.468 12 17 Derek Warwick Arrows-Megatron 1:32.514 1:30.185 + 2.550 13 1 Nelson Piquet Lotus-Honda 1:35.346 1:30.405 + 2.770 14 18 Eddie Cheever Arrows-Megatron 1:32.589 1:30.908 + 3.273 15 27 Michele Alboreto Ferrari 1:32.304 1:31.052 + 3.417 16 23 Pierluigi Martini Minardi-Ford 1:33.597 1:31.123 + 3.488 17 29 Yannick Dalmas Lola-Ford 1:33.192 1:31.200 + 3.565 18 22 Andrea de Cesaris Rial-Ford 1:48.994 1:31.523 + 3.888 19 2 Satoru Nakajima Lotus-Honda 1:34.194 1:31.646 + 4.011 20 30 Philippe Alliot Lola-Ford 1:33.132 1:31.719 + 4.084 21 3 Jonathan Palmer Tyrrell-Ford 1:34.001 1:31.741 + 4.106 22 31 Gabriele Tarquini Coloni-Ford 1:35.991 1:32.160 + 4.525 23 14 Philippe Streiff AGS-Ford 1:32.973 1:32.265 + 4.630 24 26 Stefan Johansson Ligier-Judd 1:34.843 1:32.342 + 4.707 25 25 René Arnoux Ligier-Judd 1:35.685 1:32.477 + 4.842 26 33 Stefano Modena EuroBrun-Ford 1:35.389 1:32.614 + 4.979 27 32 Oscar Larrauri EuroBrun-Ford 1:35.990 1:32.987 + 5.352 28 10 Bernd Schneider Zakspeed 1:36.716 1:33.357 + 5.722 29 4 Julian Bailey Tyrrell-Ford 1:35.693 1:33.694 + 6.059 30 9 Piercarlo Ghinzani Zakspeed 1:36.223 1:34.701 + 7.066Fonte:

Corrida Pos. Nº Piloto Construtor Voltas Tempo/Diferença Grid Pontos 1 12 Ayrton Senna McLaren-Honda 76 1:57:47.081 1 9 2 11 Alain Prost McLaren-Honda 76 + 0.529 7 6 3 20 Thierry Boutsen Benetton-Ford 76 + 31.410 3 4 4 28 Gerhard Berger Ferrari 76 + 1:28.670 9 3 5 15 Maurício Gugelmin March-Judd 75 + 1 volta 8 2 6 6 Riccardo Patrese Williams-Judd 75 + 1 volta 6 1 7 2 Satoru Nakajima Lotus-Honda 73 + 3 voltas 19 8 1 Nelson Piquet Lotus-Honda 73 + 3 voltas 13 9 29 Yannick Dalmas Lola-Ford 73 + 3 voltas 17 10 24 Luis Pérez-Sala Minardi-Ford 72 + 4 voltas 11 11 33 Stefano Modena EuroBrun-Ford 72 + 4 voltas 26 12 30 Philippe Alliot Lola-Ford 72 + 4 voltas 20 13 31 Gabriele Tarquini Coloni-Ford 71 + 5 voltas 22 Ret 17 Derek Warwick Arrows-Megatron 65 Freios 12 Ret 5 Nigel Mansell Williams-Judd 60 Piloto indisposto 2 Ret 18 Eddie Cheever Arrows-Megatron 55 Freios 14 Ret 27 Michele Alboreto Ferrari 40 Pane elétrica 15 Ret 25 René Arnoux Ligier-Judd 32 Motor 25 Ret 22 Andrea de Cesaris Rial-Ford 28 Halfshaft 18 Ret 19 Alessandro Nannini Benetton-Ford 24 Superaquecimento 5 Ret 36 Alex Caffi Dallara-Ford 22 Motor 10 Ret 26 Stefan Johansson Ligier-Judd 19 Acelerador 24 Ret 23 Pierluigi Martini Minardi-Ford 8 Colisão 16 Ret 14 Philippe Streiff AGS-Ford 8 Colisão 23 Ret 16 Ivan Capelli March-Judd 5 Motor 4 Ret 3 Jonathan Palmer Tyrrell-Ford 3 Motor 21 DNQ 32 Oscar Larrauri EuroBrun-Ford DNQ 10 Bernd Schneider Zakspeed DNQ 4 Julian Bailey Tyrrell-Ford DNQ 9 Piercarlo Ghinzani Zakspeed DNPQ 21 Nicola Larini OsellaFonte:Voltas na liderança: Ayrton Senna liderou as 76 voltas da prova.

Tabela do campeonato após a corrida

Classificação do mundial de pilotos Pos. Piloto Pontos 1 Ayrton Senna 66 2 Alain Prost 66 3 Gerhard Berger 28 4 Thierry Boutsen 16 5 Michele Alboreto 16Fonte:

Classificação do mundial de construtores Pos. Equipe Pontos 1 McLaren-Honda 132 2 Ferrari 44 3 Benetton-Ford 22 4 Lotus-Honda 16 5 Arrows-Megatron 10Fonte: