Humanidades é um termo polissêmico que denomina um núcleo de disciplinas que estudam a expressão humana, principalmente a linguagem e a arte em sua várias formas. Abrange, historicamente, a filologia, a linguística, a musicologia, a história e teoria da arte, a teoria literária. Contemporaneamente, inclui, também, os estudos de mídia e o estudo do cinema. A distinção e autonomia das humanidades como campo de estudos foi elaborada gradativamente ao longo do período moderno, consolidando-se notoriedamente no século XIX, porém, muitas diferenciações conceituais foram implantadas anteriormente na educação e na academia, esquematizando as relações entre humanidades, ciências humanas e ciências naturais.

Antiguidade

Início do estudo da linguagem Pānini

Os primeiros estudos sistemáticos da linguagem são atribuidos ao gramático indiano Pānini, cuja vida, pouquíssimo conhecida, é situada entre o século VII e V antes de Cristo, tendo nascido em Gandara. Considerado o 'pai da linguística', sua obra foi tardiamente conhecida na Europa, e ainda assim causou uma profundo transformação no estudo da linguagem. Sua obra Ashtadhyayi, contém uma descrição do sânscrito enquanto um sistema de regras gramaticais interconectadas, somando 3,959 ao todo, que possibilitam um número enorme de sentenças. Sendo, assim, a primeira elaboração conhecida de uma formalização completa da linguagem, que permanece, até hoje, uma referência no estudo do sânscrito. Os métodos e o formalismo intrínseco implementado por Pānini nesse esforço tornaram-se objeto de interesse próprio, pela sofisticação e consistência lógica resultante do sistema. Sua relação com a tradição filosófica e linguística existente na Índia é, por outro lado, obscura, dado a falta de acesso às obras dos gramáticos precedentes. É especulado que o conexto intelectual de Pānini fosse propriamente a tradição de interpretação religiosas dos textos Védicos, que desenvolveu uma grande sofisticação nesse período da história indiana, é também argumentado, em contraposição, que sua gramática é focada especialmente na determinação das formas corretas de falar o sânscrito, o valor educacional dessas obras permanecerão em vigor por muito tempo, especialmente na formação dos Brâmanes.

O Ashtadhyayi cultivou inúmeras escolas linguísticas e lógicas na Índia, produzindo uma tradição de comentários e comentários de comentários à obra, como também aplicações da gramática, até mesmo para línguas não indo-europeias como o Tamil e o Tibetano. Mais tarde, no século VII, tornou-se conhecido na China por ação de peregrinos budistas, e então, no século XI, foi propagado de forma resumida no mundo persa através do livro Indica, do polimata Albiruni. Na Europa, a gramática de Pānini só foi conhecida no século XIX, com a emergência da linguística comparada.

Dionísio, o Trácio

Ainda que nenhuma obra da antiguidade se compare à abrangência da gramática de Pānini, o trabalho de Dionísio, o Trácio, denominado Téchne grammatiké, desenvolvido no século I antes de Cristo, é a primeira gramática prescritiva sobrevivente da antiguidade grega.

Dionísio definiu o estudo da linguagem como um "conheciemtno prático dos elementos de uma linguagem como usados por poetas e escritores de prosa", o que revela a intenção prática e educativa que orienta os gramáticos da época, que se tornaria referência na instrução da língua grega, especialmente para os romanos, mas também estabelecendo a terminologia padrão das gramáticas europeias até o século XVIII. A Téchne grammatiké concentrava-se na definição das pronúncias corretas, na pontuação, alfabeto, sílabas, substantivos, verbos, artigos e demais elementos básicos da noção contemporânea de gramática, incluido também instrução sobre métrica.

Apolônio Díscolo

Destaca-se, no período seguinte, a obra de Apolônio Díscolo, que viveu no século II, e iniciou análise da sintaxe do grego antigo, ainda que baseado, na maior parte, na concepções Aristotélicas de sujeito e predicado. Apolônio inaugura, por exemplo, o estudo da concordância gramatical. Aborda também, através de exemplos, diversas exceções e idiosíncrasias da língua grega, deixando, na maior parte, de generalizar regras linguísticas subjacentes.

Gramáticos latinos O estudo da gramática da língua latina também desenvolveu-se numa tradição. Eruditos como Marco Terêncio Varrão, que elaborou no século I um estudo com ênfase nas categorias formais da língua, enquanto que Élio Donato e Prisciano dedicaram-se à categorias semânticas. As obras de Donato, Ars minor e Ars maior, escritas no século IV, foram influentes até o fim da primeira metade do período medieval, enquanto que a obra Institutiones grammaticae, de Prisciano, foi redescoberta durante o renascimento carolíngio e inspirou a linguística europeia com seu estudo taxonomico das palavras.

Período medieval

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Contemporaneidade

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Estudos de mídia

Estudos de gênero

Humanidades digitais

Bibliografia