Resumo do Grande Prêmio da Hungria de Fórmula 1 realizado em Hungaroring em 13 de agosto de 1989. Décima etapa do campeonato, foi vencido pelo britânico Nigel Mansell, da Ferrari, com Ayrton Senna em segundo pela McLaren-Honda e Thierry Boutsen em terceiro pela Williams-Renault.
Resumo Patrese mostra suas garras Sexta-feira foi um dia exitoso para Riccardo Patrese em Hungaroring, pois sua Williams FW12 fez valer a força do motor Renault e marcou o melhor tempo, mas o nome de Alex Caffi em segundo lugar chamou a atenção por seu carro adaptar-se tão bem ao lento e sinuoso circuito húngaro, mérito do acerto entre o chassis Dallara F189 e os pneus Pirelli, deixando para trás a McLaren de Alain Prost, a Ferrari de Gerhard Berger, a Benetton de Alessandro Nanini, com Ayrton Senna em sexto lugar na outra McLaren. "O meu carro de corrida teve vazamentos no motor e no câmbio e por isso quase não treinei de manhã", disse o brasileiro antes de apontar o tráfego como outro de seus infortúnios, embora estivesse otimista quanto ao seu desempenho no dia seguinte.
Quando o treino de sábado chegou ao fim, a Williams de Riccardo Patrese manteve-se como detentora da pole position para a etapa húngara, três décimos de segundo à frente de Ayrton Senna, tendo a Dallara de Alex Caffi num surpreendente terceiro lugar, dividindo fila com Thierry Boutsen, o outro piloto da Williams. Embora em boa posição, a vida de Senna não foi fácil, pois o tempo que assegurou o primeiro lugar a Patrese vigia desde a sexta-feira e o brasileiro da McLaren não pôde superar o rival, mesmo gastando dois jogos de pneus de classificação durante o treino. Debelada a grande ameaça ao seu triunfo, o italiano foi à pista numa exibição protocolar e confirmou a terceira pole de sua carreira, incluindo as obtidas no Grande Prêmio do Oeste dos Estados Unidos de 1981 e no Grande Prêmio da Itália de 1983. Foi também a primeira pole da Renault desde o Grande Prêmio do México de 1986 e a primeira da Williams desde o Grande Prêmio do México de 1987.
Ao comentar o treino de seu adversário, Senna rendeu-se aos fatos. "Ele mereceu. Foi um resultado realmente excepcional o que Patrese conseguiu na sexta-feira. Mesmo com duas voltas limpas no melhor que pude conseguir do carro, não ameacei a sua posição". Tal reconhecimento, porém, foi seguido pelo otimismo do brasileiro quanto à corrida, ainda mais com a outra McLaren em quinto com Alain Prost e as máquinas da Ferrari em sexto com Gerhard Berger e em décimo segundo com Nigel Mansell. Para quem estranhou os oito segundos de diferença entre a pole de Patrese e a obtida por Senna em 1988, cabe uma explicação: modificaram a curva em "S" existente logo depois da largada, reduzindo assim o tempo de uma volta.
Em sentido inverso, a Ligier foi limada da competição quando Olivier Grouillard destruiu o seu carro nos treinos de sexta-feira, forçando sua equipe a dividir o bólido restante entre ele e René Arnoux, mas o duplo abandono não pôde ser evitado, tal como o fracasso no Grande Prêmio de San Marino de 1988 e no Grande Prêmio dos Estados Unidos de 1989.
Vitória maiúscula de Mansell Riccardo Patrese e Ayrton Senna chegaram próximos um do outro na primeira freada, emulando a largada do Grande Prêmio do Brasil, todavia a ausência de um terceiro piloto ali e o recuo do brasileiro na disputa pelo primeiro lugar evitaram um novo acidente entre os contendores, afinal o piloto da Williams não cometeu erros ao defender sua posição, liderando a corrida húngara por cinquenta e duas voltas. Com o desenrolar da porfia, Patrese mantinha Senna a dois segundos de si, em média, enquanto o sonho de Alex Caffi desvaneceu à medida que seu carro foi ultrapassado por concorrentes mais fortes como Berger, Prost e Mansell, tendo o italiano da Dallara subsistido na zona de pontuação até ser ultrapassado pela Arrows de Eddie Cheever na volta trinta e cinco.
Quem parecia disputar uma corrida à parte era Nigel Mansell: décimo segundo no grid, subiu para oitavo na volta inicial e chegou à zona de pontuação na vigésima passagem. Indômito, o britânico ganhou uma posição ao superar Caffi e outra quando Berger trocou os pneus. A essa altura, a vantagem de Patrese sobre Senna gravitava em torno de meio segundo, número similar à diferença entre Mansell e Prost, até que o "leão" superou o francês da McLaren na subida para as curvas quatro e cinco, ascendendo ao terceiro lugar ao final da volta quarenta. Nos giros seguintes, o trio de líderes estava próximo entre si, com Mansell à caça de Senna e este espreitando Patrese, enquanto Prost, Berger e Cheever também duelavam no asfalto húngaro. Nove pilotos estavam fora da corrida e nos boxes a imagem da Onyx parada por dez longos minutos antes de voltar à pista indicavam Stefan Johansson como o próximo a capitular.
Graças ao bom desempenho de seu motor nas saídas de curva, Patrese mantinha-se em primeiro lugar, mas tal esforço cobrou seu preço quando sua Williams perdeu rendimento ante o superaquecimento do motor, mas a distância que o separava de Senna quedou-se inalterada porque o brasileiro não tinha pneus e freios em bom estado, razão pela qual evitava sair do traçado com medo de acentuar o desgaste da McLaren, contudo, na volta cinquenta e três, Senna tomou a liderança trazendo Mansell próximo de si enquanto o italiano da Williams abandonou pouco depois em razão de um vazamento d'água. Prost e Berger até ensaiam um duelo final, todavia ambos saem da pista: Prost por erro e Berger devido a uma quebra de câmbio.
Com uma máquina em melhor estado, Mansell perseguiu Senna de forma indômita enquanto o brasileiro exauria ainda mais sua McLaren. Na volta cinquenta e oito, eles encontram a Onyx de Johansson em baixa velocidade na terceira curva do circuito e nesse instante Senna freou para evitar uma batida, momento que Mansell aproveitou magistralmente ao ultrapassar o brasileiro com autoridade e abrir vantagem na liderança. "Eu achei que o Johansson ia tirar o pé e deixar a gente passar, já que ele estava com problemas desde umas duas curvas antes. Só que naquela hora ele insistiu em ficar no traçado mesmo indo devagar o suficiente para que eu quase batesse nele. Eu repito isso como falta de profissionalismo", declarou Senna à imprensa depois da corrida. Por sua vez, o piloto sueco defendeu a própria atitude: "Eu percebi que eles, o Senna e o Mansell, estavam se aproximando e por isso tomei a atitude que julguei mais correta. Em vez de sair para a esquerda ou para a direita, o que obrigaria ambos a adivinharem o que eu ia fazer, preferi manter-me na linha normal e o máximo possível para atrapalhar o mínimo possível."
Mansell liderava sem oposição, Johansson recolheu-se aos boxes depois do seu "protagonismo momentâneo" e Senna parecia conformado com o segundo lugar, sobretudo quando Prost trocou os pneus e caiu para quinto, atrás de Eddie Cheever e Thierry Boutsen. Equilibrada, a Ferrari do "leão" marcou a melhor volta da corrida na sexagésima sexta passagem, chegando a abrir treze segundos de Senna, este muito à frente de Boutsen enquanto Cheever e Prost lutavam pelo quarto lugar. A três voltas do fim, Senna reclama das vibrações em seu maquinário e cede mais espaço para Mansell, que vence a corrida, rompendo a invencibilidade brasileira em solo húngaro. Em segundo lugar chegou a McLaren de Ayrton Senna conquistando o centésimo pódio da Honda, enquanto a Williams de Thierry Boutsen ficou em terceiro marcando as cento e cinquenta corridas da Renault. Na quarta posição cruzou Alain Prost com a outra McLaren, a curta distância da Arrows de Eddie Cheever, este com boa folga em relação à Lotus de Nelson Piquet.
Chances remotas de título Após a corrida, Alain Prost mantinha a liderança do mundial de pilotos com 56 pontos, enquanto a vice-liderança da competição estava com Ayrton Senna e seus 42 pontos, cabendo a terceira posição a Nigel Mansell, com 34. Entre os construtores, a McLaren ponteia com 98 pontos, mais que a soma de Williams (42), Ferrari (34) e Benetton (17), ou seja, na Fórmula 1 predominam o vermelho e o branco, cores do time de Ron Dennis. No entanto, para que Ayrton Senna ganhe o campeão mundial de 1989 sem depender de outros resultados, precisará vencer cinco das seis corridas restantes. Nada mudou quanto ao favoritismo de Alain Prost rumo ao tricampeonato.
Classificação Pré-qualificação Pos. Nº Piloto Construtor Tempo Diferença 1 36 Stefan Johansson Onyx-Ford 1:22.836 — 2 18 Piercarlo Ghinzani Osella-Ford 1:24.086 + 1.250 3 29 Michele Alboreto Lola-Lamborghini 1:24.323 + 1.487 4 37 Bertrand Gachot Onyx-Ford 1:24.412 + 1.576 5 17 Nicola Larini Osella-Ford 1:24.601 + 1.765 6 30 Philippe Alliot Lola-Lamborghini 1:24.928 + 2.092 7 41 Yannick Dalmas AGS-Ford 1:25.571 + 2.735 8 34 Bernd Schneider Zakspeed-Yamaha 1:25.613 + 2.777 9 40 Gabriele Tarquini AGS-Ford 1:25.685 + 2.849 10 31 Roberto Moreno Coloni-Ford 1:26.903 + 4.067 11 33 Gregor Foitek EuroBrun-Judd 1:27.478 + 4.642 12 35 Aguri Suzuki Zakspeed-Yamaha 1:28.113 + 5.277 13 32 Pierre-Henri Raphanel Coloni-Ford 1:45.971 + 22.135
Treinos classificatórios Pos. N.º Piloto Construtor Q1 Q2 Grid 1 6 Riccardo Patrese Williams-Renault 1:19.726 1:20.644 — 2 1 Ayrton Senna McLaren-Honda 1:21.576 1:20.039 + 0.313 3 21 Alex Caffi Dallara-Ford 1:21.040 1:20.704 + 0.978 4 5 Thierry Boutsen Williams-Renault 1:23.492 1:21.001 + 1.275 5 2 Alain Prost McLaren-Honda 1:21.076 1:22.267 + 1.350 6 28 Gerhard Berger Ferrari 1:21.304 1:21.270 + 1.544 7 19 Alessandro Nannini Benetton-Ford 1:21.448 1:21.301 + 1.575 8 8 Stefano Modena Brabham-Judd 1:23.090 1:21.472 + 1.746 9 9 Derek Warwick Arrows-Ford 1:23.111 1:21.617 + 1.891 10 23 Pierluigi Martini Minardi-Ford 1:21.746 1:32.546 + 2.020 11 4 Jean Alesi Tyrrell-Ford 1:23.853 1:21.799 + 2.073 12 27 Nigel Mansell Ferrari 1:22.544 1:21.951 + 2.225 13 15 Maurício Gugelmin March-Judd 1:22.949 1:22.083 + 2.357 14 16 Ivan Capelli March-Judd 1:22.445 1:22.088 + 2.362 15 7 Martin Brundle Brabham-Judd 1:22.970 1:22.296 + 2.570 16 10 Eddie Cheever Arrows-Ford 1:23.251 1:22.374 + 2.648 17 11 Nelson Piquet Lotus-Judd 1:22.837 1:22.406 + 2.680 18 22 Andrea de Cesaris Dallara-Ford 1:23.463 1:22.410 + 2.684 19 3 Jonathan Palmer Tyrrell-Ford 1:24.670 1:22.578 + 2.852 20 12 Satoru Nakajima Lotus-Judd 1:23.996 1:22.630 + 2.904 21 37 Bertrand Gachot Onyx-Ford 1:22.634 1:23.720 + 2.908 22 18 Piercarlo Ghinzani Osella-Ford 1:23.091 1:22.763 + 3.037 23 24 Luis Pérez-Sala Minardi-Ford 1:23.017 1:24.188 + 3.291 24 36 Stefan Johansson Onyx-Ford 1:23.372 1:23.148 + 3.422 25 20 Emanuele Pirro Benetton-Ford 1:23.772 1:23.399 + 3.673 26 29 Michele Alboreto Lola-Lamborghini 1:23.733 1:25.660 + 4.007 27 25 René Arnoux Ligier-Ford 1:25.862 1:24.003 + 4.277 28 26 Olivier Grouillard Ligier-Ford 1:24.702 1:25.169 + 4.976 29 38 Christian Danner Rial-Ford 1:26.485 1:25.017 + 5.291 30 39 Volker Weidler Rial-Ford 1:28.112 1:26.320 + 6.594Fontes:
Corrida