Charlotte Brontë (Thornton, 21 de abril de 1816 — Haworth, 31 de março de 1855) foi uma escritora e poetisa inglesa, a mais velha das três irmãs Brontë que chegaram à idade adulta e cujos romances são dos mais conhecidos da literatura inglesa. Nasceu em Thornton, oeste de Bradford, West Yorkshire, Reino Unido no dia 21 de abril de 1816. Escreveu o seu romance mais conhecido, Jane Eyre com o pseudônimo Currer Bell.Charlotte Brontë: A Brief Biography. Victorian Web. Consultado a 13 de Fevereiro de 2012.
Família
Charlotte era a terceira dos seis filhos nascidos de Maria Branwell e Patrick Brontë (cujo sobrenome anterior era Brunty ou Prunty), um pastor anglicano de origem irlandesa. Em 1820, a família mudou-se para uma aldeia a alguns quilômetros de Haworth, onde Patrick tinha sido nomeado coadjutor perpétuo na Igreja de São Miguel e Todos os Anjos. A mãe de Charlotte morreu de cancro no dia 15 de setembro de 1821, deixando as suas cinco filhas e o filho aos cuidados da sua irmã, Elizabeth Branwell.
Primeiros Anos e Educação thumb|left|200px|Charlotte (dir.) com as irmãs Emily e Anne num quadro pintado pelo irmão Branwell
Em agosto de 1824, Charlotte e as suas irmãs Emily, Maria e Elizabeth, foram enviadas para a escola de filhas do clero em Cowan Bridge, Lancashire, uma escola que descreveu em detalhe no seu romance "Jane Eyre" com o nome de Lowood School. Charlotte iria sempre afirmar que as fracas condições da escola afetaram permanentemente a sua saúde e desenvolvimento e apressaram a morte das suas irmãs mais velhas, Maria (nascida em 1814) e Elizabeth (nascida em 1815), que morreram de tuberculose em junho de 1825. Pouco depois da morte das suas irmãs, o seu pai retirou as restantes filhas da escola.Fraser, Rebecca (2008). Charlotte Brontë: A Writer's Life (2 ed.). 45 Wall Street, Suite 1021 New York, NY 10005: Pegasus Books LLC. pp. 261. ISBN 978-1-933648-88-0.
De regresso a casa, em Haworth Parsonage, uma pequena reitoria perto do cemitério de uma aldeia fria e ventosa nas colinas de Yorkshire, Charlotte passou a ser "uma amiga maternal e guardiã das suas irmãs mais novas". Juntamente com os seus irmãos ainda vivos (Branwell, Emily e Anne), Charlotte começou a escrever sobre as vidas e lutas dos habitantes dos seus reinos imaginários. Charlotte e Branwell começaram a escrever histórias byronianas sobre um país que tinham inventado chamado Angria, ao mesmo tempo que Emily e Anne começaram a escrever artigos e poemas sobre Gondal, o país que também tinham inventado. As sagas (parte das quais ainda existe nos dias de hoje em forma de manuscrito) eram elaboradas e rebuscadas e instigou-as desde a infância e adolescência com um interesse quase obsessivo que as preparou para a sua vocação literária durante a idade adulta.Miller, Lucasta (2005). The Brontë Myth. New York: Anchor. p. 5
Charlotte continuou a sua educação em Roe Head, Mirfield, entre 1831 e 1832, onde conheceu as duas amigas com quem trocaria correspondência o resto da vida: Ellen Nussey e Mary Taylor. Durante este período, Charlotte escreveu a novela "The Green Dwarf" em 1833 com o pseudónimo Wellesley. Charlotte regressou à escola, desta vez como professora, em 1835 e permaneceu nesta função até 1838. Em 1839, aceitou a primeira de muitas posições como governanta em várias famílias do Yorkshire, uma carreira que seguiu até 1841. Em termos políticos, Charlotte era conservadora, mas promovia a ideia de tolerância em vez de revolução. Tinha princípios morais muito fortes e, apesar da sua timidez, estava sempre pronta para defender os seus princípios."Michele Roberts on Charlotte Bronte, the gourmet". New Statesman. UK. 5 May 2003. Retrieved 13 de Janeiro de 2011.
Bruxelas
Em 1842, Charlotte e Emily viajaram para Bruxelas para trabalhar num internato dirigido por Constantin Héger e pela sua esposa Claire Zoé Parent Heger. Em troca de alimentação e educação, Charlotte ensinava inglês e Emily música. A sua estadia no internato foi encurtada pela morte súbita da sua tia Elizabeth Branwell de obstrução intestinal em outubro de 1842. Charlotte regressou sozinha a Bruxelas em janeiro de 1843 depois de aceitar um posto como professora no internato. A sua segunda estadia não foi feliz. Começou a sentir-se sozinha, com saudades de casa e começou a apaixonar-se por Constantin Heger. Acabou por regressar a Haworth em janeiro de 1844 e mais tarde usou partes da sua experiência no internato para escrever alguns de seus romances.
Publicações thumb|right|200px|Charlotte por J. H. Thompson
Em maio de 1846, Charlotte, Emily e Anne publicaram uma colecção de poemas em conjunto com os pseudônimos Currer, Ellis e Acton Bell. Apesar de terem vendido apenas duas cópias, as irmãs continuaram a escrever com o objectivo de verem os seus trabalhos publicados e começaram a desenvolver os seus primeiros romances. Charlotte utilizou o pseudónimo Currer Bell quando publicou os seus dois primeiros romances. Charlotte escreveu mais tarde sobre a razão pela qual tinham escolhido não revelar os seus nomes:
"Aviso Biográfico de Ellis e Acton Bell", do prefácio da edição de 1910 de "O Monte dos Vendavais".
De fato, os seus romances foram considerados vulgares pelos críticos.Fraser, Rebecca. Charlotte Bronte: A Writer's Life. New York: Pegasus, 2008, p. 24. Havia muita especulação quanto à identidade de Currer Bell e se este seria um homem ou uma mulher.
O irmão de Charlotte, Branwell, o único homem entre os irmãos, morreu de bronquite crônica e debilidade extrema que tinha sido provocada pelo abuso de álcool, em setembro de 1848, apesar de Charlotte acreditar que o irmão tinha morrido de tuberculose. Também se suspeitava que Branwell fosse viciado em ópio. Tanto Emily como Anne morreram de tuberculose em dezembro de 1848 e em maio de 1849.
Charlotte e o pai eram os únicos sobreviventes da família. Devido ao grande sucesso de Jane Eyre, Charlotte foi convencida pelo seu editor a visitar Londres ocasionalmente, onde a escritora acabaria por revelar a sua verdadeira identidade e começou a frequentar um círculo social mais movimentado, fazendo amizade com Harriet Martineau, Elizabeth Gaskell, William Makepeace Thackeray e G. H. Lewes. Contudo, Charlotte nunca mais deixou Haworth (somente por algumas semanas), pois não queria deixar o seu pai idoso sozinho. A filha de Thackeray, a escritora Anne Isabella Thackeray Ritchie recordou uma visita que Charlotte fez ao seu pai:
Obras
Juvenilia The Young Men's Magazine, Number 1 – 3 (Agosto de 1830) The Spell The Secret Lily Hart The Foundling The Green Dwarf My Angria and the Angrians Albion and Marina Tales of the Islanders Tales of Angria (escrito entre 1838–1839 – uma coleção de escritos de sua infância e juventude, incluindo cinco pequenas novelas) Mina Laury Stancliffe's Hotel The Duke of Zamorna Henry Hastings Caroline Vernon The Roe Head Journal Fragments The Green Dwarf, A Tale of the Perfect Tense, escrito em 1833 sob o pseudônimo Lord Charles Albert Florian Wellesley. Ele mostra a influência de Walter Scott nas obras de Charlotte Brontë, e as modificações em seu estilo gótico inicial levaram Christine Alexander a comentar que, na obra, "fica claro como Brontë estava ficando cansada do modo gótico per se".Alexander, Christine (March 1993). "'That Kingdom of Gloo': Charlotte Brontë, the Annuals and the Gothic". Nineteenth-Century Literature 47 (4): 409–436.
Romances Jane Eyre (1847) Shirley (1849) Villette (1853) O Professor, escrito antes de Jane Eyre e enviado primeiramente junto com O Morro dos Ventos Uivantes e Agnes Grey, e depois separadamente; rejeitado por muitas editoras, foi publicado postumamente em 1857. Emma, não finalizado; Charlotte Brontë escreveu apenas vinte páginas do manuscrito, que foi também publicado após sua morte, em 1860. Nas duas últimas décadas, surgiram ao menos duas continuações desses fragmentos: Emma, por "Charlotte Brontë and Another Lady", publicado em 1980; apesar de ter sido atribuído a Elizabeth Goudge,"Review of Emma Brown by Charlotte Cory". The Independent. 13 September 2003. Archived from the original on 19 September 2011. Retrieved 12 June 2013. a real autora é Constance Savery."Constance Savery, Life and Works". www.constancesavery.com. Retrieved 12 June 2013.; see for example Publishers of Savery's Adult Novels Emma Brown, de Clare Boylan, publicado em 2003.
Poesia Poems by Currer, Ellis, and Acton Bell (1846)
Doença e Morte esquerda|miniaturadaimagem|249x249px|Charlotte faleceu no ano de 1855, depois de 9 meses de casada, estava grávida. Morreu de pneumonia. Comum na época. Toda a família sofria de problemas de pulmão e febre tifoide devido a viverem ao lado do cemitério. Em junho de 1854, Charlotte casou-se com Arthur Bell Nicholls, o coadjutor do pai, e, segundo muitos intelectuais, a pessoa que inspirou personagens como Rochester e St. John em Jane Eyre. Ficou grávida pouco depois do casamento e a sua saúde começou a piorar rapidamente durante esta altura. Segundo Gaskell, sua primeira biógrafa, Charlotte sofria de "náuseas permanentes e desmaiava frequentemente."Real life plot twists of famous authors, CNN, 25 de Setembro de 2007 Rejeitando tratamento, Charlotte morreu, juntamente com o filho que esperava, no dia 31 de março de 1855, com trinta e oito anos de idade. A sua certidão de óbito diz que a causa de morte foi tuberculose, mas muitos biógrafos defendem que a escritora pode ter morrido de desidratação e subnutrição provocados pelos vômitos excessivos de que sofria. Também existem provas de que Charlotte pode ter morrido de febre tifoide que teria contraído de Tabitha Ackroyd, a criada mais antiga da família, que morreu pouco tempo antes dela. Charlotte foi enterrada na campa da família no cemitério da Igreja de São Miguel e Todos os Anjos em Haworth, West Yorkshire, Inglaterra.
"The Life of Charlotte Brontë", uma biografia publicada por Gaskell após a sua morte, foi o primeiro de muitos trabalhos biográficos publicados sobre a sua vida. Apesar de ser honesto em algumas partes, Gaskell também escondeu pormenores sobre a paixão de Charlotte por Héger, um homem casado, por ser um escândalo para a moral da época e por poder ser um choque para os amigos e familiares de Charlotte ainda vivos, nomeadamente o seu pai e o seu marido.Lane, Margaret (1953). The Brontë Story: a reconsideration of Mrs. Gaskell's Life of Charlotte Brontë. pp. 178–83 Gaskell também dá informação duvidosa e pouco clara sobre Patrick Brontë afirmando, por exemplo, que ele não deixava os filhos comer carne. Esta afirmação é refutada nos diários de Emily Brontë nos quais a escritora descreve a preparação de carne e batatas para um jantar na paróquia, tal como a escritora Juliet Barker mostra na sua recente biografia intitulada "The Brontës".
Fragmentos de um romance no qual Charlotte tinha trabalhado durante os seus anos de vida foram recentemente publicados por Clare Boylan com o título Emma Brown: A Novel from the Unfinished Manuscript by Charlotte Brontë, além de muito material sobre Angria nas décadas que se seguiram.
Notas
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