William Martin Gulager (Holdenville, — Los Angeles, ), conhecido artisticamente como Clu Gulager, foi um ator e diretor de cinema . Com uma carreira que acumulou mais de 160 créditos ao longo de quase sete décadas na indústria do entretenimento, ele se destacou inicialmente em produções televisivas a partir de meados dos anos 1950, consolidando-se posteriormente em longas-metragens de suspense, drama e terror.

Alcançou notoriedade ao interpretar Billy the Kid na telessérie The Tall Man (1960–1962) e Emmett Ryker em The Virginian (1964–1968). No cinema, destacou-se por atuações em filmes como The Killers (1964), The Last Picture Show (1971) e The Return of the Living Dead (1985). Como diretor, realizou o curta-metragem A Day with the Boys (1969), que foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes. Mais tarde, dedicou-se à docência num estúdio de atuação próprio e apareceu em produções de terror independente e de baixo orçamento, com seus últimos trabalhos lançados comercialmente no final da década de 2010.

Primeiros anos Gulager nasceu em Holdenville, no estado de Oklahoma, em 1928. Membro registrado da Nação Cherokee de Oklahoma, ele vinculava as origens de sua família ao Território Indígena à remoção forçada da tribo em meados do século XIX; seu pai e seus avós paternos constavam no Dawes Roll, o registro oficial de cidadãos cheroquis concluído em 1906. Seu nome foi uma homenagem ao tio paterno, William Martin "Clu Clu" Gulager, que exerceu o cargo de senador estadual de Oklahoma entre 1922 e 1930. O apelido "Clu" originou-se de clu-clu, termo na língua cheroqui para as andorinhas-azuis (conhecidas em inglês como martins, levando a um trocadilho com o segundo nome do ator), aves que costumavam fazer ninhos na residência da família.

O pai de Gulager, John Delancy Gulager, foi um experiente ator de vaudeville antes de estabelecer um escritório de advocacia em Muskogee e assumir a função de juiz de comarca, tendo sido o responsável por instruir o filho nas técnicas de atuação desde a infância, antes de o futuro ator se graduar na Muskogee Central High School. A mãe do artista, Hazel Opal (Griffin) Gulager, trabalhou como funcionária no hospital local da Administração de Veteranos por trinta e cinco anos. A avó paterna dele, Martha Schrimsher Gulager, era irmã da mãe do ator e humorista Will Rogers, o que fazia de Gulager e Rogers primos de segundo grau.

Entre 1946 e 1948, Gulager integrou o Corpo de Fuzileiros Navais. Após o serviço militar, ingressou no Northeastern State College, em Tahlequah, transferindo-se posteriormente para a Universidade Baylor, em Waco, no Texas, para receber instrução avançada em artes dramáticas. Contemplado com uma bolsa de estudos no exterior, estabeleceu-se em Paris, onde aprofundou seus conhecimentos teóricos e práticos com o diretor francês Jean-Louis Barrault e com o mestre da mímica Étienne Decroux. Em 1952, após retornar a Baylor para concluir a graduação, recebeu uma proposta de trabalho em Nova Iorque; no mesmo período, contudo, o pai do artista faleceu subitamente.

Carreira 1950–1968: Primeiros trabalhos e sucesso televisivo miniatura|210px|Gulager, caracterizado como Billy the Kid, ao lado da atriz Marianna Hill na série The Tall Man. No início da década de 1950, Gulager começou a trabalhar em produções de televisão ao vivo em Nova Iorque, participando de atrações como Omnibus, The United States Steel Hour e Goodyear Playhouse. Em 1957, viajou para Los Angeles, onde estabeleceu sua carreira com o auxílio de um agente. A partir de 1959, apareceu em telesséries de faroeste como Have Gun – Will Travel, Wanted: Dead or Alive e Laramie, além do programa de mistério Alfred Hitchcock Presents. Essa transição para o gênero foi facilitada pela própria vivência do ator no ambiente rural, conforme recordou: "Eu era um caubói de Oklahoma. Eu consertava as cercas no inverno e, no verão, ficava no campo, atento às cascavéis [...] Bem, eu sabia interpretar um caubói, e para mim era fácil andar a cavalo e usar um chapéu".

Sua atuação como um personagem inspirado em Elvis Presley no programa Playhouse 90, da CBS, chamou a atenção de Lew Wasserman, chefe da MCA. Esse fato, somado ao desempenho do ator como o assassino Vincent "Mad Dog" Coll no drama policial The Untouchables, levou Gulager a ser escalado para o papel do fora da lei Billy the Kid em The Tall Man (1960–1962), série coestrelada por Barry Sullivan, intérprete do xerife Pat Garrett. Depois de duas temporadas, a produção foi cancelada diante de objeções do Congresso dos Estados Unidos, que contestou a representação do criminoso da vida real como uma figura heroica para o público jovem da época. O impacto desse programa propiciou, ainda, uma breve incursão de Gulager na indústria fonográfica; em 1961, ele lançou pela Capitol Records um compacto em vinil com as faixas "Chiquita Mia", canção que foi tocada em um episódio da série, e "Billy's Love Song", no lado B.

Em 1964, destacou-se no longa-metragem policial The Killers, no qual interpretou um assassino profissional parceiro do personagem de Lee Marvin, contracenando também com Angie Dickinson, John Cassavetes e com o então ator Ronald Reagan, futuro presidente dos Estados Unidos. O personagem de Gulager é assassinado pelo de Reagan, o que conferiu ao artista a condição de único ator morto em cena pelo político em toda a carreira cinematográfica deste. A produção foi originalmente concebida para inaugurar o formato de filmes feitos diretamente para a televisão, mas a NBC barrou a transmissão por considerá-la violenta demais para os padrões da época, o que fez a Universal Pictures lançar a obra diretamente nos cinemas.

Gulager passou a integrar, a partir de 1964, o elenco principal de The Virginian, produção de faroeste com episódios semanais de 90 minutos cuja estrutura se assemelhava à de longas cinematográficos. Na atração, ambientada em Wyoming, ele interpretou Emmett Ryker, um pistoleiro que se regenera e assume a função de homem da lei. O artista foi introduzido na terceira temporada e continuou atuando em dezenas de episódios antes de deixar o programa em 1968 com o objetivo de ingressar no cinema.

1969–1988: Cinema e produções de gênero Em 1969, Gulager interpretou um mecânico no filme sobre automobilismo Winning, estrelado por Paul Newman e Joanne Woodward. No ano seguinte, retornou à televisão ao coestrelar com Lloyd Bridges o drama San Francisco International Airport, da NBC, que durou apenas seis episódios. O desempenho de Gulager em The Killers convenceu o diretor Peter Bogdanovich a escalá-lo em The Last Picture Show (1971), longa dramático ambientado numa cidade do Texas; o ator interpretou o capataz Abilene, que se envolve com as personagens de Ellen Burstyn e Cybill Shepherd. Em 1977, atuou no suspense romântico The Other Side of Midnight, ao lado de Susan Sarandon.

Em 1981, ele foi contratado para interpretar o viticultor Chase Gioberti no episódio piloto da produção que viria a se tornar a série dramática de horário nobre Falcon Crest; contudo, após o projeto ser oficialmente adquirido pela CBS, o artista foi substituído no papel por Robert Foxworth. Em 1985, Gulager interpretou Burt Wilson, o gerente de um armazém de suprimentos médicos que se vê forçado a lutar contra mortos-vivos em The Return of the Living Dead, um clássico de comédia de terror dirigido por Dan O'Bannon. Inicialmente hesitante em aceitar o trabalho por julgar-se "um tanto acima" de produções do gênero, o ator posteriormente reconheceu o impacto da obra em sua carreira, comentando em 2017: "Se eu for lembrado por alguma coisa, será por isso... Matei 18 zumbis e depois eles voltaram e me detonaram com uma bomba nuclear!"

Ainda em 1985, atuou na produção de terror A Nightmare on Elm Street 2: Freddy's Revenge, ao lado de Hope Lange e Robert Englund, além de participar do suspense cômico de grande orçamento Into the Night, dirigido por John Landis, no qual interpretou um agente do FBI. No final da década, retornou temporariamente para Oklahoma e passou a direcionar sua carreira para o cinema independente de gênero, participando principalmente de produções de horror como The Hidden (1987) e From a Whisper to a Scream (1987), bem como comédias de terror. Em 1988, apareceu no longa I'm Gonna Git You Sucka, uma paródia de blaxploitation idealizada por Keenen Ivory Wayans.

1990–2019: Parcerias familiares e últimos trabalhos Na década de 1990, o ator ensaiou uma aposentadoria das telas, mas interrompeu o hiato para integrar o elenco do telefilme In the Line of Duty: Ambush in Waco (1993). Em 1995, reuniu-se com seu antigo colega de The Virginian, James Drury, em um episódio de Kung Fu: The Legend Continues, com David Carradine. A partir desse período, as produções cinematográficas de Gulager, incluindo curtas-metragens, passaram a envolver quase exclusivamente parcerias com sua esposa e filhos, um dos quais o cineasta John Gulager. A pedido da família, retornou à atuação no faroeste Gunfighter (1999), contracenando com Martin Sheen, e na comédia Palmer's Pick-Up (1999).

Na virada do século XXI, o artista dedicou-se à direção e à docência, instruindo alunos em um estúdio de atuação próprio em Los Angeles, o Clu Gulager's Film Acting Workshop. Nas duas décadas seguintes, ele declarou que não se considerava mais um profissional ativo, aceitando convites para atuar quase exclusivamente quando solicitado pelo filho John. Essa dinâmica de trabalho propiciou a presença de Gulager na trilogia de terror trash Feast (2005), Feast II - Sloppy Seconds (2008) e Feast III: The Happy Finish (2009), filmes lançados diretamente em vídeo nas quais interpretou um barman que enfrenta monstros numa taverna. O segundo longa caracterizou-se como um projeto familiar ao incluir no elenco o neto, então com apenas 11 meses, do ator. Sob a direção do filho, Gulager também participou da produção de terror cômico Piranha 3DD (2012).

Nos anos seguintes, mesmo afastado do circuito comercial tradicional, atuou nas produções independentes Tangerine (2015) e Blue Jay (2016). Sua última atuação na tela ocorreu na comédia dramática Once Upon a Time in Hollywood (2019), dirigida por Quentin Tarantino, na qual interpretou o atendente de uma livraria; a inclusão do ator conectou-se ao próprio enredo da obra, concebida como um tributo à era clássica de Hollywood na qual Gulager havia se destacado.

Vida pessoal Enquanto frequentava a Universidade Baylor, o artista conheceu a cantora e atriz Miriam Byrd-Nethery, com quem se casou em 1952. O casal teve dois filhos: Tom e John Gulager, que também seguiram carreira no cinema. Byrd-Nethery morreu em janeiro de 2003, aos 73 anos, encerrando uma união de mais de 50 anos. Gulager morreu de causas naturais, aos 93 anos, na residência do filho John, em Los Angeles, em 5 de agosto de 2022, conforme divulgado pela família em redes sociais.

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