O cotransportador de sódio e glicose 1 (SGLT1), codificado pelo gene SLC5A1, é uma proteína transmembranar essencial que desempenha um papel crítico na homeostase metabólica e na fisiologia humana, operando através de um mecanismo de transporte ativo secundário que acopla energeticamente a entrada de dois iões de sódio (Na⁺) a favor do seu gradiente eletroquímico — mantido pela bomba de sódio e potássio na membrana basolateral — com a captação de uma molécula de glicose ou galactose contra o gradiente de concentração celular. Expresso predominantemente na membrana apical dos enterócitos no intestino delgado, o SGLT1 é o principal responsável pela absorção dietética destes hidratos de carbono simples, sendo também crucial nos rins, mais especificamente nos segmentos posteriores (S3) do túbulo contornado proximal, onde recupera os cerca de 10% de glicose filtrada que escaparam à reabsorção massiva do SGLT2, garantindo a ausência de glicosúria em condições fisiológicas normais. A relevância clínica deste transportador manifesta-se de forma dramática na síndrome de malabsorção de glicose e galactose, uma patologia congénita rara autossómica recessiva decorrente de mutações no SLC5A1 que provoca diarreia osmótica grave e desidratação potencialmente fatal em recém-nascidos logo após a ingestão de leite, e, mais recentemente, o SGLT1 emergiu como um alvo terapêutico de grande interesse na gestão da diabetes mellitus, uma vez que o desenvolvimento de inibidores duplos de SGLT1 e SGLT2 (como a sotagliflozina) permite não só aumentar a excreção renal de glicose, mas também atrasar a sua absorção intestinal, mitigando eficazmente os picos glicémicos pós-prandiais e oferecendo benefícios adicionais na proteção cardiorrenal.
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