Antônio Bentívolo (em italiano: Anton Galeazzo Bentivoglio; Bolonha, 1390 – Bolonha 23 de dezembro de 1435) foi um nobre bolonhês que exerceu a função de senhor da cidade.

Biografia Filho de João I Bentívolo e de Isabel de Castel San Pietro, Antônio nasceu por volta de 1390. À época da morte paterna, ainda era menor de idade, circunstância que provavelmente lhe permitiu permanecer em Bolonha. Nos anos subsequentes, após o período de domínio tirânico dos Visconti, a cidade voltou a submeter-se à autoridade da Igreja, sob o rigoroso governo do legado pontifício Baldassare Cossa, entre 1403 e 1410. É plausível que essa conjuntura tenha favorecido os descendentes de João Bentívolo, sobretudo Antônio, que parecia ter herdado de modo mais evidente as qualidades do pai. De fato, apenas uma década após a trágica morte paterna, já desfrutava de considerável relevância no cenário político local. Isso se tornou evidente em setembro de 1412, quando recebeu do município a incumbência de negociar os termos da rendição com o pontífice, cuja autoridade havia sido contestada pela cidade após uma revolta liderada pela corporação dos açougueiros. É bastante provável que sua atuação naquela circunstância tenha sido muito mais significativa do que sugerem as crônicas. Tal hipótese pode ser sustentada pelo fato de que, em 16 de novembro de 1412, o comissário pontifício, como forma de recompensá-lo pelos serviços prestados, concedeu-lhe a arrecadação dos rendimentos do imposto anual cobrado, em geral, dos prestamistas de dinheiro e, em particular, dos judeus — tributo que, por essa razão, era conhecido como "imposto dos judeus". Além de representar uma fonte considerável de renda, a arrecadação desse tributo lhe proporcionava um instrumento adicional para ampliar sua influência no âmbito político.

Sua influência na cidade já se havia ampliado consideravelmente, também em razão do casamento com Francisca Gozzadini, celebrado por volta de 1420, união da qual nasceram duas filhas, Isabel e Constança. Aníbal, seu filho natural, contava então sete anos. Amparando-se, portanto, em uma numerosa rede de partidários e no apoio de diversos exilados que fizera retornar à cidade, tentou assumir a senhoria de Bolonha mediante um golpe contra o palácio municipal, em 26 de janeiro de 1420. Entretanto, a concretização desse propósito encontrou forte resistência. Mateus Canetoli posicionou-se contra a iniciativa, acompanhado por seus próprios apoiadores, enquanto outros cidadãos buscavam intervir com o intuito de conter o tumulto. Após um período de hesitação, conseguiu-se, enfim, superar toda a oposição. Os Bentívolo prevaleceram e, uma vez ocupado o palácio, passaram a exercer o governo da cidade segundo seus próprios interesses.

Entretanto, Antônio encontrou no papa Martinho V um ferrenho opositor à sua pretensão de governar a cidade. Decidido a restabelecer a autoridade pontifícia sobre Bolonha, o pontífice instou-o imediatamente a entregar-lhe o domínio da cidade. Em seguida, buscando eliminar qualquer possibilidade de resistência, impôs o interdito a Bolonha por ocasião da Páscoa de 1420 e, posteriormente, enviou tropas sob o comando de André Fortebraccio, conhecido como Braccio da Montone, com a finalidade de submeter a cidade rebelde. Diante dessas circunstâncias, optou pela rendição. Iniciadas as negociações com Braccio, entregou-lhe Bolonha em julho de 1420, após assegurar aos habitantes o reconhecimento de suas "liberdades" e obter para si o feudo de Castelbolognese. A investidura foi concedida pelo papa Martinho V em 25 de agosto daquele mesmo ano. Quatro dias antes, em 21 de agosto, o pontífice havia nomeado Antônio reitor in temporalibus da Campagna e Marittima, evidentemente com a finalidade de afastá-lo da Romanha. Ainda assim, cuidou de não se deslocar para a sede de sua reitoria, circunstância que levou Martinho V, em 28 de novembro de 1420, a revogar a nomeação.

Em junho de 1423, o legado pontifício em Bolonha, desconfiado de Antônio, também lhe retirou o feudo de Castelbolognese. Diante disso, viu-se obrigado a enfrentar a dura experiência do exílio, período que marcaria sua transformação de jurista em comandante militar. Inicialmente, refugiou-se em Florença, onde passou a servir aos florentinos, participando, em julho de 1424, da batalha de Zagonara contra o duque de Milão. Mais tarde, graças à amizade de Reinaldo degli Albizzi e de Cosme de Médici, conseguiu reconciliar-se com o pontífice, que, provavelmente com o propósito de acompanhar mais de perto seus movimentos e mantê-lo afastado de Bolonha, o incorporou ao serviço pontifício, em 1426, como comandante militar.

Enquanto isso, em Bolonha, os Canetoli haviam conquistado facilmente a preeminência política e, posteriormente, em 2 de agosto de 1428, assumiram o poder, expulsando da cidade tanto seus adversários quanto o legado pontifício. Martinho V enviou então contra os rebeldes Jacó Caldora, à frente de um exército do qual Antônio participava na qualidade de comissário pontifício. Quando a cidade capitulou, em 25 de setembro de 1429, contudo, não lhe foi permitido ingressar em Bolonha, pois permanecia sob interdição. Tampouco pôde retornar à pátria em 1431, quando, aproveitando-se de novos conflitos provocados pelos Canetoli, seus partidários conseguiram ocupar temporariamente San Giovanni in Persiceto. Diante do insucesso dessas iniciativas, desistiu de empreender novas tentativas e, na expectativa de circunstâncias mais favoráveis, refugiou-se por algum tempo em Faença, onde se encontrava em maior segurança.

Nos anos subsequentes, a situação em Bolonha agravou-se progressivamente em razão dos conflitos entre as facções lideradas pelos Zambeccari e pelos Canetoli. Estes, após promoverem novo exílio de seus adversários, conseguiram, com o auxílio de um exército enviado pelos Visconti, expulsar também o legado pontifício e libertar a cidade da submissão à Igreja. Contudo, quando o apoio de Filipe Maria Visconti cessou em decorrência do acordo celebrado entre ele e o papa Eugênio IV, em 1435, os bolonheses foram novamente obrigados a submeter-se à autoridade pontifícia. Com o propósito de evitar novas rebeliões e restabelecer a paz, o pontífice determinou o banimento dos Canetoli e de seus partidários.

Somente então Antônio, que havia retomado algum tempo antes suas conspirações, na expectativa de conseguir ingressar à força em Bolonha, recebeu do pontífice autorização para regressar à pátria. O retorno, ocorrido em 4 de dezembro de 1435, após quinze anos de exílio, foi marcado por manifestações de júbilo tão expressivas que evidenciaram a permanência, entre seus concidadãos, da memória de sua figura e da de seu pai. Tais demonstrações, contudo, despertaram a desconfiança do governador pontifício, Daniel Scoti, bispo de Concórdia, que, receando novas insurreições, convidou-o cordialmente ao palácio e, em 23 de dezembro daquele mesmo ano, ordenou sua prisão à traição, seguida de sua decapitação.

Sepultado sem honras na igreja de São Cristóvão, recebeu posteriormente uma sepultura digna. Em 1443, por iniciativa de seu filho Aníbal, seus restos mortais foram trasladados para a igreja de São Giacomo, onde passaram a repousar em um artístico túmulo esculpido por Jacó della Quercia.

Bibliografia

Categoria:Naturais de Bolonha Antônio Bentívolo