thumb|Mesas redondas preparadas para um jantar de Estado na Sala de Jantar de Estado da Casa Branca. Os grandes pratos de serviço dourados pertencem ao aparelho de jantar Eisenhower. Um banquete de Estado é um banquete oficial oferecido pelo chefe de Estado em sua residência oficial a outro chefe de Estado, ou, por vezes, a um chefe de governo, e a outros convidados. Geralmente realizado como parte de uma visita de Estado ou conferência diplomática, o evento visa celebrar os laços diplomáticos entre o país anfitrião e o país do convidado. Dependendo do horário, pode ser denominado jantar de Estado ou almoço de Estado. A dimensão do evento varia, mas o número de convidados pode chegar a centenas.

No mundo ocidental, o protocolo para banquetes de Estado tradicionalmente exige traje de gala (casaca ou fraque); a programação inclui guardas de honra, uma refeição composta por quatro ou cinco pratos, entretenimento musical e baile. Normalmente, são realizados breves discursos e brindes por parte do anfitrião e do convidado principal.

História thumb|Carlos V de França recebe Carlos IV do Sacro Império Romano-Germânico, e seu filho Venceslau IV da Boêmia em 1378. Eles assistem a uma apresentação que reconstitui a tomada de Jerusalém. thumb|Banquete de Estado em Milão por ocasião da coroação do Imperador Fernando I como Rei da Lombardia-Vêneto, em 1838. Os poucos comensais estão sentados; os espectadores apenas observam a refeição.

Há vários séculos, as dificuldades de deslocamento e as preocupações com a segurança tornavam muito menos frequentes os encontros entre monarcas reinantes — a principal categoria de chefe de Estado; quando ocorriam em locais com infraestrutura adequada, tais encontros eram geralmente celebrados com banquetes de grande suntuosidade, seguindo o estilo da época. O Banquete dos Cinco Reis, realizado em Londres em 1363, foi um evento excepcional que reuniu os reis da Inglaterra, Escócia, França, Dinamarca e Chipre. Assim como ocorria em jantares menos solenes na corte, o número de comensais costumava ser elevado, mas as figuras mais importantes ocupavam uma mesa separada — frequentemente elevada sobre um estrado, constituindo a mesa de honra — e, muito provavelmente, consumiam pratos diferentes.Strong, 104–105 Muitos banquetes de Estado celebravam casamentos reais, frequentemente envolvendo princesas estrangeiras como noivas, e constituíam importantes eventos diplomáticos. O banquete de coroação também se destacava pela grande suntuosidade. Durante o Renascimento, a Itália ditava o estilo para o restante da Europa,Strong, 174–176 mas, quando esse formato se padronizou no continente durante o período Barroco, foi a corte francesa de Luís XIV que estabeleceu as normas na maioria dos aspectos.Strong, 224, 229–230

Uma característica marcante dos banquetes de Estado do Antigo Regime, assim como do estilo mais formal das refeições reais cotidianas, era que o número de pessoas que efetivamente se sentavam à mesa para comer era muito reduzido; frequentemente, tratava-se apenas de membros da realeza, cercados, porém, por uma multidão de cortesãos que apenas observavam, sendo por vezes interpelados por alguém à mesa. Fora isso, esperava-se que os espectadores permanecessem em silêncio, como num teatro.Strong, 256 Muitas vezes, os presentes no salão eram exclusivamente homens, enquanto as damas da corte assistiam a tudo de galerias situadas no andar superior. Privilegiava-se o uso de uma mesa única, frequentemente em formato de "U", com os comensais sentados na parte externa, voltados para o interior do "U" — espaço reservado àqueles que serviam a refeição. Refeições altamente ritualizadas, realizadas em público por monarcas e suas famílias, eram comuns na maioria das monarquias; embora em alguns casos ocorressem apenas algumas vezes ao ano, na França eram muito mais frequentes.Strong, 250, 256 O evento possuía um caráter teatral e servia como demonstração de hierarquia e poder. Esse estilo de refeição desapareceu na França com a Revolução Francesa, mas ressurgiu sob Napoleão, mantendo um nível de formalidade igual ou superior ao anterior.Strong, 276–279

O estilo moderno típico de banquetes de Estado, caracterizado por um grande número de convidados e pela presença de garçons que permanecem de pé para servir, foi introduzido por Luís Filipe I, futuro rei da França. Quando seu filho e herdeiro se casou, em maio de 1830, ele convidou 500 pessoas para um banquete no Palácio de Versalhes, apesar (ou por causa) da crise constitucional iminente que, semanas mais tarde, levaria à Revolução de Julho e à sua ascensão ao trono. Os convidados representavam diversos segmentos de pessoas influentes, e não apenas membros da corte — um padrão que, em geral, se mantém nos banquetes modernos.Strong, 280 Tipicamente, embora isso não ocorra mais nos Estados Unidos, utiliza-se uma única mesa de grandes dimensões, frequentemente em formato de "U" ou de "E", na qual o anfitrião e os convidados mais importantes se sentam juntos, enquanto os demais convidados se acomodam em mesas dispostas perpendicularmente a essa mesa principal.

Por país

Estados Unidos

Introdução 215px|thumb|right|Uma tenda montada no Gramado Sul foi o local de um jantar de Estado realizado na noite de 24 de novembro de 2009. O presidente Barack Obama e a primeira-dama Michelle Obama jantaram com o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e sua esposa, Gursharan Kaur. Nos Estados Unidos, um jantar de Estado é um evento formal — que, nos últimos anos, tem exigido mais frequentemente o traje de smoking em vez do de casaca — realizado em honra a um chefe de Estado estrangeiro, como um rei, uma rainha, um presidente ou qualquer chefe de governo. Esse jantar é oferecido pelo Presidente dos Estados Unidos e realizado na Sala de Jantar de Estado da Casa Branca, em Washington, D.C. Outros jantares formais para personalidades de outras nações, como príncipes ou princesas, são denominados jantares oficiais; a diferença é que estes não são custeados pelo governo federal.

Jantares de Estado e oficiais seguem um protocolo rigoroso para garantir que não ocorram gafes diplomáticas. O Chefe de Protocolo dos Estados Unidos (um funcionário do Departamento de Estado), o Chefe dos Mordomos da Casa Branca (responsável pela equipe de serviço da residência) e o Secretário Social da Casa Branca supervisionam o planejamento desses jantares do início ao fim. O Escritório de Gráfica e Caligrafia, anteriormente localizado na Ala Leste da Casa Branca, também desempenha diversas funções. O Calígrafo-Chefe da Casa Branca cria os cartões de lugar com os nomes dos convidados designados para as mesas na Sala de Jantar de Estado. Esse profissional também elabora e escreve os convites formais enviados pelos correios aos endereços dos convidados. Jantares de Estado exigem uma estreita coordenação entre o Chef Executivo e o Chef Pâtissier Executivo da Casa Branca — que planejam e preparam uma refeição de quatro ou cinco pratos — e o Designer Floral-Chefe, responsável pelos arranjos de flores e pela decoração das mesas iluminadas por velas.

Como é de praxe em todas as visitas oficiais de chefes de Estado estrangeiros, um jantar de Estado sucede a cerimônia de recepção oficial, realizada no Gramado Sul mais cedo naquele mesmo dia. Além disso, os jantares de Estado realizados nos últimos anos também contam com cobertura da emissora de televisão de interesse público C-SPAN.

História thumb|right|A Sala de Jantar de Estado da Casa Branca, conforme retratada nesta imagem estereoscópica da década de 1850. Mesas longas de banquete eram utilizadas para jantares oficiais antes de serem descartadas na década de 1960 pela primeira-dama Jacqueline Kennedy, em favor de mesas redondas. No início do século XIX, jantares em homenagem ao Gabinete presidencial, ao Congresso ou a outras autoridades eram chamados de "jantares de Estado", mesmo na ausência de representação estrangeira oficial. Nessas circunstâncias, grandes recepções e jantares eram raros, visto que a sociedade de Washington, D.C., consistia em um conjunto de vilarejos isolados, muito distantes entre si e, por vezes, quase inacessíveis. Os tempos mudaram, assim como a capital do país, passando-se a realizar uma série de jantares de Estado durante a temporada social de inverno para homenagear o Congresso, a Suprema Corte e membros do corpo diplomático.

No final do século XIX, o termo "jantar de Estado" tornou-se sinônimo de um jantar oferecido pelo presidente em homenagem a um chefe de Estado estrangeiro. O primeiro chefe de Estado visitante a comparecer a um jantar de Estado na Casa Branca foi o Rei David Kalakaua, do Reino do Havaí, que realizava uma visita de Estado aos Estados Unidos a convite de Ulysses S. Grant, em 12 de dezembro de 1874.

A restauração da Casa Branca realizada pelo escritório de arquitetura McKim, Mead & White em 1902 criou um cenário mais adequado para a realização de recepções oficiais. Quando o gabinete do presidente foi transferido para a recém-construída Ala Oeste, a remodelação neoclássica dos salões de Estado da Residência Executiva proporcionou a Theodore Roosevelt um ambiente perfeito, que refletia o crescente poder e a influência dos Estados Unidos no cenário mundial. Durante a completa reconstrução do interior da Casa Branca, ocorrida entre 1948 e 1952, Harry S. Truman e Bess Truman residiram na Blair House, e os jantares de Estado foram realizados em hotéis da capital do país. Antes da administração de John F. Kennedy, utilizavam-se sempre mesas longas de banquete na Sala de Jantar de Estado. No entanto, essas mesas foram definitivamente substituídas por Jacqueline Kennedy por mesas redondas, capazes de acomodar um número muito maior de convidados — aproximadamente 120 a 140 pessoas — em um espaço tão restrito. Até hoje, presidentes e primeiras-damas continuam a imprimir seu toque pessoal e estilo ao receber chefes de Estado estrangeiros na Casa Branca, dispondo de acesso total à coleção de peças em vermeil (candelabros e talheres dourados), ao serviço de cristais da "Casa do Presidente" e à inestimável coleção de louças da Casa Branca, que abrange desde a administração de James Monroe até a de George W. Bush, para uso em jantares de Estado.

Sequência de eventos thumb|right|Um cardápio com caligrafia manual colocado sobre o aparelho de jantar da família Clinton, utilizado em um jantar de Estado thumb|right|Sob a direção do Chef Executivo da Casa Branca, Henry Haller, chefs preparam a comida para um jantar de Estado em homenagem ao primeiro-ministro australiano Malcolm Fraser, em 1981. Durante um jantar de Estado, guardas de honra e equipes de condução de bandeiras, vestindo uniformes de gala de todos os ramos das Forças Armadas dos Estados Unidos, são mobilizados para funções cerimoniais na Casa Branca. Na entrada do Pórtico Norte da Casa Branca, o Presidente dos Estados Unidos e a Primeira-dama dos Estados Unidos recebem formalmente o chefe de Estado visitante e seu cônjuge, que chegam em um comboio proveniente da Blair House, a residência oficial de hóspedes para chefes de Estado e dignitários estrangeiros, ou da residência de um embaixador estrangeiro na região da Embassy Row, no quadrante Noroeste de Washington, D.C. Realiza-se uma breve sessão de fotos para a imprensa no topo da escadaria. Em seguida, o presidente e a primeira-dama conduzem o chefe de Estado visitante e seu cônjuge até a Sala Oval Amarela para uma recepção no andar residencial, onde são servidos aperitivos, coquetéis, vinho ou champanhe aos convidados. O presidente e a primeira-dama também apresentam seus convidados a diversas personalidades norte-americanas, como embaixadores, diplomatas, membros do Congresso, integrantes do Gabinete presidencial e outras figuras de destaque, incluindo celebridades e grandes estrelas de Hollywood, convidados a critério do presidente e da primeira-dama.