miniaturadaimagem|Aaron Ferrey House, em Kent (Ohio), com a empena central acentuada e o beiral recortado típicos do estilo miniaturadaimagem|Grace Episcopal Church, em Georgetown (Colorado) Carpenter Gothic, também designado Carpenter's Gothic ou Rural Gothic, é uma vertente norte-americana do neogótico que adapta elementos decorativos da arquitetura gótica à construção em madeira. O termo não tem tradução consagrada em português e surge por vezes vertido como «gótico de carpinteiro».

O desenvolvimento do estilo foi favorecido pela abundância e pelo baixo custo da madeira na América do Norte, onde já existia uma tradição de construção vernacular com esse material. Os carpinteiros adaptaram à madeira elementos do gótico europeu, como arcos apontados, pináculos e rendilhados, sem seguir rigorosamente os modelos em pedra. Os manuais de projetos da época contribuíram para a sua difusão, sobretudo Rural Residences, de Alexander Jackson Davis, e as plantas e alçados publicados por Andrew Jackson Downing.

O estilo foi usado sobretudo em construções de pequena escala, como casas de campo, dependências agrícolas e igrejas paroquiais. Teve maior difusão entre meados e finais do século XIX, embora tenha continuado a ser utilizado em períodos posteriores.

Origem do termo A expressão foi inicialmente usada em Inglaterra com sentido depreciativo. Segundo Phillip Lindley, «Carpenter's Gothic» servia para criticar intervenções de restauro orientadas por critérios de carpintaria, em detrimento do estudo arqueológico do edifício. Esse uso surgiu na polémica em torno dos restauros de George Gilbert Scott na Catedral de Ely. Na América do Norte, o termo passou a designar um conjunto de construções, sem a conotação negativa do uso britânico.

Características Entre as características do estilo estão o revestimento exterior em tábuas verticais com mata-juntas, conhecido como board and batten, e o uso de tabuado horizontal. As janelas apresentam arcos apontados, por vezes acompanhados de uma rosácea na empena. As coberturas têm forte inclinação e uma empena central saliente. São também comuns as varandas de um só piso na fachada principal e os lambrequins de madeira recortada nos beirais, uma ornamentação conhecida em inglês como gingerbread. O contraforte aparece com menos frequência, sobretudo em igrejas e em casas de maior porte.

A serra tico-tico acionada a vapor e a produção de molduras de madeira em série facilitaram a execução dos ornamentos e reduziram o tempo de trabalho. Na maioria dos edifícios, porém, a decoração era simples, limitando-se aos arcos apontados e às empenas inclinadas.

Os elementos neogóticos também aparecem nos interiores. Gladys Montgomery documenta o uso de vãos e portas em arco apontado, lambris, tetos de caixotões, papéis de parede lavrados e mobiliário neogótico.

Difusão O estilo encontra-se em várias regiões dos Estados Unidos. Na Flórida, entre 1870 e 1900, ergueu-se um conjunto de igrejas de madeira que Jack C. Lane descreve como o núcleo mais denso do género, associado à expansão das congregações protestantes. No Colorado, o estilo aplicou-se tanto a casas como a igrejas, com exemplos como a Hamill House, em Georgetown, e a South Park Community Church, em Fairplay.

Fora da América do Norte, construíram-se igrejas de madeira de inspiração neogótica na Austrália, na Nova Zelândia e em territórios insulares anglófonos do Atlântico e das Caraíbas. A designação Carpenter Gothic é de uso essencialmente norte-americano e raramente se aplica a esses edifícios.

Preservação Muitos exemplares norte-americanos estão inscritos no Registro Nacional de Lugares Históricos. A preservação de outros edifícios é dificultada pela pressão imobiliária, sobretudo em áreas urbanas.

Um exemplo das dificuldades de preservação é o da igreja episcopal de St. Saviour's, em Maspeth (Queens, Nova Iorque), projetada por Richard Upjohn e construída em 1847. Danificada por um incêndio em 1970, a igreja recebeu um revestimento de vinil que cobriu a madeira de sequoia original. Em 2005 o terreno foi vendido a um promotor imobiliário. A Comissão de Preservação de Marcos da cidade analisou o processo por três vezes, mas não classificou o conjunto por considerar que os elementos originais tinham sido demasiado alterados. A demolição chegou a estar marcada; a 24 de março de 2008, poucas horas antes do prazo final, um acordo entre o promotor e a Juniper Park Civic Association permitiu retirar a igreja do terreno.

A igreja foi desmontada e as peças foram etiquetadas para permitir a sua reconstrução. A operação custou cerca de 250 mil dólares em fundos públicos. O material foi guardado em dois reboques no cemitério All Faiths, em Middle Village, onde ainda se encontrava em dezembro de 2025. Em janeiro de 2026, técnicos da New York Landmarks Conservancy inspecionaram o depósito e consideraram que a madeira visível aparentava bom estado. Para uma avaliação completa, seria necessário dispor as peças numa área de cerca de um quarto de acre. A reconstrução dependia de financiamento e de uma entidade capaz de assumir o projeto.

American Gothic Uma casa deste estilo aparece na pintura American Gothic, de Grant Wood. Em agosto de 1930, o pintor viu da estrada uma pequena casa branca em Eldon, no Iowa, com uma janela de arco apontado no piso superior. Decidiu pintá-la juntamente com «o tipo de gente que imaginei que devia viver naquela casa».

Para as figuras de American Gothic, Wood recorreu à irmã, Nan, e ao seu dentista em Cedar Rapids, Byron McKeeby. Os dois posaram separadamente e nunca estiveram juntos diante da casa. O pintor não esclareceu a relação de parentesco entre as figuras. Na época, eram geralmente interpretadas como um casal. Mais tarde, Nan passou a descrevê-las como pai e filha.

Steamboat Gothic miniaturadaimagem|Langdon House, em Cincinnati (Ohio), exemplo de Steamboat Gothic O termo Steamboat Gothic, frequentemente confundido com Carpenter Gothic, designa as casas de grande porte construídas em meados do século XIX nos vales do Mississippi e do Ohio. A sua decoração elaborada imitava a dos barcos a vapor fluviais. A etimologia registada pelo dicionário Merriam-Webster associa a expressão às casas de capitães reformados que tinham trabalhado nesses barcos. O primeiro uso conhecido da expressão data de 1941, antes da publicação do romance homónimo de Frances Parkinson Keyes, em 1952, que contribuiu para popularizá-la.

Referências

Ver também

Neogótico Arquitetura vernacular American Gothic (pintura) Registro Nacional de Lugares Históricos

Ligações externas

Carpenter Gothic, ficha do estilo no guia de arquitetura histórica do History Colorado (em inglês)

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