O ácido hidroxicinâmico designa uma classe fundamental de compostos orgânicos pertencentes à família dos ácidos fenólicos e derivados dos fenilpropanoides, que se caracterizam estruturalmente por apresentarem um anel benzénico ligado a uma cadeia lateral de ácido propanoico, contendo uma ou mais substituições de grupos de hidroxilo (-OH). Sintetizados exclusivamente no reino vegetal através da via metabólica do ácido xiquímico, estes metabolitos secundários desempenham papéis biológicos cruciais na sobrevivência das plantas, atuando como barreiras estruturais através da lenhificação da parede celular e funcionando como agentes de defesa endógenos contra o stress foto-oxidativo induzido pela radiação ultravioleta, ataques de micro-organismos patogénicos e pressões herbívoras. Na literatura científica e na bioquímica alimentar, os derivados mais abundantes e rigorosamente estudados são o ácido cafeico (frequente no café e em diversas frutas), o ácido ferúlico (predominante nas películas externas de cereais integrais, como a aveia e o trigo), o ácido p-cumárico (altamente distribuído nos tecidos celulares vegetais) e o ácido sinápico (típico de vegetais crucíferos, como os brócolos e a couve). Do ponto de vista da saúde humana e da nutrição integrativa, a ingestão regular de alimentos ricos em ácidos hidroxicinâmicos, comummente associada aos padrões alimentares da dieta mediterrânica, tem despertado um interesse crescente devido à sua notável bioatividade. O seu mecanismo de ação assenta numa excecional capacidade antioxidante conferida pela deslocalização eletrónica do anel aromático, o que lhes permite sequestrar com eficácia os radicais livres, mitigando o stress oxidativo celular que está na génese do envelhecimento prematuro e de patologias degenerativas. Adicionalmente, estes compostos manifestam propriedades anti-inflamatórias por via da modulação de citocinas pró-inflamatórias, exercem um efeito cardioprotetor ao inibirem a oxidação das lipoproteínas de baixa densidade (colesterol LDL) — prevenindo a progressão da aterosclerose — e exibem um enorme potencial na indústria dermocosmética, onde o ácido ferúlico é amplamente incorporado em formulações tópicas antienvelhecimento devido à sua capacidade singular de estabilizar e potenciar a atividade fotoprotetora das vitaminas C e E.

Categoria:Antioxidantes Categoria:Ácidos fenólicos Categoria:Fenilpropanoides Categoria:Hidroxiácidos