O Hospital Central Dr. Ayres de Menezes (HAM), também chamado de Centro Hospitalar Dr. Ayres de Menezes de São Tomé e Príncipe, é o principal hospital de São Tomé e Príncipe. Está localizado no bairro de Campo Milho/Hospital, na capital São Tomé.
Além de ser a maior unidade hospitalar da nação, é também a mais importante instituição do Serviço Nacional de Saúde. Serve, ainda, como hospital-docente para os alunos do Instituto Superior de Ciências e Saúde da Universidade de São Tomé e Príncipe. É um dos dois únicos hospitais públicos do país — o outro é o Hospital Regional Manuel Dias da Graça, em Santo António.
O hospital leva o nome de Ayres de Menezes, primeiro médico sanitarista negro que trabalhou no hospital e principal nome do nacionalismo em São Tomé e Príncipe antes da década de 1950.
Histórico Em 1915, a administração colonial portuguesa construiu o "Hospital de São Tomé". A construção foi feita, primordialmente, para tentar aliviar a pressão sobre a deteriorada Santa Casa da Misericórdia de São Tomé (construída em 1503), bem como para estabelecer uma instituição de suporte às Missões de Combate à Doença do Sono nas Ilhas de São Tomé e Príncipe, realizadas entre 1911 e 1915. Em segundo plano, e como influência definidora para a fundação dessa unidade de saúde, estava a busca pelos republicanos portugueses de diminuir a peso da Igreja Católica nos assuntos públicos nacionais. O primeiro director-geral do Hospital foi o goês-santomense Bernardo Francisco da Costa.
O hospital foi integrado na Directoria-Geral dos Serviços de Saúde e Higiene de São Tomé e Príncipe na década de 1920, período em que esteve sob forte influência das políticas sanitaristas do médico Ayres de Menezes. Em 1939, numa pomposa cerimônia conduzida pelo Presidente português Óscar Carmona, foram inauguradas as edificações do Hospital, ocasião em que foi nomeado como "Hospital Central Dr. Oliveira Salazar" (HCDOS).
O Decreto n.º 34.417, de 21 de fevereiro de 1945, reorganizou os Serviços de Saúde da Província de São Tomé e Príncipe. Pela primeira vez, o Hospital Central Dr. Oliveira Salazar seria descentralizado com a perspectiva de criação do "Hospital Governador Carlos Sousa Gorgulho" (actual Hospital Regional Manuel Dias da Graça), em Santo António, no Príncipe, e do "Hospital de Monte Café", em Mé-Zóchi. Um dos efeitos desse decreto foi a tentativa de contornar a falta de profissionais de saúde e a proliferação de doenças no arquipélago e demais territórios coloniais, com a instituição sendo transformada em hospital-docente entre 1947 e 1952, servindo como local de prática da Escola de Enfermagem de São Tomé.
No bojo do nascimento do nacionalismo santomense, ocorreu em 1953 o "massacre de Batepá". A instituição chegou a ser utilizada pelo médico português Aragão Rio como centro de tortura contra os santomenses detidos, notoriamente sendo morto após tortura, nas dependências do próprio Hospital, o nacionalista José D'Alva Ribeiro.
Em 1973 foi realizada uma extensa reforma nos prédios da instituição, com destaque para a inauguração do pavilhão de cirurgia do Hospital Central Dr. Oliveira Salazar.
Em julho de 1975 São Tomé e Príncipe garantiu sua independência. Um dos primeiros atos do governo recém-independente foi renomear a instituição como "Hospital Dr. Ayres de Menezes". Em janeiro de 1977 o Ministério de Saúde criou uma Comissão Nacional para as Emergências Sanitárias, com enfoque no combate ao paludismo, mal de hansen e a tuberculose, conseguindo bastante sucesso nessa empreitada. De 1975 a 1990, a formulação das políticas hospitalares no Ayres de Menezes ficou a cargo dos médicos Carlos Graça e Guadalupe de Ceita e da enfermeira Maria Cupertino Will.
No bojo das políticas neoliberais e de arrocho orçamentário da década de 1990, foi editado o Decreto-Lei nº 34/95, de 17 de novembro de 1995, que transformou a instituição em "Centro Hospitalar Dr. Ayres de Menezes de São Tomé e Príncipe" (CHSTP), passando a ser uma pessoa coletiva de direito público, dotada de autonomia administrativa-financeira e patrimonial, com capacidade jurídica própria e de duração indefinida. O período também foi desafiador para a instituição em função das epidemias nacionais de cólera (em 1989-1990), de sarampo (em 1993-1994) e de disenteria bacilar (1993-1994). Esse arrocho orçamentário vivido desde esse período tem definido as constantes crises e a precariedade por qual o Hospital tem passado.
Entre 2006 e 2009 um Centro de Hemodiálise foi mantido no Hospital a partir de uma cooperação com o governo português. Chegou a ser anunciado em 2009 e em 2012 a construção de um Centro de Hemodiálise próprio, anexo ao hospital, por intermédio de uma parceria portuguesa, mas até 2021 isso ainda não havia sido levado a cabo. Entre 2010 e 2011, em função da crise econômica global e do consequente impacto no orçamento público santomense, o Hospital viveu períodos de grandes dificuldades, com falta de água canalizada e suspensão de cirurgias. Em outubro de 2024 o Sindicato dos Médicos (SIMED) organizou uma greve dos profissionais de sáude em denúncia pela carência técnica e de profissionais, pela falta de medicamentos, de reagentes hospitalares e de consumíveis para os pacientes, ressaltando que o problema da falta de água permanecia após mais de uma década.
No final de junho de 2017, foi inaugurada uma nova unidade de tomografia computadorizada. Durante pandemia de COVID-19, o Hospital santomense assinou um acordo de cooperação com o Hospital da China Ocidental para garantir a entrega de suprimentos, treinamento de profissionais e o estabelecimento de um mecanismo de emparelhamento técnico-científico e operacional entre as instituições de São Tomé e Príncipe e da República Popular da China. Em julho de 2025, com financiamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), foi inaugurada uma Central de Produção de Oxigénio no Hospital.
Categoria:Saúde em São Tomé e Príncipe